Vasco

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sábado, 2 de maio de 2015

GAMA CAMPEÃO BRASILIENSE-2015

Um gol de Rafael Grampola, na última bola do jogo, deu ao Gama a vitória, por 1 x 0, sobre o Brasília, hoje, e o 11º título de campeão do futebol candango ao Gama. No jogo de ida, há uma semana, o "Gamão do  Povão" havia vencido, por 3 x 0, com ambos os jogos disputados no novo Estádio Mané Garrincha.
 A partida teve mais ações ofensivas da parte do Brasília, por ter jogado todo o primeiro tempo com um homem a mais, tendo em vista que antes de cinco minutos o time gamense teve zagueiro Dudu expulso de campo, por levar dois cartões amarelos. Na etapa final, mais um jogador do Gama e um outro do Brasília foram excluídos da partida, por trocas de  hostilidades.
. Há 12 temporadas o Gama não era campeão candango. Agora, voltará a disputar a Série B do Campeonato Brasileiro. Em sua última disputas nacional, esteve na Série D    

 
 

HISTÓRIA DA HISTÓRIA - REMA, REMADOR!

                 O DIA EM QUE O AMLIRANTE SAIU NO BRAÇO 

 Criado – por Henrique Ferreira Monteiro, Luís Antônio Rodrigues, José Alexandre de Avelar Rodrigues e Manuel Teixeira de Sousa Júnior - para a prática do remo, o esporte da moda no Rio de Janeiro do final do século 19, o Club de Regatas Vasco da Gama, sem demora, aderiu a outras três atividades que os cariocas curtiam muito pelos inícios da década seguinte, o tiro ao alvo, a esgrima e a ginástica por aparelhos. Mas foi com os seus remadores que conquistou as  primeiras glórias desportivas, nos tempos das yoles francesas, das canoas e das baleeiras

Filiado à União de Regatas Fluminense, em 7 de novembro do 1898 de sua fundação, o Vasco apresentou, como a sua primeira flotilha, uma canoa – Zoca, de quatro remos de voga, nas medidas 10,03 – 8,85 – 0, 34 – e duas baleeiras – Vaidosa, de quatro remos de voga, medido 8,15 – 1,25 – 0,43, e Volúvel, de seis remos de voga, nas dimensões 9,30 -1,19 – 0,45. Elas ficavam guardadas em uma garagem à Travessa Maia, onde hoje passa a Avenida Rio Branco, e o primeiro pavilhão esteve sediado na Ilha das Moças.

 O Club de Regatas Vasco da Gama foi às águas, pela primeira vez, em 13 de novembro do ainda 1898, mas só conheceu a vitória no 4 de junho de 1899,  com a baleeira Volúvel, na Classe Novos, em páreo denominado Vasco da Gama, homenageando o clube, com barco pilotado por Adriano Vieira (patrão), José Freitas, José Cunha, José Pereira, Joaquim Campos, Antônio Frazão e Carlos Rodrigues.

Por aqueles inicios, os remadores vascaínos usavam boné preto, com borla preta e branca; camisa preta, com gola e faixa larga branca, contendo a Cruz da Ordem de Cristo sobre o lado esquerdo do peito; cinto preto; calção preto; meias pretas e sapatos brancos.

 Com o passar de regatas e mais regatas, o Vasco da Gama foi se tornando campeão. Começou por 1905/1906, com o primeiro título saído de cinco vitórias e dois segundo lugares, via barcos Procellaria (3 vitórias), Açor (1) e Voga (1), enquanto Gladiador e Albatroz ficaram com as segunda colocações. Os heróis do primeiro título vascaíno no remo, em 24 de setembro de 1905, navegado na Enseada de Botafogo, pelo barco Procelaria,  no oitavo páreo da regata entre yoles a oito remos, foram: Lucindo Saroldi (timoneiro), Antônio Taveira de Magalhães, Albano Pereira da Fonseca, Manoel da Silva Rabello, Raymundo Martins, João Jório, Manoel Rezende, Joaquim Duarte e João Saliture.

O Vasco da Gama foi o primeiro tri de remo carioca: 1912/13/14. Confira as campeãs esquadras do Almirante:

1912 – Meteoro – Rodolfo Campos Póvoas (timoneiro), José Hipólito Lima Filho (voga), Serafim Ribeiro (sota-voga); Alberto Pereira da Fonseca (contra-voga), Manoel Gomes Rezende (primeiro-centro), João Costa Fernandes Candal (segundo-centro), Antônio Costa (contra-prôa), Joaquim Carneiro Dias (sota-proa) e Joaquim Cunha Cardoso (prôa).

