Vasco

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sexta-feira, 8 de setembro de 2023

HISTÓRIAS DO KIKE - FLUMINENSE CAMPEÃO TRICOLOR CARIOCA-1964

 Para repetir o que não fazia desde 1959, o Fluminense contratou o treinador Elba de Pádua Lima, o Tim, que encontrou o grupo com problemas disciplinares e formas de concentração e de treinamento que não lhe agradavam. Mais dois outros problemas: o goleiro Castilho era dado como acabado, não jogava há quatro meses, e o meia Joaquinzinho insistia em atuar adiantado. 

Tim chamou os dois para conversar e resolveu os casos. O primeiro foi exemplar em sua recuperação, atuando em 25 dos 26 jogos da campanha, e o segundo fez o time crescer, produzindo uma jogada fatal, lançamentos para Amoroso, que marcou 19 dos 48 gols tricolores na luta pelo título. Valeram a pena as rugas que levaram Tim até afastar do time o seu armador, por indisciplina tática.

Durante as nove primeiras partida, Joaquinzinho e Evaldo lançavam os ponteiros Amoroso e Mateus, que fechavam para o gol. Quando a tática ficou manjada e Evaldo sofreu uma lesão, entrou na formação o centroavante Ubiraci, com a missão de cair pela esquerda, ficando a função de fustigar os zagueiros só com Amoroso. Quando este disputava bolas na área, abria-se um corredor para o lateral-direito Carlos Alberto atacar, coberto por Oldair.

Carlos Alberto, Oldair, Dari, Procópio, Castilho e Altair, em pé, da esquerda para a direita;  Santana (massag), Edinho Manoel, Evaldo, Joaquinzinho e Escurinho, agachados na mesma ordem.

Depois de perder Evaldo – já não contava, também, com o zagueiro Dari (chegou à Seleção Brasileira), que passou três meses fazendo tratamento contra uma úlcera duodenal -, Tim perdeu Ubiraci, por distensão muscular. Terrível, pois, em cima das características do rapaz vinha jogando o seu ataque. Sem ninguém para cumprir a sua tarefa, Tim voltou a mudar o seu esquema tático. Lançou Jorginho (cria das bases) pela ponta-direita e trocou Mateus, por Gílson Nunes, na esquerda. Pelo novo modelo, os ponteiros jogavam abertos e Amoroso forçava o jogo em cima do quarto-zagueiro, para tirá-lo da área e abrir brechas para Oldair, que vinha de trás. Nesse esquema, Denilson jogava plantado e Joaquinzinho subia, um pouco, para desafogar o meio-de-campo.

A configuração tática levou o Fluminense à decisão da temporada RJ-1964, contra o Bangu, clube que Tim dirigira, por 14 meses, antes de chegar às Laranjeiras e que jogara o mais bonito futebol do Campeonato Carioca-1963, só não chegando ao título devido bobeadas na reta final.

Para o primeiro jogo das finais, Tim mandou o zagueiro Valdez marcar Parada, só dentro do seu setor, jamais o perseguindo, porque este lançava bem a bola no espaço vazio. Se Parada recuasse, Oldair iria no combate. Se subisse, além de Valdez, teria Procópio e Altair administrado a esquerda defensiva. Para Carlos Alberto, ficava a missão de aproveitar o corredor que sobrasse para avençar pela direita. Além de Denílson plantado, vigiando Ocimar, Joaquinzinho fazia o peão. Jorginho recuava, um pouco, indo para o meio-de-campo, enquanto Amoroso se apregava na área, jamais buscando jogo. E Gílson Nunes se virava para forçar o jogo em cima de Fidélis, um lateral quase imbatível. Deu certo e o Flu venceu, por 1 x 0, com gol de Amoroso cobrando pênalti cometido por Mário Tito. Era o dia 16 de dezembro daquele 1964.

Veio a finalíssima, em uma tarde de domingo, a quatro dias da noite de Natal, e Tim manteve o esquema tático, esperando sair do Maracanã com um presente para a torcia tricolor e o presidente tricolor, Nélson Vaz Moreira, que acreditara nele. O Bangu teve o ponta-direita Paulo Borges e o centroavante Bianchini adiantados, e astro Parada mais recuado. No primeiro tempo, Denílson, empolgado, abandonava a vigilância a Ocimar, para marcar, também, Parada, o que permitiu ao primeiro ficar livre e obrigar o zagueiro Procópio a se virar para dar conta de um meia. Pra piorar, Bianchini ficava livre e penetrava pela esquerda da zaga tricolor. Foi como marcou um gol, com 28 minutos.

