Vasco

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quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

A LENDA DO PÁSSARO DO EXPRESSO

Ele caminhava pela floresta da Tijuca, calmamente. De repente, cansado, sentou-se debaixo de uma árvore. Nem tinha mais noção de onde estava. Perdera o rumo. Enfim, dormira, por um bom pedaço de tempo. Quando acordou, são sabia se ainda dormia, se sonhara, ou se já estava acordado. Só sabia eu vira dois pássaroas –um todo preto e o outro amarelo –, pousando perto dele, trazendo um copo de vidro em seus bicos. O deixaram ali e se foram.
Sem entender nada do que ocorria, ele o apanhou o recipientre, com a mão direita, o examinou e o achou diferente. Tinha a base entortada, parecendo coisa de algum artesão. Media cerca de uns dois centímetros e meio, talvez. Era de cristal. Dentro, vira um líquido escuro, à altura de uns quatro dedos. Resolveu experimentar.
Um inocente golinho depois, e lá se viu o sujeito no meio da torcida cruzmaltina, em São Januário, comemorando os gols do ‘Expresso da Vitória”. Vibrou com o tento que fez o Vasco rasgou o cartaz do Arsenal, que se considerava o melhor do planeta. E assistiu aos gols da conquista do Mundial de Clubes Campeões de Futebol Sul-Americano; do Campeonato Carioca de 1947, de 1950 e de 1952. Santo cansaço. Lhe fizera dormir e sonhar com tantas alegrias que, pessoalmente, não as assistira. Só sabia de tudo aquilo lendo na revistas antigas, como “O Cruzeiro”e “Esporte Ilustrado”.
Levantou-se, com o copo ainda na mesma mão que o apanhara onde os dois pássaro o pousaram, olhou no fundo, já vazio, e teve a impressão de ler a receita do que aquilo fora feito. Seria um licor? Não tinha tanta certeza. O sabor era bem diferente de todos os que  já provara. Olhou em seu relógio e viu que era hora de pegar o caminho de volta. Em vez de voltar, caminhou em frente. Escutou um pppsssiiiuuu! Viu um anjo-mulher, um fada, uma bailarina, algo assimo, imaginou. Ela o convidou a se aproximar.
- Não se espante. Sou a Fada da Cruz de Malta – ela apresentou-se, usando um vestido branco, com uma faixa em diagonal contendo uma cruz inserida à altura do peito esquerdo.
- Mas esta cruz em seu vestido não e da Ordem de Malta. É da Ordem de Cristo – ele a corrigiu.
- Não tem importância. Foi usada, também, pela outra. Além do mais, eu venho da Ilha de Malta – ela justificou-se, propondo: - Espere, sem sair daqui. Volto, rápido.
A Fada da Cruz de Malta desapareceu, entrando em uma caverna, em frente de onde  estavam. Como prometera, voltara logo. Troxera uma garrafa branca, transparente, cheia de algo que ele imaginava ser o mesmo que bebera há pouco.
- Tome! É um presente. Mas só consuma quatro dedos, de cada vez. Rigorosamente, não passe disso. Se passar, não fará efeito. E observe o espaço de uma semana, no mínimo, ingerindo-o aos domingos, por volta das cinco da tarde, ou das nove da noite – ela recomendou.
- Como se chama este licor? – ele indagou.
-Claun! – ela o informou
Ele obervou que a fada tinha asas. Não se lembrava de ter visto estilização de nenhuma assim.
- Você se apresentou como uma fada. Agora é uma anja? – ele cobrou.
- Anja, não. Anjo. Os anjos não são assexuados. São como as mulheres de malta. Anjos e fadas – ela afirmou.
Instantinhos depois, eles se despediram e ele tentou ir embora. Porém, estava perdido no meio da floresta. Por sorte, por intermédio do seu telefone celular, contatou o Corpo de Bombeiros, que o resgatou.
Ele passou de dezembro, data daquela aventura, a fevereiro do ano seguinte, seguindo as recomendações da fada/anjo, ao beber do claun. Vibrava com as preezas do “Expresso da Vitória” durante os seus lindo sonhos delirantemente cruzmaltinos.
 Em 29 de fevereiro de 2012, ele foi a São Januário e assistiu ao empate, por 2 x 2, com o Bonsucesso. De volta para casa, bebeu os últimos quatro dedos de claun e dormiu. Acordou, na manhã seguinte, cedinho, com a fada em pé, diante de sua cama. Ela sorria para ele.
- Olá! -  a cumprimentou.
- Olá! – ela respondeu.
Ele foi levantando-se da cama e, sem querer, derrubou o copo e a garrafa que estavam em cima do criado mudo.
Ela fez um sinal com os braços, as mãos e os ombros, e foi desaparecendo, como fumaça.
- Volto no próximo 29 de fevereiro, para quebrarmos o tabu – e se foi.
No mesmo instante, dois pássaros, um preto e o outro amarelo, entraram pela janela e foram juntando, com bicadas, os cacos de vidros espalhados pelo chão. Fizeram uma trocha, com um lenço que encontram pelo quarto, e voaram, carregando-o. Saíram pela mesma janela que haviam entrado. Despareceram no horizonte de um mar bem azul mar. Ele ficou olhando, tentando decifrar que pássaros eram aqueles. Corvos não eram, porque eram menores; marrecos, muito menos; sofrês, figueiras, também não. Nem conhecia figueiras amarelas. Foi a uma redação jornalística e contou aquela história maluca. Falou de apenas um pássaro. No dia seguinte, leu na manchete.
“Pássaro desaparece no horizonte”.
 Quatro anos depois, leu no mesmo jornal:
“Caravela traz pássaro de volta ao Brasil”.

CORREIO - A PRIMEIRA ISCA DO "PEIXE"

Quem foi o goleiro que levou o primeiro gol de Romário? Ormesindo Oliveira, de Corrente, no Piauí.
Seguinte, Ormé! Se valerem só os gols como profissional, a primeira vítima foi Rogério Teles, do Nova Venécia-ES, em 18 de agosto de 1985, no Estádio Zenor Pedrosa Rocha, quando o Vasco mandou 6 x 0, amistosamente, e o Peixe compareceu ao filó, aos 40 minutos do segundo tempo – dois minutos depois, fez mais um.

