Vasco

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sábado, 31 de dezembro de 2011

KLIKE BALL AND VASCO DA GAMA

This is a blog dedicated to the research of the history of Club de Regatas Vasco da Gama , founded in Rio de Janeiro , Brazil , on August 21, 1898 , four young practicing rowing - Henrique Ferreira Monteiro , Luís Antônio Rodrigues , José Alexandre D' Avelar Rodrigues and Manuel Teixeira de Sousa Júnior - in honor of the portuguese explorer discoverer of the sea route to India. Until 1915, Vasco da Gama only competed in rowing. From the following year when he joined the football, it became one of the most admired clubs in the country, for its stance against social injustice.
 
 Currently has one of the largest Brazilian twisted . Nacional champion on four occasions, the Vasco team also has win continental the title on two other occasions , and various international This is a blog dedicated to the research of the history of Club de Regatas Vasco da Gama , founded in Rio de Janeiro , Brazil, on August 21, 1898 , four young practicing rowing - Henrique Ferreira Monteiro, Luís Antônio Rodrigues, José Alexandre D' Avelar Rodrigues and Manuel Teixeira de Sousa Júnior - in honor of the portuguese explorer discoverer of the sea route to India.
Until 1915, Vasco da Gama only competed in rowing. From the following year when he joined the football, it became one of the most admired clubs in the country, for its stance against social injustice. Currently has one of the largest Brazilian twisted. Nacional champion on four occasions, the Vasco team also has won continentel the title on two other occasions , and various international tournaments. The Vasco da Gama uses stark white shirt, or black with a diagonal band (black or white).
 
It is the caravel of portuguese maritime chievements, bringing the Cross of the Order of Christ in red. The shorts and socks are also the shirt , white or black .Vasco da Gama has a stadium, located in General Almério de Moura , opened in 1927 , and was once the largest in Brazil . Kike Ball search to cruzmatina history since december 15, 20010 , having been visited by 120 000 "vasconautas" .The shield you see has been reproduced from the official website do clube - www.crvascodagama.comcombr - to which we appreciate. Besides being good at soccer, Vasco da Gama has dirty twisted in the most beautiful women on the planet. Just check the ones you see in the pictures above and below. Gives?  And you are welcome to Kike Ball. 













 








  



quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

CORREIO DA COLINA - GOIANOS

 "Quando foi o primeiro jogo do Goiás, o meu time, contra o Vasco?" Josélio Pimenta Rodrigues, de Luziânia-GO.
O seu Goiás Esporte Clube é um tradicional “freguês” vascaíno, Jô. Desde 12 de julho de 1958, data do primeiro pega, amistosamente, quando a “Turma da Colina” mandou 6 x 0. Dez anos depois, em 10 de outubro, houve um segundo amistoso, com 2 x 1 cruzmaltinos. Só a partir de 1973 começaram os jogos oficiais entre eles, pelo Campeonato Brasileiro.
O “Almirante” domina as estatísticas, mas o seu principal adversário na região Centro-Oeste lhe mandou 4 x 0, em 7 de outubro de 1995, pelo Brasileirão, no Serra Dourada, em Goiânia. Foi o maior vexame vascaíno nessa relação. Aconteceu em um sábado, diante de 9.096 almas que pagaram R$ 78 mil.630 cruzeiros (moeda da época) para verem o prejuízo carioca no placar, acrescido da expulsão de campo de Pimentel.
Treinado por seu ex-apoiador Carlos Aberto Zanata, o time vascaíno do dia foi: Carlos Germano; Pimentel, Cláudio Gomes, Alex Pinho e Jefferson; Luisinho Quintanilha, Cristiano, Juninho Pernambucano e Richardson (Bruno Carvalho); Valdir “Bigode” e Leonardo Pereira (Brener).

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

ÁLBUM DA COLINA - TELÊMACO FRAZÃO - PÁGINA-1941

                                           O gaúcho Telêmaco Frazão de Lima foi um dos
                                                      comandantes do time cruzmaltino

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

CORREIO DA COLINA - DEVEDOR

 1- "Um amigo diz que o Flamengo tem uma divida de 500 anos com o Vasco em 500. Do que se trata?” Evandro Ferreira, de Taguatinga-DF.
Prezado Vandão! O “Kike”nunca ouviu falar disso, mas imagina que deva ser algo relacionado aos 5 x 1 de 23 de abril de 2000, quando festejava-se os 500 anos do descobrimento do Brasil. Era dia de São Jorge, mas São Januário era o santo forte da paróquia. Naquele dia, a rapaziada sapecou 5 x 1 nos flamenguistas, com Romário (3), Felipe e Pedrinho arrancando as penas do 'Urubu', diante de 53.750 torcedores. A superioridade vascaína foi tão grande que valeu deboches. Pedrinho chegou a fazer embaixadinhas, o que o rival não gostou e partiu para a briga, que terminou com três expulsões de campo, de cada lado – Odvan, Viola, Alex Oliveira (Vsc), Luís Alberto, Beto 'Cachaça' e Fábio Baiano (Fla). Treinado por seu ex-zagueiro Abel Braga, o Vasco massacrou com: Helton; Paulo Miranda, Odvan, Mauro Galvão e Gilberto; Amaral, Nasa, Felipe e Pedrinho; Viola e Romário. Valeu?

2 - "E verdade que os mais de mil gols de Pelé e de Romário são fictícios?" Jovino Dantas, de Propriá, em Sergipe.
Seguinte, grande Jove! Quem patrocina esta tese é a revista paulista “Placar”, a principal do setor esportivo brasileiro. Para aos seus pesquisadores, nem o “Rei Pelé” milesimou. A publicação da Editora Abril só considera jogos oficiais, o que “desmilha” o “Camisa 10”, deixando-o bem longe das 1.283 bolas no filó lhe atribuídas. Com relação a Romário, "Placar" confisca 106 tentos do "Baixinho", principalmente, porque 77 foram em jogos infantis e juvenis e 29 em partidas festivas. No entanto, para o“Kike”, se a bola rolou, passou pelo goleiro e bateu na rede, é gol! Ou não é? A torcida vibra. Antes de ser profissional, Romário não disputa campeonatos federados das categorias de bases? Porque tais jogos e os amistosos não devem valer na contagem do placar?
Metodologias à parte, o “Baixinho” superou o “Rei” em gols oficiais. Se, entre 1957 e 1977, Pelé marcou 720, como quer “Placar”, Romário chegou a 722, de 1985 a 2007. O ídolo vascaíno ganha em um outro lance: maior número de “artilharias”. São 27 comandos de pelotões, em 87 competições oficiais, contra 24 de Pelé, em 63 disputas do mesmo nível. O cruzmaltino teve, ainda, a ponta do Campeonato Brasileiro-2000, ganho pelo Vasco, e que uma briga entre cartolas terminou por transformá-lo em Copa João Havelange.


3 - "Por onde anda o antigo atacante Amarildo, que encerrou a carreira no Vasco?” Jovino Alves, de Pires do Rio-GO
O glorioso Amarildo Tavares Silveira, nascido em Campos-RJ, está aposentado e residindo no bairro da Tijuca, no Rio de Janeiro. Diariamente, pela manhã, ele sai a passear com os seus cachorros e passe pela frente do Maracanã, do qual é vizinho. Amarildo foi vascaíno de 1973 e 1974. Antes, passou por Goytacaz-RJ (1956/57); Flamengo (1958); Botafogo (1959/63); Milan-ITA (1963/67); Fiorentina-ITA (1967/71) e Roma-ITA (1971/72). Seu grande momento foi a Copa do Mundo-1962, no Chile, substituindo o contundido Pelé, em quatro jogos, com 3 gols, dois nos 2 x 1 sobre a Espanha e um nos 3 x 1 contra a então Techecoeslováquia. Amarildo totalizou 25 jogos pela Seleção Brasileira – 17 vitórias, 3 empates e 5 derrotas –, com 9 tentos, em 22 partidas contra seleções nacionais – 15 vitórias, 3 empates, 4 derrotas e 7 gols. Diante de clubes e combinados teve mais três duelos. Venceu dois, perdeu um e mandou duas bolas nas redes. Seus títulos pela Seleção: Taça Oswaldo Cruz-1961/62; Taça Bernardo O'Higgins-1961 e Copa do Mundo-1962, a única que disputou. Ele tinha o apelido de “Possesso”, por ser muito agitado durante as partidas. 

 
 

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

domingo, 25 de dezembro de 2011

VASCO JÁ JOGOU NO DIA DO NATAL?




 











 






Em 10 de abril de 1938, pelo Torneio Início,  nas Laranjeiras, a rapaziada venceu o Madureira, por 3 x 0, mas foi eliminado, no jogo seguinte, pelo Botafogo. Entre 21 de abril e 14 de agosto, rolou Tornei Municipal, sobrando om terceiro lugar. No Campeonato Carioca,   a moçada estreou estragando a festa do Flamengo, que inaugurava o seu estádio. Mandou 2 x 0 no maior rival, em quatro de setembro.
 Embora o “Initium”, como a imprensa escrevia, tivesse sido jogado quase cinco meses antes, o campeonato estadual demorou a começar devido a Copa do Mundo, torneio em que o time brasileiro ficou em terceiro lugar e consagrou o atacante Leônidas da Silva, o principal artilheiro da competição e que motivou a galera. 
 Depois de bater no "Urubu", o "Almirante" seguiu invicto: 4 x 1 Madureira; 2 x 2 Bonsucesso; 3 x 3 São Cristóvão; 0 x 0 Botafogo; 3 x 0 América; 2 x 0 Bangu e 1 x 1 Fluminense. Era uma campanha de candidato ao título. Veio o segundo turno e a invencibilidade prosseguiu: 2 x 1 Flamengo; 2 x 1 Madureira e 2 x 2 Bonsucesso.  Só em 11 e 18 de dezembro o time escorregou ante Botafogo e América. E quem esperava bola de recesso pela noite do Natal enganou-se. O Vasco foi ao gramado de São Januário e voltou a capotar, desta vez diante do Bangu, por 4 x 1.
 Este foi o único jogo do Vasco nos 25 de dezembro.  Depois dele, recuperou-se goleando o São Cristóvão, por 7 x 1, e  voltou a cair – ante os tricolores – –, o que lhe deixou em quarto lugar, com 19 pontos em 16 jogos, com sete vitórias e cinco empates, marcando 37 tentos.
VASCO 4 X 1 BANGU -  O único jogo dos 25 de dezembro, naquele 1938, teve apito de Sahcnez Diaz e o gol vascaíno marcado por Fantoni. O time alinhou: Joel, Jaú e Florindo; Aguirre, Aziz e Marcelino; Lindo, Alfredo, Fantoni, Villadoniga e Luna.
 (Foto de Leônidas da Silva, quando defendeu o Vasco, em 1934, reproduzida de http://www.crvascodagama.com.br/. Agradecimentos.



