O jovem Miguel foi capa da Revisa do Esporte... |
Garoto pobre, nascido em Macaíba- RN – 29.09.1937 – Miguel
Ferreira de Lima não chegou a ser aquele garoto que comeu o “pão que o diabo
amassou”. Mas teve infância e adolescência dura, pois os seus pais – Diocleciano Ferreira de Sousa, o “Seu
Lucas”, e Maria Madalena de Medeiros –
eram daqueles heróis que sobreviviam com o que o homem, analfabeto, arrecadava
em suas andanças pelas feiras livres potiguares, onde chegava carregando as
sus vendas em lombo de jegue.
Diante de vida nada fácil – em sua casa não havia nem luz
elétrica –, o garoto Miguel estudou no Grupo Escolar Auta de Souza, mas
não juntou bagagem para ir longe. Sorte dele que o futebol estava ali na
esquina esperando-o para dar-lhe uma vida melhor.
Inicialmente, Miguel foi goleiro do Cruzeiro macaibense. Bom
no ofício, ganhou um outro melhor, emprego no cartório de notas da cidade, pois
o tabelião Raimundo
Barros Cavalcanti ficou seu fã e previa-lhe grandes dias, se saísse da cidade.
Saiu e foi para o juvenil do Santa Cruz, de Natal. Depois, profissionalizou-se
para defender o Alecrim.
BIÓGRAFO - O biógrafo do goleiro e jornalista Rômulo Estanrley conta que Miguel, aos 18 de idade,
quando deveria se apresentar para o serviço militar, viu uma boa chance de
melhorar de vida, entrando para a Marinha. E, sem pendurar as chuteiras,
encarou bola e mar.
Por aquele tempo,
os alistados em Natal, conta Estanrley, faziam o curso de fuzileiro naval no Rio de Janeiro. “O recruta Miguel foi embora, em
1955, e ele ganhou vaga no time do seu quartel. De quebra, apareceu um santo
para ajudá-lo, São Januário”, conta o jornalista.
A ajuda
do santo passou, também, pela do comandante dos fuzileiros navais, Cândido da
Costa Aragão, torcedor vascaíno que costumava arrumar o gamado da Colina para
os “recos” baterem uma bolinha. Numa dessas, Miguel fechou o gol e o Vasco o convidou
a fazer um teste. Aprovado, após três temporadas marinhando pediu baixa e se
alistou na “Turma da Colina”.
Entre 1955 a 1962, Miguel papou tudo o que disputou pelo
Vasco: títulos de juvenil, aspirante e profissional. Mas só sentiu o gosto
de ser o dono absoluto da camisa 1 do time principal em 1958, quando
tornou-se "supersupercampeãocarioca", mas vendo o veteraníssimo Barbosa ser
titular por 10 jogos – Hélio entrou em um outro jogo do turno.
...e o velho posou para o www.senadinomacaibense |
RETURNO - Barbosa atuou em mais
duas partidas e Hélio em uma. Só pela quinta rodada o treinador Gradim (Francisco de Sousa Ferreira) decidiu lançar
Miguel, que atuou em Vasco 2 x 1 Portuguesa (01.11) e Vasco 1 x 0 Madureira
(09.11) . Mas, como o jogo seguinte seria um clássico, contra o Fluminense
(16.11), Barbosa, maias experiente, voltou ao “Arco da Colina”.
Gradim deu nova nova chance a Miguel, em Vasco
2 x 0 América (23.11), e o manteve titular pelas três últimas partidas do
returno – 4 x 0 Olaria (3011); 0 x 2 Botafogo (07.12) e 1 x 3 Flamengo (14.12).
Por ter sofrido
cinco gols em dois jogos, Miguel viu Hélio começar o “SuperSuperCampeonato”,
nos 2 x 1 Botafogo. Mas, no encerramento da disputa (17.01.1959), em
Vasco 1 x 1 Flamengo, ele era o goleiro “SS-1958”, da formação: Miguel, Paulinho de Almeida, Bellini e
Coronel; Écio Capiovilla e Orlando Peçanha; Sabará, Almir Albuquerque,
Roberto Pinto, Valdemar e Pinga.
FORASTEIRO – Encerrado o seu ciclo na Colina, Miguel foi para a Colômbia, em 1963, defender o Deportivo Cali. Depois, esteve no Millonários. Em 1965, subiu no mapa e foi para o Koln, da Alemanha. Voltou, em 1967, para defender um rival cruzmaltino, o Botafogo. Ficou pouco e seguiu para o Saint Louis Stars-EUA. Por fim, vestiu a camisa do New York Generals (EUA), em 1968.
Como treinador, informa Estanrley, que Miguel conquistou vários títulos com o Saint Louis University-EUA, de 1962 a 1978; New York Cosmos-EUA, de 1979 a 1984, e o Brazilian Masters Soccer Team, como treinador de goleiro. “Ele aposentou-se, em 1999, pelas leis norte-americanas”, acrescenta, com mais um dado: “Miguel casou-se com Maria das Graças de Lima e gerou Laina, Aline e Letícia.
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