Vasco

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sexta-feira, 14 de dezembro de 2018

HISTÓRIA DA HISTÓRIA - SOVIETICADA

Em 4 de dezembro de 1957, o planeta vivia a era da “guerra fria”, o chamado período em que as duas maiores potências terrestres, Estados Unidos e União Soviética, disputavam a corrida pela supremacia militar e tecnológica. Os primeiros lideravam as Américas e a Europa Ocidental, enquanto o outro estendia a sua ideologia ao que restava do continente europeu.
O capitão cruzmaltino Bellini (D) era um cavalheiro
O Brasil aderiu ao bloco dos amigos do “Tio Sam”. Por conta do jogo duro da propaganda capitalista,  até jogador da Seleção Brasileira já tinha sido chamado a provar que não era comunista.
Mesmo existindo um muro no meio do pensamento político de dois blocos ideológicos, os brasileiros mantinham boa relação com os amigos da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas no campo da bola. Principalmente, o Club de Regatas Vasco da Gama, que disputara várias partidas contra soviéticos, poloneses, húngaros, iugoslavos.    


Écio ofereceu flores aos moscovitas
  Embora a bola rolasse legal com a  turma da “Cortina de Ferro”, só em 4 de dezembro de 1957 – 12 anos após o final da II Guerra Mundial que dividiu o mundo, ideologicamente –, um time soviético jogou no Maracanã: o Dínamo, de Moscou, amistosamente, com o Vasco da Gama.

ROLA A BOLA – A imprensa badalou muito o primeiro jogo de um time comunista no “Templo do Futebol”, como os locutores esportivos chamavam o “Maraca”.
Mas o torcedor não saiu do estádio impressionado, em noite chuvosa. O Vasco encerrava a temporada carioca atrás dos seus maiores rivais – Botafogo, Fluminense e Flamengo – e não esteve em um dos seus melhores dias, enquanto o visitante trouxera um futebol prático, embora pouco técnico.
A equipe do treinador Yakusin não mostrou uma escola russa, mas estilo baseado no WM inglês, com três zagueiros e dois médios (volantes), rigidamente.

 Tecnicamente, os brasileiros eram superiores, mas o Dínamo apresentava velocidade, virilidade e preparo físico como grandes atributos, tornando-se difícil de ser batido.  Viera fazer um giro pelo continente sul-americano, a fim de conhecer o estilo das seleções regionais que disputariam a Copa do Mundo de 1958.

A "Sapoti" Ângela Maria rolou a "maricota"
 "ÍDALA" - O  amistoso foi precedido de gentilezas, como oferta de flores, pelos vascaínos, e pontapé inicial a cargo da cantora brasileira mais famosa da ocasião, Ângela Maria.
 No primeiro tempo, o Vasco ficou muito paradão, em campo encharcado, que favorecia ao visitante. E o Dínamo esteve melhor, coletivamente. Abriu a conta, depois de meia hora jogado, em lance pela esquerda. Rizhkin venceu Paulinho de Almeida e lançou Fedosov, na medida, para balançar o filó.

O Vasco empatou no início da segunda etapa. Almir Albuquerque foi lançado, sobre a linha da área, ganhou de três zagueiros e chutou forte, sem apelação.
  Alberto da Gama Malcher apitou a partida e o Vasco, do técnico Gradim, foi: Carlos Alberto Cavalheiro; Paulinho de Almeida, Bellini e Coronel; Écio (Laerte) e Orlando (Barbosa); Lierte (Waldemar), Almir, Wilson Moreira, Rubens e Roberto. O Dínamo teve: Yashin “Aranha Negra”, Kesarev, Kryzhevsky, Sokolov, Ketznetsov, Tzariov, Shopovalov, Mamykin, Baniov, Fedosov, Ryzhkin e Urin – DETALHE: Yashin, Kesarev, Kryzhevsky e Ketznetsov jogaram contra o Brasil durante os 2 X 0 da Copa do Mundo-1958. (Fotos reproduzidas de O Cruzeiro e Gazeta Esportiva).

O "Aranha Negra" Yashin se vira para segurar a carga pesada do ataque cruzmaltino em noite de cancha pesada

 

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