Isso é o que se chama de "tá mais do que na cara". "Almirante" fica em cima do muro do "Placar", observando a "Estrela Solitária": 1 x 1. É o que conta a chamada de capa da revista paulistana que tem o nome das antigas tabuletas que marcavam os escores das partidas em andamento. Confere?


Pelas décadas-1980/1990, a revista “Placar”, da Editora Abril, tinha um gato como personagem humorístico. Quem quisesse participar  de sua seção deveria escrever para  “A Cesta do Gato”, Caixa Postal 2372, CEP 01051,São Paulo-SP. O espaço era o do tradicional  cartas do leitores, que vem atravessando a história das revistas brasileiras. Em duas páginas, a primeira trazia o nome ‘CARTAS, em  letas maiúsculas, e o desenho do “bichano”, usando aquelas antigas máquinas de datilografia, para responder às “missivas”.  Era algo muito engraçado, bem divertido, como sempre fora a seção, desde o início da revista, em 1970, com leitores trocando farpas e caçoando com os times adversários

Pelo Nº  1036, de 27 de abril de 1990, os leitores vascaínos ocuparam o balaio do gato. Caso de Sonfirere S. de Oliveira, de Açailândia-MA. Ele queria  se corresponder com torcedoras do Vasco, de 15 a 20 anos, para falar de suas vidas particulares. E avisava não ter preconceitos de cor e nem de raça.

Desenhado sentado em uma bola (foto), com cara de injuriado, o gato pensava: Tem gente que não se enxerga”. E classificava o sujeito de nome esquisito de “O pentelho da semana”.

Enquanto isso, Nei.M.M.Filho, do RJ, mandava dizer que o Vasco jamais conquistaria a Taça Libertadores enquanto fosse treinado por Alcir Portella, o qual via entendendo tanto de futebol quanto um astronauta norte-americano de feijoada. Sob o título “Um técnico fora de órbitas”, o gato respondia: “Sei não, mas acho que estão querendo mandar o Alcir para o espaço” – em cima do lance!  

Do lado carioca, Amarildo Alves do Carmo, da tocantinense Araguaína, mexia com os flamenguistas, dizendo-se com um problema: faltava-lhe espaço para colocar tantos "posters" do Vasco campeão na parede. E sugeria que os rubro-negros vendessem os deles para um museu. Abaixo do título “ANTIGUIDADES”, a resposta: “...do jeito que a coisa vai na Libertadores e no Carioca, acho melhor vocês se unirem  para montar um grande museu. Convidem Zico e Dinamite para prestigiar a festas e lembrar dos bons tempos”.

Seguinte: o vascaíno Amarildo cartava a conquista de sete títulos, entre 1987 e 1989 (uma Copa Ouro/EUA; um Brasileirão; bi carioca e tri do espanhol Torneio Ramón de Carranza), enquanto o Flamengo estava há quatro anos sem "canecos" estaduais e há sete sem nacionais. Quando o gato, sugeriu convidar os grandes goleadores dos dois times para relembrar velhos tempos, era porque, naquela temporada-1990, os dois times andavam pisando na bola.
Mais uma? De Campo Grande-MS, Aristeu F. Gonzaga pedia ao gato para tirar uma dúvida, que valia uma "APOSTA" (título). Ele jurava que não, mas um amigo  dizia que o zagueiro Fontana era vascaíno quando disputara a Copa do Mundo-1970, no México. O gato informava que o capixaba José de Anchieta Fontana já era um cruzeirense.   


O "Kike da Bola" procura, para compra, este CD, gravado por Tim Maia, contando o hino do Vasco, em forma de "dance music". Caso você o tenha, ou saiba de alguém que o tem e queira vendê-lo, informe, que uma eventual compra seria para o arquivo do blog. Combinado?





















sábado, 24 de dezembro de 2011

FELIZ NATAL, GALERA VASCAÍNA!

 


 
   O Kike  gosta do espírito natalino, mas não estabelece limites para credos. Aceita todas as tendências que preguem o bem, ensinem o crescimento do homem. Então, diante da multiplicidade  de opções religiosas, pra você que é cristão, um Natal bola na rede. De placa!
 (Foto reproduzia de www.crvascodagama.com.br .

The Kike like the Christmas spirit, but sets no limits on creeds. It supports all tendencies that preach good, teach man's growth. So, given the multiplicity of religious options, for you who are Christian, a Christmas ball in the net. Card!
  (Photo reproduced from www.crvascodagama.com.br.





sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

HISTORI&LENDAS DA COLINA - 1958

 1 - Final do Estadual-1958 – Um cartola vascaíno “achou de achar” que  a "Turma da Colina" caíra, inesperadamente, de produção, porque gente importante, como os zagueiros Bellini e Orlando; o meio-campista Écio e o atacante Almir, entre outros, andavam badalando pelas agitadas “night” de Copacabana, aliado à insatisfação pelo valor dos “bichos” por vitórias. O capitão Bellini, que dividia um apartamento com Almir, na “zona de fogo ardente de Copa”, conseguiu apagar o incêndio, convencendo os dirigentes que eles estavam vendo fantasmas. O time foi para o supercampeonato, venceu o Botafogo e empatou com o Flamengo e carregou a taça para a Colina, em 17 de janeiro já de 1959. Mas deixara Bellini muito magoado.
SINCERAMENTE, se frequentando inferninhos, o Bacalhau virava o diabo, imagine se tivesse um time só de santinhos!.
 
 2 - Antes da final carioca-1958, o Vasco só havia decidido, com o Flamengo em 29.10.1944, no jogo em que o argentino Valido empurrou um zagueiro vascaíno, para fazer Fla 1 x 0, com a anuência de um árbitro botafoguense, que desejava impedir o título cruzmaltino. Há foto do lance provando o erro da arbitragem. O Vasco respondeu, em 13 de junho de 1976, levando a Taça Guanabara, com 5 x 3 nos pênaltis, após 1 x 1 no tempo normal de jogo, e em 28 de setembro de 1977, carregando a Taça Rio, por 5 x 4 nos pênaltis, após 0 x 0 durante os 90 minutos. 
SEGURAMENTE, esta é uma guerra de batalhas eternas de choro livre bilateral.

 3 - Final de 1999 – O atacante Edmundo volta a conviver, em São Januário, com Romário, com quem brigara em 1998. O ‘Animal’, inicialmente, aceita o ‘Baixinho’, com a promessa do presidente Eurico Miranda, de que Romário ficaria só para o Mundial de Clubes da FIFA, em janeiro de 2000. Ambos fazem uma trégua e arrasam o inglês Manchester United. Edmundo, de costas para o marcador Mikaël Silvestre, com um toque na bola, chapelou o adversário, deixou-o ao chão, aplicou outro toque na pelota, encobriu o goleiro Mark Bosnich e levantou a torcida vascaína no Maracanã. Vasco 3 x 1, naquela tarde domingueira.
AALÉM DE ATLETA, o ‘Animal’ tinha outra profissão: chapeleiro.

4 - Final do Campeonato Carioca de 1987 - Mílton Queiroz da Paixão, o meia-atacante carioca vascaíno tinha valentia, habilidade, velocidade e boa pontaria. Campeão brasileiro, em 1989, e da Taça Guanabara de 1990, ele marcou o gol do título estadual de 1987, na final contra o Flamengo. E comemorou correndo com a camisa encobrindo o rosto, gesto que passou a ser imitado pelo país inteiro.
DATA FATAL: para os flamenguistas, que revelaram Tita, aquilo não poderia ter sido verdade. Mas Tita nascera mesmo no “Dia da Mentira” – em primeiro de abril de 1958.
 












 
 
 

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

ÁLBUM DA COLINA - EXPRESSO DA VITÓRIA



A foto era dos tempos do "Expresso da Vitória", quando o Vasco tinha um dos times mais fortes do planeta, entre as décadas-1940/1950. Em conquista de títulos, merecia edição especial, caso desta, de "Esporte Ilustrado". Da esquerda para a direita, em pé, você vê: Barbosa, Augusto, Laerte, Jorge, Danilo e Ely do Amparo; agachados, na mesma ordem: Mário Américo (massagista), Alfredo II, Ipojucan, Ademir Menezes, Maneca e Djayr.
The photo is of the times the "Expresso da Vitória" when Vasco had one of the strongest teams on the planet, between décadas-1940/1950. In winning titles, deserve special issue, this case of "Sports Illustrated." From left to right standing, you see: Barbosa, Augusto, Laertes, Jorge, Danilo and Ely do Amparo; crouched in the same order: Mario Américo (masseur), Alfredo II, Ipojucan, Ademir Menezes, Maneca and Djayr.

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

TRAGÉDIAS DA COLINA - BANGUZADO

O Vasco liderava o Campeonato Carioca de 1955, com um ponto perdido (critério da época) a menos do que o Flamengo. Veio a rodada de 11 de dezembro, e poderia aumentar a diferença, se passasse pelo velho “freguês” Bangu. Mas o que foi que rolou? O líder terminou goleado, por 5 x 0. Uma zebra espantosa. E só não foi pior, porque o rival perdera, também, naquele final de semana.
Cadê a bola, Hélio? O gato comeu?
“Goleado espetacularmente o Vasco” foi o o mínimo que a edição Nº 4 de “Manchete Esportiva”, que chegou às bancas seis dias depois, poderia dizer. “Um escore de 5 x 0 contra um time da categoria do Vasco da Gama parece deixar uma história quilométrica para ser contada”, abria ao texto da crônica do jogo (sem assinatura). Mas o redator explicava, logo, a razão do zebrão: naquele dia: a zaga cruzmaltaina cometera erros clamorosos.