Rogério Teles caiu na rede do "Peixe"

Interessante, foi que Rogério, medindo 1m77cm de altura, estava no banco dos reservas, tremendo. Garantia que era de febre. Jogava Edson, o Dinho, titular durante todo o primeiro tempo. Na etapa final, saiu do jogo e da história, para a sorte de Rogério, que comemorou muito, quando Romário chegou ao milésimo (pelas contas dele).
De outra parte, valendo tudo, o cargo de “primeira isca do Peixe fica com Josenildo Francisco da Silva Bellot. Em 1979, vestindo a camisa do Olaria, o Baixinhomandou-lhe buscar a pelota lá onde a coruja dorme, pelas disputas cariocas dos infantis. Pelas estatísticas de Romário, aquele foi o Gol- 1dos seus 1.002. Josenildo Bellot, que só viveu 47 anos, era pernambucano, de Recife. Chegou ao RJ, criança, em 1965. (foto reproduzida de www.netvasco.com.br). Agradecimento

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

TRAGEDINHA DA COLINA

Não chegou a ser uma grande catástrofe, como as das outras matérias que já saíram nesta série sugerida por um dos nossos "vascoternautas". Mas não deixou se ser o que não deveria ter sido. Afinal, uma morena linda como esta que você vê na foto de “Manchete Esportiva” (Nº 95, que circulou com data de 14 de setembro de 1957, sem crédito para a foto) tem que ser vencedora em tudo. Menina da Colina nunca erde: deixa de ganhar, as vezes. Pena que esta aí de cima, a Maria Eugênia Silva, deixasse de subir ao mais alto degrau do pódio de sua prova, a dos 100 metros nado livre júnior das disputas cariocas da temporada "cinco-setão". Ela não conseguiu ultrapassar o tempo de 1min33seg10, da triocolor Helena Lobato. Mas, naquele dia, não era dia de vascaína. Maria de Lourdes Teixeira cravou só 2min44seg08, nos 200 metros nado livre para novíssimas. Enfim, não se vence sempre. Só uma tragedinha para as "Menininhas da Colina".

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

INFANTOS DA ESQUINA DA COLINA

A rivalidade no futebol carioca nunca se restringiu aos times principais. A garotada também beliscava as suas glórias, tirando um sarro com os vencidos. Assim era que a molecada do grande rival Flamengo gritava que já tinha os títulos estaduais de infanto-juvenil de 1956/58/59. De sua parte, os botafoguenses exaltavam as suas faixas de 1955/1957. Os vascaínos ficavam calados. Para consolo deles, dois outros grandes rivais, Fluminense e América, estavam em sua mesma situação, no time dos “sem taça”.    
Veio, então, a temporada 1960, a última do Estado da Guanabara. A gurizada da Colina foi lá na tabela do Campeonato Carioca e carregou o caneco. Estava quebrado o jejum. Mesmo inferiorizados em conquistas, em relação a rubro-negros e alvinegros, já haviam entrado para o “clube”.  Dava até pra gozar tricolores e americanos.
Carimbado o passaporte para mais uma glória no futebol da ‘Cidade Maravilhosa”, cinco anos se passaram e o Rio de Janeiro chegou ao seu IV Centenário. Ano de muitas festas e comemorações. Todos queriam ser campeões de tudo. E, é claro, no infanto-juvenil. Mas quem levou o título charmoso foi o Vasco da Gama.
Daquele time campeão, o lateral Ari e o atacante Adílson Albuquerque, irmão de Almir “Pernambuquinho”, chegaram a ser titulares. Bené, também, andou prometendo, mas não se firmou quando atuou pelo time de cima. Quanto ao Alcir que aparece nesta foto (reproduzida do livro “O Goleiro Acorrentado”, de Valdir Appel), não é o Alcir Portella, campeão brasileiro em 1974.
DETALHE: O futebol carioca criou a categoria infanto-juvenil para reunir a garotada de até 16 anos de idade. Em seguida, vinha a juvenil, até 18. Esta rolou entre 1922 a 1979, quando foi substituída pela júnior, e a idade limite dos “juva” desceu a 17. No meio disso aí, houve, também, a categoria dos aspirantes, criada em 1941, cedendo vez aos juvenis que estourassem a idade-limite. Com o passar do tempo, os cartolas abriram uma brecha para a inclusão de três atletas com mais de 23 anos, o teto da rapaziada. 

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

TRAGÉDIAS DA COLINA - FRIAÇA

Esta não é bem uma tragédia vscaina, pois o “tragedeiro”, na época,  não era vascaíno. Mas não deixa de ser, pois tem Vasco nas paradas e o carinha só estava fazendo um passeiozinho por fora da Colina. Voltou logo.
Aconteceu com Friaça, o autor do gol brasieiro na final da Copa do Mundo de 1950, durante os desastrosos 1 x 2 de 16 de julho de 1950, no Maracanã. Encerrada a maior tragédia nacional, o carinha ficou transtornato. Ele já era jogador do São Paulo, mas foi parar em São Januário. Não sabe como e nem porquê. “Não consigo atinar com quem me levou, ou como fui parar  por lá. Meu carro ficou no Vasco, minhas coisas também. É um mistério que não consigo compreender”, contou à “Manchete Esportiva” Nº 157 de 22 de novembro de 1958.
 Friaça tinha em Jair Rosa Pinto o seu protótipo de atleta profissional. “A Jair devo bastante do que sou. Procurei sempre guiar-me por ele, e ser como ele foi”, revelou ele, para quem esta seria a  Seleção Brasileira de todos os tempos: Barbosa, Augusto e Domingos da Guia;  Zito, Danilo Alvim e Nilton Santos; Tesourinha, Zizinho, Ademir Menezes Jair Rosa Pinto e Carrero
 PELADEIRO -  Friaça rolava a sua bolinha no futebol amador de Carangola, em Minas Gerais, sem sonhos nada mirabolantes. Como em toda cidade de interior, a vida corria tranquila para seus munícipes, em 1942, sem nenhum prenúncio de grandiosas novidades. Até 1943 chegar. Naquele ano, correu a notícia pela pacata cidade: o Vasco da Gama queria levar o melhor atacante da terra. E levou.
Albino Cardoso Friaça desembarcou em São Januário e mostrou que sabia muito mesmo daquele negócios de bola no pé . E na rede.  Comprovou o que dele se falava. Tanto que o São Paulo, ao precisar de um sujeito que colocasse a pelota pra dentro, apresentou um checão polpudo aos cartolas da Colina e o carregaram, em 1949. Friaça, porém, era um vascaíno. Dois anos depois estava de volta. Ficou até 1952, quando foi emprestado a um outro time com uma camisa quase igual, a Ponte Preta, de Campinas. Passou três anos servindo à Macaca, até mudar de lado, o do maior rival dela, o Guarani.
Como vascaíno, Friaça serviu à Seleção Brasileira no Sul-Americano de 1947 e na Copa Rio Branco de 1948. Em 1949/50, vestiu a farda do selecionado paulista. De 1950, garaantia: “Se, naquela época, eu estivesse melhor de finanças, se tivessse alguma coisa firme... teria deixado de jogar. Nunca mais entraria numcampo de futebol”. (foto reproduzida deE WWW.CRVASCODAGAMA.COM.BR). Agradecimento.

