Vasco

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quarta-feira, 7 de junho de 2017

O ETERNO CAPITÃO BELLINI-1

Em 1952, Bellini (terceiro em pé, da esquerda para a direita, com camisa do clube) fez três jogos e e foi campeão carioca. Foto reproduzida da revista semanal carioca "Esporte Ilustrado".  
Se estivesse vivo, neste 7 de junho, o antigo zagueiro Hideraldo Luís Bellini estaria celebrando 87 temporadas no planeta. No entanto, ele foi embora, deixando muitas histórias para o torcedor vascaíno jamais esquece-las.
 A primeira delas está entre a lenda e o real. Conta-se que Bellini e diretores da São-Joanense, de São João da Boa Vista-SP, aproximavam-se do estádio do Palmeiras, onde negociaram o seu passe, por Cr$ 400 mil cruzeiros. Quase na porta, ouviram o  radialista Antônio Cordeiro anunciar, pelo programa “No Mundo da Bola”, da Rádio Nacional do Rio de Janeiro, que o Vasco da Gama iria oferecer Cr$ 500 mil pelo atleta. Imediatamente, voltaram e, no dia seguinte, foram para São Januário.
O futebol de Bellini chegara ao conhecimento dos cruzmaltinos por conta de duas notícias publicadas por jornais paulistas e lidas pelo vice-presidente de futebol da Colina, Eurico Lisboa. Este o contratou, pagando-lhe Cr$ 10 mil mensais, que seriam aumentados para Cr$ 12 mil, caso ganhasse a vaga de titular – na São-Joanense, faturava Cr$ 2 mil mensais.
ÍDOLOS -Assim que começou a viver o Vasco, Bellini deslumbrava-se ao cruzar com Barbosa, Augusto, Ely, Danilo, Ademir e Chico, os mais famosos atletas do clube. Era 1951 e, de início, ele treinava pela lateral-direita. Até 1952, só conseguira jogar duas oportunidades, o que valeu-lhe a inscrição na galeria dos campeões cariocas da temporadas. Mas o treinador Gentil Cardoso não gostava do seu futebol.
A sorte dele foi o homem sair, após o titulo estadual, e o substituto Flávio Costa mudar o seu futuro. Lançou-o como “beque central”, como eram chamados os camisas 3 da época, com a ordem de não tocar a bola. Só chegar, decidir e espanar.

Ademir, em foto reproduzida de "O Cruzeiro",
foi ídolo e colega de Bellini
Realmente, classe Bellini não tinha. Nenhuma! Mas raça e liderança lhe sobravam. Tanto que os companheiros do Vasco da Gama o apelido por "Boi". Trabalhava tão duro nas partidas, sem se queixar de nada, que mais parecia o animal ferroado nos antigos engenhos de açúcar.
 ESTOURÃO - O jeito desajeitado, bastante "desclassificado" pelos torcedores rivais, devido aos muitos estouros de bola, era a sua "marca registrada". Inclusive, fez um presidente vascaíno  dizer ao treinador Flávio Costa que não iria ao estádio, caso ele escalasse "aquele zagueiro durão que só faz despachar a bola pra frente". Ao que Flávio respondeu-lhe:
– Então, prepara-se para ficar sem muito tempo sem ir ao Maracanã".
A "Revista do Esporte" que circulou com data de 30 de julho de 1960, com o Nº 73, considerou  Bellini "o mais famoso capitão que já passou pela Seleção Brasileira". Verdade! Os seus sucessores campeões do mundo – Mauro Ramos de Oliveira, Carlos Alberto Torres, Carlos Caetano Bledorn Verri (Dunga) e Marcos Evangelista de Morais (Cafu) – não atingiram a sua mística.    
SORTE - Bellini caiu como uma luva na mão de Flávio Costa. Tornou-se o dono da sua posição e não demorou a ser  convocado – pelo treinador Jorge Vieira – para a Seleção Carioca que enfrentaria os paulistas.  Em 1957, Flávio Costa reapareceu em sua vida e o convocou para a Seleção Brasileira, como reserva de Edson (do América-RJ), para as Eliminatórias da Copa do Mundo-1958. Mas sentou-se no banco dos reservas só por dois jogos. Ganhou mais uma parada e foi campeão mundial na Suécia, como capitão do escrete nacional.
Além de ter barrado Édson, antes disso, durante 1955, Bellini já havia feito o treinador vascaíno Martim Francisco tirar a braçadeira de capitão do veterano Augusto da Costa e a entrega-la. Mais: às vésperas do Mundial-1958, o treinador Vicente Feola ainda não tinha um capitão. Então, Nílton Santos o indicou. Bellini peitava adversários e discutia com os árbitros, sempre que visse seu time prejudicado.

BATISMO - Uma das histórias mais marcantes sobre Bellini rolou fora de campo. Envolveu o esquentado garoto Almir, que o Vasco fora buscar, no Sport Recife, ainda juvenil. Se ele não o segurasse, o garoto (fã do conterrâneo Ademir Menezes, pelo rádio), seria expulso em todos os  jogos.
Bellini foi padrinho de batismo e de casamento
de Almir "Pernambuquinho"



Bellini havia alugado um apartamento, em Copacabana, e os companheiros  Miguel, Écio e Delém costumavam a pintar no pedaço. De repente, Almir foi mais um. Capitão também no “ap”, ele não permitia algazarras à noite, ninguém em pé, após as 22 horas, pois teriam que treinar a partir das 8 da matina, no dia seguinte.

 Entre os amigos dos jogadores vascaínos estava um frei torcedor, que vivia batendo papo com a rapaziada. Um dia, ele descobriu que Almir era pagão e chamou Bellini para armar o batismo, o que se deu na igreja de São Paulo Apóstolo, em Copacabana.
Tempos depois, Almir já era atleta do Corinthians. O time do Vasco estava concentrado, em São Paulo, para um jogo pelo Torneio Rio-São Paulo, quando o telefone do hotel tocou. Era Almir pedindo-lhe para arrumar um terno, correr para a igreja e ser o seu padrinho de casamento.
 

FAMILIA - Casado, com Giselda, e pai de Carla e de Hideraldo Júnior, depois de pendurar as chuteiras, Bellini dizia que o Vasco fora tudo para ele. Sempre sonhava com Antônio Calçada (futuro presidente) chamando-o para jogar.
Casamento, com Giselda, em imagem reproduzida
 de www.netvasco.com.br. Agradecimento.
 
 Com relação à estátua à frente do Maracanã – inaugurada em 13 de novembro de 1960 –, muito dizem não ser a figura de Bellini, mas ele tinha uma versão diferente, conforme contou ao Nº 13, da Revista do Vasco, de outubro de 1986. Seguinte: o então presidente da CBD, João Havelange, o levou ao Catete, para ver duas estátuas – uma com a taça à altura do peito e a outra a erguendo como ele fizera, na Suécia. O JH perguntou-lhe qual delas preferia e a respostas foi a de que gostara mais da erguendo o troféu.
–  O artista (Matheus Fernandes, professor de escultura do Museu Nacional de Belas-Artes),  também gostava mais daquela e trabalhava com uma fotografia minha à suas frente – contou à mesma publicação citada acima.
 

 

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