Vasco

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terça-feira, 20 de junho de 2017

FLAMALTINOS E VASBRO-NEGROS-2

 Vasco e Flamengo já uniram por três oportunidades, formando uma equipe para disputa de amistosos. Aconteceu nas décadas-1950/60/80. Na primeira delas, o então maior ídolo da  história do futebol cruzmaltino, Ademir Menezes, rubro-negrou para encarar argentinos. Dá pra acreditar? ´Pois aconteceu. Da mesma foram que, da última união, o lateral-esquerdo Leovegildo Junior vascainou. Mas vejamos outras vascaínadas e flamengadas:   
Vasco e Flamengo já uniram por três oportunidades, formando uma equipe para disputa de amistosos. Aconteceu nas décadas-1950/60/80. Na primeira delas, o então maior ídolo da  história do futebol cruzmaltino, Ademir Menezes, rubro-negrou para encarar argentinos. Dá pra acreditar? ´Pois aconteceu. Da mesma foram que, da última união, o lateral-esquerdo Leovegildo Junior vascainou. Mas vejamos outras vasmengadas e e flascaínadas:  
Silva foi rubro-negro, antes

SILVA - O "Batuta" era um dos líderes do grupo de 1970 e fez grande temporada, ajudando a "Turma da Colina" a quebrar o jejum de 11 anos e oito meses sem comemorar o titulo de campeão carioca. Após o "SuperSuper-RJ-1958", os vacaínos, só haviam conquistado a I Taça Guanabara-1965 e o Torneio Rio-São Paulo-1966, este empatados com Botafogo, Santos e Corinthians, uma "maracutaia" da então Confederação Brasileira de Desportos.     
  Nascido em dois de janeiro de 1940, na paulista Ribeirão Preto, Walter Machado Silva esteve em São Januário, entre 1970 a 1971, tendo, durante  a campanha estadual, marcado oito gols, por um time-base escalado assim pelo treinador Elba de Pádua Lima, o Tim: Andrada; Fidélis, Renê, Moacir e Eberval; Alcir e Bougleux; Luis Carlos, Valfrido, Silva e Gílson Nunes.
  Silva chegou à Seleção Brasileira e disputou um jogo da Copa do Mundo-1966, formando dupla ofensivas com Pelé. Disputou mais outros oito outros compromissos canarinhos, obtendo, dois empates e sofrendo só uma queda. Marcou cinco gols, sendo os seus jogos sendo seis jogos contra seleções nacionais – três vitórias, dois empates, uma derrota e dois gols – e mais dois contra clubes ou combinados – duas vitórias e três gols. Quando encerrou a carreira, graduou-se em Direito. 

BEBETO – O baiano José Roberto de Oliveira Gama foi buscado pelo Flamengo, no Vitória da Bahia, quando ele estava fazendo a transição do time juvenil para o principal. Rápido, cresceu na Gávea. e tornou-se ídolo da torcida rubro-negra. Mas houve um dia em que ele e o Flamengo não chegaram a um acordo para a renovação de contrato. O Vasco da Gama foi lá, com a mala cheia da grana, e o carregou para São Januário.  

Bebeto  rubro-negro e Júnior cruzmaltino, em foto
reproduzida de www.netvasco.com.br
Bebeto disputou seu primeiro jogo contra o Flamengo, em 5 de novembro de 1989, em um domingo, no Maracanã, pela segunda fase do Campeonato Brasileiro.
 Estiveram presentes 59.076 pagantes, que gastaram NCz$ 1.088.300,00 (novos cruzeiros). Luís Carlos Félix apitou e o Fla venceu, por 2x 0, com Bujica marcando os dois tentos.
 Naquele dia, o técnico Nelsinho Rosa o escalou nesta formação: Acácio; Luis Carlos Winck, Leonardo Siqueira, Quiñonez e Mazinho; Zé do Carmo, Andrade (Vivinho), Marco Antônio Boiadeiro e Tita; Bebeto e Bismarck.

