Vasco

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domingo, 28 de maio de 2017

VASCO DAS CAPAS DE REVISTAS

 Ultimamente, sempre que um time é campeão, as editoras lançam "revista-pôster" sobre a campanha. Em tamanho grande, para o torcedor pendurar na parede, trazendo todos os números – datas, placares, gols marcados, sofridos, artilheiros e quantas bolas mandou à rede – e uma boa quantidade de fotos. Uma dessas foi esta aí, acima e à direita, em que Mauro Galvão beija a taça do maior título da história vascaína, o da Taça Libertadores 1998, conquistada durante a temporada em que o "Almirante" celebrava 100 anos de navegação pela história dos desportos. O colecionador que não comprou esta, há 19 anos, pode tentar em sites de raridades.     
Pelos mesmos sites, pode-se tentar encontrar esta revista "Manchete Esportiva" que traz um dos mais perigosos ataques armados pelos vascaínos. Em pé, da esquerda para a direita, Vavá e Valter Marciano. Agachados, na mesma ordem, Sabará , Livinho e o glorioso Pinga. Esta rapaziada excursionou à Europa, em 1957, sob o comando do treinador Martim Francisco, e conquistou o mais importante torneio promovido pelos franceses, vendendo ao espanhol Real Madri, na decisão, quando o time "merengue" era considerados o melhor do mundo. Mas não deu pra ele, naquele dia, em que o Vasco o colocou na roda, sem do e nem piedade. Em "O Globo Sportivo", quem ganhou capa foi o atacante Jansen, que ficou na história da Colina como o primeiro atleta da casa a marcar um gol em Jogos Olímpicos - em 1955.
 
                                                                                          

O DOMINGO É DIA DE MULHER BONITA - SABRINA, A ATRIZ QUE VIVEU UM DRAMA

   Maria Lúcia Marquesine do Amaral, atriz e modelo fotográfico que usava o “nome artístico” Sabrina, conheceu e não resistiu aos encantos de um sujeito que sempre tivera fascínio misterioso sobre as mulheres. Adorou os cuidados lhe dispensados. Uma dia, porém, o sujeito mudou de modos. Durante uma discussão, agrediu-lhe, com palavrões, agarrou-lhe, pelos ombros, sacudiu-lhe, violentamente, jogou-lhe sobre uma poltrona e ameaçou quebrar-lhe todos os ossos. Ela conseguiu escapar de sua fúria e foi a uma delegacia de polícia registrar queixa.
Sabrina era atriz e modelo fotográfico
 Para o delegado de plantão, tratava-se de mais uma  briga de namorados que, depois, iam lhe encher o saco. Ainda mais porque o denunciado, Rodolfo Burgos, não tinha nenhuma passagem policial. Só que Rodolfo Burgos não era o próprio, mas Ronaldo Guilherme de Souza Castro, aquele mesmo – em liberdade condicional –, condenado pela participação na tentativa de estupro que fizera Aída Curi atirar-se do 13º andar do Edifício Rio Nobre, na carioca Avenida Atlântica, em Copacabana, no 14 de julho de 1958.
 Sabrina namorava “Rodolfo” há poucos meses. Não se lembrava, mas ele dizia tê-la conhecido, onze anos antes, quando ela era secretária de um dos seus advogados. Não dava pra reconhecer Ronaldo, pois o “Rodolfo” este era mais gordo, barrigudinho, tinha penteado diferente e não usava os óculos escuros “de playboy” que ficaram famosos na época do crime – as novas lentes, contra miopia, eram mais claras e tinham graus aumentados.
 Devido à tranquilidade que seu namorado aparentava, Sabrina não ligou muito para o fato de ele ter uma arma. Ao indagar-lhe do motivo, ele contou-lhe ter dissuadido um amigo (general), de matar um rival (major), por causa de uma mulher. A recebera, de  presente, pela sua atitude. Como o major terminou assassinado, por um tiro no peito, Sabrina ficou apavorada, intuiu que o seu amor inventara aquela história, mas ficou na dela, quietinha.

MEMÓRIA -  Condenado a 37 anos de prisão, Ronaldo apelou para novo julgamento e, em março de 1959, o advogado Romeiro Neto conseguiu inocentá-lo do crime de homicídio, ficando condenado só por atentado violento ao puder e tentativa de estupro.
 Após cinco temporadas de bom comportamento no xadrez, o juiz João Claudino, da 20ª  Vara de Execuções Criminais  do Estado da Guanabara, concedeu-lhe liberdade condicional. Mas deveria arrumar emprego – passou um tempo comprando e vendendo automóveis importados – e comprová-lo à Justiça, a cada 60 dias, bem como comunicar eventuais mudanças de endereço residencial, não frequentar locais atentatórios à moral, aos bons costumes e a ordem pública, e não usar armas de fogo. No entanto, só cumpriu o combinado por pouco tempo – voltou às manchetes, visitando à cidade, a capixaba Vitória, sem avisar às autoridades cariocas.  
  Tempos depois, houve ainda um terceiro julgamento, por homicídio simples e tentativa de estupro, e condenação a seis anos de reclusão. O promotor Pedro Henrique Miranda recorreu e aumentou a pena, para oito anos e nove meses. Ronaldo cumpriu seu “mandato de cadeia” e voltou à liberdade.
O falso "Rodolfo" era o real Ronaldo
  Filho de família tradicional do Espírto Santo, ao sair da prisão, Ronaldo passou a viver em casa de tios, no Rio de Janeiro, sem gastar nada. A mesada – NCr$ 650 novos cruzeiros – lhe enviada pelo pai, era gasta em roupas, bebidas alcoólicas e jogos de cartas.            
Quando Sabrina registrou queixa e “Rodolfo” foi preso, em agosto de 1969, a polícia entrou em sua valise uma pistola e documentos falsos. A nova prisão, além de anotar porte ilegal de armas, incluiu ligação com grupos terroristas, chamados, então, por subversivos. Engrossava um currículo que, a partir dos seus 19 anos de idade, quando chegou ao Rio de Janeiro, listava, entre outros itens, ser devasso, integrante da juventude transviada de Copacabana, expulsão de colégio, prisão durante o serviço militar e acusação por roubos – Ronaldo voltava a atacar.
  A última notícia sobre ele dizia ter-se tornado empresário, em sua terra, casado-se e ser pai de uma menina.
FOTOS REPRODUZIDAS DA ANTIGA REVISTA 'FATOS & FOTOS'

       

 

sábado, 27 de maio de 2017

VASCO DA GAMA 3 X 2 FLUMINENSE

O "Almirante" viveu um sábado emocionante. Abriu o placar, levou virada dos tricolores, mas depois virou pra cima deles, como é a sua tradição de eterno "Tima da Virada". Foi a sua segunda vitória neste Brasileirão – a primeira, no domingo passado, teve  2 x 1 Bahia.
O terceiro gol de Luís Fabiano pelo Vasco foi o 401 de
sua carreira. Foto de www.crvascodagama.com.br
 
Luís Fabiano abriu o placar, aos 25 minutos da etapa inicial. A virada tricolor saiu em dois pênaltis, em um espaço de seis minutos do segundo tempo. Mas Manga, em grande lance, livrando-se de vários marcadores, empatou, coincidentemente, aos 25, para Nenê cravar a vitória, aos 48 minutos da etapa final.