1913 -  Pereira Passos -  timoneiro, voga, sota-voga, contra-voga e prôa são os mesmos da temporada anterior. Os novos tripulantes são; Albano Pereira da Fonseca (primeiro-centro), Claudionor Provenzano (segundo-centro), José Carvalho Magalhães (contra-prôa) e Júlio da Mota e Silva (sota-prôa),    

 1914 – Pereira Passos -  Lucino Saroldi (timoneiro), Joaquim Carneiro Dias (vota), Serafim Ribeiro (sota-voga),  José Carvalho Magalhães (contra-voga), Nélson Ribeiro (primeiro-centro), Antônio Taveira de Magalhães (segundo-centro), Claudionor Provenzano (contra-prôa), Júlio d Mota e Silva (sota-proa) e Antônio Costa (prôa). DETALHE: deste grupo fez parte Antônio Taveira, campeão em 1905 e tio do maior goleador do futebol vascaíno da década-1960, Célio Taveira.

Hoje, o Vasco da Gama conta com uma prateleira repleta de canecos regateiros. Confira as 51 conquistas estaduais: Masculino: 1905/06; 1912/13/14; 1919; 1921; 1924; 1927/28/29/30/31/32;  1934/35/36/37/38/39; 1944 a 1959; 1961; 1970; 1982; 1998; 2002; 2005 e 2008; Feminino – 1993; 1999; 2005; 2007 e 2016.    

OBS: leia mais sobre o remo vascaíno no texto do primeiro dia de outubro de 2013, em Primeiros Remadores do Almirante, com fotos. 

 

 

 

 

 

VASCO DAS CAPAS - CAPITÃO BELLINI

O zagueiro Bellini capeou a edição Nº 866, de 11.11.1954, da revista carioca “Esporte Ilustrado”, que lhe presenteou com um autêntico mino à pagina 4. Por aquele tempo, a imprensa ainda escrevia o nome dele com um “l” só. Além disso, no título da matéria “Beline, o zagueiro “gentleman”, o redator trocou a última letra da graça do rapaz, o “i” pelo “e”. No entanto, quando cita o nome completo do homenageado, a semanário o faz corretamente: Hideraldo Luiz Bellini. Na reportagem de Leunam Leite, acompanhada por cinco fotos, sem créditos, Bellini é apresentado em “folha corrida”. Após informar local (Itapira-SP) e data de nascimento (21.06193), o escriba conta que o “player bandeirante”  começara a ser boleiro pelo time juvenil do Paulistano, de sua terra, passando a  amador do Esportivo Itapirense, o principal da cidade, em 1946, para chegar à Esportiva Sanjoanense, em 1949, pela qual profissionalizou-se e disputou a “Segundona” do Estadual paulista. Leunam revela que Bellini foi buscado, pelo Vasco, ao custo de CR$ 500 mil cruzeiros (moeda da época),  incluído, inicialmente, entre aspirantes, e já tendo três títulos: campeão carioca e de um triangular no Chile, em 1952, e de um octogonal, em 1953. Tudo indica que o mimo a Bellini fora troca de favores, pois a semanário cita que o zagueiro “desde a semana passada (Nº 865) tornou-se colaborador desta Revista” – no primeiro artigo, contou que jogava com virilidade porque era grande o desejo de vencer. Adicionando mais mimos, Leunam escreve: “A própria história dêsse dedicado profissional poderá mostrar-lhes que somente um craque de reais qualidades seria capaz de alcanças os progressos por êle obtidos”. Na verdade, Bellini nunca foi craque. Jogava duro, sem classe, rebatendo bolas fortemente para a frente, recurso às vezes providenciais, do becão que tornou-se um dos grandes líderes do futebol brasileiro.
De acordo com o texto, o Vasco pagava Cr$ 12 mil cruzeiros mensais a Bellini, pelo contato que ia até janeiro de 1956. Os jogadores que lhe encantavam eram Ademir Menezes, Zizinho, os Santos Djalma e Nílton, e o colega Danilo Alvim. A sua Seleção Carioca de 1954 seria metade vascaína: Barbosa, Paulinho e Pavão (Fla) de estilo semelhante ao dele; Mirim, Dequinha (Fla) e Nilton Santos (Botafogo); Sabará, Zizinho (Bangu), Vavá e Escuinho (Flu).  
 