Já que pisara feio na “maricota”, a revista descascou os defensores vascaínos, ao dar-lhes as notas pelas atuações: Hélio ( 5), Haroldo, Laerte e Dario (4). Só livrou as caras de Paulinho de Almeida e de Orlando Peçanha, que tiveram 7. No ataque, só Sílvio Parodi não esteve tão mal avaliado: 6. Os demais foram reprovados: Vavá e Alvinho 4, e Maneca e Pinga 5. Aquela era a quarta vez que os banguenses goleavam os vascaínos. Se bem que a primeira nem pode ser levada em conta, pois, em 15 de junho de 1919, quando levou 4 x 1, amistosamente, o Vasco ainda jogava nas divisões inferiores do futebol carioca, enquanto os alvirrubros já tinham estrada. Mas os 4 x 1, de 25 de dezembro de 1938, e os 6 x 2, de 13 de julho de 1946, foram incontestáveis.
2 - O ex-atacante vascaíno Edílson Silva Ferreira, o 'Capetinha', foi preso, em 2016, em Brasília, acusado de deixar de pagar R$ 430 mil em pensão alimentícia. Ele foi detido no Aeroporto JK e  levado para a carceragem do Departamento de Polícia Especializada do DF. Edílson vinha jogar, pelo Planaltina, a Segunda Divisão do Campeonato Candango e deveria estrear, por aqueles dias, contra o Bolamense. Ele estava com 45 anos de idade. Faz parte do grupo pentacampeão na Copa do Mundo-2002, no Japão. Antes de vir para o Distrito Federal, ele havia defendido, também, na temporada-2016, um time chamado Taboão da Serra,. da Quarta Divisão do Campeonato Paulista. Pelo final de 2015,  Edílson foi denunciado pelo Ministério Público Federal de Goiás, acusado de fazer parte de um grupo que fraudava pagamentos de prêmios de loterias da Caixa Econômica Federal. A denúncia fo aceita, pela Justiça, mas Edílson nega a acusação.

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

A ÚLTIMA ESTAÇÃO DO EXPRESSO


Por aqui, seguramente, pode-se dizer que a Vasco engatou a última marcha do "Expresso da Vitória, o esquadrão que dominou o futebol carioca e brasileiro, durante oito anos. Com esta rapaziada, conquistou o título estadual de 1952. Nesta formação, estão: Barbosa, Danilo Alvim, Haroldo, o capitão Augusto da Costa, Ely do Amparo e Jorge Sacramento, em pé, da esquerda para a direita. Agachados, aparecem o massagista Mário Américo, Edmur, Ipojucan, Ademir Menezes, Maneca Chico Aramburo.
 
Here, surely, it can be said that Vasco hitched last march of "Expresso da Vitória, the squad that dominated the Carioca and Brazilian football for eight years. With this jig, won the state title in 1952.This training, are: Barbosa, Danilo Alvim, Harold, Captain Augusto da Costa, Ely do Amparo and Jorge Sacramento, standing, from left to right Crouched appear the masseuse Mario Americo Edmur, Ipojucan, Ademir Menezes, Maneca Chico Aramburo

Em primeiro e cinco de junho de 1951, respectivamente, o Vasco da Gama goleou o português Sporting, por 5 x 1, e  repetiu o placar diante do Áustria Viena, com ambos os jogos no Maracanã. Três dias depois, mandou 2 x 1 no uruguaio Nacional de Montevidéu. Assim, passou invicto pela primeira fase da disputa, marcando 12 e sofrendo três tentos. Na  segunda fase, o Vasco perdeu, por 1 x 2, e empatou, por 0 x 0, com o Palmeiras, o que o tirou-lhe da decisão do título. A Copa Rio foi a primeira disputas internacional entre times, reunindo, ainda, Estrela Vermelha, da extinta Iugoslávia, Nice, da França, e Juventus, da Itália.   

On June 1 and 5, 1951 respectively, Vasco da Gama thrashed Sporting Clube de Portugal 5 x 1 and repeated the score against Austria Vienna with both games in Maracanã. On the 8th, he sent 2 x 1 in the Uruguayan National of Montevideo. Thus, he passed unbeaten for the first phase of Cop Rio, scoring 12 and suffering three goals. In the second round, Vasco lost 1 x 2, and drew 0- x with Palmeiras, which took him from the decision of the title. The Rio Cup was the first international match between teams, bringing together Red Star, former Yugoslavia, Nice, France and Juventus, Italy.







domingo, 18 de dezembro de 2011

CORREIO DA COLINA - FLAMULEIROS

"Sou colecionador de flâmulas do Vasco e da Seleção Brasileira e possuo, também, uma da revista "Manchete". Tenho conhecimento de colecionadores que existe flâmulas de várias revistas esportivas? Como encontrá-las, vocês sabem? Cláudio Villar, de Cascadura-RJ.
Veja bem, amigo "kikenaut": só entrando em contato com clubes de colecionadores de flâmulas para se descobrir isso. Ou dê uma pesquisada pelo site www.mercadolivre.com.br,  onde a rapaziada vende de tudo. O "Kikão" nada sabe sobre a sua pergunta. Mas, pesquisando nas antigas revistas esportivas – Sport Ilustrado, Globo Sportivo, Manchete Esportiva, Gazeta Esportiva e Revista do Esporte –  encontrou a foto desta flâmula que era sorteada entre os leitores da "RE". Logo, pode haver colecionador no Rio de Janeiro que ainda a tem.
O "Kike" entrou em contato com o amigo Deni Menezes, que trabalhou naquela revista, mas ele não guardou nenhuma. E nem se lembra das cores. Neste caso, vamos perguntar ao Marcelo Moura, artista gráfico do "Jornal de Brasília", pra ver se ele descobre isso, usando as manhas dos computadores. Aguarde resposta pelo seu e-mail. OK?   

sábado, 17 de dezembro de 2011

CORREIO DA COLINA - TATO NA COLINA

 "Apostei com um amigo (vascaíno), que o ponta-esquerda Tato não jogava em nosso time campeão brasileiro em 1989". Everaldo Antônio da Silva Filho, de São Sebastião do Passé-BA.

Everaldo! Pague a aposta, pois, naquela campanha de 9 vitórias, 8 empates e duas quedas, Tato não só jogou, como marcou um dos 27 gols da rapaziada (16 contra). Não se lembra que a imprensa sacaneava, dizendo que o Vasco tinha a dupla caipira Tita e Tato? Pois tinha mesmo. O treinador Nelsinho Rosa armava este time-base: Acácio; Luis Carlos Winck, Marco Aurélio, Quiñones (Célio Silva) e Mazinho (Cássio); Zé do Carmo, Marco Antônio Boiadeiro (Andrade) e William (Tato); Bebeto (Vivinho), Sorato (Tita) e Bismarck.
Agora, anote os números da campanha: 07.09.1989 - Vasco 1 x 0 Cruzeiro. Gol de Vivinho; 10.09 - 1 x 1 Coritiba (Vivinho); 17,09 - 2 x 1 Santos (Bebeto e Marco Antônio "Boiadeiro"); 24.09 - 2 x 2 Bahia ( Bismarck (2); 01.10 0 x 0 Fluminense; 04.10 4 x 1 Goiás (Mazinho, Bebeto, Célio Silva e Bismarck); 08.10- 3 x 1 Grêmio-RS (Bismarck (2) e William): 18.10 - 0 x 1 Palmeiras; 21.10 - 0 x 0 Portuguesa-SP; 25.10 - 1 x 0 Sport (Tato); 29.10 - 0 x 0 São Paulo; 05.11 - 0 x 2 Flamengo; 11.11 - 2 x 2 Inter de Limeira-SP (Tita e Bismarck); 19.11 - 4 x 2 Náutico-PE (Cássio, Bebeto (2) e Bismarck); 26.11 - 1 x 1 Atlético-MG (Bismarck); 29.11 - 2 x 2 Botafogo (Tita e Sorato); 03.12- 1 x 0 Corinthians (Sorato); 10.12 - 2 x 0 Internacional-RS (Bebeto (2); 16.12 - 1 x 0 São Paul (Sorato).

 

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

FOTO DO DIA - SELEVASCO-1989




Em pé, da esquerda para a direita, Mazinho, Luís
Carlos Winck, Zé do Carmo, Quiñones, Odvan e Acácio; agachados na mesma ordem, William, Sorato, Marco Antônio Boiadeiro, Bebeto e Bismarck.   

Na tarde de 16 de dezembro de 1989, o Vasco foi ao estádio do Morumbi e venceu o São Paulo, por 1 x 0, com gol marcado por Sorato, e conquistu o seu segundo título de campeão do futebol brasileiro. 
 
).


quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

KIKE FECHA PRIMEIRA TEMPORADA

http://www.kikedabola.blogspot.com/ faz, hoje, uma temporada no ar. Foi criado, em 15 de dezembro de 2010, pelo programador de informática Romulo Bello, para o jornalista Gustavo Mariani, que pesquisa, redige e o edita. Neste primeiro giro pelo calendário, foram colocadas na tela 14 matérias, em 2010, e 705, até este momento, 15h15, de 15 de dezembro de 2011. Todas envolvem a história do Club de Regatas Vasco da Gama e foram lidas por 16.398 internautas.
 Continue ligado no "Kike", que mais emoções virão por aí. Ah! Observe que a foto de abertura mudou. A anterior homenageava o Combinado Vasco-Santos, que disputou o Torneio Morumbi, em 1956, e conquistou o primeiro título da carreira do "Camisa 10", fato já destacado por ele. Esta nova é do time campeão carioca de 1952, no último ano da máquina cruzmaltina chamada "Expresso da Vitória", que foi uma das mais fortes do planeta durante oito anos.

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

HISTORI&LENDAS - PIXOTE DOS PIXOTES

1 - Em 24 de outubro, o Vasco da Gama solicitou filiação à União Fluminense de Regatas.  O futebol, no entanto, só  foi aderido pelo clubes a partir de 26 de novembro de 1915, dois anos após a visita ao Rio de Janeiro de uma seleção lisboeta, que vieras inaugurar o campo do Botafogo, na  Rua General Severiano. O fato animou a colônia portuguesa a fundar três clubes para a prática futebolística. Mas eles tiveram vida curta. O Vasco, então, uniu-se ao Lusitânia e iniciou-se a fusão em 11 de novembro de 1915, para termina-la 154 dias depois, fazendo surgir o departamento de futebol vascaíno. Empossada uma nova diretoria naquele ano, o Vasco filiou-se à Liga Metropolitana de Futebol, sendo inscrito em 29 de fevereiro do ano seguinte.