FICHA TÉCNICA – 27.05.20177 (sábado) VASCO 3 X 2 FLUMINENSE : 3ª rodada do Campeonato Brasileiro. Juiz: Raphael Claus-SP. Público presente: 20.442. Pagantes: 19.082. Renda: R$700.560,00. Gols: Luís Fabiano, aos 25 min do  1º tempo;  Henrique Dourado, aos 13  e aos 19; Manga, aos 25, e Nenê, aos 48 min do 2º  tempo. VASCO: Martín Silva; Gilberto, Breno, Paulão e Henrique; Jean, Douglas, Yago Pikachu (Nenê), Mateus Vital e Kelvin (Manga); Luis Fabiano. Técnico: Milton Mendes. FFLUMINENSE: Diego Cavalieri; Lucas (Marcos), Nogueira, Henrique e Léo; Orejuela, Douglas (Marcos Junior), Wendel e Gustavo Scarpa (Marquinho); Richarlison e Henrique Dourado. Técnico: Abel Braga. 

HISTORI&LENDAS DA COLINA - CAPITÃO

1 - Augusto da Costa foi lateral-direito vascaíno e capitão da Seleção Brasileira na Copa do Mundo de 1950. Jogador da "Turma da Colina", entre 1945 e 1954, era um carioca, nascido em 22 de outubro de 1922. Em 20 jogos pelo time da então Confederação Brasileira de Desportos, obteve 14 vitórias, três empates e três derrotas. Campeão da Copa Rio Branco-1947 e do Campeonato Sul-Americano-1949, marcou um gol nessa sua "história selecional".
XERIFE NA DEFESA vascaína e policial na vida privada, mandava no seu time e no adversário. Mas não prendia a bola.

2 - Alfredo Eduardo Ribeiro Mena Barreto de Freitas Noronha: nascido em Porto Alegre-RS, em 25 de setembro de 1918. Vascaíno em 1942, trocou o Vasco, pelo São Paulo, e por aquele clube disputou a Copa do Mundo de 1950. Além dos 2 x 2 com a Iugoslávia, naquele Mundial, fez mais 15 outros jogos pela Seleção Brasileira, com 12 vitórias, 3 empates e 2 derrotas. Campeão das Copas Rio Branco-1947 e 1950, e do Campeonato Sul-Americano-1949.
NOME POMPOSO no tempo em que atleta de futebol era cidadão de segunda classe

3 - Em 31 de março de 1928, o Vasco enfrentou o uruguaio Montevidéu Wanderers, para inaugurar as arquibancadas atrás de uma das balizas e os refletores do seu estádio. Venceu, por 1 x 0, com um gol olímpico de Sant'Anna, no segundo tempo. Torcedores fanáticos dizem que foi o primeiro do mundo, naquela situação. Lenda! Pode ter sido o primeiro do Brasil, pois em 2 de outubro de 1924, em Argentina 2 x 1 Uruguai, o "hermano" Onzari já havia marcado o gol batizado por“ olímpico” – um sarro nos uruguaios que, em junho, haviam voltado da França com a medalha de ouro dos Jogos Olímpicos.

4 - Os vascaínos fanáticos dizem, também, que Vasco 1 x 0 Wanderers foi o primeiro jogo sob luz artificial no país. Outra lenda. A primazia é do Villa Izabel, que, em 1914, disputado dois jogos à noite, iluminados por faróis de bondes estacionados ao lado do muro de seu campo, no Jardim Zoológico do Rio de Janeiro. Mais: os gaúchos das cidade de Pelotas, em 25 de dezembro de 1915, promoveram um amistoso noturno, entre União x Brasil.

5 - Roberto Dinamite venceu Amadeu Pinto da Rocha, candidato de Eurico Miranda, em 2008, e tornou-se presidente do Vasco, encerrando fase de mais de 20 anos de domínio euriquistas. Foram 140 votos, contra 103 de Amadeu. Primeiro ex-atleta presidente do clube, Roberto assumiu o cargo em 1º de julho. “Joguei 20 anos no Vasco..... tem que ser uma equipe campeã, mas não só em campo. Também fora... Era a vontade dos torcedores de todo o Brasil... A vitória não é só minha. É conquista da nossa chapa, que representa de 10 a 20 milhões de torcedores”, discursou Roberto, após a vitória já clara antes de 1h da manhã, quando vencera a eleição para o Conselho Deliberativo, por 146 x 113.
DINAMITU O CORONEL e abriu uma nova era na Colina, valendo reeleição, em 2011
6 - O Vasco rasgava o caminho para o seu primeiro título de campeão carioca da Série A. Era o ano da sua estreia na elite. Em 8 de julho de 1923, cerca de 35 mil torcedores, pelos cálculos do jornal ”O Imparcial”, lotavam até a pista de atletismo do estádio das Laranjeiras, do Fluminense, para ver o primeiro “Jogo do Século”. O Flamengo abriu 2 x 0, no primeiro tempo. Ceci empatou, no início do segundo. Junqueira fez 3 x 1, e Arlindo o segundo da rapaziada. Depois, o Vasco igualou o placar. Mas o juiz Carlito Rocha, do Botafogo (na época, os árbitros eram pessoas dos cubes) anulou o gol, para o time líder não ser campeão invicto. Então, Flamengo 3 x 1, no apito. Valeu uma grande comemoração dos torcedores rivais, que fizeram uma tremenda passeata festiva, das Laranjeiras até a Lapa. Roubazaço!
7 - Os confrontos Vasco x Botafogo marcam três empates na data 22 de setembro: 2 x 2, em 1947; 1 x 1, em 1979, e 2 x 2, em 2010. Contra a Portuguesa-RJ, interessantemente, em 21 de março de 1973, uma quarta-feira, em São Januário, pelo primeiro turno do Campeonato Carioca (Taça Guanabara), os vascaínos mandaram 3 x 1. Em 21 de março de 1976, um domingo, no estádio Luso-Brasileiro, pela mesma disputa, o placar foi repetido. A “ZEBRA” É IGUAL a mulher de malandro. Gostou de apanhar na mesma data.
8 - Gols do juvenil Roberto Dinamite: 10 em 1970; 16 em 1971; 10 em 1972 e 10 em 1973. Ainda juvenil, marcou 3 em 1972, jogando pelo time profissional. Em 1973, ano em que assinou o primeiro contrato (maio), foram 23 tentos, 10 pelo Campeonato Carioca, 12 do Brasileiro e 4 de amistosos.
OS GOLEIROS JÁDESCONFIAVAM do que viria pela frente. (Roberto é o penúltimo agachado à direita. Foto reproduzida da Revista do Vasco).
9 - Em 1974, como Vasco campeão brasileiro, pela primeira vez, Roberto Dinamite totalizou 39 gols na temporada, sendo 20 no Brasileiro, 18 pelo Carioca e um amistosamente. Em 1975, subiu a sua marca para 49: Brasileiro 14; Carioca14; Taça Guanabara (era uma disputa à parte) 12; Taça Libertadores 3 e mais 6 em amistosos. Em 1976, 40 bolas no barbante, sendo 14 do Brasileiro; 5 do Carioca; 10 da Taça Guanabara e 11 em amistoso. Em 1977, 44 choros de goleiros, sendo 7 do Brasileirão; 9 do Carioca; 16 da Taça GB e 12 de 12 amistosos. Em 1978, mais 44: 14 no Nacional; 19no Carioca e 11 em amistosos. 1979, aumento, para 54: 10 do Brasileiro; 13 do Carioca; 15 da Taça Guanabara; 5 no Carioca Especial e 11 em amistosos.
ONDE HOUVESSE REDE, o Dinamite as explodia.

