Vasco
sábado, 2 de maio de 2015
GAMA CAMPEÃO BRASILIENSE-2015
HISTÓRIA DA HISTÓRIA - REMA, REMADOR!
Criado – por Henrique
Ferreira Monteiro, Luís Antônio Rodrigues, José Alexandre de Avelar Rodrigues e
Manuel Teixeira de Sousa Júnior - para a prática do remo, o esporte da moda no
Rio de Janeiro do final do século 19, o Club de Regatas Vasco da Gama, sem
demora, aderiu a outras três atividades que os cariocas curtiam muito pelos
inícios da década seguinte, o tiro ao alvo, a esgrima e a ginástica por
aparelhos. Mas foi com os seus remadores que conquistou as primeiras glórias desportivas, nos tempos das
yoles francesas, das canoas e das baleeiras
Filiado à União de Regatas Fluminense, em 7 de novembro do 1898
de sua fundação, o Vasco apresentou, como a sua primeira flotilha, uma canoa – Zoca, de quatro remos de voga, nas
medidas 10,03 – 8,85 – 0, 34 – e duas baleeiras – Vaidosa, de quatro remos de voga, medido 8,15 – 1,25 – 0,43, e Volúvel, de seis remos de voga, nas
dimensões 9,30 -1,19 – 0,45. Elas ficavam guardadas em uma garagem à Travessa
Maia, onde hoje passa a Avenida Rio Branco, e o primeiro pavilhão esteve
sediado na Ilha das Moças.
O Club de Regatas Vasco
da Gama foi às águas, pela primeira vez, em 13 de novembro do ainda 1898, mas
só conheceu a vitória no 4 de junho de 1899,
com a baleeira Volúvel, na Classe Novos, em páreo denominado Vasco da
Gama, homenageando o clube, com barco pilotado por Adriano Vieira (patrão),
José Freitas, José Cunha, José Pereira, Joaquim Campos, Antônio Frazão e Carlos
Rodrigues.
Por aqueles inicios, os remadores vascaínos usavam boné preto,
com borla preta e branca; camisa preta, com gola e faixa larga branca, contendo
a Cruz da Ordem de Cristo sobre o lado esquerdo do peito; cinto preto; calção
preto; meias pretas e sapatos brancos.
Com o passar de regatas e
mais regatas, o Vasco da Gama foi se tornando campeão. Começou por 1905/1906, com
o primeiro título saído de cinco vitórias e dois segundo lugares, via barcos
Procellaria (3 vitórias), Açor (1) e Voga (1), enquanto Gladiador e Albatroz
ficaram com as segunda colocações. Os heróis do primeiro título vascaíno no
remo, em 24 de setembro de 1905, navegado na Enseada de Botafogo, pelo barco
Procelaria, no oitavo páreo da regata
entre yoles a oito remos, foram: Lucindo Saroldi (timoneiro), Antônio Taveira de Magalhães,
Albano Pereira da Fonseca, Manoel da Silva Rabello, Raymundo Martins, João Jório,
Manoel Rezende, Joaquim Duarte e João Saliture.
O Vasco da Gama foi o primeiro tri de remo carioca: 1912/13/14. Confira as campeãs esquadras do Almirante:
1912 – Meteoro –
Rodolfo Campos Póvoas (timoneiro), José Hipólito Lima Filho (voga), Serafim
Ribeiro (sota-voga); Alberto Pereira da Fonseca (contra-voga), Manoel Gomes
Rezende (primeiro-centro), João Costa Fernandes Candal (segundo-centro),
Antônio Costa (contra-prôa), Joaquim Carneiro Dias (sota-proa) e Joaquim Cunha
Cardoso (prôa).
