Vasco

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segunda-feira, 15 de setembro de 2014

CASAMENTO DE VASCAÍNOS - ORLANDO

Às 17horas do 17 de agosto de 1959, o centro-médio (atual zagueiro) Orlando Peçanha de Carvalho e Marlene Dias Martins caminharam em direção ao altar da igreja dos capuchinhos, no Rio de Janeiro, para iniciarem a celebração religiosa católica que escalaria o campeão mundial (Copa do Mundo-1958, na Suécia) no “rol do homens sérios”, como se brincava, antigamente.
Os pais dos “nubentes”, Amaro Peçanha de Carvalho e Noêmia Pessoa de Carvalho (de Orlando), e José Dias Martins e Maria José Dias Martins foram os padrinhos que concordaram com um namoro nascido dentro de um clube chamado Atlas, no dia em que prestava-se uma homenagem ao então atleta vascaíno, pela conquista do“caneco do mundo”.
Apresentados, durante os festejos, Orlando e Marlene simpatizaram-se e foram par constante em todas as danças e contradanças. Isso, pelas metades de 1958. Em fevereiro de 59, ficaram noivos.
Entre os colegas de São Januário que compareceram ao casamento estavam Paulinho de Almeida, Bellini, Écio, Pacoti, Pinga e o treinador Gradim. De ex-companeiros do Vasco, o goleiro Ernani e o atacante Vavá, além de um outro ex-vascaíno, o aposentado goleador Ademir Menezes, até então, o maior ídolo da torcida cruzmaltina. Representando os cartolas esteve João Silva. Já o representante dos adversários foi Zagallo, do Botafogo, e da turma de Orlando, durante a campanha pelo título mundial, na Suécia.
Após a cerimônia religiosa, os presentes foram recepcionados na casa dos pais da noiva. Terminada a festas, Orlando e Marlene foram para a nova casa do casal, à Rua Araújo Leitão, na Tijuca, onde alugaram um apartamento.
A história do namoro entre Orlando e Marlene foi transformado em uma fotonovela, produzido pela revista “Manchete Esportiva”. O“Kike” a conseguiu e, brevemente, vai mostrá-los aos “vasconautas”. Aguardem.

domingo, 14 de setembro de 2014

O AGENTE SECRETO ADEMIR MENEZES

Durante o Torneio Rio-São Paulo-1959, os vascaínos  andaram “meio-devegar”, sem muita pressa de chegar ao gol, com os atgacantesAlmir, Pacoti, Teotônio e Delém eram os caras. Sem pipocas na chapa, o Vasco ficara no 0 x 0 com São Paulo (12.04), América (22.04) e Flamengo (26.04), e escorregara, por 0 x 3, diante do Santos (17.05).    
Aí, o cartolão João Silva fez as contas: Almir só havia colocado um goleiro pra chorar – em Vasco 3 x 0 Palmeiras (18.04) – e Delém dois, somando três tentos – em Vasco 2 x 0 Botafogo (30.04) e em Vasco 4 x 1 Portuguesa de Desportos (09.05). Quem mais balançara o filó fora um carinha que não tinha tal obrigação, o meia Rubens, que deveria se preocupar mais em lançar. Mesmo assim, dos seus  cinco tentos, dois haviam sido de pênaltis. Muita vantagem, não, concluiu. Pior: o treinador Gradim ainda tinha Pacoti, e Teotônio para “matar”, mas eles vinham dando um tempo no gatilho. Razão de o segundo ter sido exilado para a ponta-direita.
E já que os “matadores da Colina” não vinham fazendo muitas maldades com os goleiros, João Silva teve uma autêntica sacada de cartola. Como era amicíssimo do aposentado Ademir Marques de Menezes, o maior ídolo da história do glorioso Club de Regatas Vasco da Gama, após uma peada de final de semana, em seu sítio, chegou o ‘Queixada’ no canto: “Que tal voltar a jogar?”. Ademir, evidentemente, não levou a sério. Achou que o camarada tivesse bebido um vinho diferente, enquanto esperava a brasa assar o churrasco. Mas o homem não desistiu do lance. Ademir, que havia corrido, razoavelmente legal, debaixo de um sol escaldante, estava mais era a fim de molhar o pescoço, por dentro, com uma cervejinha, estupidamente glacial. E livrou-se da indaga do João, com um  despachante “vamos ver” – só que viu demais.
 Dias depois da proposta indecorosa de João Silva, o “Queixada”, secretamente,  voltou a São Januário, para ver se as ferramentas estavam muito enferrujadas.  E voltou mais. Para João Silva, ele não havia esquecido do “manejo da redonda”, com escreviam os cronistas da época. E até tinha um responsável por aquilo: as peladas em seu sítio.
Enquanto Ademir treinava na Colina, o serviço de contraespionagem do Madureira descobriu tudo. Rapidamente, o empresário José da Gama propôs-lhe trair o “Almirante” e trabalhar para o “Tricolor Suburbano”. Chegaram até a conversar sobre o plano sinistro. Mas o Zé lrvara pouca grana na maleta. Ademir não conseguiu nem ser um agente duplo. E, quis o destino que a sua carreira de “agente secreto” durasse por, apenas,alguns treinos. Enquanto ele “ameaçava” voltar aos gramados, Gradim conseguiu dar um jeito nos seus “matadores”. Durante o primeiro turno do Campeonato Carioca, Almir compareceu, por quatro vezes, ao “fundo da cidadela dos arqueiros”. E melhor: o ponteiro-esquerdo Pinga, que gostava mais de jogar pelo meio, para ter mais chances de balançar o barbante, o balançara em seis oportunidades. Sem falar que Teotônio e Pacoti desenferrujaram as suas “garruchas”, e Rubens seguiu fazendo gols, com “atacante enxerido”. De sua parte, Delém interessava ao futebol argentino, e o Vasco não perdia a chance de encher a barriga da burra da Colina.       
    E, assim, se conta a “rush-história” do agente secreto “00Camisa 9, Jeimes Ademir Bom de Bola”. Isto é, ex-bm de bola. Não estava aposentado?  