10 - Gols de Roberto Dinamite nos Campeonatos Brasileiros da década de 1980: 1980 (8); 1981 (14); 1982 (12); 1983 (9); 1984 (16); 1985 (16); 1986 (5);1987 (6); 1988 (3); 1989 (9). Gols de Roberto Dinamite pelo Vasco: Total: 708, pela, pela temporada principal do Rio de Janeiro em 1977, 1982, 1987, 1988 e 1992; Taça Guanabara de 1976, 1977, 1986, 1987, 1990 e 1992; Taça Rio de 1975, 1977, 1980, 1981, 1984 e 1988; Copa Rio de 1984, 1988, 1992. Artilharias de Roberto Dinamite – Estadual-RJ de 1978 (19 gols); 1981 (31) e 1985 (12). E o maior goleador dos regionais do RJ, com 279 gols. Também, o principal da história de São Januário com 184 balanços de redes. Seu último gol vascaíno foi em Vasco 1 a 0 Goytacaz, pelo Estadual, em 26 de outubro de 1992, São Januário. Pela Seleção Brasileira, Roberto Dinamite fez 26 gols. Além disso, marcou para o Barcelona-ESP ( 3); Portuguesa de Desportos (11); Rio Negro-AM (2; Seleção Brasileira de Masters (2), pela Copa Pelé; Despedida do Júnior (2), em um amistoso na Itália. Total:754.
NO MÊS 10, o camisa 10 cruzmaltino parou de cruzmaltinar as redes.

sexta-feira, 26 de maio de 2017

KIKE EDITORIAL, OU O VENENO DO ESCORPIÃO - BARREIRAS, 115 ANOS

Em 1825, quando a primeira barca – “Babau” – parou pela Bahia Oeste, encontrou um porto deserto, no Rio Grande – afluente da margem esquerda do Rio São Francisco. Passados 22 anos, chegou por lá  o vapor “Amaro Cavalcante”. Três anos depois, já havia o casebre do pescador Plácido Barbosa. Mais 30? Anotava-se 20 moradias. E rolado mais 11? Quem apareceu no 20 de fevereiro daquele 1891 participou das comemorações pela elevação do pedaço a Distrito de Paz do atual município de Angical. Dois meses mais tarde, mais festas. Em 6 de abril, o ato estadual nº 237, de 6 de abril do mesmo 1891, promoveu a localidade a vila independente.
Reprodução de www.editoracerrado.com.br Agradecimento
 Barreiras tornou-se sede de comarca, pela lei  estadual nº 280, com o nome Ribeira e tendo por marco de instalação 1º de novembro de 1889. Rompendo mais três temporadas políticas, em 26 de maio de 1902, atingiu a categoria de cidade, pela lei estadual nº 449. Mas o festão de investidura  ao novo status só se deu varando seis meses, em 15 de novembro, quando a Filarmônica União e Jacaré tocou, fortíssimo, no sentimento de sua gente.

 DURANTE MUITO TEMPO, Barreiras apagou velinhas na data errada. Confundiram a sua independência polítca com  mudança de categoria. Sem problemas! O progresso, paulatinamente, foi chegando. Em 1916, surgiu “Rio Grande”, o primeiro jornal; em 1918, luz elétrica, serviço postal e o segundo jornal, “A Cidade”; em 1920, era o cinema que chegava, pela tela do Cine Ideal; 1821 marcou a criação do Ipiranga, o primeiroa clube de futebol, seguido por São João, Vitória, Bonsucesso, Barreiras, Comercial e etc; 1925, trouxe uma escola agrícola e a igreja matriz, dedicada a São João; em 1927, o primeir grupo escolar, homenageando o Juiz de Direito da Comarca, o doutor Costa Borges. E, em 1949, um dos mais famosos educandários do oeste baiano, o Ginásio Padre Vieira. E mais e mais foi acontecendo.
Lana Turner, em foto do álbum
de José Nunes da Mata

NO PERÍODO EM QUE o mundo viveu o seu maior conflito inerncional, entre 1939 e 1945, Barreiras teve um aeroporto operado por militares dos Estados Unidos e que tornou-se um importante ponto de ligação do Brasil-Norte-Sul.
 Em tempos da “Aliança para o Progresso”, era comum descer dos antigos aviões Douglas que pousavam na cidade, com destino ao Rio de Janeiro, gente como o ator Cesar Romero e a 'deusa' (a foto não deixa mentir) Lana Turner.
 Dizem que foi em Barreiras que surgiu o termo “forró”. Os militares do “Tio Sam”, quando liberados a programarem eventos, convidavam o povo da cidade e diziam que seria um encontro “for all” – para todos. E rolava a festa. E muitos namoros. Por sinal, muitas moças barreirenses acharam que a Segunda Guerra Mundial acabou na hora errada. Logo quando elas estavam perto de serem pedidas em casamento.      
É assim que rola a história de uma das mais progressistas cidades do interior brasileiro. Barreiras já é o 12º produtor nacional de soja, atividade que turbinou a sua economia, deixando-lhe com mais 160 mil almas vivendo em seu perímetro urbano. Por lá, já se entra lojas, supermercados e hotéis que nada ficam a dever casas do ramo instaladas por Brasília, Goiânia, ou qualquer outra cidade do Centro-Oeste.
 
Antônio Balbino, em foto
do álbum de
José Nunes da Mata
  BARREIRAS JÁ OFERECEU um governador à Bahia, Antônio na Câmara, o deputado federal Tarcilo Vieira de Melo, em 1955, durante o mandato do presidente Juscelino Kubitscheck. Também, um dos maiores líderes empresariais da primeria metade do século passado, Geraldo Rocha, criador de jornais e revistas no Rio de Janeiro – A Noite e Noite Ilustrada, por exemplo – e da Rádio Nacional, que lhe foi confiscada pelo presidente Getúlio Vargas que, por sinal, tempos depois, visitou os barreirenses, como também o fez o seu sucessor Eurico Gaspar Dutra.
  Barreiras tem, também, o sorriso de suas morenas – donas de sotaque vagaroso –, dentro de biquines moderninhos, exalando alegria pelas águas do Rio de Ondas. De quebra, pra esquentar a alma, uma pinguinha 100sacional! Confira!       

