Vasco

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terça-feira, 10 de julho de 2018

MARKETING COLLORIDO NA SELEÇÃO

                                                            
Pênalti é coisa tão importante que o presidente foi bater
 O escrete canarinho treinava, em maio de 1990,  em Teresópolis-RJ,  para tentar o seu quarto título em Copas do Mundo. Foi quando o presidente (da República) Fernando Collor de Mello, que havia presidido o Centro Sportivo Alagoano-CSA, sacou um grande lance.
Sem perder tempo, Collor ordenou aos seus assessores marcar um treino do selecionado nacional com a sua participação, um gol de marketing  – ele já havia vendido ao país a imagem de um presidente jovem e cheio de energia, fazendo caminhadas e corridas, aos domingos, e navegando a bordo de jet ski pelo Lago Norte de Brasília. Sem falar que batia uma bolinha com a turma do azulino de Maceió, em seus tempos de chefe do clube.
 Encontro marcado, a Seleção Brasileira teria um amistoso a ser jogado com o time da então Alemanha Orienta, no dia seguinte à visita de Collor - 13 de maio, diante de 58.898 pagantes, terminado nos 3 x 3 com os visitantes. O presidente chegou sorridente e cumprimentou todos os canarinhos – Taffarel, Mozer, Aldair, Ricardo Gomes, Jorginho Amorim, Dunga, Alemão, Valdo, Miller, Careca (titulares), Mauro Galvão, Bismarck, Bebeto, Branco, Mazinho, Zé Carlos, Sebastião Lazaroni (treinador), enfim, todo o grupo. E, ainda, telefonou para o goleador Romário, que estava na Holanda,  tratando de lesão.     
Chamando a bola por "você"
 No meio de tantas feras, Collor teria que mostrar conhecer tanto de bola quanto de governos, para o marketing sair legal. Só havia um problema: ele queixava-se  de dor em um dos joelhos. Mesmo assim, vestiu a camisa de número 20 canarinha, o de sua campanha à Presidência da República,  e apresentou-se para a peleja. Mas São Pedro não colaborou. Abriu a torneira do Céu e mandou chuviscos pra baixo, atrapalhando o marketing do Palácio do Planalto. Então, armaram um arremedo de futebol de salão em um ginásio coberto da Granja Comary.
Aquecimento na quadra
Antes de a bola rolar, Collor posou para foto, junto com o seu time, ao lado de Lazaroni, o apoiador Alemão, o goleiro Zé Carlos e mais o atacante Careca e o zagueiro Ricardo Gomes. Fez ginástica de aquecimento e rolou a bola, sem demonstrar merecer vaga no escrete nacional.
Lá pelas tantas, foi marcado um pênalti a favor do time do chefe da nação. Se pênalti era coisa tão importante que o presidente do clube era quem deveria bater, Collor usou, literalmente, da frase atribuída ao treinador (de futebol em praias) carioca, Neném Prancha, recomendando tal prática. E foi para a cobrança.
 Os fotógrafos e cinegrafistas se postaram para registrar o gol do presidente da República. Ele correu para a bola e foi sacaneado pelo apoiador Dunga, que puxou uma de suas pernas. Ordenada uma nova cobrança, Collor pegou de bico de tênis na pelota, com o pé direito, mandando um petardo à meia altura. E saiu pro abraço. Só um detalhe: o goleiro Taffarel encenou bem e não fez nenhuma questão de defender. À noite, foi manchete em todos os noticiários da TV: “Presidente Collor treina com a Seleção Brasileira e marca um gol”.  
FOTOS REPRODUZIDAS DA REVISTA "MANCHETE"

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