domingo, 24 de fevereiro de 2013

VASCO 2 X 1 DUQUE DE CAXIAS-RJ

Bernardo mandou dois beijinhos pra galera, no estilo "ah,eu tô maluco!"
 Mais uma vez, o “Time da Virada” pintou no pedaço. O Vasco venceu o Duque de Caxias, hoje, por 2 x 1, na casa do adversário, totalizou 16 pontos e classificou-se,  em primeiro lugar, no Grupo A, para as semifinais da Taça Guanabara. No sábado, a partir das 18h30, no Engenhão, enfrentará o Fluminense, jogando pelo empate, para decidir o troféu com o vencedor de Flamengo x Botafogo.
Pedro Ken encarou legal a 'maricota', mas não a jogou na rede
O Duque abriu o placar, aos 18 minutos, por intermédio de Charles Chad, e este foi o único gol da etapa. No segundo tempo, o Vasco empatou, aos 28. Carlos Alberto passou por dois zagueiros e chutou ao gol. Dakson pegou o rebote do goleiro Fernando, tentou o chute, mas Bernardo estava no meio do caminho para desviou a trajetória da bola e: 1 x 1. A virada saiu aos 34. Carlos Alberto cabeceou forte, após cruzamento. A pelota  tocou na trave e sobrou para  Bernardo desempatar: 2 x 1.
O jogo foi no  estádio Moacyrzão, que fica no Rio de Janeiro, apitado por André Rodrigo Rocha,  com o Vasco formando com: Alessandro; Nei (Elsinho), Dedé, Renato Silva e Dieyson (Dakson); Abuda, Wendel, Pedro Ken (Fellipe Bastos) e Carlos Alberto; Bernardo e Eder Luis.Técnico: Gaúcho.

sábado, 23 de fevereiro de 2013

O ALMIRANTE E A CAUDA DO DRAGÃO

Os contatos imediatos com o além falharam, professor!
 Baixinho, olhar invocado, fala macia. Caminhava quase parando. O carinha dizia que não era mago, mas enxergava o futuro, com a ajuda dos astros. Intitulava-se Professor Mirakof e previra, em 1945, que o Vasco seria campeão carioca, invicto. Se bem que depois de ver o ‘Expresso da Vitória” fazendo atropelamentos contínuos.
Em novembro de 1958, o elemento voltava a atacar. O Vasco liderava o Campeonato Carioca, com oito pontos perdidos, contra 10 do Botafogo e 11 do Flamengo, mas os seus contatos no além lhe diziam que, daquela vez, o caneco não iria para São Januário: Motivo: a ‘Cauda do Dragão’ ,que os antigos egípicios viam trazendo bons , ou maus fluídos, estava em oposição ao Vasco. Por causa daquilo, todas as pretensões do time do técnico Francisco de Sousa Ferreira, o Gradim, iriam pro espaço, com uma queda, por 1 x 3, ante o Botafogo.
O Vasco não perdia dos botafoguenses há 7 anos, os enfrentaria em 7 de dezembro e pegaria pela frente um camisa 7 endiabrado, o Mané Garrincha. E não foi que os astros pasaram por perto! Com gols do artilheiro e Quarentinha e do genial Didi, o Botafogo mandou 2 x 0. Após sete anos de invencibilidade diante da “Estrela Solitária”, Miguel, Paulinho de Almeida, Bellini, Orlando, Coronel, Écio, Sabará, Rubens, Almir, Roberto Pinto e Pinga levaram uma porrada da “Cauda do Dragão”. Mas não deu pra matar.
Se os astros diziam ao Professor Mirakof que o Botafogo seria bi, parecia que não dava para duvidar. Afinal, em 3 de janeiro já de 1959, na fase final do Cariocão, o time alvinegro de General Severiano voltou a usar a “Cauda do Dragão” e mandou uma nova porrada no agora freguês: 1 x 0. Com duas vitórias consecutivas, já pensava em encomendar o chope. Só que esqueceu de combinar com a “Turma da Colina”. Uma semana depois, o “Almirante” se arretou com aquela história de ficar freguês do velho freguês, e o afogou no gramado do Maracanã: 2 x 1. terminou “SuperSuperCampeão”, com a suas estrelas mantendo contatos imediatos com os caminhos astrais das redes e encaçapando a “Cauda do Dragão”.
Na partida do prmeiro turno, o Vasco havia vencido, por 3 x 2, mantendo um tau de 7 anos de invencibilidade 

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

ANIVERSARIANTE: JUNINHO PAULISTA

 Osvaldo Giroldo Júnior, o Juninho Paulista, está na história da Colina como o autor do "GOL MIL" vascaíno em Campeonatos Brasileiros. Aconteceu em 28 de novembro do ano 2000, sob o signo do ESCORPIÃO. Vítima? O glorioso Esporte Clube Bahia que, naquela terça-feira, esqueceu-se de levar o seu macumbeiro titular para São Januário. Sem ele,quem abriu a marcha para o “Juninho Mil” balançar o barbante foi Euller, “O Filho do Vento”. Esquentou o tabuleiro de acarajé do time baiano aos 26 minutos. Aos 40, eles empataram, e assim ficou o primeiro “half time”, como falávamos “speakers” de antigamente.
Na etapa final, “O Filho do Vento” voltou a assoprar forte, fazendo 2 x 1, aos quatro (49 minutos0. Nove depois. o “traidor”do Fabrício Carvallho, cria da Colina, voltou a deixar tudo igual. E foi então que o destino presenteou Juninho Paulista, aos 74 (29 daquele o 2º tempo de muitas emoções para 17 mil, 332 pagantes que gastaram 52 mil e 700 cruzeiros, a moeda da época – placar final, 3 x 2 para a “Turma da Colina”, com time treinado por Oswaldo de Oliveira e formando com Hélton; Clébson, Odvan, Júnior Baiano e Jorginho Paulista; Jorginho Amorim (Nasa), Paulo Miranda, Juninho Pernbambucano e Juninho Paulista; Euller (Pedrinho) e Romário (Viola).O jogo rendeu 52 mil e 700 e teve 17 mil, 332 pagantes.
O CARA – O gol de Juninho Paulista naquele escorpiano 28.11.2000 fez do Vasco o primeiro clube carioca (segundo do país) a atingir a “marca mil” em Brasileirões. Vinte dias antes, o São Paulo FC havia chegado lá, vencendo o Sport-PE, por 4 x 3, na cassa deste.
Baixinho, com 1,65 c, de altura, Juninho Paulista era habilidoso, mas nunca fora um "matador". Desembarcou na Colina levando em sua conta só 32 bolas nas redes, pelos três times que defendera, Ituano, São Paulo e Middlesbrough-ING. Saiu da esquadra do "Almirante" com a contribuição de 13 tentos, em 47 compromissos.
A história de Juninho Paulista, que ganhou este apelido porque já havia em São Januário um xará, bem mais alto, de 1m79cm, e que passou a ser Juninho Pernambucano – Antônio Augusto Ribeiro Reis Júnior, nascido em 30 de janeiro de 1975, em Recife, com duas passagens pelo clube, entre 1995/2001 e de 2011 a 212, totalizando 161 jogos e 37 gols. Cria do paulista Ituano FC, Juninho Giroldo teve uma história interessante. Foi descoberto, durante um jogo-treino daquele clube contra um time peladeiro de São Caetano-SP, chamado Barcelona, em 1990. Ao final do jogo, o técnico Zé Rubens procurou saber quem era aquele garoto magrinho, com canelas finas, rápido e que arrancava fulminante rumo ao gol. Ficou sabendo que tinha 16 anos de idade e jogava futebol de salão pelo time do GM, também de São Caetano. Jogava! Pouco depois e rapidamente, Juninho já trocava os juvenis pelos juniores do Ituano.
 
