Vasco

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quarta-feira, 16 de setembro de 2015

MINEIRINHAS DESAFIAMA GETÚLIO E ROLAM MARICOTA. GALERA ADOROU!

    Eleuza deixou a galera parada em seu lance. Encantou os maramanjos de BH ...

Por conta do Decreto Lei Nֻº 3.139, assinado pelo presidente (da república) Getúlio Vargas, em 14 de abril de 1941, futebol era proibido às mulheres no Brasil. Assim ficou entre aquela temporada e 1979, por a prática ser considerada "incompatível com as condições da natureza feminina" e visando “proteger o papel materno e a feminilidade". 

Durante aquelas 38 temporadas proibitivas, muitas mulheres desafiaram a lei e tiveram as suas (brincadeiras) partidas interrompidas por policiais que chegavam, em nome do Estado, com discurso decorado falando de normas de "moral e bons costumes” e que o futebol prejudicava o "equilíbrio psicológico e funções orgânicas das mulheres”. Se elas praticavam o atletismo, o basquetebol, o vôlei e outras modalidades, porque não poderiam jogar o futebol? Ganharam a luta contra a discriminação, só em 1979.

... e esteve bem protegida pela sua zaga quando saiu debaixo ds traves

Mesmo com a proibição legal, meninas danadas vestiram a camisa do Clube Atlético Mineiro e do América, ambos de Belo Horizonte, e motivaram muitos homens as irem ao Estádio Independência vê-as rolando a pelota, pelo final da década-1960. Quando nada, fizeram sucesso nas páginas das revistas Manchete Esportiva e O Cruzeiro, que lhes deram várias fotos e contaram que, de há muito, os marmanjos não lotavam aquela casa.  

 Segundo as duas revistas cariocas, o que teria despertado mais curiosidade da moçada belo-horizontina foi a notícia de que o (extinto pelo presidente Fernando Collor) Conselho Nacional de Desportos-CND não permitiria que as meninas rolassem a bola. Mas rolaram, em partida de 25 minutos,  promovidas pelo jornal Diário da Tarde, com vitória das que vestiram a camisa atleticana, por 2 x 1, com gols (2) de Wislena e desconto por Neli, sob arbitragem de Luís Teixeira, auxiliado pelos bandeirinhas Alcebíades Magalhães, o folclórico “Cidinho Bola Nossa”, apaixonado e confesso torcedor do Galo, e por Paulo Sanches.  

Pó de arroz e batom na marca do "penalty" e do gol vence o próprio "charme"

Antes disso, o desportista mais popular de Araguari, Ney  Montes, tivera a ideia de coloca-las correndo atrás da bola, apoiado por Paulo Nogueira Cruvinel, presidente do Araguari Atlético Clube, e as emissora de rádio locais. Um animadíssimo  Ney pegou o seu velho carro, ainda de 1928, e saiu pela cidade, munido de um alto falante, convocando as meninas que estivessem a fim. Apareceram gatinhas – de 14 a 20 de idade – que davam pra formar três times. Depois de Araguari, ele levou as garotas para se exibirem em Uberlândia, contando com cobertura da revista O Cruzeiro, e a curiosidade foi tanta que o prélio delas teve mais gente do que um amistoso de um time masculino local contra o Botafogo de Garrincha, Didi, Zagallo e Nílton Santos, campeões do mundo.  

O fogo e a fumaça espalhada pelas mineiras assanhou os paqueras, que se apaixonaram pela goleira Eleuza e a atacante Nádima. Mas o futebol para elas no Brasil, no entanto,  só foi mesmo regulamentado, oficialmente, em 1983.

No prélio de BH, prestigiado pela revista Manchete Esportiva, vestiram a camisa atleticana: Eleuza, Zalfa e Marizete; Luci, Heloísa e Iracema; Haidê, Iraídes, Eulália, Wislena e Jane. Coma jaqueta americana, atuaram: Leni; Darci e Ormezinda; Nilza, Geni e Maria; Geniberte, Dolaci, Neli, Fili e Nádima.       

