sábado, 3 de agosto de 2019

O VENENO DO SKORP - ZERO-ZERO-VASCO

Reprodução de cartaz de cinema
Certa tarde, eu entrava no Comitê de Imprensa da Câmara dos Deputados e ouvi o fotógrafo Luís Antônio Sousa, do Jornal de Brasília, gritar:
- Chegou o 00M! – M, de Mariani, do meu sobrenome, como me chamam, sem o pré-nome Gustavo.
Por aquele instante, o ator Roger Moore, que interpretava James Bond, o agente secreto 007 do cinema, batia papo com os repórteres, juntamente com o comediante Renato Aragão - eram embaixadores de um programa das Nações Unidas para a criança. Ao sacar a brincadeira do colega, fui no lance:
- Renato, porque o 007 ainda não está usando a camisa do Vasco (da Gama)? – o time do Aragão
Renato traduziu e o Moore apontou um dedo pra mim, dizendo o que o comediante traduziu, também:
- Então, você vai me presentear com uma camisa deste clube – e tirou um cartão do bolso parfa entregar-me. Ao lado dos dois, os colegas fotógrafos fizeram clicks, evidentemente, para futuras sacanagens.
Enviei-lhe uma jaqueta vascaína, com o número 7, e ele agradeceu-me, por um cartão postal de Londres.
K pra nóiz: quem assiste jogos do atual time do Vasco da Gama fica com a impressão de que lhe falta um James Bond criativo, energético, intempestivo. Era assim o primeiro James Bond, que o ator escocês Sean Connery deu vida e glória. Grande desportista – praticava esqui aquático, corrida com trenó; com e cavalo e carroça;  boxe; natação; musculação; golfe  e futebol.    
Louco por uma bola rolando,  desde garoto, Connery exibia talento para ser um ótimo futebolista. O Fet-Lor, na escocesa Edimburgo, a sua terra, foi o seu primeiro time. Jogador ágil e muito útil ao time, recebeu proposta para ser um semi-profissional, mas não quis abandonar o halterofilismo, que valeu-lhe medalha de bronze de um Mister Universo disputado em Londres. Medalha de prata em uma disputa pelo Fet, em 1950, ganhou muita fãs e transferiu-se para o Bonnyrigg Rose. Jogando com muita força e velocidade, tornou-se a estrela do time e chegou a pensar em profissionalizar-se.
Foi pela metade da adolescência, quando defendia o Grove Vale, ainda de sua cidade, que Connery desenvolveu a sua técnica. Um outro time, o Oxgans Rovers, via nele o jogador ideal para o seu meio-de-campo, e o levou. Mas estava escrito que o futebol o perderia para as artes. Filho de casal muito pobre, ele pegava qualquer tipo de emprego – entregador de leite, de jornais, de carvão, lustrador de móveis e salva vidas de piscina, entre outros -, Sean aceitou a sugestão de um cara que havia disputado com ele o Mister Universo e inscreveu-se para testes na peça Sout Pacific, como figurante.     
Aprovado, Connery, no entanto,  hesitou em dizer sim à companhia teatral. Doía em sua alma ter que deixar o futebol. O deixou, mas durante as duas temporadas excursionando com a peça, sempre pintava em uma partida por onde passava. Durante uma delas, foi visto pelo lendário Matt Busby, que o convidou a dar um chego em Old Trafford –  o mito Alexander Matthew Busby dirigiu o time do Manchester United, por quase 25 temporadas, foi rronado Sir (cavaleiro do Império Britânico), pela rainha Elizabeth II, entrou em música dos Beatles, ganhou estátua, nome de rua, sete títulos nacionais e a Copa dos Campeões Europeus-1968 - e revelou os maiores ídolos do futebol inglês do seu tempo.
Convite daqueles, nenhum jogador de futebol dispensaria. Mas um diretor e ator de cinema amigo de Connery, o norte-americano Robert Henderson, fez-lhe a cabeça para seguir nos palcos. Ao saber daquilo, um outro amigo deles, Jerry White, sentiu vontade de enforcar Henderson, pois um rapaz pobre como Sean não poderia dispensar o sucesso e a montanha de dinheiro que o Manchester United acenava-lhe, quando ele não tinha a mínima perspectiva de sucesso no teatro, ou no cinema. Era só um figurante.
Fora do futebol, definitivamente, Connery ralou muito até conseguir ter o seu nome nas letrinhas que passam nas telas dos cinemas. Mas estava escrito, também, que ele se tornaria o James Bond, o herói pensado pelo escritor Ian Fleming, e um dos grandes atores de sua geração. Só não estava escrito que o Vasco da Gama chegasse a 120 de vida montando um time sem criatividade, agilidade e intempestividade, que chegou a ser o último colocado deste Campeonato Brasileiro. Atualmente, está a dois degraus da zona de rebaixamento. Um autêntico 000Vasco.       
                                                                      TEXTO 2 

 Em 1991, o ator inglês Roger Moore – representou o agente secreto 007, o James

Bond do cinema, em sete películas – veio ao Brasil prestigiar a posse do comediante

Renato Aragão como primeiro representante da UNICEF- Fundo das Nações Unidas para a Infância em seu mesmo cargo no país. Esteve por Recife, Fortaleza, Rio de Janeiro, São Paulo e Brasília, onde visitou o presidente Fernando Collor e o Congresso Nacional.  