Tim, no entanto, justificou, durante o intervalo, porque era chamado de “O Estrategista”. Corrigiu a falha de Denílson e deixou o adversário sem jogada de ataque. E o Flu virou o placar, em oito minutos – Joaquinzinho, aos 50 e Jorginho, aos 53 minutos -, para vencer, por 3 x 1, com Gílson Nunes fechando a conta, aos 22.

A campanha tricolor constou de 26 jogos, 17 vitórias, 5 empates e 4 derrotas, e o time da finalíssima alinhou: Castilho; Carlos Alberto Torres, Procópio, Valdez e Altair; Denílson e Oldair; Jorginho, Amoroso, Joaquinzinho e Gílson Nunes. O Bangu da época formava um dos times mais fortes do futebol brasileiro: Ubirajara Motta; Fidélis, Mário Tito, Paulo e Nílton Santos; Ocimar e Roberto Pinto; Paulo Borges, Bianchini, Parada e Cabralzinho.

quinta-feira, 7 de setembro de 2023

HISTÓRIAS DO KIKE - PRAGA VASCAÍNA ULTRAPASSA MAIS DE DUAS DÉ10CADAS

   O mais botafoguense dos botafoguenses, Carlito Rocha, afirmava que praga vascaína durava 20 anos. Durou 21, após os alvinegros mandarem 4 x 0 Vasco, ficando bi carioca, em 9 de junho de 1968, no auge da ditadura que levara os militares ao poder, quatro anos antes.

Passada aquela sapatada no “Almirante”, a dança dos números fez um filme legal, em preto e branco, “estrelando” as dezenas 2 e l. Tá no cartaz: o Botafogo voltou a ser campeão carioca 21 anos e 12 dias depois, no 21 de junho, com o atacante Maurício marcando o gol do título, aos 12 minutos do segundo tempo. O pega teve 56.415 pagantes, o que significa que a soma desses números é igual a 21.

Quem mais vibrou com a quebra da escrita foi Mário Jorge Lobo Zagallo, ex-atleta e treinador alvinegro e que tem por número de sorte o 13. Naquele dia, o time da estrela solitária conquistou o seu 13º campeonato estadual. Para voltar a ser campeão, o Botafogo precisou contar com a liderança do treinador gaúcho Valdyr Ataualpa Ramirez Espinoza, que encontrou um time tonto e um grupo desencontrado e indisciplinado. Ele colocou a casa em ordem e a rapaziada para defender e atacar, com todo o gás que havia na boca do balão.

Pois bem! Conferindo-se a escalação-base botafoguense do Estadual-1989, tirando pouquíssimos, aquele era um autêntico time do “quem?” – Ricardo Cruz; Josimar, Wilson Gottardo, Mauro Galvão e Marquinho; Carlos Alberto, Luizinho e Vítor; Mauricio, Paulinho Criciúma e Gustavo.

O Botafogo campeão carioca-1989, tecnicmente, era inferior ao Vasco da Gama e ao Flamengo, contra o qual disputou a partida que lhe devolveu taça e faixas. Fazia chorar de saudade quem se lembrava da sua última rapaziada campeã-1968 – Cao; Moreira, Zé Carlos, Leônidas e Valtencir; Carflos Roberto e Gérson; Rogério, Roberto Miranda, Jairzinho e Paulo César “Caju”. E o que não dizer de uma turma mais antiga, a campeã-1962? Tinha os grandes idolos Manga, Nílton Santos, Rildo, Garrincha, Didi, Quarentinha, Amarildo e Zagallo, quase a Seleção Brasileria que fora bi na Copa do Mundo do Chile.

O Botafogo quebra jejum, no qual ninguém apostava, em início de campeonato, foi à luta. Terminou fazendo a alegria de muito “zé ninguém” e, também, do então prefeito do Rio de Janeiro, Marcelo Alencar; do presidente da Academia Brasileira de Letras, Austragésilo de Atahyde; do escritor Paulo Mendes Campos e da cantora Beth Caravalho, entre outros ilustres alvinegros.

Grande Botafogo! Brincou com as dezenas 2 e 1. Mais? Pegou as duas últimas do último ano em que fora campeão, 68, colocou-as de cabeça para baixo e as transformou em 89, as do seu ano mágico. Confere?

