Vasco

Vasco

quarta-feira, 7 de junho de 2017

O ETERNO CAPITÃO BELLINI - 2

  No dia 7 de junho de 1930, o time do Vasco estava concentrado para enfrentar o Botafogo, 9º rodada do 1º turno do Campeonato Carioca. Em Itapira-SP, o casal Hermínio Bellini e Carolina Levatti recebia a visita da “cegonha”, trazendo o garotão Hideraldo Luís Bellini. Um ano depois, o Vasco vencia o Bangu, por 1 x 0, pela temporada oficial carioca. Na casa dos  Bellini, apagava-se a primeira velinha de um dos nove filhos dos moradores.
 O garoto cresceu e, aos 13 anos, assim como muitos outros de sua idade, deslumbrava-se com os espelhos, máquinas, pentes, aventais brancos e demais implementos da barbearia de seu Pedro Manfredini. Era 1943 e o Vasco rumava para formar o quase imbatível “Expresso da Vitória”, a equipe montada pelo treinador uruguaio Ondino Viera, que fora um dos mais fortes do planeta, entre 1944 e 1952.
CABELEREIRO - Antes de bater a sua bolinha no time da Sociedade Esportiva Sanjoanense (escudo ao lado, à esquerda) o adolescente Hideraldo circulava pelas cadeiras giratórias do salão de Seu Manfredini, olhando para os vidros coloridos que ocupavam uma parede. Que inveja seus os amigos tinham dele! Principalmente, das gorjetas.
O tempo passou e o garoto Hideraldo trocou as tesouras pela bola. E de nome. Passou a ser Bellini. Veio, então, um dia muito importante em sua vida. Ele estava nervoso, as pernas tremiam, mesmo conhecia os segredos do seu ofício, pois treinava, há quatro meses, para dar conta do recado. Sabia do perigo que a sua carreira sofreria, se fracassasse.
 Bellini encarou firme e partiu, decisivo, para encarar a fera que o esperava. Concentrou-se no que iria fazer, e, nervoso, suava muito. Depois de 60 minutos de atuação, abriu um sorriso. Aquela batalha estava ganha. Levou tapinhas nas costas e agrado no bolso. Não dormiu, de tanta felicidade.
   O que você acabou de ler não rolou no gramado de Rasunda, na Suécia, onde Bellini ergueu a Taça Jules Rimet, como campeão do mundo. Mas quando ele cortou o cabelo do seu primeiro cliente.

FAIXA NO PEITO - Em 1952, o  Vasco da Gama estava tirando dos trilhos a sua locomotiva frenética, o "Expresso da Vitória". Mas ainda deu para ser campeão carioca, com um time envelhecido, basicamente, formando com: Barbosa, Augusto e Haroldo: Ely, Danilo e Jorge; Sabará, Alfredo, Ademir Menezes, Ipojucan e Chico.
O ainda reserva Bellini entrou em três partidas – 17.08 – Vasco 5 x 2 Madureira: 23.08 – Vasco 2 x 1 Canto do Rio; 31.08 – Vasco 5 x 2 Bonsucesso. 

A partir de 1953, ninguém tascava mais na posição de Bellini. Ele era, ainda, o líder da rapaziada, cargo que só passou adiante em 1962, quando foi para o São Paulo, após 430 usos das jaqueta cruzmaltina.

Foram 10 anos de Bellini na  Colina, onde ele colecionou os títulos de campeão dos torneios Quadrangular do Rio de Janeiro; Octogonal do Chile e Rivadávia Corrêa Meyer, em 1953; dos Campeonatos  Carioca de 1952/1956/1958; do Torneio Rio-São Paulo de 1958; dos Torneios de Paris e de Santiago do Chile, e do Troféu Teresa Herrera, em 1957.
Ao deixar o Vasco, Bellini foi para o São Paulo.
Imagem reproduzida de www.arquibancadatricolor.com.br.
 Agradecimento

   Pelos esquemas táticos de sua época vascaína, Bellini era obrigado a ser uma espécie de “cão pastor alemão”. Não podia atacar e nem cair para as laterais. Tinha que marcar o centroavante, geralmente, um sujeito alto e forte. Decidido, não tinha a vergonha de bater de bico na bola. Atuava com tanta disposição que chegou a ter o osso malar afundado e um menisco rompido.  

 

 
 

Nenhum comentário:

Postar um comentário