Já imaginou você assumindo um cargo importante
e, instantes depois, levar uma pancadaça? Foi o que aconteceu com o quarto
presidente do Gama, o mineiro José Cruzeiro. História escabrosa. Vamos ver?
Pois bem! O Zé Cruzeiro recebia os cumprimentos de amigos e diretores (entrantes e saintes), quando alguém o chamou no canto pra lhe informar: "A CBD (Confederação Brasileira de Desportos, futura CBF) acaba de suspender o Gama de todas as atividades no futebol, por não pagamento de divida. Deve cota de amistoso disputado com o Atlético Mineiro" - jogo comemorativo do titulo candango de 1979.
Zé
Cruzeiro só não deixou cair o copo com a champanha que brindava
o momento porque o segurava bem. E não teve mais graça pelo
restante da noite. Mas jurou pra si mesmo: “Já encarei muitas brabezas, e não
será esta que vai me derrubar” – e não derrubou. Começou o seu mandato catando grana junto aos demais diretores gamenses, amigos e comerciantes
(da cidade do Gama) e salvou o clube de grandioso vexame.
Problema resolvido, o Zé Cruzeiro partiu para a sua
segunda batalha, conseguir atletas para seu time não fazer feio durante o
Campeonato Brasilense de Futebol de 1983. Se virou e arrumou gente “escanteada”
pelos times das proximidades de Goiás e do Triângulo Mineiro. Ssurpreendeu,
conquistando o Torneio Início – em 08.05.1983, no Bezerrão -, com 1 x 1 e 3 x 2
nos pênaltis, diante do Vasco da Gama; 2
x 0 Tiradentes e 0 x 0 e 2 x 0 nos pênaltis, contra o Sobradinho.
Mesmo
vencendo aquela competição, o Zé Cruzeiro não deixou a sua diretoria se
empolgar muito, lembrando que Brasília, Guará e Taguatinga eram mais fortes e favoritos. Também, para a imprensa, que calculava ver o Gama brigando pelo quarto lugar, com
Sobradinho, Ceilândia, Tiradentes e Vasco da Gama - e não deu outra.
NO LAÇO – Zé Cruzeiro tornou-se presidente do
Gama “pegado no laço”, pelo antecessor Osvando Lima, pois ninguém queria
sucedê-lo, por estar o clube situação dificílima.
- Zé!
Você é empresário bem-sucedido, pode nos ajudar a sair dessa. Pra mim não dá
mais, pois o meu irmão e a minha irmã me pressionam pra deixar o futebol e cuidar
da vida (a Casa Lima, que ele quase quebra, por causa do Gama). Se você não
conseguir arrumar a situação, peça licença à Federação (Metropolitana de
Futebol), pra gente voltar quando as coisas melhorarem.
Zé Cruzeiro analisou a situação e, conhecedor
que era da paixão da torcida gamense pela camisa do Periquitão, decidiu encarar. Um dos itens que mais pesou para o seu
“sim” ao Osvando foi se lembrar das carrocerias cheias, dos caminhões que levavam torcedores
para o Estádio Pelezão (local dos primeiros jogos).
- Era
paixão demais, pra deixar aquilo acabar. Tão forte que, em nossos jogos, o estádio
(Bezerrão) estava, quase sempre, lotado. A rapaziada que não tinha bolso forrado, pulava os muros, que eram baixos, pra não ficar sem ver o time em campo – lembra.
Além de evitar a suspensão do clube, por
divida, uma outra grande vitória de Zé Cruzeiro foi conseguir junto à (empresa paulista)
Penalty o fornecimento do material de treino e jogos.
- Nos
arrumaram quinze jogos de camisas. Além daquilo, vendi os passes (antiga
sistemáticas do futebol brasileiro para negociações de atletas)) das
revelações Vicente (apoiador, para o
Guarani de Campinas-SP) e Luís Carlos “Nescau”
(lateral-esquerdo, para o Vasco da Gama). Grana que chegou em muito boa hora, quando eu enfrentava mais de 20 ações trabalhistas – relembra.
Zé Cruzeiro
deixou a presidência do Gama em seu primeiro mandato porque um empresário mais
forte do que ele, César Lacerda, - foi
deputado distrital e senador -, de olho no grande eleitorado que era a torcida
gamense, negociou substituí-lo. Vendo que o homem teria mais possibilidades de enfrentar a crise financeira vivida pelo clube, passou-lhe o
comando.
APOSENTADO – Aos 84 de idade, o Zé Cruzeiro está bem de saúde e ainda dirige o seu automóvel. Tem mais de quinze netos e cinco bisnetos. Segue empresário, mas brinca dizendo que, agora, “sou office boy” da minha filha.... que comanda a Ótica Central, que está celebrando 45 viradas de calendário, no mesmo local do passado – Setor Central – Bloco 4 – Loja B – Fone 3556-6470.
Para ele, grande parte do sucesso inicial do Gama deve se creditado ao antigo administrador (da cidade-satélite do Gama) - ex-deputado federal e senador - Walmir Campello Bezerra.
- Ele nos facilitava de tudo. Inclusive, todas as nossas
reuniões ocorriam lá dentro (da Administração Regional). Cedia o estádio
(Bezerrão) pra fazermos os nossos treinos e até o seu principal assessor
(Márcio Tannus de Almeida) tornou-se comandante do clube – o fundador, Hermínio Neves,
o Tim, cedeu o cargo.
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