Pelo time flamenguista, Bebeto vestiu a sua camisa, diante do Vasco, pela última vez, em uma segunda-feira: 12 de junho de 1989, no Maracanã, pelo Estadual. E marcou o seu último gol rubro-negro. Mas o Vasco mandou 2 x 1, por Roberto Dinamite e de Paulo Roberto, em jogo assistido por 6.143 pagantes.
O técnico Telê Santana o mandou ao gamado nestas equipe: Zé Carlos; Jorginho Amorim, Aldair, Zé Carlos II e Leonardo; Ailton, Renato Carioca e Valdeir: Alcindo (Sérgio Araújo), Bebeto e Zinho. No Vasco, o treinador Sério Cosme, atuaram; Acácio; Paulo Roberto ‘Gaúcho’, Célio Silva, Fernando e Mazinho (Cocada); Zé do Carmo, França, Geovani (Vivinho) e Bismarck;  Roberto Dinamite e William.

segunda-feira, 19 de junho de 2017

FLASCAÍNOS E VASBRO-NEGROS-1

Brito foi vascaíno por 15 temporadas
São muitos os atletas vascaínos e flamenguistas que, um dia, vestiram a jaqueta do rival. Isso começou depois das década de 1930, quando o zagueiro Domingos da Guia e o atacante Leônidas da Silva pularam para o outro lado do balcão.
Já houve, também, casos célebres: 1 – o coringa Alfredo foi para o Flamengo e não conseguiu ser flamenguista, de saudades da Colina, levando o presidente rubro-negro, Gilberto Cardoso, a telefonar para São Januário, pedindo a volta do atleta à Colina; 2 – sondado pelo rival, o goleiro Carlos Germano respondeu que jamais seria um flamenguista; 3 - o polivalente Fábio Baiano jogou só uma partida pelo Vasco, e não foi aceito pela torcida. No dia seguinte, foi embora.
 Vejamos alguns casos de quem, tempos depois de se dar bem com uma das camisas,  flamengou ou vascainou:   
 
BRITO – A campanha (invicta), comandada pelo treinador Flávio Costa, um flamenguista, que dera o título de campeão carioca-1945 ao Vasco da Gama, somou mais um torcedor da “Turma da Colina”: o garoto forte, cabeludo, de olhos amendoados e gênio expansivo. Começava, por ali, uma grande paixão. Tempos depois, ele treinava com a rapaziada de São Januário, agradava e assinava  ficha de inscrição, assinando: Hércules Brito Ruas.
Não foi fácil para Brito chegar a titular no time do Vasco. Teve de assistir jogos de Bellini, o dono da sua posição, por muito tempo. Mas garantia jamais ter sentido-se desprestigiado por ser reserva do “eterno capitão”. Garantia, porém, de só ter aprendido, com o rival,  estilo vigoroso e entusiasmo.
Reprodução de Placar.
Agradecimento
 Brito esteve vascaíno por 15 temporadas.
Em 30 de setembro de 1969, Brito tornou-se flamenguista, recebendo NCr$ 80 mil novos cruzeiros relativos ao valor do negócio. Queixava-se de "só ter feito dois bons contratos" em São Januário. Saiu afirmando ter vivido muito mais alegrias do que decepções, dentre esta ter sido afastado do time e acusado de sabotador, pelo treinador e ex-ídolo vascaíno Ademir Menezes, e  não ter recebido, da torcida, o apoio moral de que precisava, levando-o a pedir uma licença ao clube. 
 Pouco depois de trocar de endereço, Brito desagradou a torcida vascaína, dizendo que "o Flamengo fazia o seu jogador vibrar, mudar tudo quando vestia a sua camisa, pois a torcida rubro-negra era muito mais vibrante, fazia um ídolo da noite para o dia".  Pra piorar, acrescentou: “Sempre fui vascaíno, mas sempre quis jogar pelo Flamengo...Tive a sorte de me transferir para o Flamengo. Posso dizer que agora estou realizado”, declarou ao Nº 556, de 01.11.1969, da "Revista do Esporte", que o brindou com a capa da edição seguinte, sorrindo e envergando a jaqueta rubro-negra.  
 