2 - Em 1916, rolava o Vasco a bola pela Terceira Divisão do Campeonato Carioca. A sua estreia foi um vexame. Perdeu, em 3 de maio de 1916, por 10 x 1, do  Paladino Futebol Club, com o seu primeiro gol marcado por Adão Antônio Brandão (foto). A primeira vitória só foi acontecer em 29 de outubro daquele mesmo ano, por 2 x 1 sobre o River, na Rua Figueira de Mello, em jogo apitado por Horácio Salema Ribeiro. Os gols foram marcados por Alberto, aos 10; Rocha II, aos 28, e Cândido, aos 34 minutos.

3 - O River, fundado em 1914, no bairro da Piedade, foi para aquele jogo com apenas nove jogadores (Motta, Rocha I e Barbosa; Rocha II, Julinho e Grande; Cyro, Luciano e Oliveira), enquanto o time vascaíno estava completo: Ary Correia, Jaime Guedes e Augusto Azevedo; Victorino Rezende, João Lamego e Manuel Baptista; Bernardino Rodrigues, Adão Antônio Brandão, Joaquim de Oliveira, Alberto Costa Júnior e Cândido Almeida. 
  

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

VASCO DAS CAPAS - ERA DE OURO

Durante a fase em que surgiu a Bossa Nova, construiu-se Brasília e nasceu a indústria automobilística brasileira, entre outros itens, o Vasco da Gama conquistou quatro Campeonatos Cariocas (1950/52/56/58); um torneio Rio-São Paulo (1958),  que equivalia ao Brasileirão de hoje, e o Torneio de Paris (1957), batendo o tremendo timaço do Real Madrid, o então melhor do planeta, liderado por Di Stefano.  Pela metade daqueles tempos, o treinador Martim Francisco, campeão estadual-1956, dispôs de um tremendo ataque, que a semanária carioca "Esporte Ilustrado" levou para uma de suas caspas, onde você vê Vavá, Válter Marciano (em pé), Sabará, Livinho e Pinga (agachados). Exceto Livinho, todos chegaram à Seleção Brasileira, bem como Delém que foi capa da "Revista do Esporte". 
Este fez a sua grande atuação com a camisa canarinha na Argentina, quando encantou os "Hermanos". Resultado: foi contratado pelo River Plate e viveu o restante de sua carreira na Argentina. Já no finalzinho dela, em 1967, voltou ao Brasil e defendeu o América. Depois, voltou à Argentina e voltou a viver por lá. É apontado como um descobridores de Diego Armando Maradona.
     
During the "Golden Decade", as it was called the 1950s, when Bossa Nova emerged, Brasília was built and the Brazilian automobile industry was born, among other items, Vasco das Gama won four Carioca Championships (1950/52/56 / 58); A Rio-São Paulo tournament (1958), which was equivalent to the Brasileirão of today, and the Tournament of Paris (1957), beating the tremendous titmouse of Real Madrid, the then best of the planet, led by Di Stefano.
For half of those times, coach Martim Francisco, state champion-1956, had a tremendous attack, which the Rio weekly "Esporte Ilustrado" took to one of its covers, where you see Vavá, Válter Marciano (standing), Sabará, Livinho and Pinga (squatting). Except Livinho, all arrived at the Brazilian National Team, as well as Delém, who was the cover of "Revista do Esporte".
This made his great performance with the shirt canarinha in Argentina, when enchanted the "Brothers". Result: he was hired by River Plate and lived the rest of his career in Argentina. Already at the very end of her, in 1967, she returned to Brazil and defended America. Then he returned to Argentina and returned to live there. He is appointed as a discoverer of Diego Armando Maradona.
    

sábado, 10 de dezembro de 2011

VASCO OFERECE AVIÃO AO BRASIL

Por intermédio dos presidentes Joaquim Pereira Ramos e Cyro Aranha, o Club de Regatas Vasco da Gama ofereceu, respectivamente, um telescópio de grande alcance à Marinha e um avião Pax à Força Aérea Brasileira.
Para o segundo caso, criou-se a comissão constituída pelos vascaínos Castro Filho, Eurico Serzedelo, Rufino Ferreira, Arthur da Fonseca Soares (Cordinha), Lauro da Costa Rebelo, Bernadino Buentes, José Teixeira, Moacyr Siqueira Queiroz, José Ribeiro de Paiva (Almirante) e João Lamosa, presididos "Almirante". Este, "Cordinha" e Lamosa providenciaram a feitura de distintivos de lapela com a inscrição "Avião Vasco da Gama", ofertada aos contribuintes. Em 20 dias, o projeto era real, com entrega no dia 10 de dezembro de 1942, no estádio São Januário, a 10 de dezembro de 1942, na preliminar da final do campeonato brasileiro de seleções, entre o Distrito Federal e São Paulo.
O  Ministério da Aeronáutica foi representado na entrega por Pedro Calmon, representando o ministro, que designou a oferta para o baiano Aeroclube de Salvador, a fim de servir de instrução a novos pilotos. O batismo do aparelho ficou a cargo de o vascaíno Joaquim Fagundes Leal. (foto).
José da Silva Rocha (Rochinha), ex-presidente e historiador vascaíno, registrado assim, pelo jornal “A Noite”, o discurso do chamado “Professor” Castro Filho sobre o fato:

Joaquim Fagundes Leal batiza o avião oferecido à Força Aérea Brasileira 
"Eu me sentia desligado daquela praça verde, palco de lutas desportivas gigantescas. O meu pensamento vagueava por outras paragens: o campo de lutas sangrentas e irreparáveis em que, naquela hora, por certo, preliavam, como heróis, muitos dos nossos atletas, tantos dos moços que ali receberam as primeiras lições de coragem e de civismo. O meu olhar turvado de lágrimas, estava preso aos graciosos movimentos do Pavilhão Nacional do grande mastro. Parecia-me ver nesse ondular de verde e ouro o aceno protetor e amigo do reconhecimento; eu via a Bandeira do Brasil a acenar para todos, como se lhes dissesse comovida: - Obrigada, Vasco, muito obrigada vascaínos; Deus vos conserve esse grande, esse imenso coração!"
Pesquisa e foto do Centro de Memória do Vasco da Gama. AGRADECIMENTO.


sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

MUSA VASCAÍNA DO DIA - JESSICA

 Nesta foto de papel de parede, reproduzida do site www.musasgatasfc.com.br, você curte a beleza total da jovem torcedora vascaína. Beleza e inteligência. A mulher vascaína tem estas duas qualidades, indiscutivelmente. Jessica Lopes é, também, uma das modelos mais bonitas destas plagas verde-e-amarelo. 
 

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

MÃO BRANCA NA GALERA DA COLINA?

 Falei na faculdade que eu era torcedor do Vasco e desejava ser jornalista esportivo, para fazer cobertura do clube. Então, o professor perguntou seu e sabia que o bandido ‘Mão Branca’ fora criado por um jornalista cruzmaltino, em uma tarde, em São Januário, quando o goleiro Hélcio jogava com luvas escandalosamente brancas. Verdade?” Gustavo Osires, do Meier-RJ.

Xará! Com certeza, é mais uma das tantas lendas que o torcedor inventa. Coisas daqueles vascaínos que colocam Deus e o Diabo compadres na mesa do boteco. Se isso não tem no site do Mauro Prais (maior pesquisador vascaíno), não deve ser verdade. Verdade só uma: o “Mão Branca” foi uma invenção do repórter Jorge Elias, no diário carioca "Última Hora", para pressionar as autoridades a atuar mais forte no combate ao crime. Só que o personagem caiu no gosto popular e virou herói da Baixadas Fluminense. É disso que a imprensa gosta. Então, rádio, jornal e televisão não perdeu tempo. Só dava o “Mão Branca” nas bancas e na telinha da TV, tornando-se o maior vendedor de jornais e o dono das maiores audiências do JR.
Segundo o maior repórter policial já surgido nesse país, Amado Ribeiro, com quem trabalhei na “Última Hora de Brasília”, o Jorge Elias iria chamar o bandido-personagem de “Mão Pelada”. Mas no momento em que iria entregar a matéria ao chefe de repotagem, trocou o nome, para “Mão Branca”, por ter olhado para um cartaz cartaz publicitário apregado na parede atrás de onde ele sentava-se.
O CARA - Élcio, ele era o terceiro goleiro do Vasco. O técnico Elba de Pádua Lima, o glorioso “Tim”, tinha o argentino Edgardo Norberto Andrada, em grande forma, e Valdir Appel, que havia sido titular, como reserva imediata. No entanto, quis o destino que o Élcio Araújo fosse o camisa 1 vascaíno no jogo em que o Vasco quebrou o tabu, de 11 anos e 8 meses, sem ser campeão carioca, vencendo o Botafogo, em 17 de setembro de 1970, no Maracanã, por 2 x 1. Oficialmente, Andrada estava contundido, enquanto surgiam fofocas de que ele estaria “vendido”, coisa de botafoguense, com certeza, para desestabilizar o time vascaíno. Já que Valdir andou pisando na bola, após ter feito defesas milagrosas, em muitas partidas, Tim resolveu escalar Élcio, nos dois jogos que fecharam a campanha.
DETALHE: Élcio; Fidélis, Moacir, Renê e Eberval; Alcir e Buglê; Luís Carlos (Ademir), Valfrido, Silva e Gilson Nunes foi a escalação vascaína da penúltima e da última rodadas do Cariocão-1970. No entanto, em todas as fotos do time campeão as revistas usaram uma antiga, na qual aparece na Andrada, com esta que você vê. Do esquecido Élcio, nem o site oficial do Vasco (www.crvascodagama.com.br) fez menção. Cá pra nós: o “Mão Branca” estava “éfe” e mal pago, se tivesse sido inspirado em um goleiro que, quando teve a chance de atuar, levou três gols em dois jogos. Ainda bem que ele nasceu dez anos após Élcio ter sido goleiro do Vasco! (foto do arquivo de Amado Ribeiro, segundo o qual, lhe fora dada por Gil Pinheiro, que taalhava para as revsitas Fatos&Fotos e Manchete)

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

o time do postal - revisar

                                                         


                                                                         O TIME DO POSTAL

                                                                          PAPO ESTRELA
                                                                     Texto de apresentação

 No dia 30 de março de 1969, o treinador Gérson dos Santos (*) mandou ao gamado do Mineirão, pela primeira vez, e repetiu uma equipe que iniciou as cinco partidas seguintes – Raul; Pedro Paulo, Mário Tito, Fontana e Wanderley;  Wilson Piazza e Zé Carlos; Natal, Dirceu Lopes, Tostão e Rodrigues. Durante o decorrer desses jogos, ele fez três modificações, lançando o zagueiro Raul Fernandes (*) e os atacantes Evaldo e Hílton Oliveira (*), sem que o nível técnico caísse. Com estra rapaziada,  o Cruzeiro venceu os seis compromissos, marcando 13 vezes e não levando gols.
 A formação carregou o time estrelado ao tetracampeonato mineiro, feito inédito em sua história, antes das últimas três rodadas do Campeonato Mineiro, além de bater o recorde de invencibilidade do futebol brasileiro – 35 jogos oficiais –, tirando-o do Corinthians (33) e fechando a temporada sendo o maior, também, em arrecadação, ataque mais positivo e defesa menos vazada. 
 Depois do tetra, circulou pelas bancas de revista de Belo Horizonte um cartão postal com o time posado, turma que,  conquistou, também, o segundo título estadual cruzeirense invicto. Muito provavelmente, a foto foi batida antes do clássico contra o Atlético-MG, em 4 de maio daquele 1969, quando, ainda, não era costume dar crédito aos fotógrafos, razão de o autor do 'click' não ter o seu nome por aqui citado.