       

VASCO DAS PÁGINAS - DUQUE/JORGE

Jorge Vieira (D) e David Ferreira, o Duque, foram dois treinadores que passaram por São Januário, na década-1960,quando a "Turma da Colina" vivia a entressafra dos grandes times e da seca de títulos estaduais.
Duque (E) e Jorge fizeram dupla no Olaria-1961
Carioca, nascido em 18 de julho de 1934 – viveu até 25 de julho de 2012 –, Jorge Silva Vieira, passou pela Colina durante as temporadas de 1962/1963. Na primeira, ficou em quarto lugar no Campeonato Carioca, com quatro pontos atrás do campeão Botafogo. Somou 35 pontos, em 24 compromissos, com 15 vitórias, cinco empates e quatro quedas. Seu ataque marcou 51 vezes e a sua defesa deixou passar 19 bolas – saldo de 32 tentos.
 Em 1963, Jorge não conseguiu terminar a disputa. Um gol, faltando 12 minutos para o final da partida, em São Januário, fez o Vasco cair, ante o São Cristóvão, por 1 x 0, custando-lhe um pedido de demissão, prontamente aceito pelo vice-presidente de futebol, Jaime Soares Alves. No inicio do ano, ele havia conquistado o Torneio Pentagonal do México. David Ferreira, nascido em Belo Horizonte, em 15 de maio de 1926, foi zagueiro vascaíno, entre 1953/1954. Como treinador, esteve pela Colina em 1964, após ter sido auxiliar-técnico de Jorge Vieira, em 1961, no Olaria.

HISTORI&LENDAS DA COLINA - ROUBO

1 - Torcedores da década-1960, costumavam contar que Mário Vianna levara o volante Maranhão, para o Flamengo, e o Vasco o “roubara” da Gávea. Não foi bem assim. Ao ver o baixinho atuando pela seleção maranhense, o ex-árbitro o indicou aos rubro-negros, é verdade.  No entanto, um amigo da família do atleta, chamado Joaquim Pereira, arrumou uma passagem, com a Força Aérea Brasileira, mandou buscá-lo e o levou para São Januário, o entregando a Hílton Santos. Isso pelo final de 1958. Maranhão era tão mirrado, que o cara achou que ele fosse infanto-juvenil. Logo, subiu ao time juvenil. Em 1961, já profissional, tornou-se titular a partir do returno do Campeonato Carioca-1962. Foi bicampeão de aspirantes e da Taça Guanabara de 1965.
CHEGOU AO VASCO, ACHANDO que estivesse no Flamengo. Errou o clube e acertou no destino.

2 - Alcir Portella foi o quarto atleta que mais vestiu a camisa do time de futebol vascaíno: 511 vezes jogos, de 1963 e 1975. Glória máxima: o título de campeão brasileiro, em 1974, como capitão da equipe, posto ocupado por 10 anos. Mesmo sendo um volante, função que obriga a fazer faltas, jamais foi expulso de campo, o que valeu-lhe o Prêmio Belfort Duarte. Após encerrar a carreira de atleta, Alcir foi contatado como empregado do Vasco, tendo sido auxiliar técnico e treinador. Assim, participou das campanhas dos títulos dos Brasileiros de 1974, 1989, 1997 e de 2000, a primeira como jogador e as outras três como auxiliar. O único. Viveu durante 64 anos.
CRUZMALTINO EM TEMPO INTEGRAL. No mínimo, é o que se pode escrever sobre Alcir Portella.

3 - O atacante Valdemar, supercampeão carioca, em 1958, quando estava no Olaria, não se conformava em ter sido barrado, com a chegada de Lorico, um meia revelado pelo amador Esporte Clube Senador Feijó, de Santos-SP, que o Vasco buscara na Portuguesa Santista. Profissional desde 1949, quando chegou à Seleção Paulista de Novos. Lorico estreou no Vasco contra o Real Madrid, que era considerado o melhor time do mundo. Além de Valdemar, dois outros campeões que saíram da Colina aborrecidos com os cartolas foram Sabará e Bellini.
UM TRIO DE EX-CRUZMALTINOS que pareciam não saber como eram as curvas do caminho da bola. Um dos maiores ídolos tricolores, Telê Santana, deixou o Fluminense na mesma situação. Depois de passar pelo Guarani de Campinas e o Madureira, encerrou a carreira pelo Vasco. Feliz da vida! 

4 - O torcedor vascaíno gaba-se de que seu time mandou 3 x 0 no Santos, contando com o bicampeão mundial Pelé (04.04.1965), no Maracanã, pelo Torneio Rio-São Paulo. Realmente, aconteceu. Mas o "Peixe" estava sem cinco titulares, o goleiro Gilmar, o zagueiro Mauro, o volante Zito, o centroavante Coutinho e o ponta-esqaureda Pepe. Treinado por Lula, jogou com: Laércio; Modesto, Geraldino, Ismael (Olavo); Joel e Elizeu (Rossi); Dorval, Mengálvio, Toninho, Pelé e Noriva (Peixinho). O púbilco foi de 42.250. Luisinho e Mario “Tilico” marcaram os gols do time vascaíno, que era comandado por Zezé Moreira, e foi: Gainete; Joel, Brito, Fontana e Barbosinha; Maranhão e Lorico (Oldair); Luizinho, Célio, Saulzinho (Mário) e Zezinho.
GANHAR DE PELÉ, por 3 x 0, naquele tempo, era difícil de acreditar. Uma vitória lendária.

5 - Edvaldo Izídio Neto, o Vavá, representou o Vasco no Mundial-1958, na Suécia, e voltou como o “Leão da Copa”. Nascido em 12.11.1934, em Recife, viveu até 19.10.2002. Foi vascaíno entre 1951/1958, tendo sido buscado no Sport Recife, onde jogou em 1949/1950. Da Colina, foi para o espanhol Atlético de Madrid, ficando nele entre 1958/1961. Foi repatriado pelo Palmeiras (61/1963) e o primeiro brasileiro atuando no exterior a ser convocado para a Seleção Brasileira. Pela Seleção Brasileira, foi a duas Copas do Mundo, fazendo 10 jogos, em 8 vitórias, 2 empates e 9 gols marcados. Totalizou 23 partidas, somando 19 vitórias, 3 empates e só derrota, em um total de 14 tentos. Desses compromissos, 20 foram contra seleções nacionais, rendendo 16 vitórias, 3 empates e uma derrota. Diante de clubes e combinados fez 3 apresentações, vencendo todas. Vavá defendeu, ainda a seleção brasileira olímpica, com 2 jogos, 2 vitórias e um gol. Levou os títulos das Copas do Mundo de 1958/1962 e das Taças Oswaldo Cruz-1955/1958/1962.
SEGURAMENTE, este é um currículo que se pode chamar de leonino.