BIANCHINI –  Por NCr$ 50 mil novos cruzeiros, de uma dia para o outro, o Vasco negociou o passe de Bianchini, com o Flamengo. O atacante, que fora o principal goleador do Campeonato Carioca-1963, em seus tempos de banguense, jogara pela Seleção Brasileira, ao lado de Pelé, que pediu ao Santos para contratá-lo. Além disso, dera muitas alegrias à torcida do Botafogo, que o negociou com os vascaínos.
Recebido por uma multidão de torcedores quando da sua apresentação rubro-negra no estádio da Gávea, Bianchini participou de um rápido treino, pediu o apoio da galera e mandou-lhe uma mensagem: “Espero realizar por aqui  mais do que fiz no Vasco”.
  Malandro, Bianchini disse aos jornalistas que vinha, de há muito, alimentando  a esperança de defender o novo clube. “Não é de hoje que eu e o Flamengo nos vemos com bons olhos”, afirmou, acrescentando que, antes, havia sido sondado por um dirigente flamenguista e, desde então, passou a pensar na possibilidade. Jogava com empenho pelo Vasco, mas  “sempre pensando no Flamengo”.
 Segundo Bianchini, ele pressentiu o seu fim de linha vascaíno quando o treinador Paulinho de Almeida tirou-lhe do time, escalando Valfrido em seu lugar. Saiu atirando no chefe, acusando-o de não ter tido a coragem de explicar-lhe os motivos que o fizerem sentir-se um proscrito. “Fui afastado sem a menor consideração”, desabafou para a Revista do Esporte – Nº 553, de 11.10.1969 –, jurando jamais ter sido indisciplinado, em São Januário, e chegado até a atuar, muitas vezes, sem as suas condições físicas ideais.
Adhemar Bianchini de Carvalho viveu durante 65 temporadas, entre  28 de setembro de 1940 e 27 de outubro de 2005. Casado, com Fernanda, gerou Fabíola e Verônica e conheceu os netos Samyr e Alice, filhos da primeira. Sua vida rubro-negra durou e rendeu pouco: 16 jogos e cinco gols. 

 

HISTÓRIA DA HISTORIA - PELÉ VASCAÍNO

Reprodução da Revista do Esporte
Há meio-século. Na data de hoje, no 19 de junho de 1957, um garoto desconhecido pelo torcedor carioca vestia a camisa cruzmaltina, para defender o Combinado Vasco da Gama/Santos, na disputa do internacional Torneio Morumbi. O nome do moleque? Pelé! Três meses depois,  ele seria convocado para a Seleção Brasileira e, no ano seguinte, sagrava-se campeão de uma Copa do Mundo e tornava-se “Rei do Futebol”.
 Conta-se que, pouco antes de servir ao Combinado, o Santos oferecera Pelé ao Vasco, que não o teria aceito, por considera-lo muito jovem. É algo que nunca se saberá se foi verdade, ou é lenda, pois os protagonistas do negócio que não saiu não estão mais vivos para afirmar, ou desmentir.
 Há 50 temporadas, quando Pelé vestiu a jaqueta cruzmaltina, vieram para o torneio Os Belenenses, de Portugal, e o Dínamo, de Zagreb, da extinga Iugoslávia. Eles se uniram, ainda, ao Flamengo e ao São Paulo, o promotor da competição, que não chegou ao final devido prejuízos financeiros, já que o público não prestigiou. 
Naquele 19 de junho, o Vasco/Santos mandou 6 x 1 nos portugueses, no Maracanã, com Pelé marcando três gols – o ex-vascaíno Álvaro (2) e Pepe completaram o placar. Para ao time dirigido pelo treinador santista Luís Alonso Peres, o Lula.
Três dias depois, Pelé voltou a marcara, no mesmo granado, no 1 x 1 Dínamo. Passados mais quatro, também bateu na rede, no 1 x 1 Flamengo, e fez o mesmo no
dia 29, em novo 1 x 1, daquela vez, contra o São Paulo, na capital paulista, tendo a moçada usado a camisa santista. 



