Vasco

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quinta-feira, 12 de novembro de 2015

FERAS DAS COLINA - TOSTÃO

  A revista  “Placar”, a principal do segmento esportivo no país, desde 1970,  em seu número 128, de 25 agosto de 1972, com o atleta na capa, contou que o então meia-atacante, com 38,5 graus de febre,  brigou para ser escalado em um clássico com o Flamengo, a fim de evitar que o time perdesse o entrosamento que vinha ganhando.

Maior nome do time cruzmaltino durante a conquista do título carioca de 1970, após 12 anos de jejum, o atacante Silva “Batuta” declarou isso, pela mesma matéria: “Trabalhei com muitos profissionais de gabarito, gente da melhor qualidade, mas esse Tostão é fora de série. Ele poderia ser um ponto de discórdia... Chegou numa hora difícil, com o time mal, sofrendo críticas, abalado psicologicamente.... veio como um salvador, animando a torcida, ganhando mais do que todo mundo. Mas aconteceu o inverso: ele, indiretamente, mudou as coisas, motivou a turma. ... esperavam uma figura auto-suficiente; esbarraram numa figura humana, humilde, inteligente, que entende futebol como algo coletivo”.
O goleiro Andrada, outro grande ídolo da época, também elogiava, dizendo que Tostão organizava o jogo, brigava pela bola. O treinador Mário Travaglini ia mais longe: “A importância de Tostão é maior do que se possa imaginar, mesmo fora da parte técnica. Sem querer, ele transmitiu à equipe uma filosofia de vida e de senso de responsabilidade de manter a forma e treinar com cuidados que não são comuns a um jovem rico, famoso e solteiro, em  uma grande cidade, como o Rio (de Janeiro)...ninguém pode se queixar  da disciplina do pessoal. A responsabilidade  e a união são tantas que, agora, os jogadores são seus próprios vigias...
O volante Alcir Portela, de grande respeito em São Januário, também estava no time dos fãs de Tostão; “...ninguém desconfia de ninguém. Voltamos à paz e à tranquilidade do Campeonato (Carioca) de (19)70...”, disse à mesma “Placar”, com o apoio do zagueiro Moisés.
ESQUEMA – Com Tostão no time, Silva ficava mais à frente, recebendo lançamentos e disputando bolas aéreas. Tostão vinha de trás, tabelando até encontrá-lo. Para Travaglini, jogar com os dois atrás seria burrice. Congestionaria a “meiuca” e facilitaria a vida das zagas. Então, o “Batuta” segurava os becões atrás, por ser um jogador de força e com bom domínio de bola. Jorginho Carvoeiro abria, pela direita, enquanto, do outro lado, a tarefa era dividida entre os meio-campistas Alcir, Buglê e Ademir, e o lateral-esquerdo Eberval. Se rolasse um mano a mano, a preferência no lance seria de Silva.        
Por tal esquema, Tostão  encontrava chances de bater de fora da área, algumas vezes com bolas recuadas por Silva, quando ficava muito apertado entre os zagueiros. Assim, a defesa se segurava muito bem. Inclusive, com Miguel voltando a jogar o futebol que o levara à Seleção Brasileira, e com Paulo César voltando a atacar, como nos tempos de América, motivo que o Vasco o levou. Valeu, garoto? (Fotos reproduzidas de Placar). Agradecimento.          
     

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