segunda-feira, 6 de janeiro de 2025

HISTÓRIAS DO GAMA - ESMERINDO

Esmerindo Valeriano da Silva, pernambucano, de Custódia, foi o primeiro treinador do time do Gama. Jogou futebol, “como quarto-zagueiro, sem ganhar nenhum título, nem quando morei no Piaui e joguei por um time chamado Corintgians”, contava.  Como futebol exige taças e faixas, ele trocou chutar a bola por orientar a rapaziada.

 -  Treinei um time chamado Náutico, de Petrolina-PE, e segui sem ser campeão de nada, durante toda uma temporada. Então, pensei em tentar a vida em Brasíia. Cheguei ao Gama, em 1967, e as coisas começaram a melhorar em minha vida de teinador. Dirigindo o Penharol (do Gama) e terminei a fase candanga da Copa Arizona (maior competição do futebol amador do país da época), em quarto lugar, contra dezenas de equipes de todos os cantos do DF (Distrito Federal). Com aquilo, fui convidado para treinar o Minas Atlético Clube - embrião da Sociedade Esportiva do Gama.  

 Esmerindo  foi, também, vice-presidente de Hermínio Neves, o Tim. Deixou o Gama, em 1976, para dirigir o time do Guará Esporte Clube, o ex-Humaitá, mas voltou a ser um gamense, em 1977, como diretor de futebol. Posteriormente, foi supervisor. 

Sócio benemérito alviverde, Esmerido, que era o treinador na estreia do Gama no futebol profisissional candango - Gama 2 x 0 Humaitá - , valendo pelo Torneio Imprensa, afirmava que o primeiro gol do seu time fora marcado por Zequinha (que fez o segundo, também), enquanto o jornal Correio Braziliense, único a cobrir a partida, relatou ter sido Pedrinho o autor do tento inaugural da história do Gama nas redes.

Pelos inícios do futebol gamense, Esmerindo acodava às quatro da madruga para treinar a rapaziada, pois todos os atletas trabalhavam e teriam que chegar às oito da matina ao batente. Tempinho depois, os treinos passaram a ser pelos finais de tarde, em um campo atrás do Itamaraty (Ministério das Relações Exteriores, na Esplanada dos Ministérios). Mas nem sempre o treino rolava legal. Antes, brigavam Zequinha com Palito; Palito com Heitor; Heitor com Redi; Redi com Pedrinho; Pedrinho com Santana; Santana com Esmerindo, e este, cabisbaixo, macambúzio, chegava  para o único reporteer qure aparecia e pedia: "Veja aí o que você pode fazer pela gente". 

De sua parte, Esmerindo não podia fazer nada, pois os atletas não ganhavam nada. Ao assinarem contrato, foram avisados de que só levariam alguma grana se os jogos do time tivessem renda sobrando para eles. Nem preparador físico o time tinha. Os jogadores, que conheciam alguns exercícios físicos, dos tempos de campenatos amadores, comandavam a física, com Heitor liderando esta parte. Esmerido ficava esperando a prática acabar, pra começar o seu traballho que, as vezes, não rolava legal. Brigavam Zequinha com Palito; Palito com Heitor; Heitor com Redi; Redi com Pedrinho; Pedrinho com Santana; Santana com Esmerindo, e este, cabisbaixo, macambúzio, chegava  pra mim (único reporter que aparecia) e pedia: "Veja aí o que você pode fazer pela gente".  

 Não se divulgava a bagunça que era o Gama, pois os jornalistas achavam que divulgar bagunças seria prejudicial a um futebol que começava a viver a fase profisisonal. Esmerindo, motorista de táxi, gastava o que ganhava rodando com passageiros, pra colocar gasolina em seu carro e ir treinar o time do Gama, por "amor à arte".

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