Vasco

Vasco

domingo, 16 de novembro de 2014

A SUCESSÃO DE BARBOSA - O "TIO" (2)

Em 1955, o Vasco deu por encerado o ciclo do veterano goleiro  Moacyr Barbosa, em São Januário. Três anos depois, o treinador Gradim achou que não, o “reinventou e o revascainou"”. O velhinho voltou e mandou ver. Ganhou elogios até de Nélson Rodrigues, que escrevia, na “Manchete Esportiva”, uma das mais respeitadas crônicas do jornalismo esportivo brasileiro.
Em 1959, o contrato de Barbosa terminou, ao final do primeiro semestre. Ele assegurava que faria o seu último acordo com um clube. Então, bateu forte no cofre cruzmaltino. Pediu  Cr$ 25 mil cruzeiros mensais e Cr$ 200 mil de luvas (a graninha por fora daquele tempo).  Duro na queda, o Vasco contrapropôs Cr$ 20 mil  e Cr$ 100 mil, pelas duas alternativas. Depois, subiu as luvas para Cr$ 150 mil. Por ali, a imprensa carioca passou a questionar se Barbosa valeria o que pedia, por já ter sido ‘convidado a se retirar’ de São Januário. Mas reconhecia que os reservas não tinha a sua experiência e o “Tio” significava tranquilidade para a defesa. E, assim, terminou ficando.
A imprensa carioca começou a chamar Moacyr Barbosa de “velho” quando o goleiro atingiu 36 anos de idade. Ele não gostava. Por aquela época, fazia um “passeiozinho” por fora de São Januário, defendendo o Bonsucesso  “Velho porquê?”, indagava, e revelando ser aquela uma sua grande mágoa. Para justificar merecedor da confiança dos seus treinadores, citava uma partida em que o “Bonsuça” perdera do Bangu (11.08.1957 - 0 x 2). Ao deixar o gramado, fora aplaudido por associados e torcedores até do adversário. “...os anos não me pesam.  Se, há 10 anos, eu tivesse a experiência de hoje, seria...um goleiro excepcional”,  disse à edição de Nº 93 da “Manchete Esportiva” de 31 de agosto de 1957. E disse mais: que nem durante a Copa do Mundo-1950 se encontrava tão bem, como perto dos 40 anos de vida.  Motivo? “No Vasco, eu descansava mais do que jogava, porque a defesa era sólida, bem plantada”, explicou.
Por aquela época em que falou à “ME”, Barbosa tinha no currículo cinco títulos de campeão carioca – 1945/47/49/50/52 – e sul-americano de clubes campeões-1948, todos pelo Vasco. O futebol havia lhe dado uma casa, no bairro carioca de Ramos, onde possuía, também, um terreno, e mais dois outros, na Ilha do Governador, além de um automóvel.  Ele começara a jogar, tardiamente, aos 19 anos, pelo um time do Laboratório Paulista de Biologia. Chegara a São Januário depois de passar pelo paulistano Ipiranga.
Paulinho (E) e Bellini (D) dizem que estas fazem milagres
 Barbosa viveu os seus últimos jogos como dono da camisas 1 cruzmaltina durante o Torneio Rio-São Paulo e o primeiro turno do Campeonato Carioca, ambos de 1960. Pelo primeiro disputou cinco partidas, deixando três para Miguel, sendo que este foi substituído, por Ita, em duas. No Estadual, esteve escalado, pelo treinador argentino Filpo Nuñez, em duas derrotas – 31.07.1960 - 0 x 1 América; 14.07 - 1 x 2 Canto do Rio. Fez a sua última partida, em 30 de setembro de 1960, quando o treinador já era o ex-colega de time Ely do Amparo, em Vasco 0 x 2 Fluminense, no Maracanã, ante 54.918 pagantes. O time: Barbosa, Paulinho de Almeida e Dario; Écio, Orlando e Coronel; Vanderlei, Humberto (Laerte), Pinga, Valdemar e Roberto Peniche.
Enquanto Barbosa só disputava três jogos do Campeonato Carioca-1961, os antigos reservas Ita (5 jogos) e Miguel (3), davam por encerrada a sua história cruzmaltina. Tanto que returno, o primeiro foi titular por 9 partidas, e Miguel por mais uma.   
Barbosa deixou de um emblema na Colina, em 1962. Para defender o Campo Grande – antes não tivesse ido. Quando cruzou com os velhos amigos, vendo Humberto Torgado com a sua amada e antiga camisa, se deu mal. Foi buscar a bola no fundo das redes por sete vezes: Vasco 7 x 0, em 21 de setembro de 1962, pelo Campeonato Carioca.  Quem tinha amigos goleadores como o Lorico (3), Saulzinho (2), Sabará e Barbosinha, precisava de inimigos pra quê? Ita e Miguel iriam brigar para descobrir.  (foto reproduzida da Revista do Esporte).              

