Vasco

Vasco

sexta-feira, 2 de junho de 2017

A GRAÇA DA COLINA - CHARGES

As páginas de humor sempre fizeram tabelinhas com bola rolando nas revistas e jornais esportivos brasileiros. O Vasco da Gama, por ter nascido clube da colônia portuguesas do Rio de Janeiro, tornou-se um bom motivo para os chargistas fazerem os torcedores sorrirem, principalmente porque o carioca sempre gostou  de tirar um sarro em cima dos “portugas”.
A semanária “Esporte Ilustrado”, por exemplo – foi às bancas, entre as décadas 1920 a 1950 –, trazia toda a sua penúltima página com o que, hoje, chamamos de “gozações”, as “caçoadas” de antigamente. José Luz criava textos e Alberto Lima as ilustrações. Veja estas, publicadas pelo Nº 862, de 14 de outubro de 1954.

1 – Caçoada com os apelidados Rey e Rainha. O primeiro, José Fontana,  buscado no Coritiba, para substituir Jaguaré, que fora para o Barcelona-ESP,  esteve cruzmalatino entre 1933 e 1938, tendo sido campeão carioca-1934/1936. Nesse período, viveu uma vida movimentadíssima fora dos gramados.
Nascido, em Curitiba-PR – viveu entre 19.03.1912 a 03.04.1986 – Rey é considerado pelo chargista um “frangueiro”. Nem tanto, pois chegou a ser chamado para a Seleção Brasileira. Motivo: engoliu três gols no segundo tempo de Vasco 4 x 6 América, em 18 de dezembro de 1938, sendo dois “perus” que ajudaram o rival a virar o placar. Estava em má forma física, devido à sua intensa vida noturna. Foi escorraçado pela torcida, multado pelo clube e teve o seu contrato rescindido. Nunca mais pisou o pé na Colina.

2 – Raínha, por engano do chargista, é citado por goleiro, mas foi jogador das antigas chamadas “linha média”, o que seria, atualmente, uma espécie de meio-campista. Esteve vascaíno entre 1917 a 1928. Nos dois últimos anos de carreira, as formações do time-base eram: Nélson (Amaral), Espanhol (Brilhante) e Itália; Nesi (Arthur), Bolão e Rainha (Sá Pinto); Paschoal (Baianinho), Torterolli (Álvaro), Russinho, Tatu (Galego) e Negrito (Badu). Raínha não se encontra entre os grandes ídolos do passadão vascaíno. Seu verdadeiro nome era Antônio de Castro Reis  e foi vice-presidente do clube,  em 1945, quando o presidente era Jayme Guedes, outro ex-atleta do futebol da Colina e que rolou a pelota junto com ele, em 1917. Rainha nunca foi titular absoluto. 



3 – Na charge à direita vemos um elefante.  Alusão ao “bicho”, ao prêmio pago aos jogadores vascaínos, por vitórias, durante o Campeonato Carioca-1923, quando eles conquistaram o primeiro título do clube na Primeira Divisão.
 Ficou na história da malandragem no futebol carioca. Um comerciante cerealista português, da Rua do Acre, sabedor de que era proibido (mesmo no tempo do amadorismo) dar dinheiro ao jogador,  driblava a lei, oferecendo-lhes “bichos” por vitórias.
As notas do dinheiro brasileiro de então escalavam um verdadeiro time zoológico: 5 mil-réis, um cachorro; 10, um coelho; 20, um peru; 50, um galo; 100, uma vaca e 400 uma vaca de quatro pernas.

 

2 comentários:

  1. Rainha se chamava Antonio de Castro Reis, informação de Alvaro Nascimento

    ResponderExcluir
  2. Ele foi vice presidente em 1945. o presidente era Jayme Guedes, também um ex-jogador. Eles jogaram juntos em 1917. O Rainha atuou no time entre 1917 e 1928. Nunca como titular absoluto.

    ResponderExcluir