Vasco

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domingo, 13 de agosto de 2017

OS XERIFES DA COLINA - MOACIR -19



Moacir é o quarto, em pé, da esquerda para a direita, ao lado de Renê e de Eberval, no time campeão carioca-1970
Zagueiro que o Vasco contratasse, pelas metades das décadas-1960, já sabia: seria para a reserva de Brito ou de Fontana. E não deveria ser diferente com Moacir, tirado do Villa Nova-MG. Mas, se haviam pago NCr$ 300 mil novos cruzeiros pelo seu passe, porque investir aquela boa grana para um quarto-zagueiro não jogar?
Moacir disse, por suas primeiras entrevistas como vascaíno, que fora para São Januário disputar posição e via-se em condições de atuar em qualquer clube grande do país. Ademais, a experiência dos “xerifões” da zaga cruzmaltina lhe dava ânimo para lutar, pois não saíra de sua terra para se acomodar no banco dos reservas.
PELO ESTADUAL-1968, Brito e Fontana foram titulares absolutos, pela maior parte da competição. Mais para o final, zaga ficou sendo Brito e Ananias. Algumas vezes, jogou Sérgio. E, com eles, o time do técnico Paulinho de Almeida foi vice-campeão carioca. Próxima disputa? A Taça Guanabara. Já que Moacir confiava tanto em seu futebol, o treinador Paulinho de Almeida deu-lhe uma missão dos infernos para a estreia vascaína: marcar o botafoguense Jairzinho, um dos mais perigosos atacantes brasileiros.
 Era 28 de julho e 33.642 almas esperavam pelo que Moacir iria encarar, no Maracanã, diante de Jair Ventura Filho, titular da Seleção Brasileira. Sem falar que o Botafogo tinha um dos dois melhores times do futebol brasileiro – naquele dia, o treinador Mário Jorge Lobo Zagallo escalou: Cao; Moreira, Zé Carlos, Leônidas e Valtencir; Carlos Roberto e Gérson (autor do gol); Rogério Hetmanek , Roberto Miranda, Jairzinho e Paulo César Lima. De arrepiar!
A princípio, como todo estreante, Moacir ficou nervoso. Mas logo se tranquilizou e mostrou, no clássico encerrado no 1 x 1 que não era bom só de palavras. O Vasco abriu o placar, aos 19 minutos, por intermédio de Buglê, e ele cumpriu bem o seu papel – Pedro Paulo; Lourival (Zé Carlos, Brito, Moacir e Eberval; Buglê, Alcir e Danilo Menezes; Nado, Nei e Raimundinho (Silvinho), sendo aprovado para jogar ao lado de Brito. Precisava, depois, fazer o mesmo ao lado de Fontana. E aconteceu, no 31 de julho, no mesmo local e com mesmo placar, diante do Bangu, diante de 4.819 testemunhas.
 PARA ENCERRAR a temporada-1968, o Vasco disputou o Torneio Roberto Gomes Pedrosa, o Robertão, ou Taça de Prata, um dos embriões do atual Brasileirão. A dupla Brito-Fontana voltou à ativa, mas Moacir entrou em alguns jogos, as vezes como substituto, ou saindo jogando. Por aquela época, o time começava a contar, também, com Fernando Silva (ver matéria, em 10.08.2017), mais um aspirante a vaga de “xerife”.
Nascido em Ouro Preto-MG, em 24 de março de 1944, Moacir Eustáquio Antunes tinha 11 irmãos e dizia ao xará seu pai e à mãe Maria de Lourdes Silveira Antunes que não seria só jogador de futebol. Iria tão longe nos estudos quanto o irmão engenheiro. Passou pelo Colégio Agrotécnico (interno, por cindo anos)  a Escola Preparatória de Cadetes da Aeronáutica, ambos em Barbacena-MG. Com estudos equivalente ao atual segundo grau, não foi adiante. O futebol era o seu futuro, história que rolava desde que o presidente do Olimpic conseguira autorização do colégio para ele treinar à noite, entre os juvenis.
 Em 1963, aos 19 anos de idade, Moacir já estava no Villa Nova, de Nova Lima, que lhe pagava a mixuruca quantia de NCr$ 40 novos cruzeiros, para tomar conta de sua zaga. Para chegar à Colina, teve de abrir mão dos 15% sobre o valor do passe (previstos por lei), o exigido, também,  de Eberval e Raimundinho, que foram juntos com ele para a Colina.
 COM BOA ESTATURA (1m77cm) para os zagueiros brasileiros da época, Moacir usava a filosofia de que “jogador de defesa não pode ayuar macio”. Coincidia com o pensamento de Brito e de Fontana, dos quais foi bom substituto durante a conquista do título vascaíno de campeão carioca-1970, o final do jejum, de 12 temporadas sem faixas do Estadual – dirigido por Elba de Pádua Lima o Tim, a equipe-base era: Andrada; Fidélis, Moacir, Renê e Eberval; Alcir e Buglê; Luiz Carlos Lemos (Jaílson), Valfrido, Silva e Gilson Nunes. Em 1971, Moacir brigou por vaga com Miguel e Joel Santana. Em 1972, já não aparecia mais nas escalações vascaínas.

Um comentário:

  1. Mandei este texto pelo facebook para uma de sua filhas

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