Boneco da Colina
SUPORTE - Filho de pais classe média, sem a necessidade da ajuda do clube para treinar, Juninho profissionalizou-se, em 1992, para ser a "arma secreta" do treinador Arthur Neto. Em 1993, virou titular, marcou 10 gols em 30 jogos e, em maio, era contratado pelo grande São Paulo. Antes, ao final de 1992, seu pai o levara ao Centro de Treinamentos do Tricolor do Morumbi e pedira ao preparador físico Moracy Sant´Anna e ao fisiologista Turíbio Leite de Barros para fazerem um fortalecimento muscular no garoto, já que os craques são-paulinos entraiam em férias. Ganhou o presente e, como Juninho foi para o clube, meses depois, passou dois anos sendo trabalhado, para ter resisstência física e massa muscular compatível ao ofício.
Juninho ganhou tanta admiração do técnico Telê Santana, que este chegou a exagerar no uso do seu futebol. O lançou em dois jogos, em uma mesma noite, por duas disputas diferentes: diante do peruano Sporting Cristal, pela Copa Conmebol, e contra o Grêmio-RS, pelo Brasileirão-1993 – entrou no segundo tempo de ambas, vencidas pelo mesmo placar, de 3 x 1, após ele estar em campo.

Nascido em 22 de fevereiro de 1973, em São Paulo, Juninho Paulista levou para São Januário a experiência de quem ganhara vários títulos pelo São Paulo (Taça Libertadores; Supercopa de Clubes Campeões da Libertadores; Recopa Sul-Americana; Mundial Interclubes (não oficial) e Taças Ramon de Carranza e Tereza Herrera, em 1993, e a Taça Conmebol e o bi da Recopa, em 1994). Ao deixar o Morumbi, em 1995, pelos dois anos seguintes, esteve no inglês Middlesbrough, que o negociou com o Atlético de Madrid, que o teve como seu jogador, até 2002, embora o emprestando ao mesmo Middlesbrough, entre 1999/2000. Foi neste último ano que ele tornou-se um cruzmaltino.

VIRADA NUCLEAR – Fora como se o Vasco tivesse soltado uma bomba atômica pra cima do Palmeiras. Era noite da quarta-feira 20 de dezembro de 2000, e Juninho Paulista teve uma de suas melhores apresentações com a jaqueta cruzmaltina. Decidia-se a Copa Mercosul, no Parque Antárctica, o demolido estádio palmeirense, e o anfitrião mandava 3 x 0, no primeiro tempo. Sob as vistas de 29 mil 993 pagantes, Juninho pintou os canecos, na etapa final. Marcou um gol e sofreu pênalti, para Romário (que fez mais dois) botar no filó. Naquela noite, o time que fora dirigido, em toda a competição, pelo demitido Oswaldo de Oliveira, estava sob o comando de Joel Santana, e teve: Hélton; Clébson, Odvan, Júnior Baiano e Jorginho Paulista; Nasa (Viola), Jorginho Amorim (Paulo Miranda), Juninho Paulistas e Juninho Pernambucano; Euller (Mauro Galvão) e Romário.
Aquele era o primeiro caneco carregado por Juninho Paulista, como cruzmaltino. O segundo foi o título da Copa João Havelange, o Campeonato Brasileiro-2000, decidido na tarde da quinta-feira em 18 de janeiro de 2001, no Maracanã, diante de 60 mil pagantes. Ele marcou um dos gols dos 3 x 1, sobre o São Caetano, com Juninho Pernambucano e Romário também comparecendo às redes. O time? Hélton; Clébson, Odvan, Júnior Baiano e Jorginho Paulista; Nasa, Jorginho Amorim (Henrique), Juninho Pernambucano (Paulo Miranda) e Juninho Paulista (Pedrinho); Euller e Romário.
Bonequinho canarinho
PARADAS DO CRAQUE - Ao deixar o Morumbi, em 1995, pelos dois anos seguintes, Juninho esteve no inglês Middlesbrough, que o negociou com o Atlético de Madrid, que o teve como seu jogador, até 2002, ano em que o emprestou ao mesmo Middlesbrough, para ficar entre 1999/2000, mesmo ano em que chegou à Colina. Jamais esquecido pela torcida do Middlesbrough, o terrível Juninho “Mil” voltou àquele clube para as temporadas 2002/2004, pouco depois de passar pelo Flamengo e estar na Seleção Brasileira pentacampeã mundial na Copa da Coréia do Sul/Japão-2002. Em seguida, foi para o escocês Celtic, entre 2004/2005. Voltou, para defender o Palmeiras (2005/2006) e dar mais uma força ao Flamengo, em 2007. Chegou ao ao fim de linha, entre 2007/2008, pelo Sidney FC, da Austrália.
CANARINHO - Além de ter sido penta na Copa do Mundo 2002, Juninho Paulitas ajudou a Seleção Brasileira a carregar mais dois canecos, os das Copas Stanley Rous-1995 e das Confederações-1997. Ele totalizou 52 jogos do selecionado principal, vencendo 42, empatando cinco e perdendo outros cinco. Marcou seis gols. Pela seleção olímpica, foram 17 partidas, com 12, vitórias, três empates, duas quedas e cinco bolas no filó.

