sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

HISTÓRIAS DO FUTEBOL BRASILIENSE: GUAIRACÁ, ÍDOLO COM TRÊS CAMISAS

  Durante os primeiros tempos do futebol candango, um dos ídolos da torcida foi o pontinha (1m65 de altura ) Guairacá. Carioca, desde os oito de idade, ele já aprontava nas peladas entre amigos e colegas de escola; aos 11, as aprontações eram no futebol na praia, pelo time dos Pracinhas; aos 12, ganhava o seu primeiro titulo de campeão, durante os Jogos Infantis do Rio de Janeiro.          

 Em 1960, quando o Rio de Janeiro perdia, para Brasília, a sede da República, o Flamengo promoveu torneio para selecionar novos garotos que o representassem na disputa do Campeonato Carioca Infanto Juvenil de Futebol de Salão, pois, há cinco temporadas, disputava o certame, mas nunca carregava o caneco. Com Guairacá selecionado – além de Alcides, Ivan, Pedro e Álvaro -, daquela vez, o caneco foi para a Gávea.

 A bola rolava legal para o garoto rubro-negro, na Cidade Maravilhosa. Em 1963, o pai dele, Janary Nunes, foi eleito deputado federal, pelo Amapá, e a então grande promessa do salonismo flamenguista despediu-se dos colegas para ir morar “no fim do mundo”, ouvia dizer dos despeitados cariocas, que não aceitavam ver a capital do país mudar de endereço.

 Como não havia torneios de futebol de salão em Brasília, o veloz Guairacá, aos 17, entrou para o time juvenil de futebol de campo –  de barro duro - do Defelê. Repetiu as grandes atuações rubro-negras, ficou bicampeão candango na categoria, invicto, entre 1964/1965, e foi convocado para o selecionado brasiliense juvenil que disputaria torneio – contra Goiás, Mato Grosso, Estado do Rio e Minas Gerais - marcando a inauguração do Estádio Nacional de Brasília (Pelezão, a partir de 1970) - Zé Válter; Gedeon, Carlão, Itérbio e Lulu; Axel e Passo Preto; Guairacá, Otávio, Solón e Sabará (Amauri) foi o time, com o apelidado “Guará” sendo destaque na equipe, que ficou vice-campeã, invicta, por empatar com Goiás e Minas Gerais.

 Por aquela época, com a euforia pela construção do estádio, tentou-se (1964/65/66) o profissionalismo no futebol candango, que tinha Rabello e Defelê como maiores forças. O primeiro (escrevia-se Rabelo), inclusive, era bi (1964/65) e único campeão profissional. Sem querer ficar para trás, o Guará (primeiro clube (time) candango) levou os destaques do selecionado juvenil e os universitários bons de bola, formando um bom time,contando com Zé Valter, Noel, Walmir, Axel, Paulinho Castelo, Arnaldo, Otávio e Guairacá, que profissionalizou-se e foi o artilheiro da equipe, que terminou em terceiro lugar – Rabelo tri, em 1966.

   Os clubes (times), criados dentro das empresas construtoras de Brasília, arrumavam uma graninha para segurar os seus destaques. Assim, o Defelê “repatriou” Guairacá e ele ajudou a rapaziada a derrubar o Rabelo, em 1968. Antes, como campeão candango-1966, o Rabelo classificou-se para disputar a Taça Brasil-1967 (torneio de campeões regionais). Formou uma seleção candanga e não dispensou Guiaracá da sua ponta-direita. Eliminou o Mixto, de Mato Grosso, mas caiu ante o Atlético-GO, fora de casa.

 Pelo mesmo período, surgiu o que virou lenda: Osório Villas-Boas, presidente do Esporte Clube Bahia, teria passado por Brasília quando Defelê e Rabelo decidiam um título candango, assistido um pega e saído do Estádio Nacional de Brasília com as suas divindades lhe dizendo que o  ponteiro Guairacá seria a reencarnação de Marito - Mário da Nova Bahia (1932/2011) considerado maior ponta-direita da história do clube, sete vezes campeão baiano e da Taça Brasil-1959 – e lhe feito proposta mirabolante para reviver o velho craque na Bahia. Estudante de Direito, na Universidade de Brasília-UnB, Guairacá teria sido demovido pelo pai a aceitar a proposta, enquanto o presidente da Federação Metropolitana de Futebol, Hugo Mosca, tentava convencê-lo a aceitar. O certo foi que ele, intuíndo que, se emplacasse no Bahia,  abandonaria os estudos, terminou enviando pedido à então Confederação Brasileira de Desportos e reverteu-se ao amadorismo.

Afirma Guairacá Carvão Nunes que o CR Guará parou porque o Rabelo parou. E explica a sua versão: "Em 1968, o Paulo Linhares, que tocava a equipe do Rabelo, ficou uma fera com a sua rapaziada, pela perda do título, para o Defelê. Por castigo, tirou o time de campo. Era o que tinha mais dinheiro e maior torcida. Sem o Rabelo, o Guará, também, parou - disputou 39 campeonatos na turma de cima e oito na segunda divisão, entre 1959 e 2016, ficando fora em 1964; de 1970 a 1975; em 1977; em 2009 e em 2010.      

 Embora tivesse vestido as camisas do Defelê, do Guará e do Rabelo, o antigo ídolo Guairacá não se declara torcedor do Guará. Mas, em seus arquivos pessoais, há recortes de jornais noticiando que o Clube de Regatas Guará venceu a primeira regata disputada em Brasília; o Campeonato Brasiliense de Futebol de Salão de 1961 e a Taça Disciplna-1961/1962, em todos os setores desportivos - só não seria guaraense se não quisesse.

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