 
 

sexta-feira, 1 de maio de 2015

HISTÓRIA DA HISTÓRIA - 1º ADEMIRREDE

 
Ademir nos tempos de Sport Recife
Era um domingo. A torcida cruzmaltina vivia a expectativa para ver Ademir balançar a rede. E foi para o estádio da Rua Conselheiro Galvão assistir à quarta partida vascaína do atleta pernambucano, buscado no Sport Club Recife.
 Até então, o artilheiro não marcara na estreia (05.04.1942), diante do América (0 x 0), na goleada (12.04.1941) sobre o Madureira (5 x 1) e nem no empate (26.04.1942)) com o maior rival, o Flamengo (1 x 1). 
 Ademir Marques de Menezes encantara aos vascaínos durante uma excursão dos nordestinos ao sul/sudeste do país, com uma seleção pernambucana chegando ao Rio de Janeiro com nove dos 11 titulares sendo atletas do “Leão da Ilha”. Como o giro incluiria, também, Belo Horizonte, São Paulo, Curitiba e Porto Alegre, o clube enviou mais alguns jogadores. Nos registros, consta como jogos do Sport, que venceu 10, empatou dois e perdeu quatro dos compromissos, marcando 46 e sofrendo 29 gols. 
Em 1º de maio de 1941, aproveitando o feriado do “Dia do Trabalho”, o Vasco convidou o time rubro-negro pernambucano para um amistoso no estádio da Rua Campos Sales. Na época, o treinador uruguaio Ondino Viera ainda estava nos “desenhos de montagem” do assombroso “Expresso da Vitória”, que começaria a entrar nos trilhos a partir de 1944, para ser uma das máquinas mais poderosas do futebol mundial, pelos próximos oito anos. Como seria normal, para o torcedor carioca, o Vasco abriu 3 x 0, com Villadoniga (2) e Nino. Não fazia mais do que a sua obrigação. No entanto, aos 30 minutos do primeiro tempo, um nordestino magrinho, com uma cabeleira invocada,  repartida pelo lado esquerdo, foi lançado, como se fosse dotado de um motor a propulsão a jato. Chegou legal à rede! E, com 3 x 1, terminou a etapa.
A segunda parte da surpresa veio no segundo tempo. Aos dois minutos, Valfredo encostou o Leão no placar: 2 x 3. Aos 6 e aos 7, em outros dois grandes lances, Ademir virou a história da partida: Sport 4 x 3. Surpreendente! Aos 18, Nino colocou a casa em ordem: 4 x 4. Pensavam os vascaínos, que não esperavam ver Pirombá escrevendo o placar final em Sport 5 x 4, aos 27 minutos.
Só poderia ter sido uma enorme “zebra”, termo que só viria a existir duas décadas depois. Então, o Flamengo, com Zizinho, chamou o Sport para um novo desafio. Este se deu em 4 de março e o “Urubu” foi traçado pelo Leão: 3 x 1, no mesmo estádio.  Ademir não visitou o filó daquela vez, tendo isso ficado por conta de Pirombá (2) e de Beressi. 
   Rolou, então, a corrida cruzmaltina pela futebol do artilheiro pernambucano. Como Ademir era estudante universitário, em Recife, a sua mãe – Otília Menezes – só aceitava vê-lo sair de casa com matrícula garantida em uma faculdade carioca. Não queria vê-lo só “doutor em gols”. Fácil, para o Vasco. Afinal, o seu presidente, Cyro Aranha, era irmão do ministro das relações exteriores, Osvaldo Aranha. Jogo para ganhar nos nos bastidores. Então, os cartolas vascaínos colocaram 40 contos de reis na mão do “Coronel” Menezes, primeiras luvas pagas no futebol brasileiro, e mais 800 ao Sport, e levaram o craque.
  Voltemos ao parágrafo lá de cimão. Nele, a galera vascaína estava nas arquibancadas do estadinho do Madureira à espera do primeiro gol de Ademir, não estava? Pois bem! O juiz Rubem Pereira mandou a bola rolar. A “Turma da Colina” abriu dois gols de frente, marcados por Nino. O “Bonsuça” apertou e diminuiu, com Lindo. Mas Villadoniga voltou a folgar o Vasco no placar. E, até que, enfim, Ademir saiu para o abraço: 4 x 1 e o seu primeiro dos 301 gols marcados com 429 partidas com a camisa cruzmaltina, com a qual foi campeão carioca em 1947/49/50/52/56, além de vencedor, também, do Sul-Americano de Clubes Campeões, em 1948, no Chile e primeiro título de um clube brasileiro no exterior.
VASCO 4 X 1 BONSUCESSO valeu pelo Campeonato Carioca-1942, no Estádio Aniceto Moscoso-RJ, apitado por Rubem Pereira Leite, rendeu 10.321$300 (contos de reis). O Vasco alinhou: Valter, Florindo e Oswaldo; Figliola, Zarzur e Dacunto; Alfredo, Ademir, Nino, Viladoniga e Orlando. O BONSUCESSO foi:  Maneco, Benedito e Aralton; Filuca, Bibi e Dedão; Lindo, Galego, Arnaldo, Careca e Odir.

