Vasco

Vasco

quinta-feira, 27 de julho de 2017

OS XERIFES DA COLINA -2

O técnico Zezé Moreira, em 1966, pedia e eles jogavam duro. Brito e Fontana formavam a dupla mais temida do futebol carioca, na década de 1960. De acordo com a Revista do Esporte, Da explicação para o rigor de suas atuações tinha uma explicação só: ... “venceram pela perseverança. Tiveram que lutar bastante e enfrentar muitos obstáculos” para serem titulares no Vasco.
No caso de Hércules Brito Ruas, a revista lembra que, depois de se destacar no time amador do Flexeiras, da Ilha do Governador, passou pelos times de juvenis, não pode subir para os aspirantes vascaínos, porque havia Viana barrando-lhe a vaga de zagueiro central. O jeito foi ser emprestado do Internacional, de Porto Alegre, onde Sílvio Pirillo, o primeiro a convocar Pelé para a Seleção Brasileira, era o treinador. Brito esteve emprestado, também, a um outro Inter gaúcho, o de Santa Maria, e só pode mostrar veneno na Colina depois da saída de Bellini, em 1961.
Antes da chegada de Zezé Moreira a São Januário, Brito brincava muito na área. Depois disso, o homem mudou completamente a sua forma de atuar. Nascido na ilha onde rolava a bola, em 9 de agosto de 1939, Brito deixou de enfeitar jogadas, passando a ser o que a imprensa chamava de “zagueiro enxuto”.
Fontana, quarto-zagueiro, trilhou caminho parecido com o de Brito. Tinha dois fortes concorrentes pela frente, Russo, nos aspirantes, e Barbosinha, no time A. assim, arrependia-se de não ter aceito convites do Fluminense e do São Cristóvão, pelo qual chegara a preencher ficha de inscrição como amador.
José de Anchieta Fontana, capixaba de Santa Tereza, nascido em 31 de dezembro de 1940, quando subiu, pegou uma noite brava pela frente. O Vasco vencia o Santos, pro 2 x 0, e ele sacaneava Pelé. A dois minutos do final, o “Rei do Futebol” empatou a partida, o que poderia ter liquidado a sua carreira. Mas recuperou-se, para falar muito durante as partidas, xerifar, transtornado. Reclamava dos colegas, ao mínimo, e era mestre em irritar o adversário. Fora de campo, assegura o ex-capitão vascaíno Buglê,“era um santo”, como o xará jesuíta José de Anchieta.

MATADOR - Dario José dos Santos. Carioca, nascido em 4 de março de 1949, no subúrbio de Marechal Hermes. Atacante do Atlético-MG, fazia tantos gols que foi apelidado de “Apolo Nove” (usava a camisa 9), pelo locutor Waldir Amaral, da Rádio Globo-RJ, quando o projeto espacial Apolo, da NASA-EUA, estava no auge. Medindo 1m82cm de altura, pesando 76 quilos e calçando chuteiras de número 42, sem erros, estava no padrão dos mais pesados atacantes brasileiros do seu tempo.

Imperdoável “matador”do  “Galo” alvinegro mineiro, Dario vivia dizendo não ter medo de cara feia, mesmo sabendo que não sairia ileso nas disputas de bola. No entanto, separava uma dupla de zaga. Foi o que ele declarou ao repórter (torcedor vascaíno) Elionário Valente, pelo Nº 505 da “Revista do Esporte” data de 9 de novembro de 1968.
Indagou Eliomário: “Qual o seu mais implacável marcador, Dario?” Resposta: “São dois: Brito e Fontana. Como batem bem. Até tapas no resto já levei, além de outras entradas mais violentas. Quando eu apanhava a bola e partia para a área do Vasco, temia pela minha saúde”.
OBS: Dario é o segundo maior artilheiro da história do Atlético-MG, com 211 gols – o primeiro é Reinaldo Lima. Quando defendia o Sport Recife, em 1976, marcou 10, durante os 14 x 0 sobre o Santo Amaro, suplantando Pelé, que tinha oito na conta. Por sinal, Pelé telegrafou-lhe congratulando-se pelo feito. Os dois, mais Brito e Fontana, foram colegas na Seleção Brasileira do tri, em 197.0


 

Nenhum comentário:

Postar um comentário