Vasco

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quinta-feira, 2 de junho de 2016

O ALMIRANTE CONTRA O 'REI MIL'

Em 19 de novembro de 2014, fez 45 anos da marcação do milésimo gol de Pelé, que saiu contra o Vasco.  O “Rei do Futebol” falou sobre o tento e foi publicado por vários jornais ter sido a partida mais importante de suas carreira com a camisa do Santos. Acompanhe o seu discurso:

- A expectativa era muito grande em torno da marcação do meu milésimo gol. O Brasil inteiro aguardava, ansiosamente. Há semanas, a imprensa não falava de outra coisa. Durante toda a partida, o Vasco fez uma marcação por zona, sem ninguém colado em mim. As jogadas de ataque do Santos saíam até com uma certa facilidade. Empatávamos, por 1x1, e o meu ‘gol mil’ não vinha. Até que o zagueiro René me derrubou dentro da área. Pênalti. Quando o juiz marcou, ninguém reclamou. O estádio inteiro, inclusive os vascaínos, pediam: ‘bate, bate’.
 
- Fui para a marca do pênalti com o coração pulando. Antes, pensava que aquele gol nunca chegaria. Mas, ao correr para a bola, sabia que, daquela vez, aconteceria. Dei uma paradinha, e o Andrada permaneceu imóvel. Bati forte, à meia altura, no canto esquerdo. Era o gol mil. Quando passei pelo Andrade, nem vi que ele esmurrava o chão, de raiva. O engraçado é que havia goleiros que dariam tudo para estar no lugar dele, que detestou aquele destino. Mais tarde, um jornalista uruguaio disse-me que o Andrada, com o tempo, passou a aceitar o fato, e agora encara até com orgulho ter sido o goleiro do meu milésimo gol.

- Durante toda a partida, fechou o gol, fez uma senhora exibição. Quando a bola tocar nas redes o gramado ser invadido. Eu só queria segurá-la. Meus olhos estavam cheios de lágrimas, e tudo o que dava para ver era um borrão branco no fundo do gol. Acho que fiquei, momentaneamente, surdo, porque não ouvi o barulho da torcida comemorando. Peguei a bola e a beijei, como se fosse uma criança. Foi aí que tive a ideia de pedir pelas criancinhas pobres do Brasil. O amor e alegria que sentia naquele momento eu iria dedicar a elas. A primeira pessoa a chegar junto de mim foi o Geraldo Blota, repórter da Rádio Jovem Pan.

- Eu estava ajoelhado, com os lábios ainda colados á bola, quando o microfone dele interrompeu o beijo. Aí disparei: Dedico este gol ás criancinhas pobres do Brasil. A gente tem que olhar por elas’. Hoje, estamos vendo que aquela minha dedicatória tinha razão de ser. Se tivéssemos olhado pelas crianças brasileiras a partir daquela noite, agora não teríamos mais de trinta milhões de menores vivendo na mais absoluta miséria”.

FICHA DA PARTIDA - 19.11.1969- Vasco 1 x Santos 2. Torneio Roberto Gomes Pedrosa (Taça de Prata). Estádio: Maracanã-RJ. Juiz: Manoel Amaro de Lima. Público: 67.157 torcedores. Gols: Beneti (Vasco). René contra e Pelé (Santos). Vasco: Andrada; Fidélis, Moacir, Fernando e Eberval; René e Buglê; Acelino (Raimundinho), Adilson, Beneti e Danilo Menezes (Silvinho). Técnico: Célio de Souza. Santos: Agnaldo. Carlos Alberto Torres. Ramos Delgado. Djalma Dias (Joel) e Rildo. Clodoaldo e Lima. Manoel Maria. Edu. Pelé (Jair Bala) e Abel. Técnico: Antoninho Fernandes.

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