Julho de 1978; o Gama passava por seríssimas dificuldades financeiras e a saída mais falada seria solicitar licença das competições da Federação Metropolitana de Futebol-FMF. O presidente Márcio Tanus de Almeida, principal assessor da Administração Regional da cidade do Gama e que estava no cargo, apenas, porque o adminisrtrador Walmir Bezerra o indicara para suceder ao fundador Hermínio Neves, o Tim, em troca do seu apoio, não via como acumular duas funções.
Já que o Tim não
era visto pelo administrador Bezerra como alguém com traquejo suficiente para
comandar um clube no regime profissional e ser o representante da cidade no campeonato metropolitano,
começou-se a procurar alguém para
substituir o Tanus. Como ninguém queria o cargo, o ainda presidente Márcio
Tanus e seu diretor Márcio Rodrigues conseguiram convencer o diretor de
futebol, Osvandio Lima, a assumir o comando. “Me pegaram no laço”, comparava.
Osvando,
comerciante, proprietário de uma das principais lojas do Gama, a Casa Lima, ao ser
o brigado a topar o dessafio, disse aos demais dirigentes:
- Sem o apoio dos
comerciantes da terra, não terei como tocar o Gama. Uma coisa é eu gerir a
minha loja, outra é atender às expectativas de todauma cidade apaixonada por
futebol – e foi à luta e quase quebrou a sua loja. De sua parte, o administrador Walmir Bezerra liberava o estádio
da comunidade para a turma trabalhar.
Quando Osvando Lima tornou-se presidente, os jornais
cariocas divulgavam que o Botafogo iria cobrar do Gama, judicialmente, Cr$ 290
mil cruzeiros (moeda da época), de cota não paga por amistoso, no Bezerrão.
- Começar um
mandato daquele jeito, era pior do que ter a minha loja assaltada e não sobrado
nada – considerou.
Osvando Lima negociou com o Botafogo e a Federação
Metropolitana de Futebol, que lhe emprestou grana, e marcou o seu “primeiro gol como cardtola”.
- Evitamos que o nome do Gama ficasse sujo e não conseguissemos
mais trazer nenhum grande clube pra jogar amistosos com a gente” – comemorava.
Osvando considerava, porém, o grande lance dos
seus inícios de presidência gamense ter conseguido patrocinadores para tirar o meia
Péricles, do Brasília Esporte Clube e considerado o principal craque do então
futebol candango.
- Foi algo tão grande para um olube pequeno, como o Gama, que a apresentação
do atleta foi no Iate Clube de Brasília -, acentuou, sobre o fato, ocorrido durante
almoço com a imprensa, no então mais
famoso e importante clube brasiliense.
Os patrocinadores – o principal foi o carnê Gamão Milionário, que sorteava prêmios para os compradores - conseguidos por Osvando Lima pagaram Cr$ 50 mil cruzeiros, de luvas (antiga grana por fora do comtrato) e Cr$ 10 mil cruzeiros mensais a Péricles, “investimentio muito grande para o pequeno Gama”, sublinhava.
Péricles foi
tornado capitão do time, pelo treinador Martim Francisco e, ganhando a
companhia do aratilheiro Fantato e do ponta-esquerda Robertinho, vindos do Goiânia
EC, liderou a rapaziada durante a conquista do titulo de campeão brasiliense de
1979, o primeiro dos gamenses.
Osvando Pimentel de
Lima nasceu na goiana Uruano. Foi lateral-direito do Brasilinha, time amador gamense,
e seu único titulo como atleta foi campeão aspirante da cidade, em 1966.
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