6 - Niginho era um dos quatro Fantoni revelados pelo futebol mineiro, além dos irmãos Ninão e Orlando, também centroavantes, e o primo-irmão Nininho, lateral esquerdo. Os quatro começaram no Palestra (atual Cruzeiro), e emigraram um por um para a Itália, onde alcançaram sucesso nas décadas de 1920 e 1930, jogando pelo Lazio. Na Itália passaram a ser conhecidos como Fantoni I (Nininho), Fantoni II (Ninão), Fantoni III (Niginho) e Fantoni IV (Orlando). Orlando Fantoni, inclusive, também teve passagens pelo Vasco, tanto como jogador quanto como técnico.

7 - Ídolo do Lazio, Niginho foi expulso da Itália, por se recusar a participar da guerra fascista contra a Abissínia em 1936. De volta ao Brasil, foi contratado pelo Vasco. Foi artilheiro do campeonato carioca de 1937 e reserva de Leônidas na seleção que disputou a Copa do Mundo de 1938 na França. Por ocasião da partida semifinal, por ironia contra a Itália, Leônidas não podia jogar e a Federação Italiana, com o referendo de Mussolini, vetou a escalação de Niginho. A FIFA covardemente acatou a ordem e tirou do jogador a chance de participar da competição.

quinta-feira, 25 de maio de 2017

60 ANOS DE ALMIR CRUZMALTINO


Reprodução de Revista do Esporte
 O Vasco vinha fazendo campanha irregular no Torneio Rio-São Paulo-1957 – 3 x 2 Botafogo; 1 x 1 Palmeiras; 1 x 0 Flamengo; 0 x 3 São Paulo; 5 x 2 Portuguesa e 0 x 2 Fluminense. Diante do América-RJ, quando  perdera dois jogadores, o treinador Martim Francisco recorreu a um garoto pernambucano que ainda tinha idade de juvenil. E, em 23 de maio daquele 1957, no segundo tempo lançou Almir Albuquerque de Morais, na vaga de Lierte, que já havia substituído Sabará. Diante de 6.825 pagantes e de 2.989 caronas, totalizando 9.814 almas, Almir estreou, ajudando o Vasco a vencer, por 3 x 0.
No jogo seguinte – Vasco 1 x 2 Corinthians – a irregularidade persistiu, mas Almir não jogou. Entrou no último compromisso do torneio – 01.06 - Vasco 3 x 2 Santos, na Vila Belmiro, a casa do “Peixe”. Daquela vez, Almir substituiu Sabará e o Santos trocou Del Vecchio por um outro garoto, Pelé, que prometia muito e até marcara um gol –  estava escrito que dois craques estavam surgindo.   
 
FICHAS DOS DOIS PRIMEIROS JOGOS OFICIAIS

25.03.1957 ´-Vasco 3 x 0 América. Torneio Rio-São Paulo. Estádio: Maracanã-RJ. Renda: 160.100,00. Publico: 6.825 pagantes e 2.989 não pagantes. Total: 9.814 presentes. Juiz: Frederico Lopes. Gols: Laerte, Livinho e Vavá. VASCO: Carlos Alberto Cavalheiro, Paulinho de Almeida, Bellini e Ortunho (Dario); Orlando Peçanha e Laerte; Sabará (Lierte/Almir), Livinho, Vavá, Valter e Pinga.
Técnico: Martin Francisco.

01.06.1957 – Vasco 3 x 2 Santos. Torneio Rio-São Paulo. Estádio: Urbano Calderia (Vila Belmiro), em Santos. Renda: 342.900,00. Juiz: Paulo Simões. Gols: Tite, Pelé (San), Valter Marciano, Livinho e Vavá (Vsc). VASCO: Carlos Alberto Cavalheiro, Paulinho e Bellini; Dario, Orlando e Laerte; Sabará (Almir), Livinho, Vavá (Wilson Moreira), Valter Marciano e Pinga (Roberto). Técnico: Martim Francisco. SANTOS: Manga, Getúlio e Mourão; Fioti, Brauner e Urubatão (Zito); Dorval, Álvaro, Pagão, Del Vecchio (Pelé) e Tite (Pepe).Técnico: Luís Alonso Peres, o  Lula.
 
Reprodução da revista Grandes Clubes
 ANO DOURADO – No início de 1958, o Vasco excursionou ao exterior, disputando doze amistosos, entre América Central, Estados Unidos e Europa. No penúltimo, em Moscou, Almir marcou um gol, diante do Dínamo Kiev. Foi um giro muito cansativo, mas  em que Almir pôde ver em ação jogadores que contribuíram para o seu futuro, exibindo-lhe experiência com as camisas de clubes tradicionais, como os espanhóis, Real Madrid, Atletic Bilbao, Valencia, Barcelona, Espanyol, o português Benfica e o soviético Dínamo Moscou, em nove vitórias vascaínas e três derrotas. De volta ao Brasil, Almir ajudou o Vasco conquistar o Torneio Rio-São Paulo, o seu primeiro título com a camisa cruzmaltina, atuando nos nove jogos – 2 x 4 Palmeiras;  3 x 1 Corinthians; 3 x 2 São Paulo;  6 x 1 Fluminense; 1 x 0 América; 1 x 0 Santos; 4 x 2 Botafogo; 1 x 1 Flamengo e 5 x 1 Portuguesa de Desportos.
 
CRUZMALTINO -  Havia um empresário, em Recife, um tal de Cier Barbosa, que tinha por “esporte predileto” indicar, ao Vasco da Gama, craques revelados pelo Sport Club do Recife, que já dera Ademir Menezes à “Turma da Colina”, mas sem ele nada ter a ver com a transação. Mas presenteou os cruzmaltinos com dois grandes “matadores”, Vavá – Edvaldo Izídio Neto – e  Almir Morais de Albuquerque. 
Almir aconteceu muito rápido em São Januário. Até poderia ter disputado a Copa do Mundo-58. Fora convocado para os treinamentos, depois dispensado do grupo, mas esteve perto de voltar a integrá-lo, quando a comissão técnica vivia a dúvida de manter, ou dispensar, o contundido garoto Pelé.
Cracaço do time do Vasco, que o recebera, aos 19 anos de idade, com cara de garotão – nasceu, em 28 de outubro de 1937 – Almir foi integrado ao time juvenil vascaíno, demorando-se pouco nele, para sagrar-se, no dourado 1958,  “super-super-campeão carioca” e do Torneio Rio-São Paulo, jogando barbaridades.
Com Valdemar e Pinga, na reprodução de foto da Manchete Esportiva
colorizada por  www.netvasco.com.br
Em 1960, o Corinthians, que não era campeão paulista, desde 1954, chorava o sucesso do Santos, principalmente, por ter a maior torcida do seu estado e não contar com um craque como Pelé. Então, abriu o cofre e levou Almir, por uma  fortuna. Ele não queria ir embora e nem ser o “Pelé Branco” , como lhe chamaram os corintianos, cansados de assistir às diabruras do camisa 10 santista diante deles.
 