A SUCESSÃSO DE BARABOSA - ITA (3)


Ita (E) teve um bom professor 
Ao  finalizar a temporada-1959,  em 17 de dezembro, entre amistosos e jogos oficiais, o time vascaíno contabilizava 64 compromissos, com  35 vitórias, 13 empates e 15 pisadas na pelota. Embora fosse boa a média de gols marcados (2,31), a sua defesa sofrera 82 tentos, mais da metade dos marcados pelo ataque (148). Precisava melhorar.
Para defender as balizas cruzmaltinas, um torcedor fanático levou para São Januário, no dia 16 de março, um garoto, de 21 anos de idade, sem nenhuma experiência em um grande clube. O cara espantou-se, logo, com o que vira: o veteraníssimo Moacyr Barbosa não dando nenhuma chance aos outros 13 goleiros vascaínos. Com ele não jogava, achou que seria nome certa em uma futura lista de dispensas. Enganou-se. 

José Augusto da Silva, o Ita – o apelido caseiro era Ito – treinava bem e passou a ser uma boa aposta para brigar, com Miguel, campeão carioca-1958, pela futura vaga a ser aberta por Barbosa, perto da aposentadoria. Ganhara até a chance de entrar em algumas partidas do time principal. Um sonho para o garoto que, até pouco tempo, ganhava uma ninharia como torneio mecânico, na mineira Alfenas, onde só defendera times amadores. O máximo que do que chegara fora ao Uberaba Esporte Clube. Tivera a chance de defender o Clube Atlético Mineiro, mas, sem acordo financeiro, pintou no Vasco.
  De “Mineiro Bobo”, o apelido que ganhara, embora fosse paulista, Ita não tinha nada. Sonhava em ser piloto de avião, mas tivera de trabalhar a partir dos 12 anos de díade, por perder o pai. No Vasco, imaginava, teria de voar muito atrás de bolas, para ser o reserva de Miguel. E, enquanto a chance não chegasse, pegar a camisa 1 de titular do time de aspirantes, em 1960, era o seu plano. Para ser goleiro do time principal do Vasco, como o Barbosa, era preciso pegar tudo. Miguel já sabia disso, de há muito

 

A SUCESSÃO DE BARBOSA - MIGUEL (4)

