Vasco

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domingo, 17 de dezembro de 2017

FIGURAÇAS DA COLINA -- GRADIM

Francisco de Souza Ferreira é o nome do apelidado  Gradim, herdado de um  atacante negro uruguaio que fez muito sucesso quando jogou por aqui.  O Gradim brasileiro foi vascaíno, na década-1930, e treinador, nos anos-50. Em 1958, levou a “Turma da Colina” aos títulos do Torneio Rio-São Paulo, a maior competição nacional, entre as décadas-1930 e 1960, e do SuperSuperCampeonato Carioca.
Gradim era adorado pelos seus jogadores, por trabalhar no estilo “avozão”. Não gritava, não  ameaçava, não xingava e nem colocava o dedo na cara deles.  Era um amigão da rapaziada. Não tentava livrar-se das responsabilidades pelas derrotas e, depois das vitórias, atribuía o êxito ao time. Por isso, quando o Vasco vencia e um repórter pegava a palavra de um jogador, este falava, logo, do mérito do treinador.
Gradim era muito querido, também, pelo torcedor cruzmaltino. Uma prova é esta caricatura dele,  enviada pelo leitor que assinou por Mendes e publicadas pela revista carioca “Manchete Esportiva”. Por uma página em que a semanário abria a chance de seus leitores demonstrarem o seu senso artístico, em vez de desenhar os astros da moda, um deles preferiu homenagea-lo. Antes de chegar ao Vasco da Gama, ele já era treinador há quase duas décadas.    
Em São Januário, um dos seus grandes trabalhos foi recuperar dois atletas que eram dados por acabados, o goleiro Moacyr Barbosa e o meia Rubens.
Por sinal, ambos cumpriram “exílio” no futebol pernambucano, que pouca expressão tinham na década-1950. Barbosa já tinha voltado ao Rio de Janeiro e defendia o Bonsucesso, quando Gradim foi buscá-lo. E o “trítio”, como a rapaziada o chamava, barrou Ita, Humberto Torgado Miguel, jovens promessas vascaínas.
De sua parte, o Rubens da Colina jogou mais do que o consagrado e dispensado pelo rival Flamengo. De meia que atuava mais parado, no Vasco, com Gradim, passou a correr, a encharcar a camisas. E a encantar a torcida.
Outros dois jogadores que subiram mais com Gradim foram Vavá e Pinga. O primeiro passou a render o máximo do que podia-se tirar dele. Graças ao trabalho de Gradim, foi para a Seleção Brasileira e voltou da Suécia campeão do mundo, em 1958. Já o velho Pinga parecia ter virado um velho vinho. Gradim fazia quem sabia crescer.
Os grande mestres de Gradim foram Gentil Cardoso e Zezé Moreira. Ambos, em épocas bem distintas, passaram, também, por São Januário. O primeiro, levara a turma ao título carioca de 1952 e o segundo ao do Tornei Rio-São Paulo-1966, além de um quadrangular internacional-19654. Gradim dizia, ainda, ter aprendido muito com os treinadores húngaros e os russos.       

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