Ele já está esquecido, pois pertenceu a uma
das primeiras gerações do Século XX. Mas deixou o seu nome na história da
Seleção Brasileira. Chamava-se Aristides Pereira e foi o sapateiro da rapaziada
durante a conquista do bi nas Copas do Mundo-1959, na Suécia, e 1962, no Chile.
Aristides batia os olhos no caminhar do atleta e, logo, sabia o que fazer para o sujeito conseguir andar com perfeito equilíbrio. Dizia-lhe que, para se sair bem durante uma partida, não bastavam somente boas condições técnicas e físicas, mas, também, “chuteiras em perfeito estado. Se usá-las com travas gastas, será difícil cumprir boa atuação”, garantia. Sobre alguns bicampões mundiais, ele revelou estes fatos:
Castilho (goleiro do Fluminense, reserva de Gilmar, em 1958 e em 1962): só conseguia jogar com chuteiras com travas nas pontas. Sem isso, não conseguia equilíbrio, por que ficava muito nas pontas dos pés antes de tentar a defesa; Vavá (centroavante do Vasco da Gama/1958 e do Palmeias/1962, autor de cinco gols na primeira e quatro na segunda): jogava com travas na parte traseira e na primeira série delas, com uma entre as duas da ponta; Nílton Santos (zagueiro do Botafogo): uma parte da sua chuteira era toda para fora e a sola para dentro; Pelé (atacante do Santos) – tinha é carnudo, mas pisava corretamente no gramado. "Fia muitos gols usando chuteirass feitas pelo seu avô, o Martelinho de Ouro", disse o Pelé, em 1997, ao Guilherme Guimarães, neto do Aristides;Garrincha (atacante do Botafogo): embora tivesse pernas torta, fazia o pisar mais correto; Gilmar (goleiro do Corinthians/1958 e do Santos/1962) e Djalma Santos (lateral-direito da Portuguesa de Desportos/1958 e do Palmeiras/1962) – precisavam de duas chuteira, cada um; Zozimo (zagueiro do Bangu reserva do vascaino Orlando Pecanha em 1958 e titular em 1962) – em dias de sol ou chuvosos so usava travas altas, com mais de um centimetro e meio de de altura.
Mas o Aristides
ja havia servido a Selecao. Por acaso, em 1957. O time dirigido pelo técnico Flavio Costa treinava no vascaíno estádio de São Januario, quando o banguense Zózimo
mandou-lhe um recado pra aparecer por lá, pra arrumar as suas chuteiras. O treinador do time canarinho gostou do servio dele e convidou para cuidar das chuteiras dos
outros atletas. A entao Confederação Brasileira de Desportos o convocou, mas o Bangu não o liberou . Ele abandonou o clube e estreou em
jogo contra os ingleses, em Sao Paulo. Como nao recebeu o bicho pela vitória, reclamou,
um cartola disse que ele não fazia parte,
oficialmente, da delegação e não tinha direito a premio. Revoltou-se e largou a
Selecao - em 1962, levou outra decepção pela cara, não recebendo premiação oferecidas pelo Joquei Clube do Brasileiro aos bicampeõe mundiais, o únicoa não recebê-la.
RECONHECIMENTIO - Aristides era considerado tão bom sapateiro que, em 1959, jogadores do Botafogo que haviam servido a Selecao de 1957, liderados por Nilton Santos, pediram a sua contratação. Foi ser alvinegro e, três meses depois, recebeu proposta irrecusavel do Vasco da Gama, o qual serviu por uma temporada, mas com a cabeca no Bangu, o seu clube de coracao.
HISTORIA
- A padronização dos sapatos começou pela
Inglaterra, em 1305, com o Rei Eduardo I criando medidas para a produção. Uma polegada era igual a três grãos secos de cevada, colocados lado a lado. Calçado para
criança que medisse treze grãos de cevada, recebia o tamanho treze. E virou tendência
mundial.
As equipes de futebol, também tinham os seus sapateiros, que eram os responsáveis pela criação das chuteiras. Alguns ficavam responsáveis, também, pela fabricação das bolas, que não saíam das grandes fabricas.
Para fazer as travas de uma chuteira, o couro era cortado circularmente. Depois, pregavam-se um sobre o outro, com três pregos. As travas eram importantes para dar a estabilidade e o atleta efetuar arranques, frear bruscamente, mudar de direção, etc. Ao Bangu era atribuído ter o melhor sapateiro do Brasil, o Aristides Pereira, que tinha uma habilidade incrível em fabricar uma chuteira.


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