 Depois do Cruzeiro, vários outros times brasileiros foram expostos em cartões postais, como o Vasco da Gama campeão da Taça Libertadores-1998, o Internacional e até a Seleção Brasileira. 
 Dos 11 atletas posados no postal cruzeirense, quatro estão no grupo dos que mais atuaram com a camisa azul –  Zé Carlos (619); Dirceu Lopes (601); Wilson Piazza (556) e Raul (549). Dificilmente, eles serão ultrapassados, devido a altíssima rotatividade dos atletas de hoje. Os sete restantes  – os laterais Wanderley (526) e Pedro Paulo (393) são sexto e 15º, respectivamente. Tostão (373) é o 18º e Natal (245) o 44º– figuram entre os 20 mais escalados. Há, ainda, os zagueiros Fontana e Mário Tito, respectivamente, com 158 e 64 partidas, e o ponteiro-esquerdo Rodrigues, com 172.  O líder da estatística das atuações cruzeirenses, hoje, é o goleiro Fabio, que tinha 800 partidas até 21.10.2018.

Encerrado o ciclo do maravilhoso time que chegou a pentacampeão mineiro, o grupo que o sucedeu teve o atacante Eduardo Amorim disputando 544 partidas e ficando como o quinto mais + mais raposeiro. Ele, no entanto, representa já uma fase em que o Cruzeiro passou a disputar muito mais compromissos. Antes da ser campeão da Taça Brasil, em 1966 (*), excursões e jogos pelo exterior, dificilmente, jogava-se fora da toca da "Raposa" – símbolo do clube, criado pelo desenhista Fernando Pierucetti, o Mangabeira.
Outros três atletas pós-time do postal completam os 11 mais gritados pela torcida cruzeirense: Joãozinho (João Soares Almeida Filho), ponta-esquerda driblador, que explodiu a partir da metade de década-1970. Tem 471 atuações; Ademir Roque Kaefler, apoiador gaúcho, com 440, e Ricardinho, (Ricardo Alexandre Santos), totalizando 415. O 11º é o zagueiro Vavá, que participou do grupo do penta.
 Embora Tostão, o maior ídolo do “time do postal” fique com a modesta 13º posição no "ranking" dos mais atuantes, ele é o maior goleador da história cruzeirense, com 242 tentos, seguido pelo colega de época Dirceu Lopes, com  223. Zé Carlos, que atuava pela meia, mas podia ser volante, fica em 20º, mandando 83 bolas  às redes, enquanto Natal está em 25º, com 71. De sua parte, Rodrigues não aparece na relação dos que saíram para o abraço acima de 50 vezes .
Na turma da "sucessão",  Palhinha (Vanderley Eustáquio Oliveira), autor de 145 tentos, está em sétimo lugar. Marcou menos do que Niginho (Leonízio Fantoni), com 207, entre 1929 e 1947; Bengala (Ítalo Frattesi) , 168 gols, de 1927 a 1939; Marcelo Ramos, 162, entre 1995 a 2003, e Ninão (João Fantoni), 156, de 1923 a 1938.                      
Vale registrar, também, que o melhor Cruzeiro de todos os tempos - o clube surgiu com a colônia italiana de Belo Horizonte fundando a Societá Sportiva Paletra Itália, em 1921 -  inclui cinco caras do "Time do Postal" -  Raul, Piazza, Natal, Tostão e Dirceu Lopes -, o que representa quase a metade de uma equipe.          
 A escalação dos "maiorais" saiu de uma pesquisa divulgada pela revista paulistana "Placar", da Editora Abril e a melhor já surgidas no jornalismo esportivo brasileiro - número 651, de 12 de novembro de 1982 -, informando ter a eleição sido feita por consulta a jornalistas, torcedores, dirigentes e atletas.      
    Leia, agora,  a história contada pelo "Time do Postal". E tire o chapéu para os caras levaram o Cruzeiro ao penta mineiro (*).    

                                                                      RAUL
                                                

 Alto – 1m82cm –, aloirado, com olhos verde garrafa,  sempre sorridente, ele era o galã do "Time do Postal" e de todos os montados pelos cruzeirense nas décadas-1960/1970. Por ser o goleiro mais cabeludo do futebol brasileiro, era comparado aos astros do “iê-iê-iê”, a brasa musical que fez sucesso paralelo ao "Cruzeiro penta". Garantia que os cabelos longos não lhe atrapalharem. Ao contrário, ajudavam a aumentar o seu entusiasmo durante as partidas, devido os aplausos femininos . “Sou cabeludo conscientemente e o serei até o dia em que os cabelos longos estiverem na moda. Quando ela passar...verão o goleiro do Cruzeiro sentado...na cadeira do barbeiro...”, prometeu à Revista do Esporte de Nº 415, de 18.02.1967. (*)
 De olho na idolatria feminina por Raul, uma fábrica de discos o convidou a gravar uma música. Ele topou e foi badalado pelas emissoras de rádio, interpretando a canção-poema “I love you”, que já vinha fazendo sucesso na voz do ator Anthony Quin. Com Raul, o sucesso dobrou, em Belo Horizonte, principalmente após o Cruzeiro conquistar o tri estadual. Também, a Lux Filmes, do Rio de Janeiro (*) sondou-lhe da possibilidade de ele aceitar ser o galã de uma produção musical, o que não topou. Achava já ter fãs demais. E um bom salário, passando muito longe daquele Cr$ 100 cruzeiros de luvas e Cr$ 20 mensais do seu primeiro contrato, assinado com o Atlético-PR – já era proprietário de dois apartamentos alugados, em "Belô" o que lhe proporcionavam uma boa renda.
 Mesmo contando com torcida feminina organizada, repleta de adolescentes, aos 23 anos de idade, no embalo do tri cruzeirense, Raul garantia não ter namorada. Dizia-se muito novo para se amarrar. Mas andava, rigorosamente, na moda, quando a onda da juventude era ditada pela Jovem Guarda do cantor e Roberto Carlos.
 Embora gostasse da minissaia das meninas lindas, Raul via as mulheres, também,  ficando uma fada quando usavam vestidos de baile. Para os assovios dos torcedores atleticanos, por causa da sua camisa amarela, ele não ligava. Considerava-os “grandes despeitados, invejosos do seu sucesso junto às gatinhas". 
Nascido em Curitiba, em 27 de julho de 1945, Raul Guilherme Plassman – filho  do alemão Guilherme e da brasileira Lavínia –, foi parar no Cruzeiro como contrapeso de uma negociação que levou o também goleiro Fábio, para o São Paulo, clube que tirou-lhe do Atlético Paranaense e não deu-lhe chances de disputar a camisa de titular. Sorte dele, pois emplacou com a pele da “Raposa”. Por sinal, sorte anunciada tão logo pisou em Belo Horizonte, encontrando uma nota de Cr$ 1 cruzeiro rolando pelo chão. Ficou pouco tempo no banco dos reservas e quando entrou no time não saiu mais. Melhor: foi promovido, também, no bolso - Cr$ 2 milhões de luvas e Cr$ 300 mil mensais de salário - e ganhou casa e comida pagos pelo patrão.
 Raul atribuía muito do seu sucesso à “boa defesa” do time cruzeirense. Não vinha um determinado centro futebolístico do país melhor do que um outro, para um atleta emplacar, e propagava uma filosofia: goleiro, mesmos com todos os preparativos técnicos, depende muito da sua sorte e da falta desta para os atacantes.
 Para ele, os 82 quilos que mantinha, compatíveis com a sua altura, ajudavam a ter o físico ideal para a sua posição. “Não tenho dificuldades para defender bolas altas ou baixas. A minha mobilidade é muito boa”, dizia, embora preferisse os chutes rasteiros, por ver muitos atacantes aproveitando o jogo aéreo para atingir os goleiros. Quanto a jogar em dia chuvoso ou de sol, preferia a segunda opção, por não precisar de esforço terrível para desfiar um chute com bola molhada. “Até com as pontas dos dedos desviamos o curso de uma bola seca”, justificava.
 Raul deixava curiosos os repórteres que o viam usando calções largos, os quais, garantia, permitiam mais mobilidade. Sujeito de respostas rápidas, ele não titubeava para considerar Pelé e o colega Wilson Piazza grandes craque; o zagueiro vascaíno Fontana a referência do jogador violento (ainda não jogavam juntos);  o árbitro Armando Marques o melhor do país; o Mineirão tendo o melhor gamado em que atuara e a televisão maior invento humano. Fazendo autocrítica, admirava a sua sinceridade. Concordava que falava demais durante as partidas e, diferentemente dos demais colgas, até gostava das concentrações.    
FESTA NO ALTAR-  Após nove jogos pelo São Paulo, Raul contou com três fatos para fazer sucesso em Minas Gerais: 1 - era um sujeito bonitão; 2 -  bom goleiro; 3 - o acaso colocou, acidentalmente, uma camisa amarela em seu caminho. A jaqueta que deveria usar em uma tarde de domingo não coube nele, levando o colega Neco (*) a emprestar-lhe uma blusa de frio que foi numerada nos instantes de o time entrar em campo. Pareceu ter sido comprada para ele.
 Ao aparecer no gramado do Mineirão vestido com a cor que nenhum goleiro brasileiro usava, Raul assombrou a conservadora torcida mineira. Involuntariamente, lançou moda e ganhou fã clube das gatinhas que passaram a usar blusas naquela tonalidade durante os jogos da "Raposa". Pentacampeão mineiro –1965 a 1969 – e da Taça Brasil  –1966 – Raul viveu a glória que um goleiro jamais imaginaria no futebol brasileiro.  Se o Cruzeiro levava mais de 100 mil torcedores ao Mineirão, boa parte era por conta de sua torcida feminina.
 Um dia, porém, Raul desagradou ao seu fã clube. Anunciou o seu casamento, com Maria Carmem, uma estudante de enfermagem e de artes plásticas. Foi o bastante para rolarem ameaças e acusações. Muitas garotas disseram-se gravidas dele e não o aceitavam de argola no dedo anelar da mão esquerda. Prometeram tumultuar o seu casório.
 Era 15 de dezembro de 1969, quando Raul compareceu à belo-horizontina Basílica de Lourdes, para casar-se. Antes, fora preciso preciso pedir proteção à Polícia Militar, que enviou ao templo 42 homens e quatro radiopatrulhas. A sua sogra Nair ficou assustadíssima. Mesmo assim, o grande aparato policial não conseguiu impedir que, desde às 14 horas, as fãs começassem a invadir a igreja.
 Foi o acontecimento social do ano, em BH. Duas TVs transmitiram, ao vivo, choros, gritos histéricos de fãs,  empurrões, tudo o que rolava. Em 30 anos de vida da basílica, jamais acontecera algo igual por ali, segundo os padres da paróquia.
Às 18h15, Raul começou a caminhar para o altar, levado pelos seus pais. Vendo-o passar, estavam vários dos seus colegas de times, entre os quais Tostão, Dirceu Lopes, Piazza, Evaldo e Fontana, também aclamados pelos torcedores. Pouco depois, surgiu Maria Carmen, levada pela mãe e tendo por padrinho o ex-presidente da república Juscelino Kubitscheck.  
Àquele instante, a maioria dos presentes estava em cima dos bancos. Os fotógrafos só faltavam subir no altar para clicar o padre Isidoro de Nadai, cruzeirense fanático, bem como os outros seis padres participantes da celebração matrimonial.
 Passado tudo aquilo e chegada a convocação da Seleção Brasileira que iria treinar para a Copa do Mundo-1970,  Raul não estava  na lista. Atribuía tudo à sua fama de  muito mulherengo, conquistador. Mas jurava que o casamento o levara para longe “dos tempos do homem da camisa amarela”, quando revistas e jornais o chamava de galã, “beatle dos gramados”.  