 Miguel via Ita voando, como uma fera, sobre a sua sombra. Jogara menos do que o concorrente, em 1960, e pouco mais, em 1961. Em 1962, enquanto o rival recuperava a vaga de titular, para o Torneio Rio-São Paulo, no Campeonato Carioca o dono da jaqueta 1 já era Humberto Torgado. O jeito era procurar novos rumos. E o seu destino foi a Colômbia.
 Depois que a Seleção Brasileira conquistou o bicampeonato mundial de futebol, no Chile-1962, a preferência dos colombianos por argentinos mudou. Eles passaram a contratar atletas e treinadores brasileiros, em grande escala. Queria assimilar a bola canarinha. E foi por ali que Miguel sai da briga pela titularidade no arco da Colina.
 Convidado pelo treinador brasileiro Gaudêncio Tiago de Melo, o goleiro cruzmaltino foi negociado juntamente com o ponta-esquerda Tiriça, custando, os dois, US$ 3 mil 500 dólares, o que equivalente a Cr$ 3 milhões de cruzeiros – Miguel foi ganhando US$ 1.500 dólares de luvas e mesmo número no ordenado, mas em pesos colombianos.
 Com o que juntaria do contrato colombiano, Miguel esperava fazer a sua independência financeira, para voltar ao Vasco e jogar, como amador, sem nada receber. Era a sua forma de retribuir o que o clube fizera por ele, que recebera uma carta de agradecimento, pelos serviços prestados durante oito anos na Colina.
 Miguel chegou a São Januário, em 1956, para jogar pelo time juvenil. Dois anos depois, ainda soldado do Corpo de Fuzileiros Navais, já estava no time titular ‘SuperSuperCampeão’ Carioca-1958.  Quando saiu, ainda levou o título de bicampeão estadual dos aspirantes. Travara uma briga, com Ita, pela sucessão de Barbosa. Este, pro sinal, só não gostava de uma coisa:  ter que falar, sempre, sobre o jogo em que o Brasil caíra, por 1 x 2, ante os uruguaios, encerrando o Mundial-1950, dentro do Maracanã.  
  No entanto, pela “Manchete Esportiva”, ele acusou o zagueiro Juvenal de ter-se perdido em campo, se descontrolado, deixando-o preocupado com a sua falta de cobertura. “Foi a causa da derrota”, bateu, acrescentando outros itens, como a subestimação do adversário e as transformação do futebol em caso de honra nacional. Do Vaco, não saiu  vencido, quando lhe dispensaram. Voltou, lutou e venceu. Como Ita e Miguel lutaram para vencer a briga pela sua sucessão  

sábado, 15 de novembro de 2014

BARBOSA, O MAGO DAS TRAVES




 
  O “Kike”  abriu o seu baú de velharias e, pela “Revista do Esporte Nº 75, de 13 de agosto de 1960,  estava escrito: “Barbosa parece vinho: quanto mais velho melhor. Seus 39 anos não o impedem de ‘fechar o gol’ muitas vezes. O “Tio”  tem garantido o posto de titular em São Januário e não dá vez aos novatos que estão torcendo pela sua aposentadoria. A cisma criada entre os vascaínos é a de que, mesmo jogando mal, ele ainda é o melhor. Os técnicos vão passando e Moacir Barbosa vai continuando com a camisa nº 1“.Em uma edição anterior da mesma revista, a de Nº 10, de 15 de maio de 1959, manchete de página era: “Barbosa parou a artilharia do Flamengo”.  A matéria falava de uma rodada do Torneio Rio-São Paulo e o redator disse isso: “Por diversas vezes, os avantes do Flamengo estiveram com o gol nos pés, mas o  veterano Moacir Barbosa, fazendo alarde de uma classe invejável, aparecia no derradeiro momento para não deixar cair a sua cidadela”.
Paulinho de Almeida, Barbosa e Bellini. Por aqui, ninguém passava