MARTIM FRANCISCO -

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

ANIVERSARIANTE: MARTIM FRANCISCO - 1

  Martim Francisco Ribeiro de Andrada poderia ser um bom nome para um conto que coubesse, digamos, um Visconde de Barbacena. Ou, esportivamente, um patrono da Federação Mineira de Futebol. Certamente, o sobrenome abriria rotas para um escritor traçar os mais diversos meandros imperiais. Se bem que o dito cujo jamais viveu fora de tempos republicanos, por este país.
  Como todo menino brasileiro, Martim rolou a sua bolinha pelo meio da rua. Aos 13 anos, era goleiro infantil do Olimpíque, da sua Barbacena. Saiu, deu uma voltinha, pelo Juventus, e voltou. Mas um acidente o tirou dos gramados. Além do mais, um Andrada daqueles tempos mais modernos teria que frequentar os bancos universitários. No seu caso, apanhou um canudo e foi cuidar da alma dos homens, como professor de psicologia, sociologia, filosofia, pedagogia, esses lances.
Martim labutava com os mistérios das alma. De repente, o professor  sentiu necessidade de mais emoções. O magistério não lhe oferecia tanto. Lembrou-se de que, em 1948, quando era estudante, no Rio de Janeiro, fora ao Fluminense pedir ao treinador uruguaio Ondino Veira que lhe ensinasse a engenharia tática de uma partida de futebol. Seria por ali, imaginava a sua próxima rota.
  Os anos dourados chegaram. Em 1950, o ex-professor Martim Francisco começava a nova década com atividade nova: diretor do Departamento de Interior da Federação Mineira de Futebol. Estava de volta para uma velha paixão. Com ela, chegou a ser assistente-técnico de Urbano Santos, o “Campeão”, na seleção amadora mineira. Logo, em 1951, ele dissera a que viera: assumiu o comando de uma equipe de futebol profissional, pela primeira vez, e terminou a temporada campeão estadual, com o Villa Nova, de Nova Lima, surpreendendo os “grandes” Atlético, Cruzeiro e América.
"E por aqui! Vamos mudar a história!"
Com todo aquele sucesso, Martim Francisco foi requisitado pelo Siderúrgica, que, também, queria ser campeão mineiro.  Só que o seu time (era da codade de Sabará) não tinha jogadores como Escurinho e Lito, que Martim descobrira no grupo do ”Leão do Bonfim”. No máximo,  conseguiu um vice. E foi até demais. 
VENENOSO - Campeão estadual, em 1951, e vice, em 1952,  ninguém mostrava mais veneno do que Martim Francisco para dirigir uma seleção mineira de novos, que encararia os cariocas, naquele 1952. Levou a rapaziada ao Rio de Janeiro e voltou a Minas com a vitória. Grande feito! A ponto de deixar a turma do Clube Atlético Mineiro ligadíssimo nele. E, assim que 1953 pintou, foi buscá-lo. Martim ganhou o título estadual da temporada, para, em 1954, ser intimado a dirigir a rapaziada das alterosas que disputaria o Campeonato Brasileiro de Seleções Estaduais, a maior competição nacional da década. Passou, invicto, pelo torneio, até este ser suspenso.
 Minas Gerais estava ficando pequena para Martim Francisco. O Rio de Janeiro e o América Futebol Clube lhe acenavam com novos horizontes. Claro que ele topou. A parir de abril de 1954, a sua novissima missão seria acabar com aquela história de time “tico-tico no fubá”. Teria de fazê-lo bater na rede.      
  Além de trabalhar atletas, Martim Francisco era um consumidor de literatura esportiva. Chegou a reunir 650 livros, para estudos, dos quais tinha predileção pelo espanhol  “El preparador tenico” e o argentino “Táticas y tenicas”. E estudando muito  chegou ao time americano, elegendo duas táticas fundamentais (a do terceiro zagueiro, de Kisrchner, e o WM, de Chapman). No mais, deixou claro que intromissões de cartolas no trabalho do treinador era um dos grandes entraves do futebol brasileiro. 
Com Martim Francisco tocando fogo, o “Diabo”, fez um chamegante Campeonato Carioca-1955. Decidiu, com o Flamengo, foi vice, mas seu time encantou a galera. No final do ano, entrou em rota de choque com a cartolagem americana, do que se aproveitou o Vasco para levá-lo.

ANIVERSARIANTE: MARTIM FRANCISCO - 2

Em 1956, os organizadores da Pequeña Copa del Mundo, que a Federação Venezuelana de futebol promovia, chamando só clubes colocados enrtre  os quatro primeiros de sua liga nacional – o Vasco fora o terceiro do Campeanto Carioca de 1955 – pensavam em formar uma seleção, incluindo, como convidados, os vacaínos Danilo Alvim, Maneca, Ademir Menezes e Chico Aramburu. Terminaram levando o time inteiro, para correr atrás do Troféu Marcos Pérez Jiménez, em homenagem ao presidente do país.
Para Martim Francisco, uma ótima oportunidade de trabalho com uma rapaziadaque iniciaria as disputas do Campeoanto Carioca, dentro de três semanas. Poderia testá-la diante de adversários poderosos, como o espanhol Real Madrid-ESP, o português Poerto e a italiana Roma. A estreia, porém, em 1º de julho, fora desanimadora. Caira, fragorosamente, por 5 x 2, ante os espahóis.  Ainda bem que a equipe se recuperara, dois dias depois, mandando 3 x 0 nos portugueses. Passados mais quatro dias, outra grande vitória: 3 x 1 sobre os italianos. Boa reação, seguida, 72 horas depois, de um segundo tropeço, ante os portenses: 0 x 1. No entanto, no dia 14, voltara a vencer a Roma: 2 x 1.

Martim soltou fumaça pra cima do merengues do Real Madrid
 Com tais resultados, o Vasco classificou-se para decidir o torneio, contra o Real Madri, no dia 18. Daquela vez, errou menos e empatou, por 2 x 2. Ficou vice, mas o venezuelanos gostaram tanto da partida que pediram um repeteco – amistosamente, é claro. Tudo bem, o Vasco topou. E, na sexta-feira, 20 de julho daquele 1956, voltou ao Estádio Universitário de Caracas, para mandar 2 x 0 nos “merengues”, deixando Martim Francisco com a visão de que tinha time para ser campeão carioca.
Para o terceiro jogo em 20 dias, Martimo armou um time mais seguro e encostou a rapaziada no cantão, com um discurso animador:
– Vocês já jogaram contra eles, sabem o que vem por aí. Portanto, não aceito repetição de pixotadas. Com certeza, eles etarão muito confiantes, por causa da goleada que nos deram. É hora de fazermos um servicinho com estes gringos. Só depende de vocês. Vamos encarar, sem medo. E bola pra frente, pediu.
A moçada não precisava ouvir mais nada. Ficara confiante com aquele saculejo moral do “professor”. Sem mais o que dizer, Martim Francisco mandou pra campo uma equipe formando com Wagenr no gol. Dario e Coronel pelas laterais. No miolo da zaga, Orlando e Haroldo, cobertos por Laerte. Na frente, Sabará, Válter Marciano, Livinho, Artoff e Pinga – no decorrer da partida, entraram Cléver, em lugar de Orlando, e Beto, no de Coronel.
 Se esperava a mesma moleza dos 5 x 2 da primeira rodada da Pequena Copa do Mundo, o Real viu, logo, que o riscado seria bem diferente. E nem seria, também, como daquela vez em que armou um verdadeiro selecionado espanhol, para bater o Vasco, por 4 x 2, tempos atrás, em Madrid, também, amistosamente. Resumo da ópera: com gols de Válter e de Artoff, o Vasco deixou o garmado aplaudido pela torcida venezuelana. Naquele dia, as palmas não foram para Di Stefano. 