Por capricho do futebol, Almir, durante as suas duas temporadas corintianas – 29 jogos, 13 vitórias, 7 empates, 9 derrotas e 5 gols, entre 1960 e 1961 – , jamais enfrentou Pelé. Isso só aconteceu quando ele era um vascaíno. E ganhou o duelo, por 1 x 0, marcando o tento da vitória, em 22 de março de 1958, no Maracanã, pelo Torneio Roberto Gomes Pedrosa, também chamado de Rio-São Paulo. O gol saiu aos 67 minutos, ou aos 22 do segundo tempo do prélio apitado por João Etzel Filho, da Federação Paulista de Futebol, com a refrega levando 37.455 almas ao estádio, das quais 32.978 foram pagantes e 4.477 caronas.

Almir, o “Pelé Branco” venceu o  “Pelé Preto” integrando esta patota: Hélio, Paulinho de Almeida e Bellini (Viana); Écio, Orlando e Coronel; Sabará, Almir, Vavá, Rubens (Roberto) e Quincas (Wilson Moreira). Técnico: Francisco de Souza Ferreira, o Gradim. O Santos teve: Manga, Fiotti, Ramiro e Dalmo; Urubatão e Zito; Dorval, Jair da Rosa Pinto (Guerra), Pagão (Afonsinho), Pelé e Pepe. Técnico: Lula.
Aqueles jogos do Torneio Rio-São Paulo es “SS-RJ” da mesma temporada-1958, foram os dois grandes momentos de Almir no Vasco da Gama. Durante a disputa interestadual, ficou muito marcada, principalmente, a sua atuação nos 5 x 1 Portuguesa de Desportos –  06.04 – no Pacaembu, em São Paulo, quando ele fez três dos cinco gols que garantiram o título ao “Almirante” – antes, havia batido na rede em: 01.03 – Vasco 2 x 4 Palmeiras (1 gol); 08.03 – 3 x 2 São Paulo (1); 13.03 – 6 x 1 Fluminense (1); 22.03 – 1 x 0 Santos (1); 26.03 – 4 x 2 Botafogo (1).
 
TROCA DA COLINA PELO PARQUE -  Por Cr$ 3,5 milhões de cruzeiros e um automóvel, por dois anos de contrato,  Almir deixou São Januário e levou o seu aguerrido futebol para o Corinthians, em 1960. Bom para os dois lados? Financeiramente, sim, para os cartolas; sentimentalmente, não, para o atleta.

Mesmo faturando Cr$ 30 mil mensais – entre salários, gratificações e prestações das luvas, tiraria perto de Cr$ 200 mil mensais, valores que faziam daquele um dos maiores contratos do futebol brasileiro –, o jogador preferia continuar cruzmaltino, por sentir-se muito bem como um grande ídolo das torcida. Por isso,  dificultou o negócio. O que o deixou mais magoado foi saber que um dirigente vascaíno  teria dito não haver mais ambiente para ele no Vasco. Aquilo levou-o a uma crise de nervos.
Almir abraça os ex-companheiros Miguel e Pinga.
 
Para encerrar a queda-de-braço entre Almir e o clube carioca, o presidente do clube paulistano, Vicente Matheus, topou pagar Cr$ 6, 5 milhões de cruzeiros, à vista; acertou um amistoso, em 5 de abril, com renda dividida, no Pacaembu, e ceder a sua parte na renda do jogo Vasco x Corinthians, em 16 de abril de 1960, na capital paulista, pelo Torneio Rio-São Paulo, a grande disputa da época. Com isso, os cofres da Colina deveriam receber cerca de Cr$ 8 milhões. Um dinheiraço! O maior negócio do futebol brasileiro. Segundo falava, com a grana saindo do bolso de Matheus.
 
DO LADO DE LÁ – Almir havia disputado a sua última partida com a jaqueta curzmaltina em 16 de janeiro daquele 1960, no amistoso em que a “Turma da Colina” goleara o Atlético-MG, por 6 x 3, no Estádio Independência, em Belo Horizonte. Marcou dois gols, aos 9 e aos 50 minutos – Delém, aos 16, aos 46 e aos 49, além de Cabrita, aos 77 minutos, fizeram os demais – e foi substituído, no segundo tempo.
O último Almir vascaíno entrou nesta formação escalada pelo treinador Dorival Knipel, o Yustrich: Barbosa (Ita); Paulinho de Almeida, Bellini (Viana), Orlando Peçanha e Coronel; Barbosinha e Roberto Pinto (Waldemar); Teotônio (Wanderley), Almir (Cabrita), Delém e Roberto Peniche (Dominguinhos) – Ernani, aos 36 do 1º e aos  88, e William, aos 27 minutos, marcaram para o “Galo”. 

O que Almir não desejava, aconteceu na noite da terça-feira 5 de abril de 1960, no Pacaembu. Ele estreou como corintiano diante do Vasco, e abriu o placar, aos 6 minutos, para a partida terminar  em “Timão” 3 x 0. A renda? Cr$ 1 milhão, 76 mil e 900 cruzeiros, quase igual à de 11 dias depois, no mesmo estádio, quando o placar ficou no 1 x 1 e as bilheterias da casa arrecadaram Cr$ 1 milhão, 75 mil e 900 cruzeiros. 

O "PERNAMBUQUINHO" DO OUTRO LADO DO BALCÃO
Com Orlando e Gilmar
O primeiro Vasco contra Almir foi escalado pelo técnico argentino Filpo Nuñes com: Miguel; Paulinho de Almeida (Dario) e Bellini; Écio (Russo), Orlando (Barbosinha) e Coronel; Sabará, Pinga (Pacoti), Teotônio, Roberto Pinto (Valdemar)  e Roberto Peniche. A nova turma do “Pernambuquinho”, treinada por Alfredo Ramos,  era: Gilmar (Cabeção); Egídio, Olavo (Marcos) e Ari Clemente; Benedito (Sidnei) e Oreco; Lanzoninho, Almir (Luizinho), Higino (Bataglia), Rafael e Evanir.   
 No jogo oficial, pelo Rio-São Paulo, Almir não encarou o Vasco, Que teve seu tento marcado por Delém, igualando o placar, aos 56 minutos. O time armado, pelo mesmo Filpo Nuñes, teve: Barbosa; Paulinho de Almeida, Bellini e Coronel; Écio e Orlando Peçanha; Sabará, Roberto Pinto, Delém, Pinga e Roberto Peniche. 
 
MARCADO -  Capa do Nº 30 da “Revista do Esporte” datada de 3 de outubro de 1959, Almir começou a ficar marcado pelas torcidas adversárias do Vasco, devido as confusões em que se envolvia. A pior delas rolou, em 9 de agosto daquele 59, pelo Campeanto Carioca, quando ele disputou um lance e deixou o lateral-esquerdo Hélio, do América, com uma das pernas fraturadas. Xingado pela torcida americana, Almir jurou à “RE” que não tivera a intenção de encerar a carreira do colega de profosissão. “Nunca...tive o espírito de carrasco”, garantiu. Disse mais:” Os gritos de ‘assassino’ que me dirigiram...foram como...setas me perfurando todo o corpo”.