                               

                                                                 

quarta-feira, 6 de setembro de 2023

BIBLOTECA DA COLINA - LEIA RUSSINHO

 Russinho, O Inigualável Êxtase do Gol, é o título do livro que Bruno Pagano Montgeiro está lançando, pela Editora Livros de Futebol, com 284 páginas e podendo ser comprado por R$ 70 reais (60 + 15 do envio pelos Correios).

 Conta a pesquisa do Bruno que Russinho chegou ao Vasco da Gama em 1924, tendo passado antes pelo Andarahy, contra o qual estreou, amistosamente, marcando um gol. Valendo pelo Caampenato Carioca, acrescenta o texto, ele foi campeão em 1924, temporadas em que marcou 25 gols, em 22 partidas. No Estsadual, fez 12 e ficou como vce-artilheiro no primeiro título invicto do Vassco, pela Liga Metropolitana de Desportos Terrestres.    

 Russinho, conta o trexto, defendeu a Turma da Colina durante 11 temporadas, tendo sido eleito, em seis delas, o melhor jogador das equipe, O autor corrige um engano que atravessou o tempo. Muitos dão a Russinho 14 tentos no Estadual-1924, mas ele esclarece que a confusão foi porque o Vasco da Gama tinha um jogador apelidado por Russo - Felizardo Gonçalves - , que era meia. Russinho era Moacir Siqueira de Queirós e viveu o auge de sua carreira até 1931, relata o autor, quepode atnder interessasdos pelo tgelefone (021) 97107-3442.    

    



terça-feira, 5 de setembro de 2023

REMA. ALMIRANTE, REMA - REMOU!

FOTOS REPRODUZIDAS DE ESPORTE ILUSTRADO

Almirante navegou trilegal, como gironizam os gaúchos, e carregou o caneco do Campeonato Carioca de Remo-1950, só não sendo vitória de ponta a ponta, devido ao “imprevisto do segundo páreo”, conforme considerou a revista carioca Esporte Ilustrado. Conta a publicação que, no dito cujo, um remador botafoguense, irregularmente, segurou o remo de um vascaíno, impediundo a guarninção do Almria de prosseguir na prova. A publicação destaca, porém, que foi no quarto páreo que os vascaínos deram mais emoção à prova, vencendo os favoritos rubro-negros, que não mostraram poder de reação ao serem ultrapassados e vencidos por larga diferença de percurso. Até ali, o Vasco da Gama havia sido campeão carioca de remo em: 1905/06/12/13/14/19/21/24/27/ 28/29/30/31/32/34/35/36/37/38/39/44/45/46/47/47/49.

UM TIME (11) DE TITULOS-1954

Conta a revista O Cruzeiro, de 18 de dezembro de 1954, que milhares de pessoas compareceram à Lagoa Rodrigo de Freitas, durante a ensolarada manhã do domingo 22 de novembro, pra assistir a decisão do título do Campeonato Carioca de Remo. E que conferiu “... páreos animadíssimos, plenos de animação e entusiasmo”, com o Vasco da Gama vencendo quatro dos sete confrontos e sagrando-se campeão estadual, pela 11ª vez - consecutiva.

                           Oito velozes brços de aço cruzmaltinos

 Para o repórter da semanária, o maior feito dos vascaínos aconteceu no último páreo, de outriggers, a oito remadores. Diz ele que a Turma da Colina contrariou todas as expectativas, deixando para trás o barco favorito (invicto desde 1952), o rubro-negro conhecido por Transatlântico de Luxo, em dois mil metros, com distância de 6,17m, a bordo do apelidado Torpedo Atômico. O segredo do sucesso, acrescenta o narrador, foi guardar força máxima para o final da prova, quando conseguiu passar do rival, nas últmas remadas.

                O pentaglorioso "champanhota" Chico Medina

A reportagem destaca, também, a vitória do remador cruzmaltino, “penta-campeão carioca”, Francisco Medina, no terceiro páreo, de single-skiff, e o brinda publicando foto em que ele comemora o feito com banho de champanhe, “presentada por um torcedor vascaíno (evidentemente).  OBS: a reportagem de O Cruzeiro não cita os nomes dos vencedores vascaínos nas duas outras provas que não contam por aqui.        

segunda-feira, 4 de setembro de 2023

HISTÓRIAS DO KIKE - DUPLA VASCAÍNA REVIVIDA NO RIO GRANDE DO NORTE

 A história é contada por duas vertentes, tendendo a lenda. Por uma delas, o português José Pereira, torcedor do Vasco da Gama, admirava o futebol do baixinho Zé de Riba, comprou uma passagem de avião e mandou-o para São Januário. A outra vrsão diz que um flamenguista levou-o para o Rio, e o Vasco atravessou o barato.