ANIVERSARIANTE: MARTIM FRANCISCO - 3

Dulce (C) topou organizar a torcida e Martim prometeu o título
  Em 1956, o Vasco tinha uma torcida uniformizada, mas não organizada. Entre os participantes ativos estavam Domingos Ramalho, Tião, Zé Fonseca, Dulce Rosalina,  Madame Bastos, Idalina, Teresinha, Aída, Marina, Hilda,  Marlene, Conceição, Ermelinda e Norma Uchoa, principalmente.  
Aquela turma empurrara, tremendamente, o time, na vitória, por 2 x 1, sobre o Flamengo, na tarde do domingo 18 de março, deixando o treinador Martim Francisco deslumbrado com a força que saía das arquibancadas. Martim ainda era treinador do América, que levara ao título do terceiro turno do Campeonato Carioca, na véspera. Como andava brigado com o “Diabo” e já estava enfeitiçado pelo “Almirante”, no dia seguinte, compareceu ao vestiário vascaíno, após os 2 x 1 sobre os rubro-negros – dois gols de Pinga.
  Depois do clássico, Erasmo Porto apresentou Dulce Rosalina a Martim Francisco. Ele pediu-lhe: “Organizem a torcida, que eu darei o campeonato ao Vasco”. Dois dias depois, ele mandava o “Diabo” para o inferno e seria anunciado como treinador da “Turma da Colina”, substituindo Flávio Costa.  Tão empolgada quanto ele, a patota levou a sugestão a sério e, rapidamente, se estruturou. Entre outros cargos, Fonseca ficou tesoureiro; Idalina vice-presidente; Madame Bastos diretora social e Ramalho seguiu como uma espécie de maestro, mandando clarinadas em um canudo de mamona. Do lado da diretoria, João Silva era um colaborador. E, assim, pelo incentivo do treinador, surgiu a primeira mulher brasileira chefiar uma torcida de clube de futebol, Dulce Rosalina, até hoje considerada a torcedora-símbolo do Vasco.
 Antes de Dulce, um torcedor apelidado poro Margarida era quem liderava. Ele andava triste, pela perda do pai, e afastou-se do ofício. Foi então que outros torcedores-símbolos, como Tião e Ramalho, e até o presidente vascaíno, Arthur Pires, convocaram Dulce para suceder o amigo tristonho. Naquele mesmo 1956, ela passou a dirigir a Torcida Organizada do Vasco. Criou concurso de baterias e lançamento de papel picado pelos estádios à entrada do time no gramado. Martim Francisco recebia aquilo como um grande incentivo à equipe, que tinha no zagueiro  e capitão Hideraldo Luiz Bellini o atleta mais admirado pela galera. “Foi o ídolo que deixou mais saudade”, declarou Dulce à Revista do Esporte.

ANIVERSARIANTE: MARTIM FRANCISCO - 4

  O apoio da torcida organizada a Martim Francisco cresceu após uma vitória, de virada, por 3 x 2, após o Fluminense fazer 2 x 0, no primeiro tempo. “Foi o jogo mais emocionante que assisti”, contou Dulce Rosaslina à  revista "manchete Esportiva", sobre aquele clássico - Livinho (2) e Valter Marciano bateram na rede. 
A temporada oficial carioca de 1956 começara com o Flamengo candidato ao tetra. O Vasco, porém, queria impedir as pretensões do seu maior rival, sobretudo, porque estava há quatro anos na fila para voltar a ser campeão. Como as pressões políticas internas eram grandes, trocara de treinador e mandara Martim Francisco arrumar a casa durante uma excursão à Europa. O time estreou no Estasdual goleando a Portuguesa, por 4 x 0. Mas enganchou no Botafogo, 0 x 0, na segunda rodada. Animou a torcida, mandando 4 x 1 sobre o Madureira e 2 x 0 em cima do Canto do Rio, pelas partida seguintes. Mandava avisar que estava na briga pelo caneco. Então, veio a tarde de 26 de agosto, no Maracanã, quando Telê Santana e Valdo abriram uma boa dianteira para os tricolores, com 21 minutos de jogo. Nas arquibancadas, Dulce, Norma, Ramalho, idalina, Fonseca, Hilda, Tião, Marlene,  toda a galera se entreolhava, sem entender o que se passava com a rapaziada. Ainda bem que ficou só por aquilo, no primerio tempo.
Veio uma nova fase e, rapidamente, viu-se um outro Vasco no jogo. Martim recuou Pinga, levando o lateral-direito tricolor Cacá para o meio do campo. Com isso,  Vavá ocupava o espaço deixado pelo ponta-esquerda, obrigando o zagueiro central tricolor Pinheiro a ir atrás dele. Do outro lado, Livinho arrastava o quarto-zagueiro Clóvis, para o outro flanco. Além disso, o ponta-direita Sabará prendia Paulinho na lateral, para Válter e Laerte pegarem um corredor aberto.  Santa tática. O Vasco virou o placar, para 3 x 2, com Telê, o coração tricolor, anulado. A partir daquela demonstração de força, o time engrenou e, até o final do Carioca, só perdeu uma, na terceira rodada do segundo turno (0 x 1 Flamengo). Martim cumprira a sua promessa, com 16 vitórias, quatro empates e só duas quedas. Estava acabado o jejum de quatro temporadas.
O América não parou o  Vasco de Martim Francisco. No Carioca-1956, caiu nas duas partidas

IMPRESSIONANTE - Treinador campeão carioca, com o Vasco da Gama, em 1956, aos 28 anos de idade, Martim Francisco impressionava ao maior teatrólogo do país, Nélson Rodrigues, colunista da “Manchete Esportiva”, pela maturidade de sua juventude. Em seu texto da edição Nº 58, de 29 de dezembro de 1956, ele dizia que, em tal altura da vida, o jovem vivia o dilema, de ser gênio, ou boboca. E não via a menor coerência entre a idade física e o interior do treinador mineiro, o qual entendia “escondendo um considerável lastro vital”.
 Martim chamara a atenção de Nélson por um detalhe atávico: se o seu antepassado José Bonifácio fora o patriarca da independência brasileira, ele era do espírito campeão da sua equipe. “Não foi, jamais, e estritamente, um técnico de bola. ... se impôs, aos seus comandados, desde o primeiro instante, pelo seu jeito patriarcal... O time do Vasco vive debaixo da sombra larga e cálida de Martim Francisco”, via Nélson, que o considerava um “técnico de alma”. Em sua opnião, para se destacar como treinador, Martin Francisco precisou, antes, vencer como psicólogo. “O técnico tem que ser um consultório sentimental para o craque. Do contrário, não dará, nunca, ao seu time, o élan de um campeão”, filosofava, acrescentando que seu elogiado acudia e resolvia os problemas íntimos de cada atleta, o que, por sinal comentara o capitão Bellini, o mais respeitado atleta de todos que já passaram por São Januário.
Campeão carioca, com uma rodada de antecedência, o Vasco de Martim Francisco fora visto por Nélson Rodrigues sem jamais lhe faltar o impulso para a vitória, ou a luta. “O colapso técnico não era acompanhado pelo colapso de alma”, analisou, em referência às duas derrotas e quatro empates ao longo de 22 jogos, dos quais 16 vencidos. “... cada partida do Vasco tem sido uma lição de amor ao clube. E o que tudo isso, senão o trabalho de Martim Francisco, que soube amadurecer o coração dos seus jogadores para a vitória?”
De sua parte, o repórter Ney Bianch vira o Vasco-1956 de Martim Francisco como o grande clube que passou mais apertado, mas, também, ”o único que soube se desapertar em todas as ocasiões”. E imputava ao fato de o treinador manter uma formação imutável, por todo o primeiro turno, o grande passo para o sucesso, citando como exemplo as três maiores pedreiras da etapa: a virada, sobre o Fluminense (3 x 2), após sofrer dois tentos; a pancada (3 x 1) em cima do América, base da Seleção Carioca, e o empate (1 x 1), com o Flamengo.
Ao mesmo tempo em que via o Vasco abrindo a porta da perseguição aos seus planos, Bianchi o via, no returno, “marcado, escolhido para a glória”. E sentenciava: “ ... a força desconhecida que a predestinação lhe votava é que o impulsionava...” De sua parte, Martim Francisco, respondia que tudo tinha uma explicação: “A alma do Vasco são os jogadores do Vasco”.
BALANÇO DO TEMPO - Antes de ser campeão carioca-1956, Martim Francisco passara por momentos difíceis, com a sua turma. Entre 31 de março e 25 de abril de 1956, o presidente Arthur Pires mandou o seu time disputar de 10 amistosos em gramados europeus – fez cinco partidas, em nove dias, na Turquia. Resutlado: um giro com seis derrotas, um empate e só três vitórias, sem poder contar com quatro titulares – Artof, Livinho, Pinga e Vavá, contundidos, e Paulinho de Almeida, Bellini e Sabará, convocados para a Seleção Brasileira. Confria o cartel: 31.03.1956 – Vasco 2 x 5 Anderlecht-BEL; 05.04 – Vasco 2 x 5 Seleção da Áustria; 07.04 – Vasco 2 x 0 Besiktas-TUR; 08.04 – Vasco 0 x 2 Fernebhacen-TUR; 11.04 – Vasco 1 x 0 Galatassaray-TUR; 14.04 – Vasco 3 x 4 Ankara-TUR; 15.04 – Vasco 3 x 1 Besiktas-TUR; 18.04 – Vasco 0 x 0 Estrela Vermelha-IUG; 22.04 – Vasco 2 x 4 Lazio-ITA; 25.04 – Vasco 0 x 2 Grasshoppers-SUI.
Já que tivera de obedecer a quem mandava, Martim Francisco aproveitou a viagem para estudos. Dois anos depois, enviou um documento à então Confederação Brasileira de Desportos (atual CBF), no que ele afirmava ter sido o seu plano para a Copa do Mundo de 1958, “seguido pela entidade”, jurava:
-  Foi uma proposta de trabalho para o Mundial da Suécia. A CBD solicitara a colaboração de todos os treinadores do país, mas só eu lhe atendi. Entreguei o meu trabalho a Ibrahim Thebet, na presença do presidente vascaíno, Artur Pires, contava, acrescentando:  O Ibrahim o levou, ao Sílvio Pacheco (vice-presidente) da CBD.