Reprodução da revista Grandes Clubes
Confira as fichas técnicas dos jogos de Pelé com a jaqueta vascaína:

19.061957 – Vasco/Santos 6 X 1 Belenenses-POR. Torneio Internacional do Morumbi. Estádio: Maracanã. Juiz: Amílcar Ferreira. Gols: Pelé (3), Álvaro (2), Pepe e Matateu. COMBINADO: Wagner, Paulinho e Bellini; Ivan, Urubatão e Brauner; Iedo (Artoff), Pelé, Álvaro, Jair (Valdemar) e Pepe. BELENENSES: Pereira, Polido (Moreira), Pires e Carlos Silva; Pires e Vicente (Pelefero); Dimas, Faia, Ricardo Peres, Matateu e Tito.

22.06.1957 - Vasco/Santos 1 x 1 Dínamo Zagreb-IUG. Torneio Internacional do Morumbi. Estádio: Maracanã. Juiz: Frederico Lopes. Gols: Pelé, Panko. COMBINADO: Wagner, Paulinho e Bellini; Ivan, Urubatão e Brauner; Iedo (Artoff), Pelé, Álvaro, Jair (Valdemar) e Pepe. DÍNAMO ZAGREB: Irovic, Sikio, Crocovic, Croncovic; Koskat e Horvat; Panko(Gaspert), Cercovic, Kong, Angic, Lipozonovic.

26.06.1957 – Combinado Vasco/Santos 1 x 1 Flamengo – Estádio: Maracanã, no Rio de Janeiro. Torneio Internacional do Morumbi; Juiz: Anver Bilate; Gols: Pelé (Vasco-antos) e Dida (Flamengo). VASCO/SANTOS: Manga, Paulinho, Bellini e Ivan; Urubatão e Brauner; Iedo (Pagão), Pelé, Del Vecchio (Pepe), Jair Rosa Pinto e Tite. FLAMENGO: Ari, Joubert, Pavão e Jordan; Jadir (Dequinha) e Mílton Copolilo; Luiz Carlos, Moacir, Henrique (Duca), Dida e Zagallo (Babá).


domingo, 18 de junho de 2017

DOMINGO E DIA DE MULHER BONITA - MARINA, A ESTRELA DA 'NOVELA SACOPÃ'

Parecia uma novela. Dos tempos em que a Rádio Nacional comovia o país inteiro, transmitindo dramalhões de arrepiar. Estrelando um roteiro real, uma linda e confusa garota disputada por um tenente e um bancário. Do outro lado do aparelho, ouvintes, cada vez mais ligados nos capítulos diários, apostando no que iria dar a cartada final.  
 A sinopse do início do texto apresentava Marina de Andrade Costa colada no ex-namorado Afrânio Arsênio de Lemos – servidor da agência de Botafogo do Banco do Brasil –, sem perder o contato com o seu primeiro amor e escrevendo-lhe dedicatórias apaixonadas e provocando o ciúme extremo de Alberto Jorge Franco Bandeira, oficial da Aeronáutica.
 Tudo em cima! Como mandava o figurino da época, para dominar a audiência, que estava lá em cima quando a sonoplastia do capítulo da noite de 6 de abril de 1952 usava o som do motor de carro deslizando pelo asfalto da Avenida Epitácio Pessoa, margeando a Lagoa Rodrigo de Freitas, parar pelas proximidades do Clube Caiçara. Seguem-se três tiros, o ouvinte fica sabendo terem atingido a cabeça, o hemitórax direito e o abdómen da vítima.
 Ninguém sai de perto do rádio. Ouve-se que que o assassino usara um revólver Smith Wesson, calibre 32, de carga dupla, e deixara 14 lesões na cabeça do coitado, produzidas por golpes sucessivos à coronhadas. 
O caso virou filme, em 1963
- Óoooooooh! – exclamavam os ouvintes, quando o capítulo era interrompido para a divulgação das propaganda da brilhantina Glostora, da cera Parquetina, do sabonete Eucalol e do colírio Moura Brasil.
 Decepções com os comerciais passadas, é após o “estamos de volta” do locutor que o ouvinte vive as maiores emoções do capítulo daquela noite. É narrado que, no dia seguinte, um Citroen peto parado e com os faróis acesos é encontrado na Ladeira do Sacopã, com um corpo caído lá dentro. Dentro da carteira da vítima, a foto de uma bonita morena tinha escrito no verso: “Este sorriso te pertence”.
- E, não percam, amanhã, neste mesmo horário, mais um sensacional capítulo desta novela escrita por Marina Costa, Afrânio Lemos e o Tenente Bandeira – diria o locutor, par amais um “Óoooooo!” da enorme audiência, por todos os rincões do solo pátrio.       