                                                              TEXTO NÚMERO 2

O futebol era proibido, por lei, às mulheres que viviam no Brasil do governo do presidente Getúlio Vargas. As vezes, elas rolavam uma bolinha, em circos, ou em uma quadra de futsal. Mas não iam muito longe. Mas, de bola aqui, de bola ali, enfim, surgiu um time organizado. O país já se livrara do repressivo "Estado Novo" de Vargas e vivia os dourados anos 1958, quando o presidente Juscelino Kubitscheck construía uma nova capital, Brasília. Realmente, novos tempos. Tanto que já fabricávamos automóveis e havia muita democracia.
Já que os tempos eram outros, foi na terrar do JK, nas Minas Gerais, que surgiu o primeiro time brasileiro feminino de futebol, de forma organizada. Chamou-se Araguari Atlético Clube, para divulgar o nome da cidade, e começou a se exibir pelos meados de 1958, a temporada em que a Seleção Brasileira foi buscar a Taça Jules Rimet, na Suécia, o seu primeiro caneco mundial.
Formado o grupo, reunindo 22 meninas e despertando muita curiosidade dos marmanjos, a notícia chegou até o Rio de Janeiro, a então capital nacional e de onde partiam todas as modas. Sabedora da novidade, “O Cruzeiro”, foi conferir, ligada no sucesso de uma partida beneficente das gatinhas. Resultado: as meninas terminaram pintando na capa da revista de maior circulação nacional, que tirava, normalmente, 500 mil exemplares semanais. Divulgadas por uma prestigiosa publicação carioca e com curiosidade masculina aumentada, as garotas de Araguari decolaram para voos mais rasantes. Foram mostrar as suas asas de "anjos da pelota" na capital mineira, em Goiânia e em Salvador.
Depois que a magazine dos “Diários e Emissoras Associados”, liderados por Assis Chateaubriand, mostrou ao Brasil o que rolava nos campos de futebol de Araguari, uma outa revistas carioca correu atrás da pauta: A “Manchete Esportiva, do grupo Adoph Bloch, dispensando duas páginas e três fotos, as que você vê. Disse o texto: “Há muito não via o Estádio Independência (em Belo Horizonte) tanta gente ocupando ao seu cimentado (arquibancadas). Não havia claros e, curioso, lá estava um público diferente”.
Embora o governo do presidente JK fosse democrático, a lei que proibia o futebol às mulheres ainda não havia sido revogada. Então, rolaram rumores de que o Conselho Nacional de Desporto (CND) proibiria a exibição das meninas do Araguari, em “Belô”. Mas ficou nos boatos. “...valeu a pena...Toda aquela multidão que se comprimia no maior estádio de Minas saiu satisfeita ao término dos cinquenta minutos... jogados dois tempos de 25. Ninguém ficou decepcionado com as garotas...embaixadoras do futebol feminino”, afirmou a “Manchete Esportiva”, acrescentando, de forma poética: “O espetáculo valeu pela graça com que  (elas) procuraram enfeitar as jogadas, com dribles curtos, usando, sistematicamente, os finos calcanhares, chutinhos delicados, como que não querendo magoar a pelota, que também é feminina... marcaram três tentos, todos eles de autênticos lençóis tão bem confeccionados que dir-se-iam de linho e trabalhado a ponto de cruz ou de sombra.”
Além de embaixadoras do futebol para mulheres, as gatinhas de Araguari mostram-se, também, "expert" em diplomacia e marketing: as 22 atletas usaram as camisas dos dois maiores times das capital, o Clube Atlético Mineiro e o América Futebol Clube, com o primeiro vencendo, por 2 x 1, dom dois gols de Wislena, descontando Neli.
O prélio foi promovido pelo departamento de esportes (ainda não se falava editoria) do jornal “Diário da Tarde” e as meninas que representaram o “Galo” foram: Eleuza (a mais paquerada e com duas fotos destacadas pela “Manchete Esportiva”); Zalfa e Marizete. Luci, Heloísa e Iracema; Haidê, Iraídes, Eulália, Wislena e Jane. As “americanas” eram: Leni, Darci e Ormenzinda; Nilza, Geni e Maria; Genilberte, Dolaci, Neli, Fili e Nádima.
O juiz foi Luís Teixeira, que acompanhava as meninas, e os bandeirinhas, da Federação Mineira de Futebol, Alcebíades Magalhães, o “Cidinho Bola Nossa”, que, na dúvida, decidia, sempre, em favor dos atleticanos, e Paulo Sanches.    

Mas ao time feminino do Araguari Atlético Clube não demorou muito pelos gamados. Um ano depois, por pressão da Igreja Católica Apostólica Romana, foi obrigado a pendurar as chuteiras.

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