ANIVERSARIANTE: MARTIM FRANCISCO - 5

 Em 1957, Martim Francisco comandou a mais brilhante excursão cruzmaltina por gramados europeus. O giro começou pelo continente centro-americano, em Curaçao, vencendo o Willmestad, por 2 x 1. Cinco dias depois, a turma foi aos Estados Unidos, espatifar o Hakoah, em Nova York-EUA: 6 x 1. Só  então o rolo compressor rolou pelo "Velho Mundo". A rapaziada foi mostrar como se esbagaçava, primeiramente, durante o Tornei de Paris, concedido para ser a grande referência das competições internacionais. Se ainda não havia mundiais interclubes, aquele, com certeza, o seria.
  Os franceses esperavam tirar o chapéu para o bicampeão europeu Real Madrid, que deslumbrara seu continente pelas temporadas 1955/56 e 1956/57. O anfitrião, o Racing Clube de Paris, um dos melhores times da França, e o campeão alemão-1955, o Rot-Weeiss Essen, não deveriam ser problemas para os espanhóis. E nem o Vasco, único clube sul-americano a conseguir vencê-los. Seria pouco provável, imaginavam os torcedores franceses.
A primeira rodada foi em 12 de junho. E bastou o primeiro tempo para a torcida presente ao Parc des Princes aplaudir os vascaínos. Por sinal, se eles caprichassem mais, não teriam ficado só no gol marcado por Livinho,m naquela etapa.  Mas chegaram aos 3 x 0, entre os 13 e os 22 minutos da fase final, com Pinga e Vavá carimbando o barbante parisiense. E o anfitrião foi batido, sem problemas: 3 x 1.  Mais sem problemas ainda, o Real Madrid mandara 5 x 0 pra cima dos alemães. Di Stefano, Kopa, Gento, Santamaria e toda a ttrupe fez o que dela se esprava. Até então, Válter Marciano, Ortunho, Sabará, aquela turma vinda dos trópicos, mesmo com um show de bola contra os donos da casa, continuava simples ilustre desconhecida. Até  a noite do grande 14 de julho de 1957, quando colocou o adversário favorito na roda.
AVISO DO PROFESSOR - Nas arquibancadas, a torcida francesa aguardava por mais um show merengue. No vestiário vascaíno, Martim Francisco chamou a moçada para um novo plá. E lembrou:
- Vocês ganharam deles, no ano passado (na Venezuela).  Dá pra ganhar de novo? Claro que dá. Eles viram do que vocês são capazes. Nada de medo, pois o medo que vocês terão deles será o mesmo que eles terão de vocês. A turma deles pode ser boa pras cabrochas deles. Pra cima da gente, não. Não mesmo! Quero time chegando primeiro, em todas as bolas. E partindo pra matar. O Vasco tem que ser mais Vasco. Só isso!
O Real pintou no gramado aplaudidíssimo. Levava Alonso, Torres e Marquitos; Lesmes e Muñoz; Ruiz e Mateos; Kopa, Di Stefano, Rial e Gento – depois  entraram Santamaria, em lugar de Marquitos, e Marshall, substituindo Rial. Martim Francisco alinhou a sua equipe com: Carlos Alberto Cavalheiro, Dario, Viana e Orlando Peçanha; Laerte e Válter; Sabará, Livinho, Vavá e Pinga. O time espanhol começou a sua festa nas redes vascaínas aos quatro minutos de bola rolando. Viana bobeou e Di Stefano encaçapou: 1 x 0. De repente, uma surpresa: o Vasco passou a dominar. Aos 20 minutos, Dario serviu Ortunho, que lançou Pinga, que foi à linha de fundo e cruzou para trás, onde estava Válter Marciano, que igualou o placar: 1 x 1. Passados mais 12 minutos, Pinga voltou a aprontar. Da esquerda, lançou Vavá, dentro da área. E o pernambucano desempatou: 2 x 1. E o Vasco passou a ganhar a preferência da torcida francesa.
- Tá bom, tá bom! É só manter o ritmo e a seriedade. Vamos repetir tudo no segundo tempo. O jogo tá pra gente -  foi a única impressão de Martim Francisco, no vestiário, durante o intervalo. Ele preferia deixar a turma descansar, a desgastá-la com papos desnecessários.
Mesmo com a recomendação do treinador, a zaga vascaína bobeou, no início da etapa final. Kopa lançou e Mateos empatou: 2 x 2. Pouco depois, os dois times resolveram trocar a bola pelo braço. Passaram 10 minutos na porrada, temo mais do que suficiente para o “armário” Ortunho botar todo o time espanhol pra correr. De quebra, ainda quebrar Mateos.
Serenados os ânimos, a bola votou a rolar. Aos 21 minutos, Válter Marciano mostrou  que não era deste planeta. Enfiou um passe, de curva, para Livinho encobrir o goleiro Alonso e escrever: Vasco 3 x 1. Os aplausos crescam a cada jogada bonita do time. Aos 39 minutos, Válter humilhou: 4 x 1. O Real Madrid estava desmoralizado. Além de entrar na roda, ainda apanhava na bola e no braço. Quando nada, ainda fez um gol, aos 44 minutos, caíndo, por 4 x 3.
No dia seguinte, Martim Francisco comprou o jornal “L´Équipe” e leu que “onze diabos negros tomaram conta da bola”.. e que ... “a impressão que se teve foi a de que o campeão da Europa estava aprendendo a jogar futebol”. Quando ele ia mudando de página, o zagueiro Brito encostou o rosto, para olhar, e brincou:
- O que é que fala de mim aí, chefe?
Martim Francisco brincou:
- Você jogou? Nem vi. Aliás,  nem eu e nem todo o estádio.
Depois, arrumou as coisas com seu jovem zagueiro:
- Meus parabéns. Tomou conta, direitinho, do chefe deles (se referia a Di Stefano, que Brito marcara, entrando em lugar de Viana, perto do final da partida – a outra substituição fora Joaquim Henriques, na vaga de Ortunho, por motivos “pugilísticos”.