                                                                  PEDRO PAULO 
Pedro Paulo é o segundo, da esquerda para a direita, em pé

    Lateral-direito que sabia jogar usando a técnica, motivo que o levara a titular no time cruzeirense, ele carregava uma filosofia para os gramados: as vezes, zagueiro deve entrar mais duro no lance, para impor respeito.
Nascido na mineira Pedro Leopoldo, em 15 de agosto de 1945, Pedro Paulo Teles Marcelino  esteve estrelado, entre 1963 a 1974, por 393 jogos. Marcou quatro gols e está na história da “Raposa” como o atleta que mais pisou no gramado do Mineirão, em 1966, por 41 vezes, em uma dos melhores temporadas da história cruzeirense, pela qual ficou tri estadual e campeão da Taça Brasil-1966. Repetiu a dose na temporada seguinte, com 37 atuações, uma a mais do que astros como Dirceu Lopes,  Natal e Raul, e, em 1968, com as mesmas 37 escalações, duas a mais do que Tostão.
 Chamado pela torcida por “PP”, quando chegou ao Cruzeiro, em 1963, Pedro Paulo foi para a equipe juvenil. Em 1964, subiu ao time A, após formar, com o conterrâneo Dirceu Lopes, o meio-de-campo que levara a garotada ao título estadual da temporada. Jogava pelo chamado “contrato de gaveta”. Quando foi registrado, ganhou um Fusca-1964 e uma casa, no bairro do Horto Florestal, o que jamais sonhara em seus inícios de sua história, em 1956, quando defendia o Industriário Atlético Clube, de sua cidade.
 No mesmo 1964 em que foi promovido ao grupo principal cruzeirense, Pedro Paulo viveu a alegria do sucesso no futebol estrelado. Casou-se com Madalena Silva Marcelino e, logo, gerou o “Pepezinho”, isto é, Pedro Paulo Júnior.
Garoto pobre que só pudera estudar até a (antiga) primeira série primária, Pedro Paulo vivia um sonho como titular do grande time cruzeirense. Era sempre requisitado para entrevistas e pedidos de autógrafos. Ficavam distante os tempos de garoto, quando ele planejava, um dia,  em vestir a camisa do Fluminense e levantar a torcida no Maracanã. Em sua nova realidade, já pensava ser fazendeiro e investir na compra de apartamentos. Calculava ser possível, baseando-se nos Cr$ 6 milhões de cruzeiros (moeda da época) que o seu grupo havia embolsado, de gratificações, entre 1965 e 1967.  
  Considerado pela imprensa mineira como dono de uma carreira, tecnicamente, “irrepreensível”, o PP ainda ficou na história estrelada como um símbolo de raça, de força física, do jogo simples, da objetividade e  pela facilidade com que atacava, não muito comum entre os laterais de sua época. Fazia cruzamentos açucarados para o ponteiro Natal.
Antes de ser centro-médio (espécia dos atuais volantes) do Industriário, o PP havia defendido o Social Olímpico Ferroviário, do Horto, bairro de BH. Foi por ali que o médico cruzeirense Joaquim Daniel o viu jogar e o convidou a treinar com a turma da “Raposa”. 
Já cruzeirense, o treinador Mário Celso de Abreu, o Marão, o fixou pela lateral-direita celeste, em 1964. Ele chegara a jogar algumas partidas pelo time A, em 1963, mas teve de esperar pela saída do titular Massinha (para o Vasco da Gama). Firmando-se titular, foi convocado para os selecionados mineiros formados em 1967 e em 1970. 
Em 1968, Pedro Paulo vestiu a camisa da Seleção Brasileira dos 3 x 2 Argentina, amistosamente, no Mineirão, com o time "mineiro-canarinho" alinhando nove cruzeirenses e dois atleticanos.
O fim de linha de PP no Cruzeiro pode ser demarcado em 21 de maio de 1972, quando ele sofreu ruptura total dos ligamentos, durante partida contra o “Galo” (*). Passou quatro meses em tratamento e, em 1973, com a chegada de Nelinho, perdeu a posição - para sempre. Voltou a jogar, mas improvisado como zagueiro e volante. Esteve emprestado à Caldense, para um amistoso, no mesmo ano, e tornou-se ex-cruzeirense em fevereiro de 1974. Foi embora levando na bagagem os títulos de campeão da Taça Brasil-1966; dos Campeonatos Mineiros-1965/66/67/68/69/72/73 e Taça Minas Gerais-1973.
Pedro Paulo defendeu, ainda, os times do Atlético-PR, Paysandu-PA, União Bandeirantes-PR, Emelec-EQU, Vitória-BA e Náutico-PE, este em 1974. Foi autor de um feito inesquecível: em 9 de julho de 1966, marcou gol 100 da história do clube, em Cruzeiro 4 x 1 Uberlândia, pelo Estadual. Aconteceu no Mineirão, aos 22 minutos do segundo tempo, com o treinador Aírton Moreira escalando este time: Raul; Pedro Paulo, Vavá, Cláudio e Neco; Piazza e Dirceu Lopes; Natal, Evaldo, Batista e Hílton Oliveira.  Só 3.169 pagantes testemunharam. 
Pedro Paulo viveu por 62 anos, até 14 de fevereiro de 2008,  levado por um acidente vascular cerebral, sofrido no 25.12.2007.

                                                           MÁRIO TITO 
 O Cruzeiro foi buscá-lo no Bangu, pelo qual fora eleito melhor zagueiro central do Campeonato Carioca-1962, atuando com cabeça erguida, muita tranquilidade e demonstrando  intimidade com a bola, sobretudo quando a liberava, até pegando pela frente feras como os botafoguenses Garrincha, Amarildo e Quarentinha; os rubro-negros Dida e Henrique, e o cruzmaltino Saulzinho, entre outros “matadores”.
 Mário Tito, zagueiro de ótima estatura –1m87cm– para a sua época – calçava 42. Jogava bem, era elogiado, mas não conquistava títulos. Só mudou a sorte durante a temporada-1966, quando os “Mulatinhos Rosados de Moça Bonita” carregaram o caneco carioca (sem discussão), o que favoreceu a sua contratação pelo Cruzeiro. Ele dizia-se cansado ver a sua equipe considerada  boa, certinha e chegando sempre perto do título, que não o conquistava sob as críticas de ser  considerado um “time sem camisa para ganhar campeonato”. Com a turma da “Raposa”, a coisa mudou.
Por ser de família pobre, Mário Tito foi obrigado a começar as trabalhar muito cedo, para ajudar nas despesas de casa. Por causa daquilo, só frequentou a escola até o final do curso fundamental. E nunca mais voltou a sentar-se em um banco escolar.
  Nascido, em Bom Jardim-RJ, em 6 de novembro de 1940 – filho de Francisco Tito com Etelvina da Conceição Tito – foi em sua cidade que ele começou a sua história boleira. Aos 13 de idade, defendia os infantis do Bom Jardim Esporte Clube, disputando o campeonato da Liga Friburguense. Inicialmente, ele era ponta-de-lança, espécie de homem-gol, antigamente. Aos 17, já jogava pelo time principal, o que o encorajou a tentar  a sorte no Vasco da Gama. Mas, como não lhe deram chance de mostrar serviço, voltou para a sua terra e foi visto jogando pelo dirigente banguense Euzébio de Andrade, fazendeiro na região.
 Por ter gostado muito do estilo de Mário Tito, o cartola levou-o para Moça Bonita, onde deram-lhe o  seu primeiro contrato para assinar, como profissional, em 1º de outubro de 1959, ganhando Cr$ 6 mil cruzeiros mensais. Ajuizado, pegou as primeiras economias e comprou uma casa, em sua terra, além de um caminhão. Embora tivesse se tornado banguense devido ao mais importante dirigente alvirrubro, Mário Tito não foi logo para o grupo principal. Passou pelos aspirantes, até ser promovido pelo treinador Elba de Pádua Lima, o Tim.
  Dono de olhos castanhos escuros e de cabelos pretos, Mário Tito mantinha o peso de 72 quilos para jogar bem, sem precisar de fazer regime. Católico, devoto de Nossa Senhora de Fátima, casado, com Maria da Glória, ele não gostava de conversar sobre política partidária, como a maioria dos atletas do futebol. Preferia ouvir música, ir ao cinema, traçar uma saborosa maionese com legumes e fumar cigarros da marca "Minister".
 Mário Tito chegou ao Cruzeiro, em 1968, levando no currículo só os títulos de campeão do Torneio Início-1964 (espécie de festival de futebol na abertura das temporadas estaduais, com jogos de tiro curto) e do Estadual-1966. De feito grande, teve, também, a oportunidade de vestir a camisa da Seleção Brasileira, jogando ao lado de futuros companheiros, pois o time era um autêntico selecionado mineiro representando a Confederação Brasileira de Desportos no Campeonato Sul-Americano.
O grupo foi reforçado pelo lateral-direito Jorge, campeão carioca-1960, pelo América, e o artilheiro gaúcho Flávio "Minuano", do Internacional. Os demais jogadores eram de times paulistas interioranos - Ilton Vacari e Amauri, do (Guarani. de Campinas; Amauri Silva e Marco Antônio, do Comercial, de Ribeirão, e Oswaldo Taurisano, do Santos. Vale ressaltar que o atacante Marco Antônio (*) e o zagueiro Procópio (*) (do Fluminense), eram muito familiares ao torcedor mineiro, por ter passado pelo Cruzeiro.     
 Naquela disputa, Mário Tito ele atuou em Brasil 0 x 3 Argentina, no estádio Hernan Siles Zuazo, em 24 de abril de 1963, em La Paz, a capital boliviana, sob arbitragem do peruano Arturo Yamazaki, com o time, dirigido pelo treinador Aymoré Moreira, tendo sido: Marcial; Jorge, Mário Tito (William), Procópio e Geraldino; Hílton Vaccari (Ari) e Hílton Chaves; Amauri, Marco Antônio (Amauri Silva), Flávio e Oswaldo.
Mário Tito é o quinto, em pé, da esquerda para a direita, nesta foto publicada pela Revista do Esporte