1913 - Pereira Passos - timoneiro, voga, sota-voga, contra-voga e prôa são os mesmos da temporada anterior. Os novos tripulantes são; Albano Pereira da Fonseca (primeiro-centro), Claudionor Provenzano (segundo-centro), José Carvalho Magalhães (contra-prôa) e Júlio da Mota e Silva (sota-prôa),
1914 – Pereira Passos - Lucino Saroldi (timoneiro), Joaquim Carneiro Dias (vota), Serafim Ribeiro (sota-voga), José Carvalho Magalhães (contra-voga), Nélson Ribeiro (primeiro-centro), Antônio Taveira de Magalhães (segundo-centro), Claudionor Provenzano (contra-prôa), Júlio d Mota e Silva (sota-proa) e Antônio Costa (prôa). DETALHE: deste grupo fez parte Antônio Taveira, campeão em 1905 e tio do maior goleador do futebol vascaíno da década-1960, Célio Taveira.
Hoje, o Vasco da Gama conta com uma prateleira repleta de
canecos regateiros. Confira as 51 conquistas estaduais: Masculino: 1905/06;
1912/13/14; 1919; 1921; 1924; 1927/28/29/30/31/32; 1934/35/36/37/38/39; 1944 a 1959; 1961; 1970;
1982; 1998; 2002; 2005 e 2008; Feminino – 1993; 1999; 2005; 2007 e 2016.
OBS: leia mais sobre o remo vascaíno no texto do primeiro dia de outubro de 2013, em Primeiros Remadores do Almirante, com fotos.
VASCO DAS CAPAS - CAPITÃO BELLINI
O zagueiro Bellini capeou a edição Nº 866, de 11.11.1954, da revista carioca “Esporte Ilustrado”, que lhe presenteou com um autêntico mino à pagina 4. Por aquele tempo, a imprensa ainda escrevia o nome dele com um “l” só. Além disso, no título da matéria “Beline, o zagueiro “gentleman”, o redator trocou a última letra da graça do rapaz, o “i” pelo “e”. No entanto, quando cita o nome completo do homenageado, a semanário o faz corretamente: Hideraldo Luiz Bellini. Na reportagem de Leunam Leite, acompanhada por cinco fotos, sem créditos, Bellini é apresentado em “folha corrida”. Após informar local (Itapira-SP) e data de nascimento (21.06193), o escriba conta que o “player bandeirante” começara a ser boleiro pelo time juvenil do Paulistano, de sua terra, passando a amador do Esportivo Itapirense, o principal da cidade, em 1946, para chegar à Esportiva Sanjoanense, em 1949, pela qual profissionalizou-se e disputou a “Segundona” do Estadual paulista. Leunam revela que Bellini foi buscado, pelo Vasco, ao custo de CR$ 500 mil cruzeiros (moeda da época), incluído, inicialmente, entre aspirantes, e já tendo três títulos: campeão carioca e de um triangular no Chile, em 1952, e de um octogonal, em 1953. Tudo indica que o mimo a Bellini fora troca de favores, pois a semanário cita que o zagueiro “desde a semana passada (Nº 865) tornou-se colaborador desta Revista” – no primeiro artigo, contou que jogava com virilidade porque era grande o desejo de vencer. Adicionando mais mimos, Leunam escreve: “A própria história dêsse dedicado profissional poderá mostrar-lhes que somente um craque de reais qualidades seria capaz de alcanças os progressos por êle obtidos”. Na verdade, Bellini nunca foi craque. Jogava duro, sem classe, rebatendo bolas fortemente para a frente, recurso às vezes providenciais, do becão que tornou-se um dos grandes líderes do futebol brasileiro.sexta-feira, 1 de maio de 2015
HISTÓRIA DA HISTÓRIA - 1º ADEMIRREDE
| Ademir nos tempos de Sport Recife |
Ademir Marques de Menezes encantara aos vascaínos durante uma excursão dos nordestinos ao sul/sudeste do país, com uma seleção pernambucana chegando ao Rio de Janeiro com nove dos 11 titulares sendo atletas do “Leão da Ilha”. Como o giro incluiria, também, Belo Horizonte, São Paulo, Curitiba e Porto Alegre, o clube enviou mais alguns jogadores. Nos registros, consta como jogos do Sport, que venceu 10, empatou dois e perdeu quatro dos compromissos, marcando 46 e sofrendo 29 gols.
