domingo, 13 de março de 2016

HISTÓRIAS DO GAMA - PRES. ZÉ CRUZEIRO

 Já imaginou você assumindo um cargo importante e, instantes depois, levar uma pancadaça? Foi o que aconteceu com o quarto presidente do Gama, o mineiro José Cruzeiro. História escabrosa. Vamos ver?

 Pois bem! O Zé Cruzeiro recebia os cumprimentos de amigos e diretores (entrantes e saintes), quando alguém o chamou no canto pra lhe informar: "A CBD (Confederação Brasileira de Desportos, futura CBF) acaba de suspender o Gama de todas as atividades no futebol, por não pagamento de divida. Deve cota de amistoso disputado com o Atlético Mineiro" - jogo comemorativo do titulo candango de 1979.

Zé Cruzeiro só não deixou cair o copo com a champanha que brindava o momento porque o segurava bem. E não teve mais graça pelo restante da noite. Mas jurou pra si mesmo: “Já encarei muitas brabezas, e não será esta que vai me derrubar” – e não derrubou. Começou o seu mandato catando grana junto aos demais diretores gamenses, amigos e comerciantes (da cidade do Gama) e salvou o clube de grandioso vexame.

 Problema resolvido, o Zé Cruzeiro partiu para a sua segunda batalha, conseguir atletas para seu time não fazer feio durante o Campeonato Brasilense de Futebol de 1983. Se virou e arrumou gente “escanteada” pelos times das proximidades de Goiás e do Triângulo Mineiro. Ssurpreendeu, conquistando o Torneio Início – em 08.05.1983, no Bezerrão -, com 1 x 1 e 3 x 2 nos pênaltis, diante do Vasco da Gama;  2 x 0 Tiradentes e 0 x 0 e 2 x 0 nos pênaltis, contra o Sobradinho.

Mesmo vencendo aquela competição, o Zé Cruzeiro não deixou a sua diretoria se empolgar muito, lembrando que Brasília, Guará e Taguatinga eram mais fortes e favoritos. Também, para a imprensa, que calculava ver o Gama brigando pelo quarto lugar, com Sobradinho, Ceilândia, Tiradentes e Vasco da Gama - e não deu outra.

 NO LAÇO – Zé Cruzeiro tornou-se presidente do Gama “pegado no laço”, pelo antecessor Osvando Lima, pois ninguém queria sucedê-lo, por estar o clube situação dificílima.

- Zé! Você é empresário bem-sucedido, pode nos ajudar a sair dessa. Pra mim não dá mais, pois o meu irmão e a minha irmã me pressionam pra deixar o futebol e cuidar da vida (a Casa Lima, que ele quase quebra, por causa do Gama). Se você não conseguir arrumar a situação, peça licença à Federação (Metropolitana de Futebol), pra gente voltar quando as coisas melhorarem.

 Zé Cruzeiro analisou a situação e, conhecedor que era da paixão da torcida gamense pela camisa do Periquitão, decidiu encarar. Um dos itens que mais pesou para o seu “sim” ao Osvando foi se lembrar das carrocerias cheias, dos caminhões que levavam torcedores para o Estádio Pelezão (local dos primeiros jogos).

- Era paixão demais, pra deixar aquilo acabar. Tão forte que, em nossos jogos, o estádio (Bezerrão) estava, quase sempre,  lotado. A rapaziada que não tinha bolso forrado, pulava os muros, que eram baixos, pra não ficar sem ver o time em campo – lembra.

  Além de evitar a suspensão do clube, por divida, uma outra grande vitória de Zé Cruzeiro  foi conseguir junto à (empresa paulista) Penalty o fornecimento do material de treino e jogos.

- Nos arrumaram quinze jogos de camisas. Além daquilo, vendi os passes (antiga sistemáticas do futebol brasileiro para negociações de atletas)) das revelações  Vicente (apoiador, para o Guarani de Campinas-SP) e Luís Carlos “Nescau” (lateral-esquerdo, para o Vasco da Gama). Grana que chegou em muito boa hora, quando eu enfrentava mais de 20 ações trabalhistas – relembra.

Zé Cruzeiro deixou a presidência do Gama em seu primeiro mandato porque um empresário mais forte do que ele, César Lacerda,  - foi deputado distrital e senador -, de olho no grande eleitorado que era a torcida gamense, negociou substituí-lo. Vendo que o homem teria mais possibilidades de enfrentar a crise financeira vivida pelo clube, passou-lhe o comando.    

 APOSENTADO – Aos 84 de idade, o Zé Cruzeiro está bem de saúde e ainda dirige o seu automóvel. Tem mais de quinze netos e cinco bisnetos. Segue empresário, mas brinca dizendo que, agora, “sou office boy”  da minha filha.... que comanda a Ótica Central, que está celebrando 45 viradas de calendário, no mesmo local do passado – Setor Central – Bloco 4 – Loja B – Fone 3556-6470.

Para ele, grande parte do sucesso inicial do Gama deve se creditado ao antigo administrador (da cidade-satélite do Gama) - ex-deputado federal e senador - Walmir Campello Bezerra.              

 - Ele nos facilitava de tudo. Inclusive, todas as nossas reuniões ocorriam lá dentro (da Administração Regional). Cedia o estádio (Bezerrão) pra fazermos os nossos treinos e até o seu principal assessor (Márcio Tannus de Almeida) tornou-se comandante do clube – o fundador, Hermínio Neves, o Tim, cedeu o cargo.

 Pela opinião do Zé Cruzeiro, o time do Gama já teve três grandes treinadores: Martrim Francisco, do primeiro título de campeão candango, e m 1979;  Wagner Benzzzi, campão brasileiro da Série B, em 1999, e Luís Carlos Souza, campeão brasiliense neste 2026. 

Nenhum comentário:

Postar um comentário