A vida cruzeirense de Mário Tito começou pelo final de 1968, tendo a "Raposa" pago Cr$ 80 mil cruzeiros pelo seu passe, grana nada desprezível para aquele momento do futebol brasileiro, que ainda chorava eliminação na primeira fase da Copa do Mundo da Inglaterra-1966. Em sua primeira temporada mineira, ele ficou campeão estadual, no que, também, fechou a série de cinco títulos seguidos, tendo disputado 20 dos 25 jogos. 
 Mário Tito vestiu a camisa estrelada, pela primeira vez, em  20 de março de 1969. durante amistoso disputado na cidade paulista de Franca, formando dupla de zaga com Fontana, no Estádio Palmeiras e com o Cruzeiro mandando 4 x 0. Seu último jogo cruzeirense rolou em 14 de março de 1971, no Mineirão, valendo pela primeira rodada do Campeonato Mineiro, no 0 x 0 Flamengo, de Varginha. Naquele dia, só 3.738 torcedores prestigiaram a partida, sem os principais jogadores estrelados que excursionavam ao exterior.
De volta ao futebol carioca, Mário Tito defendeu o Olaria, entre 1972 a 1974, seguindo-se uma rápida passagem pelo baiano Galícia, em 1975, mesma temporada em que retornou ao club e da Rua Bariri, para pendurar as chuteiras. 
 Viveu o seu último dia de vida, no Rio de Janeiro, em 9 de março de 1994.
                                                                 FONTANA 
Zagueiro temível, ele entrou para o time dos “homens maus” da bola em seus tempos de futebol carioca. Aproveitando as suas características de muita virilidade, as páginas humorísticas dos jornais diziam que "atacante para entrar na pequena área do Vasco da Gama precisa, antes de mais nada, fazer o testamento". 
 Fontana tinha rápida explicação para a brincadeira: não poder jogar bonito. Se o fizesse, afirmava, muita gente faria o nome em cima dele. E dizia ter aquela fama fabricada por jornalistas que não valorizavam a missão de entrar em campo para evitar gols. 
 Jose de Anchieta Fontana era capixaba, nascido em Santa Teresa, em 31 de dezembro de 1940. Viveu por 39 anos, até o fis 9 de setembro 1980, quando o seu coração o tirou de uma pelada entre amigos. Saiu desta vida para virar lenda dos gramados. 
Fontana tinha boa estatura para um zagueiro de sua época, 1m83cm - jogava pesando 79 quilos. O início da carreira fora pelo Vitória, da capital capixaba, em 1958, mas os primeiros títulos de campeão estadual saíram pelo Rio Branco, também de sua terra, em 1959 e em 1962, esta a temporada em que tornou-se vascaíno.
 Campeão da Taça Guanabara-1965, Fontana ganhou, em 1966, convocação para os treinamentos da Seleção Brasileira que iria tentar o tri na Inglaterra. Mas não chegou até a Copa do Mundo, tendo sido dispensado quando já estava na Europa, por motivo de contusão. No mesmo 1966, foi campeão do Torneio Rio-São Paulo, dividindo o título com Corinthians, Santos e Botafogo, porque a Confederação Brasileira de Desportos (atual CBF) não encontrou datas para uma decisão.  
A história cruzeirense de Fontana começou em 1969. Ele encaixou-se muito bem no time dirigido pelo treinador Gérson dos Santos, formando zaga, inicialmente, com Raul Fernandes – depois, com Mário Tito. Estreou em 26 de janeiro, nos 4 x 0 Valério, pelo Campeonato Mineiro, diante de 21.601 pagantes, no Mineirão - Raul; Pedro Paulo, Raul Fernandes, Fontana e Vanderley; Piazza, Zé Carlos e Dirceu Lopes; Natal, Tostão (Evaldo),  e Hílton Oliveira (Rodrigues) foi o time do dia.
 Fontana esteve presente no dia em que a “Raposa” mordeu o caneco de pentacampeão, a três rodadas do final do Campeonato Mineiro, em  22 de junho de 1969, no Estádio Salles de Oliveira, em Juiz de fora, vencendo ao Tupi, por 1 x 0 - Raul; Raul Fernandes,  Mário Tito, Fontana e Vanderley; Piazza e Zé Carlos (Wilson Almeida); Natal, Evaldo, Tostão, Dirceu Lopes (Palhinha) e Rodrigues mandaram ver.


XERIFADAS – Fora dos gramados, Fontana era um pacato cidadão. Embora fosse considerado bonitão e muito paquerado, não badalava pelas noites belo-horizontinas, preferindo ficar em casa, assistindo TV e ouvindo os bolerões cantados por Altemar Dutra. Sobre a pecha de "xerifão”, ele retrucava, dizendo-se zagueiro voluntarioso que entrava em campo só para vencer.  
- As vezes, no calor do jogo, chego a disputar a bola até com certa rispidez, mas sem a intenção de atingir alguém, maldosamente. Quando o juiz marcar falta, erradamente, fico zangado e quero discutir com ele. A minha disposição de vencer e o meu entusiasmo falam por mim. Fico nervoso quando o meu time sofre um gol. Quero logo descontar a diferença. Se pudesse ia para a frente tentar o gol, justificava-se. 
Nesta foto, reproduzida de "Placar", Fontana é sexto, em pé, da esquerda para a direita, na formação que sucedeu
ao "Time do Postal" e que manteve Vanderley, Piazza, ambos do seu lado, e Zé Carlos, segundo agachado, também, da esquerda  para a direita. Note-se que, nesta nova fase, a camisa amarela de Raul foi trocada pela bordô, do goleiro Hélio. 
Em 1970, Fontana voltou a formar dupla de zaga com Brito, revivendo o dueto famoso por tantas catimbas durante as seis temporadas em que estiveram juntos com a camisa do Vasco da Gama. Em 1972, em sua derradeira temporada de bola – depois foi ser fazendeiro, no Espírito Santo –, Fontana participou de uma das histórias mais inusitadas do Cruzeiro, uma excursão que durou 70 dias e 18 amistosos por três continentes – América do Norte, Oceania e Ásia –, levando vários chefes de estados a estádios. Na época, o seu colega de zaga era o argentino Perfumo e o treinador Orlando Fantoni (*). 
O último jogo com a camisa cruzeirense rolou em  14 de dezembro de 1972, no Maracanã, em 1 x 3 Vasco da Gama, pela segunda fase do Campeonato Brasileiro, diante de 66. 254 pagantes. O treinador já era Ílton Chaves e o time teve: Raul; Lauro, Darci Menezes, Fontana e Vanderley; Piazza e Zé Carlos e Dirceu Lopes; Roberto Batata (Eduardo Amorim), Palhinha e Rinaldo.  
NAMORO COM O INIMIGO – Em 1964, o então Anchieta, como era chamado pela  rapaziada do time do Vitória-ES, enfrentava o selecionado mineira, nos tempos dos antigos Campeonatos Brasileiros de Seleções Estaduais. No jogo em Vitória, ele não aliviou as canelas dos visitantes, que prometeram ir à forra, em Belo Horizonte. Mas não aconteceu nada, a não ser ele ter gostado muito de Belo Horizonte e pedido ao amigo Bueno, que fizera dupla de xerifes com ele no Espírito Santo, para tentar com o Atlético-MG levá-lo, também.
 O tempo foi passando e Bueno, segundo Fontana, só o enrolava, “talvez, temendo que eu tomasse o seu lugar no time do Galo”, disse à Revista do Esporte de Nº 524, de 22.03.1969. Veio, então, 1968 e o presidente atleticano, Fábio Fonseca, foi a São Januário, pedir ao Vasco os empréstimos dos atacantes Bianchini e William, e do lateral-esquerdo Silas. Fontana aproveitou a ocasião e, diante do presidente vascaíno, João Silva, na maior cara-de-pau, atacou: 
- Doutor Fábio, porque o senhor não me leva, também? – ele seria o cara ideal paras entrar na zaga atleticana, mas não coube no pacote, porque se recuperava de contusão e levaria 30 dias para ficar curado e de outros tantos para retomar a forma física.             
SELEÇÃO BRASILEIRA – Substituto de Procópio (*) no time cruzeirense, Fontana tornou-se um autêntico caudilho na zaga. Passou a sonhar com volta à Seleção Brasileira, que servira durante os preparativos para a Copa do Mundo-1966, na Inglaterra. Fez 11 jogos, com oito vitórias, dois empates e uma derrota. E o mais importante: diante de 50 mil torcedores, participou de um jogo do tri, em 10 de junho de 1970, no Estádio Jalisco, em Guadalajara, durante a primeira Copa do Mundo promovida pelo México (a segunda foi em 1986). Quis o destino que ele fosse campeão mundial formando a velha zaga na qual fizera fama ao lado de Brito – Felix; Carlos Alberto Torres, Brito, Fontana e Everaldo (Marco Antônio); Piazza, Clodoaldo (Edu Américo) e Paulo César Lima; Jairzinho, Tostão e Pelé foi o time escalado pelo técnico Mário Jorge Lobo Zagallo.     
Fontana, em foto de www.cbf.com.br, fez dupla de zaga com Brito, segundo , em pé, da esquerda para a direita,  no jogo contra a Romênia, pela Copa do Mundo-1970
A estreia canarinha de Fontana foi amistosamente, em Brasil  3 x 1 Peru, no 8 de junho de 1966, no Maracanã, ainda vascaíno, escalado por Vicente Feola, que mandou a campo: Ubirajara Mota; Fidélis, Brito, Fontana e Oldair; Roberto Dias e Denílson; Paulo Borges, Alcindo, Tostão e e Edu Américo, o que seria um time B, tendo em vistas que foram formados quatro selecionados para os treinos.
 Como cruzeirense, Fontana disputou sete partidas canarinhas, todas em 1970 – 0 x 2 e 2 x 1 Argentina; 4 x 1 Seleção Amazonense; 0 x 0 Paraguai; 3 x 1 Seleção Mineira e 3 x 0 Irapuato, do México, além da já citada diante da Romênia. 