 

sábado, 13 de setembro de 2014

VASCO VASCONCELOS, O VASCAÍNO-6

Era 24 de abril de 1927, e o estádio tricolor das Laranjeiras sediava o Torneio Início do Campeonato Carioca. No primeiro jogo, o Vasco mandou 1 x 0 nos banguenses, com gol marcado por Tinoco. Vitória de Nelson, Claudionor e Itália; Nesi, Tinoco e Badú; Paschoal, Torterolli, Galego, Russinho e Negrito. Veio o segundo pega, e, com a mesma equipe, a "Turma da Colina" não rezou e ajoelhou ante o São Cristóvão. Cedeu cedido três escanteios, que eram chamados de "corners", pois era comum ouso do linguajar iglês. Como o apelidado, mais tarde, de "tiro esquinado" o "córener" era o balizamento para apontamento do vencedor, em caso de 0 x 0 no tempo normal dos jogos do "initium". E, por aquela raza, o "Santo" foi pro Céu.
Mandada a moçada cruzmaltna pro inferno, o "São Cri-Cri" comemorava. De sua parte, o ex-almirante Vasco Vasconcelos, comandante de esqudras de um pais que não tinha nem mar,  foi consolar a rapaziada. O zagueiro Itália estava pra lá de Bagdá; Galego tinha ficado vermelho; Negrito, azulado, e Russinho vendo as coisas ficando russas. Sereno, o vascaíno VascoVascondelos pegou, de primeira: "Tá bom demais, meninos! É melhor perder chutando pra fora, do que marcando gol contra. Já pensaram se vocês tivessem acertado a nossa rede? Bota na conta!
A patota, no entanto, nã botou. Estava com os ouvidos cheios de "tititis" de torcedores malas e não ouviu nada do que o ex-almirante propusera. Com isso, quando rolou um novo pega com os são-cristovenses, pelo Campeonato Carioca,  o Vasco voltou a pisar na bola: 1 x 2, no domingão 5 de junho. Sem problemas. O ex-almirante voltou a botar na conta. Que só foi paga em 14 de agosto: Vasco 3 x 2.  

 

 

sexta-feira, 12 de setembro de 2014

VASCO VASCONCELOS, O VASCAÍNO-5

O ex-almirante Vasco Vasconcelos, tinha uma sisma com o número 9. Se dependesse dele, o Vasco não jogaria em dias com aquela marca. Antes de começar a temporada 1937, ele tentou convencer a diretoria do clube a pedir mudança de datas dos jogos do clube, coincidindo com a numeação que  detestava. Mas não conseguiu convencer a cartolada da Colina.
Rola a bola, e o Vasco mandou 12 x 0 no Andarahy, em 29 de dezembro. Luna (4), Niginho (4), Alfredo (3) quase ficando carecas de tanto fazerem gols – Feitiço, que estava com o ramo fraco, daquela vez, só fez um. Os cartolas, então, chamaram ex-almirante no canto e mandaram-lhe acabar com aquela superstição. Vasco Vasconcelos, no entanto, respondeu-lhe que havia escutado um movimento estranho, durante aquela noite, lhe parecendo um "pragueiro" rondando pelo gramado de SãoJanuário. Se mal tivera escutado, ouvira o tal praguejar vociferando que o Vasco pagaria muito caro por aquela goleada. "Ah! Vá dormir, vascaíno", recomendaram-lhe os cartolas.
Veio o final de ano e o Campeonato Carioca passou por um "recessinho". Na retomada, em 19 de janeiro, o Vasco levou 5 x 1 do Flamengo, tendo seis jogadores expulsos de campo – Feitiço, Alfredo, Zarzur, Rafa, Itália e Lindo – e dois levados presos pela gloriosa PM do Rio de Janeiro, por agressões a adversários. Bem pior tinha sido o estrago feito pelo ex-vascaíno Leônidas da Silva. Marcou dois gols e infernizou a vida da rapaziada, com a ajuda de dois outros ex-vascaínos, o zagueiro Domingos da Guia e o médio (atual volante) Fausto. Dia terrível para os cartolas vascaínos, que não foram no papo do ex-almirante. "Pioríssimo" para Rei, Poroto e Itália; Rafa, Zarzur e Calocero; Lindo, Alfredo (Gabardinho), Niginho, Feitiço (Orlando) e Luna.
Vasco Vasconcelos voltou a azucrinar a cartolada vascaína, por causa do número nove, mas não foi atendido, mais uma vez. Já que os caras não queriam levar em conta as suas querelas com o número fatal (para ele), deixaram a bola rolar. Em 29 de janeiro de 1938, o Vasco caiu, ante o freguês São Cristóvão, por 2 x 3. Em São Januário. Culpados: Joel, Poroto e Florindo; Rafa; Zarzur e Calocero (Marcelino); Lindo, Alfredo, Niginho, autor dos dois gols, Feitiço (Sena) e Orlando. Por causa dos dois resultados negativos em dias que incluíam o número nove, o Vasco terminou a temporada em terceiro lugar, totalizandou 4 empates e 5 derrotas: 4 + 5 = 9.