Suspenso, pelo Tribunal de Justiça da Federação Carioca de Futebol, o “Pernambuquinho” – seu apelido – viu no castigo até uma ajuda. Segundo avaliou, poderia não render mais nada para o ataque vascaíno, caso saísse impune do acontecido, devido a tensão que passara a viver. Para ele, os que o atacaram poderiam raciocinar melhor e concluir que, sendo tão jovem, ele não poderia seria burro ao ponto de liquidar a sua carreira em apenas um jogo.  Almir disse, ainda, à revista que o lateral Hélio era um dos seus “melhores amigos” no time do América e que vinha rezando pelo seu restabelecimento, pois não compreendia aquele “incidente”.  E prometeu mostrar a sua classe, “sem precisar usar da deslealdade, já que todos me julgam um carrasco, coisa que nunca fui”, garantiu.
Nesse jogo em que Almir virou “bandidão”, o Vasco caiu,  por 1 x 3, diante de 59.317 pagantes, e ele marcou o chamado “gol de honra” cruzmaltino. O juiz Cláudio Magalhães  e a “Turma da Colina” do dia era dirigida pelo treiandor Francisco de Sousa Ferreira, o Gradim, queescalou: Barbosa, Paulinho de Almeida, Bellini e Orlando; Écio e Coronel; Sabará, Almir, Roberto Pinto, Rubens e Pinga.  
 
O CARA - Almir era visto como um jogador encrenqueiro. Muitos cobravam do treinador Gradim (Francisco de Souza Ferreira) dar um jeito no seu pupilo. Mas o comandante do time vascaíno discordava de quem via um moleque em lugar de um homem. E dizia não admitir brincar coma personalidade de seus atletas. Preferia um Almir bravo,  valente, “que entra no fogo com o maior desprendimento, só cuidando do Vasco”, do que um Almir apático, sem vontade de lutar e sem alma, como falou à revista “Manchete Esportiva” de Nº 126, de 19de abril de 1958.
 Gradim via Almir como um jogador que precedia, em campo, como homem que não aceitava, impassível, um insulto, uma agressão. E apontava-lhe uma grande virtude: não ser mascarado (termo da época para pessoa antipática). Acreditava que o pernambucano, quando tivesse mais experiência, poderia ser tão grande o quanto fora o Leônidas da Silva do Campeonato Sul-Americano de 1932. 
 
 
 

HISTORI&LENDAS DA COLINA - REMOU

1 - Para começar a disputar as provas do remo carioca, o Vasco comprou três barcos: Zoca, canoa de 4 remos; Vaidosa, baleeira de 4 remos, e Volúvel, baleeira de 6 remos. Todas eram de cedro e ficavam guardadas num barracão na Ilha das Moças. A estrEia oficial em competições foi em 13.11.1898. A primeira vitória foi em 4.6.1899, com Volúvel e equipe formada por 7 remadores (Adriano Vieira (patrão), José Freitas, José Cunha, José Pereira, Joaquim Campos, Antônio Frazão e Carlos Rodrigues).COM CANOAS DE CEDRO, o Vasco foi madeira de dar em doido. O barraco que guardava Vaidosa, Volúvel e Zoca ficava na Ilha das Moças.
 
 
2 - O tiro foi a segunda modalidade praticada pelos vascaínos. A partir da década de 1910, ao clube conquistou-se vários títulos. O remo foi tri em 1912, 1913 e 1914, após o bi de 1905/1906. Depois, venceu o Campeonato Carioca de 1919. O futebol chegou em 26.11.1915, após a fusão com o Lusitânia FC. Para se filiar à Liga Metropolitana de Sports Athléticos, o clube promoveu uma coleta entre seus associados para juntar os 500 mil-réis necessários à inscrição.
O BACALHAU era chegado em uma vaquinha.

3 - O primeiro jogo de futebol do Vasco, na Terceira Divisão, foi em 03.06.1916, derrotado, por 10 x 1, pelo Paladino FC. Adão Antônio Brandão marcou o 1º gol. A primeira vitória aconteceu em 29.10.1916, por 2 x 1 sobre a Associação Atlética River São Bento, ainda pela Terceirona.
DAQUELA VEZ, ADÃO não marcou o gol com uma costela.

4 - - O lateral-direito Augusto da Costa foi o capitão da Seleção Brasileira na Copa do Mundo-1950. Vascaíno, entre 1945/1954, era carioca, nascido em 22 de outubro de 1922. Em 20 jogos pelo selecionado, obteve 14 vitórias, três empates e três derrotas, tendo sido campeão da Copa Rio Branco-1947 e do Campeonato Sul-Americano-1949. Marcou só um gol nessa sua história selecional.
UM CAPITÃO MUITO ECONÔMICO NOS GASTOS COM AS REDES.

5 - 24 de março de 1931 - O Vasco encarou o uruguaio Sudamérica, amistosamente, em São Januário, com dois árbitros. Começou com Jorge Marinho, ligado ao Fluminense, e terminou com Carlos Scapinachis, atleta e jornalista no Uruguai. Na época, o futebol uruguaio, campeão da primeira Copa do Mundo-1930, e da Olimpíada-1928, era fortíssimo. Até clube sem expressão, como o Sudamérica, que não era da primeira divisão, despertava a atenção dos brasileiros. Reforçado por atletas de Wanderers, Olympia Club, Peñarol e Nacional, aquela galera veio excursionar ao Brasil. O Vasco mandou-lhe 4 x 2, com gols de Mattos (2) e Paes (2), jogando com: Jaguaré, Brilhante e Itália; Tinoco, Fausto e Molla (Nevi); Bahianinho, Paes, Waldemar, Mattos e Sant’Anna.
NOME DO FILME: DOIS APITOS E SEIS GRITOS (DE GOL).

6 - Em 1993, o Vasco foi indiscutível durante a campanha do título da Taça Rio. Nas finais, mandou 2 x 0 e 2 x 1, além de um 0 x 0, com no Fluminense. Foram 16 vitórias, cinco empates e quatro quedas, marcando 47 gols e sofrendo 19. A “Turma da Colina” ainda teve o artilheiro, Valdir, com 19 bolas nas redes.
VALDIR 'BIGODE" FEZ CABELO E BARBA, EM DUAS SESSÕES SEGUIDAS.

7 - 13 de junho de 1976 – O Vasco decidia a Taça Guanabara, com o Flamengo, e a carregou, na decisão por pênaltis, com Zico e Geraldo batendo, para Mazaropi defender. Era dia de Santo Antônio, português nascido em Lisboa. Em um outro jogo, o Vasco perdia, do Fluminense, por 2 X 1. No segundo tempo, Toninho entrou, com a camisa 13, e empatou: 2 x 2.
NA COLINA, rolavam milagres diferentes. SANTO ANTÔNIO não era só casamenteiro.

8  -  O Vasco era favorito absoluto para eliminar o “freguês” Bonsucesso do Torneio Início do Campeonato Carioca de 1934, na tarde de 25 de março. Favoritismo mais do que lógico, pois tinha mais time e a vantagem de oito vitórias, um empate e só duas escorregadas, a partir de 30 de novembro de 1924, no duelo com os rubro-anis. E rolou a bola. Assim que o juiz Jorge Marinho apitou, a torcida cruzmaltina concentrou-se na expectativa dos gols de Leônidas e de Russinho, os seus mais temíveis “matadores”s. Mas quem chegou à rede foi Miro. E o “Bonsuça” foi o classificado, às custas de jogadores com os apelidos de Cozinheiro, Alfinete, e Rebolo. Já o Vasco pisou na bola com: Quarenta; Oswaldo e Itália; Lino, Jucá e Gringo; Eloy, Leônidas, Quarenta, Russinho e Nena.

