Por conta do Decreto Lei Nֻº 3.139, assinado pelo presidente (da república) Getúlio Vargas, em 14 de abril de 1941, futebol era proibido às mulheres no Brasil. Assim ficou entre aquela temporada e 1979, por a prática ser considerada "incompatível com as condições da natureza feminina" e visando “proteger o papel materno e a feminilidade".
Durante aquelas 38 temporadas proibitivas, muitas mulheres desafiaram a lei e tiveram as suas (brincadeiras) partidas interrompidas por policiais que chegavam, em nome do Estado, com discurso decorado falando de normas de "moral e bons costumes” e que o futebol prejudicava o "equilíbrio psicológico e funções orgânicas das mulheres”. Se elas praticavam o atletismo, o basquetebol, o vôlei e outras modalidades, porque não poderiam jogar o futebol? Ganharam a luta contra a discriminação, só em 1979.
Mesmo com a proibição
legal, meninas danadas vestiram a camisa do Clube Atlético Mineiro e do América,
ambos de Belo Horizonte, e motivaram muitos homens as irem ao Estádio Independência
vê-as rolando a pelota, pelo final da década-1960. Quando nada, fizeram sucesso
nas páginas das revistas Manchete Esportiva e O Cruzeiro, que lhes deram várias
fotos e contaram que, de há muito, os marmanjos não lotavam aquela casa.
Segundo
as duas revistas cariocas, o que teria despertado mais curiosidade da moçada
belo-horizontina foi a notícia de que o (extinto pelo presidente Fernando
Collor) Conselho Nacional de Desportos-CND não permitiria que as meninas
rolassem a bola. Mas rolaram, em partida de 25 minutos, promovidas pelo jornal Diário da Tarde, com
vitória das que vestiram a camisa atleticana, por 2 x 1, com gols (2) de
Wislena e desconto por Neli, sob arbitragem de Luís Teixeira, auxiliado pelos
bandeirinhas Alcebíades Magalhães, o folclórico “Cidinho Bola Nossa”, apaixonado
e confesso torcedor do Galo, e por Paulo Sanches.
Antes disso, o desportista mais popular
de Araguari, Ney Montes, tivera a ideia de
coloca-las correndo atrás da bola, apoiado por Paulo Nogueira Cruvinel, presidente
do Araguari Atlético Clube, e as emissora de rádio locais. Um animadíssimo Ney pegou o seu velho carro, ainda de 1928, e
saiu pela cidade, munido de um alto falante, convocando as meninas que
estivessem a fim. Apareceram gatinhas – de 14 a 20 de idade – que davam pra
formar três times. Depois de Araguari, ele levou as garotas para se exibirem em
Uberlândia, contando com cobertura da revista O Cruzeiro, e a curiosidade foi
tanta que o prélio delas teve mais gente do que um amistoso de um time masculino
local contra o Botafogo de Garrincha, Didi, Zagallo e Nílton Santos, campeões
do mundo.
O fogo e a fumaça espalhada
pelas mineiras assanhou os paqueras, que se apaixonaram pela goleira Eleuza e a
atacante Nádima. Mas o futebol para elas no Brasil, no entanto, só foi mesmo regulamentado, oficialmente, em
1983.
No prélio de BH, prestigiado
pela revista Manchete Esportiva, vestiram a camisa atleticana: Eleuza, Zalfa e
Marizete; Luci, Heloísa e Iracema; Haidê, Iraídes, Eulália, Wislena e Jane.
Coma jaqueta americana, atuaram: Leni; Darci e Ormezinda; Nilza, Geni e Maria; Geniberte,
Dolaci, Neli, Fili e Nádima.
TEXTO NÚMERO 2
Formado o grupo, reunindo 22 meninas e despertando muita curiosidade dos marmanjos, a notícia chegou até o Rio de Janeiro, a então capital nacional e de onde partiam todas as modas. Sabedora da novidade, “O Cruzeiro”, foi conferir, ligada no sucesso de uma partida beneficente das gatinhas. Resultado: as meninas terminaram pintando na capa da revista de maior circulação nacional, que tirava, normalmente, 500 mil exemplares semanais. Divulgadas por uma prestigiosa publicação carioca e com curiosidade masculina aumentada, as garotas de Araguari decolaram para voos mais rasantes. Foram mostrar as suas asas de "anjos da pelota" na capital mineira, em Goiânia e em Salvador.
Depois que a magazine dos “Diários e Emissoras Associados”, liderados por Assis Chateaubriand, mostrou ao Brasil o que rolava nos campos de futebol de Araguari, uma outa revistas carioca correu atrás da pauta: A “Manchete Esportiva, do grupo Adoph Bloch, dispensando duas páginas e três fotos, as que você vê. Disse o texto: “Há muito não via o Estádio Independência (em Belo Horizonte) tanta gente ocupando ao seu cimentado (arquibancadas). Não havia claros e, curioso, lá estava um público diferente”.
O prélio foi promovido pelo departamento de esportes (ainda não se falava editoria) do jornal “Diário da Tarde” e as meninas que representaram o “Galo” foram: Eleuza (a mais paquerada e com duas fotos destacadas pela “Manchete Esportiva”); Zalfa e Marizete. Luci, Heloísa e Iracema; Haidê, Iraídes, Eulália, Wislena e Jane. As “americanas” eram: Leni, Darci e Ormenzinda; Nilza, Geni e Maria; Genilberte, Dolaci, Neli, Fili e Nádima.O juiz foi Luís Teixeira, que acompanhava as meninas, e os bandeirinhas, da Federação Mineira de Futebol, Alcebíades Magalhães, o “Cidinho Bola Nossa”, que, na dúvida, decidia, sempre, em favor dos atleticanos, e Paulo Sanches.




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