2 – Entra em cena o delgado Hermes Machado, do 2º Distrito Policial, de Copacabana e que, após seguir várias pistas, passa a crer que o tenente matara ao bancário. Chamado a depor, ela nega, afirmando que estivera, até tarde da noite do crime, na casa da avó, à Rua Voluntários da Pátria, em Botafogo.
Também chamada a depor, Marina tenta inocentar o namorado. No dia seguinte ao crime, este surge em sua casa, pedindo-lhe para esconder o seu revólver e ordena-lhe bico fechado, sob pena de ser enforcada com uma echarpe, que seria apertada, vagarosamente, até ela ficar roxinha.
- Matei por sua causa – confessou-lhe o tenente.
Foto Divulgação do ator Alberto Jorge
 no filme de Roberto Pires
Assustada, Marina recorre ao advogado Plínio Moreira Lima, contando-lhe ter o militar lhe confessado o crime, ela feito declarações falsas à policia, por temer as suas ameaças, e pede um novo depoimento. Pede, também,  ao delegado Hermes Machado, um policial para protegê-la durante as 24 horas do dia, no que é atendida, recebendo um investigador morar em sua residência, passando-se pelo primo José, que anota todas as confidências do tenente, que já contratara o advogado Romeiro Neto, o principal criminalista do Rio de Janeiro.
Com evidências suficientes no caderninho, o delegado Hermes consegue, com o Tribunal do Juri,  em julho, a prisão do militar, guardado no Regimento de Cavalaria, na Avenida Pedro II. 
 Pouco depois, descobre-se que Bandeira tinha uma amante, a cearense Miriam, que lhe daria um filho.  Marina, enciumada, passa a telefonar para o quartel, prometendo ao tenente desmentir na polícia tudo o que dissera contra ele, o que cumpre.

3 - Dois anos se passam, Marina desentende-se com Plínio Lima e passa a ouvir Romeiro Neto, que aconselha viajar a Nova York, nos Estados Unidos, a fim de livrar-se do assédio dos repórteres. O caso já ganhara repercussão internacional, tendo as fotos dela e do tenente já sido divulgadas, inclusive pela famosíssima revista norte-americana “Time”.
 Enfim, o julgamento do tenente é marcado, para 26 de março de 1954. Os três milhões de habitantes do Rio de Janeiro só falavam do caso. Por não atender convocação judicial, na véspera, Marina é presa e levada para a Penitenciária de Mulheres, em Bangu. Para  a sessão do júri, chegou às 11h30, agitada, usando óculos escuros. Escoltado por um pelotão da polícia da Aeronáutica, Bandeira chegou 20 minutos depois dela. 

Foto Divulgação de cena do filme "Crime no Sacopã"
Eram 13 horas, quando o juiz Claudino de Oliveira Cruz abriu a sessão. Do lado de fora do Palácio da Justiça, a afluência popular era imensa, obrigando o trânsito a ser desviado para ruas laterais. Lá dentro, emissoras de rádio prendiam os seus ouvintes e batalhões de repórteres e fotógrafos disputavam espaços. Bandeira sentou-se no banco dos réus, entre dois tenentes-aviadores. A leitura dos autos durou oito horas. Após um intervalo para o jantar, a inquirição das testemunhas começou às 22 horas. A grande atração da novela, Marina, a pivô do crime, arrolada pela acusação, fora dispensada de depor, mas obrigada a ficar em uma sala reservada até o final do júri.

