Vasco

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segunda-feira, 30 de março de 2015

O VASCO PELOS VASCAÍNOS

                        Vasco empata e vive agora a fase decisiva do Carioca
                                                                Carlos Fehlberg (*)
O Vasco caiu de produção e seus resultados contra os grandes do Rio levam a essa conclusão: derrotou o Fluminense, perdeu para o Flamengo e empatou com o Botafogo! O que houve? Mudanças seguidas na equipe por força de expulsões ou cartões, e  isso aconteceria mais cedo ou mais tarde... Assim tudo pode ser fruto das experiências que estão sendo feitas, pois em nenhum dos clássicos a equipe foi a mesma. Daí a irregularidade. O jogo contra o Botafogo mostrou uma equipe distinta nos dois tempos, o que constitui um alerta. Deveria estar acontecendo o contrário, isto é, um crescimento gradativo. Qual a causa? As sucessivas mudanças, ou a diferença técnica de seus adversários?
O fato é que o treinador continua testando e mudando, ora por causa de cartões e expulsões, ora para avaliação. Mas hoje ninguém sabe, ainda, qual é o time titular. Por razões estratégicas, Doriva se nega a dizer que ainda não tem um time definido. Mas há uma nítida impressão de que é isso o que está acontecendo. A seu favor prevalece o fato de que chegou a São Januário começando do zero. O time de 2014 não existia mais. E é verdade que, à exceção de alguns poucos, aquele time não deixou saudades. O fato inegável é que estamos vivendo mesmo uma fase experimental. Ninguém sabe, com poucas exceções, quem é titular.  Admitindo que estamos começando do zero, então vamos ser pacientes e apostar no futuro... Contra o Botafogo os problemas continuaram, e não tivemos a reação que nos salvaria, como aconteceu no jogo contra o Boavista. Pelo contrário: desta vez, cedemos o empate.
Jhon Clay precisou de dois alvinegros, em alguns momentos, para segurá-lo
Como fomos - Mesmo admitindo que estamos em evolução e fazendo experiências, o fato é que poderíamos estar em posição melhor na tabela. Vamos depender agora dos jogos finais para alimentar pretensões de título, algo que está faltando há muito tempo.
O plantel é numeroso, mas isso não quer dizer que seja o ideal. Em várias oportunidades isso ficou evidente. Fixando-se no jogo contra o Botafogo, que também vive problemas, pode-se dizer que o Vasco foi uma equipe irregular, com bons e maus momentos. A potencialidade do ataque, por exemplo, parece estar limitada ao bom Gilberto, pois Thales desaprendeu. O meio campo é regular, podendo crescer, salvando-se, então,  os laterais e a zaga. E esta  com a incrível tarefa de defender e atacar... Isto é: fazer os gols. E quando ela não cumpre essa tarefa, os gols desaparecem. 
Esse, é claro, é um cenário crítico, pois tudo indica que a fase de experiências estará limitada ao campeonato carioca. Aliás, é bom lembrar que estamos ingressando esta semana na Copa do Brasil. Ontem a apresentação do Vasco contra o Botafogo foi apenas regular, e o prosseguimento das experiências parece que vai continuar ainda por algum tempo. Ainda bem que também teremos a Copa do Brasil para isso, pois no campeonato brasileiro existe o rebaixamento. Algo que já sofremos duas vezes.
Contra o Botafogo a atuação do Vasco foi sofrível. O meio campo não foi bem, o lateral esquerdo pouco apoiou, e a rigor poucos se salvaram, entre eles Madson e Gilberto. John Cley, o armador, esteve sofrível, e o empate acabou, por tudo isso, sendo razoável. Faltaram as faltas próximas da  área (ou dentro) para Anderson Salles e Rodrigo brilharem...Com a Copa do Brasil continuarão as experiências? O time, afinal, precisa de definição.  E se Bernardo, pela undécima vez, vai ser perdoado e jogar? As dúvidas existem, e parece que o objetivo, por enquanto, não é obter títulos, mas encontrar a formação ideal para o Brasileirão. Em resumo, Roberto Dinamite deixou uma herança e tanto. Resta saber quanto tempo levará a recuperação.
Em resumo - A rigor o jogo foi equilibrado, com o Vasco melhor em alguns momentos, sem a regularidade desejada. Martin Silva deixou saudades, pois o gol do Botafogo pareceu defensável. Yago não foi bem e Bernardo poderia ter sido melhor, sem dúvida, enquanto o meio-campo foi apenas razoável. René Simões parece ter estudado bem o Vasco a ponto de neutralizá-lo. E o surpreendente é que não surgiram medidas técnicas capazes de fazer frente à estratégia do adversário. O melhor armador da equipe foi o lateral direito Madson, pois o meio-campo foi neutralizado. E a confirmação disso veio, embora tarde, com a tentativa de Doriva de incluir outro lateral, Lorran, na armação. Uma confissão da ineficiência do meio-campo. Diante de tudo isso o empate acabou não sendo um mau resultado. Pena que os outros grandes ganharam. Todos eles. Ingressamos assim na fase decisiva com problemas, enquanto Flamengo e Fluminense se firmam. Esses fatos podem valer como alerta, desde que os problemas sejam identificados e corrigidos a tempo.
Tudo ou nada - Agora o Vasco está em quarto lugar, com 30 pontos, junto com Madureira e Botafogo, e a dois pontos do líder Flamengo. Terá ainda dois jogos e terá que apostar em tropeços de concorrentes diretos para classificar-se às finais. Para essa fase deverá contar novamente com Martin Silva, mas estará atuando também na Copa do Brasil, pela qual deve estrear logo. Esta, aliás,  uma competição importante, pois pode levá-lo à Taça Libertadores. Se o objetivo parece ser o campeonato  brasileiro, porém, não parece haver dúvidas de que até lá a equipe esteja definida e entrosada. O plantel e as dúvidas  estarão dirimidas? Por enquanto as explicações giram em torno da reformulação geral. Mas até que ponto a  torcida entenderá?                               
O  Vasco vem de uma participação discreta no Brasileiro, conseguindo subir depois de altos e baixos. Os investimentos que estão sendo feitos agora visam recuperar a imagem do clube, aproximando-o de sua torcida. Esta corresponde, comparecendo aos estádios e incentivando. Por isso é tão importante que haja logo uma resposta. O campeonato carioca  oferece essa oportunidade. E é aí que reside sua importância: não tanto pelo título, mas pela confiança que será  resgatada. O título é estratégico, daí as apostas que estão sendo feitas. Mas os resultados, vale enfatizar, não podem tardar.
(*) – Carlos Fehlberg é jornalista. Foi, por anos, diretor de Zero Hora e do Diário Catarinense. Torce pelo Vasco desde os tempos do Expresso da Vitória.

 

 

  

 

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