9 - 6 de janeiro de 1963 - O Vasco iniciou excursão pelo continente americano, goleando o Alajuelense, da Costa Rica, por 4 x 0. Quatro dias depois, iniciava a disputa do Torneio Pentagonal do México, batendo América da capital mexicana, por 1 x 0. Passados mais sete dias, goleou o El Oro, por 5 x 0. Veio, então, o jogo do dia 20, contra o Guadalajara. Este abriu o placar e, lá pelas tantas, o atacante Reyes atingiu, sem bola, o lateral-direito Joel, pelas costas. Recebeu o revide. O árbitro, no entanto, expulsou de campo somente o jogador vascaíno. Brito reclamou e, também, foi excluído da partida. Além disso, o apitador chamou a polícia para retirar os dois punidos do gramado, o que gerou várias interrupções da pugna. Quando nada, o Vasco empatou depois de tanto rebu: 1 x 1. Mas, por causa das baixarias, a imprensa mexicana criticou, fortemente, a “Turma da Colina”, e a Federação Mexicana de Futebol aplicou-lhepesadas multas.

10 - O time vascaíno treinava para o clássico de 2 de dezembro de 1962, pelo returno do Campeonato Carioca, contra o Fluminense. Durante um exercício de dois toques na bola, o ponteiro Da Silva viu os seus meniscos internos do joelho direito estourarem, em lance isolado. Resultado: além da derrota cruzmaltina, por 0 x 2, dois meses depois ele teve de “cair na faca”, em 16 de fevereiro de 1963, quando foi operado, na Casa de Saúde Portugal. O médico vascaíno Jorge de Castro gastou apenas 20 minutos para fazer a cirurgia, que fez o atacante perder uma boa grana. Por causa do problema, Da Silva deixou de participar da excursão vascaína pelo México e Chile, onde a rapaziada conquistou torneios e “bichos gordos”. Foi a segunda vez que ele caiu no bisturi. Anteriormente, havia passado por uma cirurgia de amígdalas

quarta-feira, 24 de maio de 2017

KIKE EDITORIAL, OU O VENENO DO ESCORPIÃO - TÉCNICO BELLE ÉPOQUE

Quando você vê fotos das primeiras décadas do século 20, depara-se com homens usando terno, gravata, chapéu e bengala, quase sempre. Era a “brasucada” vivendo os ares da francesa “Belle Époque”,  que ditou moda, entre 1871 e 1914. 
Milton Mendes não usa terno e gravata para treinar o time....
Pelo Rio de Janeiro, a capital do país, porto de entrada das ideias e modismos europeus, a bossa rolou  por volta de 1889, com a chegada de tempos republicanos, e mandou ver, até, e durou até 1922.
A “Belle Époque”, além da moda de estilistas que a realçariam, também (é claro!) a beleza feminina, trouxe muitas (felizmente) e belas novidades tecnológicos,  artísticos e fez o homem ir pelos ares (leia-se Alberto Santos Dumont).
  A então sociedade patriarcal, machista e preconceituosa, ainda era fortíssima, mas as mulheres conquistavam espaços.
Como se vê, a  “Belle Époque” foi pré-modernista, o que significa que o glorioso Clube de Regatas Vasco da Gama não tem um treinador pós-moderno em sua equipe de futebol. Está 95 anos atrasado, comparecendo ao trabalho trajado como naquela época, inexplicavelmente, em um país de clima tropical que não recomenda paletó e gravata durante prélios do ludopédio.
... mas usa nos dias de jogos, demonstrando faltas de espírito de equipe
 Não há fotografias de nenhum treinador vascaíno trajado à beira do gramado, como durante a “Belle Époque”. Um comandante de grupo que não se veste com o uniforme do clube, quando todos os atletas estão trabalhando como mandam os padrões desportivos, demonstra total falta de espírito de equipe. Idiota imitação de treinadores europeus, que convivem com o clima frio.
Quem trouxe esta idiota imitação para o Brasil foi Zezé Moreira, que não ganhou nada de importante, a não ser torneio regional. Pela década-1950, ele acompanhava o jogo, do túnel, elegantemente vestido, quando o seu Fluminense ganhava por 1 x 0, se muito. A partir de 1978, com a TV mostrando o técnico Cesar Menotti todo produzido “a lá europeus”, começaram a surgir “imitadores  tupiniquins”. 
Durante os anos-1990, após o papelão do futebol brasileiro do Mundial da Itália, o presidente da Confederação Brasileira de Futebol, Ricardo Teixeira, achava o antigo meio-campista (do Internacional-RS, da Roma-ITA e do São Paulo), Paulo Roberto Falcão tão elegante quanto o alemão Franz Beckenbauer, hábito adquirido (por Falcão, é claro!) em seus tempos de futebol italiano. E o contratou para dirigir o time canarinho. 
Falcão foi um extraordinário jogador de bola. Mas, com treinador engravatado, jamais deu certo, em lugar algum. Veja fotos dos treinadores campeões mundiais pelo Brasil –Vicente Feola, Aymoré Moreira, Mário Jorge Lobo Zagallo, Carlos Alberto Parreira e Luís Felipe Scolari – e observe que todos estão à beira do gramado usando o uniforme do escrete nacional, exercitando o espírito de equipe. O engravatado Wanderley Luxemburgo, que, também, teve o selecionado nacional sob o comando, só ganhou torneios caseiros, por clubes. Luís Alonso Peres, o santistas Lula; o gremista Waldyr Espinosa; o rubro-negro PC Carpegiani, os são-paulinos Telê Santana e Paulo Autuori e o colorado Abel Braga foram campeões continentais e mundiais interclubes, tabelando na indumentária  com a instituição representada.
O engravatado Milton Mendes, com um terno que lembra um “lambe-lambe” (nada contra a extinta profissão), empatou com o Macaé, que havia perdido os cinco jogos pela Taça Guanabara, e com o Flamengo, por conta de um pênalti, escandalosamente, inexistente, aos 47 minutos do segundo tempo. Venceu, por 1 x 0, Madureira e Boa Vista, por absoluto demérito dos oponentes. Foi às semifinais do Estadual ser a alegria do Fluminense, que mandou-lhe 3 x 0. De nada adiantou o engravatado treinador (como os árbitros de futebol dos inícios do futebol no Brasil) tirar o terço do bolso e pedir ao seu Deus para ajuda-lo – e prejudicar o adversário.  ele não o ajudou, também, diante do Palmeiras, que mandou-lhe 4 x 0, na estreia vascaína no Brasileirão. Só ajudou nos 2 x 1 sobre meio-time reserva do Bahia, no domingo passado.