4 - A inquirição rolou até as 3h30 da madrugada. Às  04h, o juiz passou a palavra ao promotor Emerson Lima, cuja convicção de culpabilidade do réu foi reafirmada pelo assistente de acusação,  Milton Sales. Por ter o Lima passado mal, subitamente, os trabalhos foram retomados às 9h30, tendo a acusação pedido de 6 a 20 anos de prisão para Bandeira. Às 11h, os advogados de defesa, Romeiro Neto e José Bonifácio, entraram em ação, tentando invalidar todas as declarações de Marina à policia. Alegaram que a ameaça  de estrangulamento à moça fora “brincadeira” e que o cliente não fora acusado nos autor do processo, mas só caluniado.
Não adiantou. Às 13h10, os jurados foram para uma sala secreta e, às 1520, voltaram a plenário, para o juiz ler a sentença condenando Bandeira a 15 anos de prisão.
Em 1972, o julgamento foi anulado pelo Supremo Tribunal Federal, acusando falhas no processo. Bandeira foi reintegrado à Aeronáutica, em 1974, e reformado como capitão. Viveu até agosto de 2006, sem conseguir ser inocentado pela Justiça.  
Quanto a Marina, após a condenação de Bandeira,  ela desapareceu, deixando a história de que teria se casado com um comerciante italiano e passado a usar um outro nome.          

OBS: o caso Sacopã foi levado para o cinema, em 1963, filmado com direção de Roberto Pires. Entre outros, foram atores e atrizes: Alberto Jorge Franco Bandeira, Agildo Ribeiro, Jorge Dória, Iris Bruzzi, Maria Pompeu e Yolanda Cardoso.      


eremes Machado, do    

sábado, 17 de junho de 2017

KIKE EDITORIAL-29 - GRAVATA DE BOLINHAS BEM BRANQUINHAS

  O Brasil do Governo João Goulart, em 1962, tentava afirmar política externa independente e praticava intervenções em empresas concessionárias de serviços públicos. Foi por ali que o presidente “brasuca”, o Jango, visitou Washington, nos Estados Unidos.
 Recebido no aeroporto da base aérea de Andrews, na capital norte-americana, pelo seu xará John – traduzindo para o português, tudo terminava em João. Oficialmente, os dois analisaram a situação política mundial, a postura dos países ocidentais, todos pró Estados Unidos na “guerra fria” mantida com a então União Soviética, e os problemas do continente latino-americano. Depois, os dois chefes de estado divulgaram um comunicado conjunto, reiterando que a tradicional amizade entre os seus dois povos seguia inalterada, mesmo com recentes divergências em algumas áreas de intetração comercial.
 Pergunta-se: pra quê os Estados Unidos precisariam discutir situação da política internacional com o Brasil? Washington daria ouvidos a Brasilia sobre alguma questão internacional importante? Claro que não. O JK de lá precisava só segurar os impetos não muito simpáticos ao “Tio Sam” do JG de cá. E liberou US$ 129 milhões de dólares, de saldo de um empréstimo, de US$ 338 milhões, concedido ao Brasil, em maio de 1961. Isso, além de pedir ao Fundo Monetário Internacional-FMI para dilatar o prazo de pagamento da dívida, de US$ 20 milhões, que estava vencendo.      
 Tanta gentileza era pouco. Tanto que o JK de lá e JG de cá, ainda, reafirmaram a dedicação de Brasil e Estados Unidos ao convívio interamericano e aos valores da diganidade humana. Jango, da boca pra fora, afirmou tencionar prestigiar o capital privado no desenvolviment da economia brasileira  e John Kennedy acenou com o envio de técnicos do seu governo para trabalhar junto a várias agências estatais de cá, além de incrementar a ajuda que já era dada pela Aliança Para o Progressso. Vinte e quatro meses depois, o “Tio Sam” ajudava os militares brasileiros a sumirem com o Jango.
 Daquela visita cheia de muita conversa tipo papo de boteco, só ficaram bolinhas de concreto. Os dois João se encontram usando ternos e gravatas azuis. O JK de lá com gravata de bolinhas vermelhas e o JG de cá com bolinhas brancas –- bolinhas que bateram na rede.... pelo lado de fora.     
FOTOS REPRODUZIDAS DA REVISTA "O CRUZEIRO" DE 21.04.1962