quinta-feira, 11 de setembro de 2014

FERAS DA COLINA - ALVINHO

   Quando a sua parceira pariu mais um rebento, no dia 13 de fevereiro de 1928, na mineirinha e pacata Pedro Leopoldo, o mineirão ‘Seu Filó’ contou nos dedos: sete filhos. Já era hora de mandar as suas ferramentas pegarem mais leve. E sacou para a có-pioloto de furdunços noturnos pelo colchão da cama do quarto maior da casa: “Mulher, fecha a fábrica. Já chega!” – no que foi, prontamente, atendido.
 Chegado o garotão Álvaro, como todo menino barrigudinho que se preze, ele seguiu, rigorosamente, a ordem natural dos apelidos que os mineiros davam aos caçulas. Aliá, seguiram pra ele, sô! Virou o Alvinho da família Moreira Filogênio. Beleza, uai!
 Quando já contava sete temporadas por este planeta, Alvinho foi levado, pelos pais, para Belo Horizonte. “Belzonte, pai””, perguntou ele, ao ser avisado, e não muito interessado em trocar de endereço. “Belzonte” não poderia ter uma rua como a que  ele morava, onde a melhor diversão dos meninos era chutar uma herbácea da família das solanáceas, um “trem amargo” que a  garotada chamava de jiló, e os cientistas de “solanum gilo”.
Quando chegou aos 12 anos de idade, Alvinho entrou para o time juvenil de futebol do Cruzeiro Esporte Clube, que ainda nem tinha tal nome.  Ficou por lá até os 18, quando mudou (agora de camisa) de novo: foi para o Clube Atlético Mineiro. Jogando uma bola do tamanho de um trem e sendo campeão mineiro, em 1949, 1950 e em 1952, não dava para ficar pelos lados das montanhas de Minas Gerais. O Vasco da Gama foi  buscá-lo e o levou para a Colina. “Bão, sô!”, considerou o baixinho Alvinho, de 1m66cm de altura.
Embora o mineirinho tivesse aprovado, inteiramente, uma nova mudança de endereço (já era a sua terceira) viu, rapidão, que não seria nada fácil beliscar uma vaga no ataque da “Turma da Colina”.  Os caras – Edmur, Sabará, Maneca, Ipojucan, Ademir Menezes e Chico, principalmente    jogavam demais. E, ainda, tinha um novato, um pernambucano arretado, o Vavá, e um mineirão amalucadoo, um tal de Genuíno, que eram “pros côcos”, conforme falavam os amigos do “Seu Filó”, o que, traduzido, do “mineirês”, para o linguajar pátrio nacional, significava que, bola nos pés deles, seria caçapa balançando, com certeza.
E, já que era assim, “vamo qui vamo”, já “acariocou” o mineirinho Alvinho, ao ir se aclimatando na vida carioca.  Nesse seu estágio de “carioquices”, durante a tarde do domingão 20 de setembro de 1953, ele deu uma de Mané Garrincha, em seu primeiro jogo pelo Botafogo. O Flamengo vencia o Vasco por 1 x 0, pelo primeiro turno do Campeonato Carioca, quando teve um pênalti ao seu favor. Alvinho nem quis saber. Olhou dos lados, viu Vavá, Ipojucan e Pinga assanhados, para fazerem a cobrança, mas nem “deu-lhes trelas”. Pegou a bola, botou o “trem” na marca fatal e o garoto do placar pra trabalhar: 1 x 1. Vários amigos do Seu Filó”pegaram no rádio”, lá em Minas.
Pelo returno, mais uma vez, Alvinho estava escalado para enfrentar o Flamengo. Daquela vez, em 25 de outubro. E, mais uma vez, os amigos do “Seu Filó” ligaram o rádio para escutar a pugna. Alvinho não fez gol, mas manteve a tradição: saiu do Maracanã empatado, novamente, por 3 x 3, com os rubro-negros. Mineirinho danado, sô!  (foto reproduzida da Revista do Esporte).