                                                               



TRAGÉDIAS DSA COLINA - ZEBRAÇA

“O estádio inteiro gritava,  freneticamente pelo Canto do Rio. E num momento espontâneo as torcidas uniram-se numa verdadeira frente antivascaína, numa evidente antipatia pelo clube de São Januário que aparece, este ano, mais forte do que nunca e como um autêntico bicho-papão.”
Neste pequeno  trecho, o redator Luís Carlos Barreto sintetizou bem o que é um favorito: o time a ser odiado. E segundo ele,  a “torcida rubro-negra liderou a aliança antivascaína”. Está na revista “O Cruzeiro”, que circulou a partir de 18 de julho de 1953, contando o que  fora o Tornei Início do 46º Campeonato Carioca de Futebol (disputado desde 2006), promovido, até então, por quatro entidades – Liga Metropolitana, Liga Carioca, Associação Metropolitana de Esportes Athléticos e Federação Metropolitana de Futebol.  
Naquele festival de bola rolando, em 5 de julho, 11 equipes (América, Bangu, Bonsucesso,  Botafogo, Canto do Rio, Flamengo, Fluminense, Madureira, Olaria, Portuguesa e  São Cristóvão) tentavam barrar o favorito Vasco da Gama, o campeão estadual da temporada anterior. Era tarde rara de sol e frio no Maracanã, reunindo 144 atletas, que pelejaram entre as 11h15 e as 17h30, no total de 6h15 de muitas emoções. E o favorito dançou.
O  Vasco estreou assombrando, com 2 x 0 sobre o Botafogo, marcando um gola em cada tempo do jogo apitado por Carlos de Oliveira “Tijolo” Monteiro.  Formou com: Carlos Alberto Cavalheiro, Elias e Haroldo; Amauri, Edésio e Conceição; Pedro Bala, Naninho, Vavá, Alvinho e Hélio. No segundo compromisso, os vascaínos ficaram no 1 x1, com o Fluminense, sob o apito de Eric Westman.
ALVEJOU A REDE - Mesmo jogando com uma equipe repleta de reserva, o Vasco ameaçava seus rivais.
Na decisão por pênaltis, Alvinho bateu e a “Turma da Colina” faturou: 3 x 1, repetindo a escalação. Veio a final. Pela frente, o Vasco tinha o “lanterna” do Campeonato Carioca passado. Não tinha-se como esperar uma zebra passeando pelo gramado do “Maraca”. Principalmente porque a turma do Canto do Rio pegara a barca cedo, em Niterói, sem tempo para almoçar. No entanto, a moçada do técnico Newton Anet eliminou, nos pênaltis, o São Cristóvão e o Flamengo, surpreendentemente. E, depois de atravessar a Baía de Guanabara,  partiu para encarar o “Almirante”.
No tempo normal da final, o timaço vascaíno não conseguiu dobrar o faminto “Cantusca”: 0 x 0. Fora preciso uma prorrogação. Aí rolou uma pisadaça:  Haroldo  fez um gol contra, o time cruzmaltino  cometeu um pênalti (Miltinho converteu), e, por  FM, Jaime ainda fez mais um: Canto do Rio 3 x 0, em cima de: Carlos Alberto; Elias e Haroldo; Amauri, Edésio e Conceição; Friaça, Naninho, Vavá, Alvinho e Hélio. O Canto do Raio afora: Celso; Nanati e Carlos; Cleuzo, Valter e Zé de Souza; Miltinho, Binha, Roberto, Jaime e Jairo.