  O “Kike”  abriu o seu baú de velharias e, pela “Revista do Esporte Nº 75, de 13 de agosto de 1960,  estava escrito: “Barbosa parece vinho: quanto mais velho melhor. Seus 39 anos não o impedem de ‘fechar o gol’ muitas vezes. O “Tio”  tem garantido o posto de titular em São Januário e não dá vez aos novatos que estão torcendo pela sua aposentadoria. A cisma criada entre os vascaínos é a de que, mesmo jogando mal, ele ainda é o melhor. Os técnicos vão passando e Moacir Barbosa vai continuando com a camisa nº 1“.Em uma edição anterior da mesma revista, a de Nº 10, de 15 de maio de 1959, manchete de página era: “Barbosa parou a artilharia do Flamengo”.  A matéria falava de uma rodada do Torneio Rio-São Paulo e o redator disse isso: “Por diversas vezes, os avantes do Flamengo estiveram com o gol nos pés, mas o  veterano Moacir Barbosa, fazendo alarde de uma classe invejável, aparecia no derradeiro momento para não deixar cair a sua cidadela”.
Formador do antigo “trio final” vascaíno, com Paulinho de Almeida e Bellini, apela virada da década-1950, Barbosa mantinha a patota com  a defesa menos vazada da principal competição do país, quando os goleiros pegavam pela frente grandes atacantes como Pelé, Garrincha, Didi, Quarentinha, Henrique Frade, Dida, Valdo e outras feras.
Formador do antigo “trio final” vascaíno, com Paulinho de Almeida e Bellini, apela virada da década-1950, Barbosa mantinha a patota com  a defesa menos vazada da principal competição do país, quando os goleiros pegavam pela frente grandes atacantes como Pelé, Garrincha, Didi, Quarentinha, Henrique Frade, Dida, Valdo e outras feras.
                   

sexta-feira, 14 de novembro de 2014

MOACIR BARBOSA NO SANTA CRUZ

 Moacir Barbosa chegou a São Januário, em 1945, e ficou até 1955. Desde 1916, quando o clube passou a jogar futebol, ele é considerado o maior camisa 1 que já passou pela Colina. Barrou Rodrigues, em 1946, e tornou-se o goleiro símbolo do “Expresso da Vitória”, a maravilhosa máquina de jogar bola. 
   Em 1953, Barbosa sofreu um grave acidente de jogo, que o deixou parado por toda a temporada seguinte. Em 1955, ele comunicou ao treinador Flávio Costa que encerraria a carreira e, praticamente, desligou-se da “Turma da Colina”. No entanto, o clube ficou sem goleiro, quando tinha agendado um amistoso, em Recife, com o Sport Recife (2 x 2, em 28.08.1955), e o jeito foi o técnico recorrer aos seus préstimos. E lá se foi ele para o jogo, desaposentando-se. De quebra, jogou um bolão, levando o Santa Cruz a desejá-lo com a sua camisa 1.   
 Para não jogar no futebol pernambucano, Barbosa pediu salário de Cr$ 20 mil cruzeiros e luvas (grana por fora) de Cr$ 200 mil. Uma exorbitância, na época. Surpreendentemente, a “Cobra Coral” topou, pois a sua torcida depositou Cr$ 175 mil em urnas colocadas em diversos pontos da capital pernambucana, e, ainda, pagou até para assistir treino coletivo.  Assim, garantiu o pagamento das luvas. Para cumprir a palavra, Barbosa passou 10 meses no gol do “Santa”.  O investimento foi bom, pois Barbosa ajudou o Santa Cruz a vencer o Torneio Pernambuco-Bahia, a maior disputa do futebol nordestino, equivalente a um Rio-São Paulo.   
 Encerrado o contrato com o time tricolor de Recife, o veterano Barbosa voltou ao Rio e, em 1956,  passou a treinar com a turma do Olaria, para manter a forma. Em 1957, o Bonsucesso chamou-o para defendê-lo durante o Campeonato Carioca. Em 1958, estava de volta a São Januário, veteraníssimo, mas, ainda, fazendo grandes partidas. De quebra, conquistou os três últimos títulos de sua carreira: Torneio Início, SuperSuperCampeonato Carioca e Torneio Rio-São Paulo.
   Assim como ocorreu no caso do Santa Cruz, veteraníssimo, Barbosa voltou a defender um clube, para atender um compadre. Em 1962, ele voltou a comunicar ao Vasco que não jogaria mais. No entanto, para atender a um compadre, disputou o Campeonato Carioca da temporada, pelo Campo Grande, aos 41 anos de idade. Viveu por 79, entre 27 de março de 1921 e 7 de abril de 2000. O seu nome na certidão de nascimento era Moacyr, mas a imprensa trocava o “y” pelo “i”. Assim como fazia com Gylmar (dos Santos Neves), que era escrito Gilmar.