Seja qual das duas for a certa, o certo foi que o baixinho Zé de Riba teve o seu apelido trocado por Maranhão - como carioca apelida todo maranhense - e o rolou uma bola de gente grande, na Colina. Era fevereiro de 1959 e, depois de 18 partidas, ele marcou seis gols durante os treinos dos amadores e passou a ser olhado com mais atenção. Mas levou duas temporadas para ser profissionalizado  - disputar 285 jogos e marcou 14 gols, até o conturbado 1967, quando o Vasco da Gama teve três treinadores, três diretores de futebol e um pesidente-tampão.

O outro personagem deste texto é um uruguaio, nascido em Rivera, cidade separada da gaúcha Livramento por uma rua que ele atravessava para namorar Maria de Lourdes. Lá pelas tantas, o treinador Zezé Moreira cobrou do Vasco um apoiador que chamasse a bola por você, a tratasse com carinho e a entregasse aos atacante, perto do gol, com se estivesse cantando uma música que fizera muito sucesso, com Nílton César: “Receba as flores que lhe dou/E em cada flor um beijo meu...”. O cara chamava-se Danilo Menezes e o Seu Zezé lembrou-se de que o havia treinado no time do Nacional, de Montevidéu. Era 1965 e o cara pintou pela Colina, aos 20 na idade, para ficar até 1972.

                                  REPRODUÇÃO DE REVISTA DO ABC

         Maranhão e Danilo foram campeões estaduais no RN

A dupla Maranhão-Danilo Menezes, lançada por Seu Zezé Moreira, se desfez, em 1968, quando o uruguaio foi empretado ao Bonsucesso. Depois, o apoiador Danilo passou por Olaria e Bangu, e decidiu voltar pra Rivera, levando dois filhos gaúchos e dois cariocas. Em 1972, voltou ao Rio de Janeiro e um antigo treinador vascaíno, Célio de Sousa, perguntou-lhe sobre a possibilida de reviver a dupla com Maranhão, no potiguar ABC de Natal, que iria disputar o Brasileirão-1972. O antigo paraceiro, ao deixar São Januário, rodava pelos paulistas Comercial de Ribeirão Preto-SP, Ferroviária de Araraquara e São Bento de Sorocaoba; pelo baiano Fluminense de Feira de Santana-BA e o carioca São Cristóvão. E topava encarar o desafio.

 Danilo Menezes contou a revista paulista Placar – Nº 278, de 25 de junho de 1975 – que só topou voltar aos gramados porque jogaria do lado do seu grande amigo Maranhão, seu compadre e cujas mulheres e filhos eram muito amigos, no Rio de Janeiro. “Nós íamos, muito, juntos ao cinema, por gosta de filmes de bang-bang. Mas o que fez crescer a noss amizade foi as rodas de samba”, conta na reportagem em que o Maranhão complementava: “ (Danilo) ...entra em transe com um sambinha”.

Quatro temporadas após terem deixado o Vasco da Gama, no time do ABC-RN, normalmente, o volante Maranhão vigiava a zaga, para o Danilo ir mais à frente. Devez em quanto, eles invertiam as funções. Numa dessas vezes, enfrentando o América-RN, o uruguaio recebeu passe, dominou o lance e fez gestgo para o Maranhão subir, pois os zagueiros marcavam o centroavante Alberi. Então, ele lançou a bola no espaçovazio e Maranhão chegou enfiando a pancada e marcando um golaço. “,, kle (Maranhão) atirou a camisa pra torcida, chorou muito e passou o restante do jogo me agradecendo (pelo lançamento). Para mim, foi emoção maior do que se eu tivesse marcado o gol”, afirmou Danilo Menezes.    

Sem Danilo Menezes do seu lado, Maranhão enfrentou o Vasco da Gam, em 1º de outubro de 1972, pelo Brasileiro, diante de 31.908 pagantes, no Estádio Castelão, em Natal, com vitória vascaína, por 2 x 1 e gols dos meio-campistas Alcir e Buglê, exatamente, a dupla que herdou as vagas de |Manhã e Danilo Menezes, a aretir de 1968, no time vascapino.