Nesse périplo, Moore falou uma frase que teve repercussão pelo planeta: “`É mais fácil chamar a atenção para a floresta tropical do que para as crianças" - numa época em que nem havia tanta gritaria pela proteção da cobertura verde brazuca.

 Quando foi ao Congresso Nacional, após os contatos com os parlamentares, a dupla Moore-Aragão foi levada pelos seus assessores pra bater um papinho com os jornalistas, na sala de imprensa da Câmara dos Deputados. Chegarem e ficaram em pé, saudando a moçada com os tradicionais ôi, alô, helôu. Por alil eu ia entrando na sala, quando o fotógrafo Luís Antônio Alves que  trabalhava junto comigo no Jornal de Brasília, saiu cm esta:  “Chegou o 00M (M, de Mariani, como me chamavam).

 A rapaziada sorriu e o Renato Aragão fez um sinal para eu me aproximar da dupla. Não só aproximei-me, como fiquei no meio dos dois (todos os fotógrafos presentes clicaram a cena) e o indaguei: "Renato! O que é que você está fazendo aí, que o 007 ainda não está com a camisa do nosso glorioso Vasco da Gama?"

Uns vaiaram e os vascaínos, evidentemente, aplaudiram. O Morre, que não entendeu nada, olhou para o Aragão e eu, que falava inglês bem, na época, o expliquei do que se tratava. Ele disse que não conhecia o Vasco da Gama e que ficaria feliz se eu lhe enviasse uma camisa do clube. Pedi-lhe o seu endereço e ele tirou um cartão do bolso do paletó para me entregar.

 Pelo início da noite, quando cheguei à redação do JBr, o Luis Antônio, que chegara primeiro, havia pedido ao pessoal do Publiarte (Departamento de Publicidade de Arte) pra montar uma camisa do Vasco da Gama sobre o meu paletó e colou a foto no Flanerógramo do Chefe de Reportagem, com a manchete: “00M contra 007”.

 Comprei a jaqueta cruzmaltinada e a enviei para o Roger Moore que, tempinho depois, enviou-me um cartão postal, de Londres, agradecendo pelo presente. Então, o Roberto Stuckert, diretor do Departamento Fotográfico e que era fanzaço dos filmes do James Bond, me encheu o saco para eu presnteá-lo com o card. De tanto encher o barraco, propus-lhe: "Tire uma foto minha, com o Roberto Dinamite – maior ídolo da torcida vascaína -, quando ele vier a Brasília, e o cartão será seu.

Aconteceu e fizemos a troca.  O mesmo Stuckert, ao revelar a foto, pediu ao pessoal do setor Composição para escrever uma manchete e, também, a colou  no Flanerógramo, com a frase: "Trocou 007 por Dinamite".

Tempos depois, quando não trabalhávamos mais juntos, encontrei o Tukão, com eu o chamava (pesava uns 130 quilos e media cerca 1m72cm) em uma procissão da Igreja Nossa do Lago (no Lago Norte de Brasília) e o sacaneei: "Porra! Depois de beber todas as cachaças do mundo e sacanaer o planeta inteiro, vem pedir perdão a Deus?"

Ele mandou uma  resposta sem nada a ver: " Ainda tenho aquela foto sua com o 007." E eu fui no lance: "Então, traga-a para mim, que não a tenho mais. Emprestei-a um amigo vascaíno (o Raimundinho Maranhão) que não a devolveu, e nem a  devolverá" – falei. "Trago na missas de domingo" –  prometeu.

Roberto Stuckert reproduzido do Jornal de Brásília 

Por aquele tempo, eu levava a “Santa Maria”, como o Stukão chamava a minha mulher (dizendo que só sendo santa para aguentar as minnhas sacanagens) a todas às missas dominicais.

 No momento da comunhão, ao ver o Stukão (e a mulher dele) na fila, apressei-me para furá-la e ficar à sua frente. Então, ele enfiou uma das mãos no bolso direito do paletó (ia à missa do jeito que ia às pautas do jornal) e passou-me a foto, exatamente, quando eu estava recebendo a hóstia consagrada. No clamor da hora, coloquei a foto na boca e fiquei com a hóstia (entregue aos fiéis) na mão esquerda. 

 Depois da missa, o Stukão virou-se pra mim e disse: "Porra, camaradinha! Depois dessa, você pra mim, agora, é o repórter 000. E olhe que, ainda, posso lhe rebaixar ainda mais. Abaixo do pior time que o Vasco já teve". 

Final às 12h50 de 15.01.2026 (quinta-feira) e trazido para cá pelo TÚNEL DO TEMPO.        



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