Em 1º de maio de 1941, aproveitando o feriado do “Dia do Trabalho”, o Vasco convidou o time rubro-negro pernambucano para um amistoso no estádio da Rua Campos Sales. Na época, o treinador uruguaio Ondino Viera ainda estava nos “desenhos de montagem” do assombroso “Expresso da Vitória”, que começaria a entrar nos trilhos a partir de 1944, para ser uma das máquinas mais poderosas do futebol mundial, pelos próximos oito anos. Como seria normal, para o torcedor carioca, o Vasco abriu 3 x 0, com Villadoniga (2) e Nino. Não fazia mais do que a sua obrigação. No entanto, aos 30 minutos do primeiro tempo, um nordestino magrinho, com uma cabeleira invocada, repartida pelo lado esquerdo, foi lançado, como se fosse dotado de um motor a propulsão a jato. Chegou legal à rede! E, com 3 x 1, terminou a etapa.
A segunda parte da surpresa veio no segundo tempo. Aos dois minutos, Valfredo encostou o Leão no placar: 2 x 3. Aos 6 e aos 7, em outros dois grandes lances, Ademir virou a história da partida: Sport 4 x 3. Surpreendente! Aos 18, Nino colocou a casa em ordem: 4 x 4. Pensavam os vascaínos, que não esperavam ver Pirombá escrevendo o placar final em Sport 5 x 4, aos 27 minutos.
Só poderia ter sido uma enorme “zebra”, termo que só viria a existir duas décadas depois. Então, o Flamengo, com Zizinho, chamou o Sport para um novo desafio. Este se deu em 4 de março e o “Urubu” foi traçado pelo Leão: 3 x 1, no mesmo estádio. Ademir não visitou o filó daquela vez, tendo isso ficado por conta de Pirombá (2) e de Beressi. Rolou, então, a corrida cruzmaltina pela futebol do artilheiro pernambucano. Como Ademir era estudante universitário, em Recife, a sua mãe – Otília Menezes – só aceitava vê-lo sair de casa com matrícula garantida em uma faculdade carioca. Não queria vê-lo só “doutor em gols”. Fácil, para o Vasco. Afinal, o seu presidente, Cyro Aranha, era irmão do ministro das relações exteriores, Osvaldo Aranha. Jogo para ganhar nos nos bastidores. Então, os cartolas vascaínos colocaram 40 contos de reis na mão do “Coronel” Menezes, primeiras luvas pagas no futebol brasileiro, e mais 800 ao Sport, e levaram o craque.
TRAGÉDIAS DSA COLINA - ZEBRAÇA
Neste pequeno trecho, o redator Luís Carlos Barreto sintetizou bem o que é um favorito: o time a ser odiado. E segundo ele, a “torcida rubro-negra liderou a aliança antivascaína”. Está na revista “O Cruzeiro”, que circulou a partir de 18 de julho de 1953, contando o que fora o Tornei Início do 46º Campeonato Carioca de Futebol (disputado desde 2006), promovido, até então, por quatro entidades – Liga Metropolitana, Liga Carioca, Associação Metropolitana de Esportes Athléticos e Federação Metropolitana de Futebol.
O Vasco estreou assombrando, com 2 x 0 sobre o Botafogo, marcando um gola em cada tempo do jogo apitado por Carlos de Oliveira “Tijolo” Monteiro. Formou com: Carlos Alberto Cavalheiro, Elias e Haroldo; Amauri, Edésio e Conceição; Pedro Bala, Naninho, Vavá, Alvinho e Hélio. No segundo compromisso, os vascaínos ficaram no 1 x1, com o Fluminense, sob o apito de Eric Westman.