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Derrubado o mito do invencível Real Madrid, o Vasco de Martim Francisco humilhou mais outros espanhóis. Mas na Espanha. Em 16 de junho daquele auspicioso 1957, mandou 4 x 2 no Athletic Bilbao, para carregar o Troféu Teresa Herreza, disputa tradicional, desde 1946, em homenagem à espanhola Teresa Margarita Herrera y Posada, que dedicara a vida (1712-1791)  à caridade, além de doar todos os seus bens para a construção do Hospital Dolores, em La Coruña.
Antes do prélio, no vestiário, Martim falou pra rapaziada:
– Lá em minha terra, o ‘minêrim’ da roça  diz que, quem conversa muito, dá bom dia a cavalo. E, já que vocês não são muares e nem equinos,  e nem eu dou bom dia a suíno, quero aproveitar esta boa oportunidade pra ficar calado. Não tenho mais o que falar. Só recomendiomanterem o espírito de luta do jogo passado (vitória sobre o Real Madrid). Se fizerem isso, já tá bão demais, sô!  
Martim Francisco não falava “bão” e nem “sô”. Muito provavelmente, mostrara-se brincalhão e amineirara a conversa para o papo do matuto de sua terra fucionar como elemento psicológico. E foi mais além naquela preleção:

Quem esperou pra ver, viu Martim Francisco fazer muito sucesso com o Vasco
- Livinho, como você é meu patrício (é de Governador Valadares), lhe farei um pedido, que poderia ser pro Válter, que é nosso vizinho, alí de São Paulo, gente boa, também. Vi umas prateleiras vazias, lá em São Januário. Acho que o pessoal está precisando de umas taças, pra encher aquilo. Vamos colaborar, conterrâneo? Senão, o cara que limpa aquela sala vai perder o emprego. Sem taça pra limpar, vai fazer o quê?    
Todos os atletas caíram na gargalhada. Principalmente Brito. E a turma foi à luta. Com gols de Vavá (2) e de Válter  (2),  mais uma vitória foi traçada pela moçada, que era: Carlos Alberto; Dario, Viana, Orlando e Ortunho; Laerte e Válter; Sabará, Livinho, Vavá e Pinga – após Vasco 4 x 3  Real Madrid e Vasco  4 x 2 Atlétic Bilbao, o time fez mais estes amistosos: 3 x 1 Valência (20.06); 7 x 2 Barcelona (23.06); 2 x 1 Valência (26.06); 5 x 2 Benfica-POR (30.06) e 3 x 1 Espanyol (03.07).
BOLA FORA - Com mais de um mês longe de casa, a turma do Martim já contabilizava muitos dólares no bolso, provenientes de bons "bichos", pelas dez vitórias conquistadas. Mas havia um problema: ninguém aguentava mais ver a cara da bola. Todos sentiam-se estafados. Mesmo assim, o Vasco os obrigou a jogarem mais. Na então União Soviética. E lá foram, para três amistosos e três derrotas: 1 x 3 Dínamo Kiev; 1 x 3 Dínamo Moscou e 0 x 1 Spartak Moscou. Pra completar os vexames, o time vascaíno chegou mais cansado, ainda, da viagem Moscou-Rio de Janeiro, para estrear no Campeonato Carioca, em 21 de julho, em um clássico, contra o forte Fluminense. Sem tempo para se preparar, o "Almirante" afundou de vez: foi goleado, por 2 x 5.
CANECOS CONTINENTAIS -Além de ganhar torneios internacionais pela Europa, Martim Francisco ajudou o Vasco a carregar canecos, também, pelo continente sul-americano. Em 1957, por exemplo, foi buscar taças no Peru e no Chile.
No Torneio de Santiago, também chamado de Torneio Internacional do Chile", no primeiro jogo, o Vasco venceu o uruguaio Nacional, em 16 de janeiro, por 2 x 1, com gols de Laerte e de Válter Marciano. Passados três dias, decidiu e venceu o local Colo Colo, por 3 x 2, com gols marcados por Válter (2) e Livinho. O técnico Martim Francisdo usou esta formação-base: Wagner, Ortunho e Bellini; Orlando, Laerte (Clever) e Coronel; Sabará, Livinho, Wilson Moreira, Válter e Roberto Pinto.
Depois de vencer em Santiago do Chile, o vasco foi ganhar o Torneio de Lima. Bateu o Municipal, por 4 x 3, em 23 de janeiro; o Sporting Cristal, por 1 x 0, três dias depois, e o Universitário, por 3 x 1, no dia 31. Na estreia, Livinho (2), Sabará e Válter Marciano compareceram ao barbante. No segundo jogo, o goleador foi Laerte, enquanto Livinho, Váler e Artoff fizeram o serviço na última parida. O time-base foi: Wagner, Ortunho e Bellini; Orlando, Laerte e Coronel; Sabará, Livinho, Wilson Moreira, Válter e Roberto Pinto (Artoff). A conquista reafirmava o prestígio adquirido pelos cruzmaltinos em gramados peruanos, a partir de 20 de março de 1954, quando venceram os Combinados Universitário/SportBoys, por 1 x 0; Sucre/Sporting Tabaco, por 1 x 0 (24.03) e Municipal/Centro Iqueño, por 3 x 0 (27.03).
Mesmo conquistando dois torneios importantes no exterior, Martim Francisco não chegou até 1958, como treinador vascaíno. Assim como do América, não saiu bem de São Januário. Sem mais, nem menos, trocou a Colina pelo Parque São Jorge e foi dirigir o Corinthians, querendo abrir mercado no futebol paulista. Voltou, é verdade, mas sem o mesmo sucesso.