                                                                        VANDERLEI


 Lateral-esquerdo, esteve cruzeirense por 538 jogos, entre 1969 a 1978. É o sétimo atleta com o maior número de partidas pelo time estrelado – Zé Carlos (633), Dirceu Lopes (610), Piazza (566), Raul (557) e Eduardo Amorim (556) estavam à sua frente, além, do goleiro Fábio, ainda em atividade, já tendo atingido os 8000 jogos.
Vanderlei Lázaro nasceu na mineira Uberaba, em  20 de junho de 1947. Antes do futebol, foi servente de pedreiro, ajudando o pai e um irmão na construção de casas, em sua terra, o que era a rotina dos homens de sua família. 
A vida boleira começou aos seus 14 de idade,  quando  aproveitava as folgas do horário de almoço para rolar uma bolinha com os colegas de trabalho. Até que, um dia, ele decidiu ir ao Nacional, clube de sua cidade, pedir para fazer um teste no time juvenil. Testado e aprovado, ganhou títulos na categoria-1964/65. 
Em 1966, o treinador João Avelino experimentou o desempenho de Vanderlei com a camisa 6 do time principal, e dali por diante ninguém mais a usou. 
Na temporada seguinte, com o Nacional disputando a principal divisão do Campeonato Mineiro, ele foi o melhor defensor da equipe e eleito a revelação da disputa.  Motivou a sua contratação, pelo América-MG, que o teve convocado para uma seleção estadual que encarou paulistas e carioca naquele mesmo 1967.   
Antes de chegar ao Cruzeiro, Vanderlei esteve emprestado ao Corinthians, mas não conseguiu ganhar a posição, pois o titular Edson já havia sido convocado para a Seleção Brasileira e ainda tinha bastante cartaz. Com a camisa cruzeirense, Vanderlei  deixou 14 gols marcados em suas subidas ao ataque, tendo participado da conquista de oito títulos. Mesmo assim, era do time dos pouco badalados.
Darci Menezes, Piazza, Moraes, Nelinho, Vanderlei e Raul, em pé, da esquerda para a direita; Roberto Batata, Zé Carlos, Palhinha, Jairzinho e Joãozinho  foi uma das formações da campanha, em foto reproduzida de www.scoopnet.com, tendo nos detalhes Batata e o treinador Zezé Moreira.
 Dos títulos raposeiros conquistados pelo "Fantasminha", o apelido de Vanderlei entre os companheiros, para os quais tocava cavaquinho durante as concentrações, o mais importante foi o da Taça Libertadores-1976. Das 13 partidas, com 11 vitórias um empate e uma queda, ele participou de 12:  07.03 - Cruzeiro 5 x 4 Internacional-RS; 14.04 - Luqueño-PAR 1 x 3 Cruzeiro; 18.03 - Olímpia-PAR 2 x 2 Cruzeiro; 24.03 - Cruzeiro 4 x 1 Luqueño-PAR; 28.03 - Internacional 0 x 2 Cruzeiro. 04.04 - Cruzeiro 4 x 1 Olímpia; 09.05 - LDU-EQU 1 x 3 Cruzeiro;12.05 - Alianza-PER 0 x 4 Cruzeiro; 30.05 - Cruzeiro 4 x 1 LDU; 21.07 - Cruzeiro 4 x 1 River Plate-ARG; 28.07 - River Plate 2 x 1 Cruzeiro; 30.07 - Cruzeiro 3 x 2 River Plate. Ficou de fora só da mais fácil: 20.05 - Cruzeiro 7 x 1 Alianza, no Mineirão -  Raul, Nelinho, Moraes e Eduardo Amorim participaram de todas, tendo o time da partida final sido: Raul. Nelinho, Moraes, Darci Menezes e Vanderlei; Piazza (Valdo), Zé Carlos e Eduardo; Ronaldo, Palhinha e Joãozinho foi o time da finalíssima, escalados pelo treinador Zezé Moreira.
Vanderlei estreou cruzeirense em 26 de janeiro de 1969, no Mineirão, escalado pelo treinador Gérson dos Santos, nos 4 x 0 Valério, pelo Campeonato Mineiro, diante de 21.601 pagantes – Raul: Pedro Paulo, Raul Fernandes, Fontana e Vanderlei; Piazza e Zé Carlos; Natal, Dirceu Lopes, Tostão (Evaldo) e Hílton Oliveira (Rodrigues foi o time.  O último jogo foi em 12  de julho de 1978, diante de 12.366 pagantes, em Cruzeiro 0 x 0 Vitória-BA, por 0 x 0, no Mineirão, pela terceira fase da Copa do Brasil - Raul; Flamarion, Zezinho, Marquinhos e Vanderlei; Nélio, Erivelto e Eduardo Amorim; Revetria (Eli Carlos), Lívio (Vicente) e Joãozinho foi a equipe escalada pelo treinador Zé Duarte.                    

                                                            WILSON PIAZZA

 De inicio, ele era só Wilson, como os muitos xarás que rolavam a bola pelos gramados mineiros. Um dia, o técnico Mário Celso, o Marão, acrescentou o Piazza ao seu nome futebolístico, para diferenciá-lo dos  homônimos que não jogavam nada. E, com nova assinatura, surgiu um dos principais atletas do Cruzeiro das décadas-1960/1970.
 Marão marcou muito a carreira de Piazza, o nome que terminou ficando mais na boca dos locutores esportivos. Além de dar-lhe um chamamento pomposo, na época em que prevaleciam os apelidos esquisitos no futebol brasileiro, o treinador tirou-lhe do time amador do SESC-Serviço Social do Comércio e levou-lhe para o Siderúrgica, que disputava o campeonato estadual. O restante foi por conta do seu talento, o que rendeu-lhe dezenas de títulos com a camisas celeste, a cor de sua preferência, como dizia.
 Wilson da Silva Piazza nasceu na pequena mineira Neves, em 25 de fevereiro de 1943. Filho de José Piazza, com Regina da Silva Piazza, ganhou cinco irmãs – Glória, Meire, Marília, Regina e Marlene – e um irmão – Antônio. Quando firmou-se como titular cruzeirense, já sonhava com a Seleção Brasileira. E não só tornou-se um canarinho, como foi seu capitão e, também,  tricampeão mundial, durante a Copa do Mundo México-1970.
 Coincidindo com o a explosão de talentos do time da "Raposa", a partir de 1965 e que rendeu um pentacampeonato estadual, além do título da Taça Brasil-1966, Piazza recebeu os seus primeiros prêmios como o melhor de sua posição nos Estaduais-1965/1966, formando o meio-de-campo celeste com Evaldo. Carregou o Troféu Guará, que a Federação Mineira de Futebol oferecia à seleção da temporada, homenageando um dos grandes goleadores da história do Atlético-MG.        Católico praticante, devoto de Santo Antônio, Piazza fazia o sinal da cruz ao entrar em campo, mas não usava amuletos. Só via Deus com poder para tirar a vida de alguém. Declarava-se sujeito de muita fé  e agradecia ao "Senhor" e ao treinador  Marão pelo seu sucesso na carreira, iniciada em 1962.
 Embora não acredite em macumba, Piazza diz respeitar todas as religiões. Só não respeita cirurgia plástica, por vaidade. Admite, porém, que o perfume influencia no charme da mulher, embora não o considere indispensável. Mulher, para ele, deveria ser simples e natural.
 Pelos seus inícios de carreira, Piazza não gostava de conversar sobre política. Quis o destino, porém, que ele viesse, mais tarde, a ser vereador e líder classista. Foi vereador e secretário municipal de Esportes de Belo Horizonte, sócio-fundador e primeiro presidente da Associação de Garantia ao Atleta Profissional de Minas Gerais, entre outros atos políticos. Antes, disso preferia falar sobre futebol, música popular – adorava a italiana “Al di lá” – e cinema, sobretudo o filme “Imitação da vida”. 
 Pelé, pela opinião de Piazza, é o máximo que o futebol já apresentou. Armando Marques, o número 1 da arbitragem do seu tempo; o Mineirão, o melhor estádio em que jogara e o avião o grande invento  humano. Sobre si, apontava honestidade e sinceridade como as suas maiores virtudes.
Embora fosse um jogador com fama de usar o cargo de capitão do time para reclamar, ponderadamente, com os árbitros, certa vez, Piazza discutiu com o paulista Olten Aires de Abreu, por vê-lo prejudicando demais o seu time, e foi expulso de campo. Garantia, porém, só falar o necessário em campo.
 Ao contrário de muitos colegas, Piazza considerava a concentração para os jogos indispensável. Afirmava que camisa não ganhava partidas e que, se o time não corresse, ficaria difícil vencer. Modesto, ele declarava-se “um jogador útil”. Menor prêmio? Cr$ 100 cruzeiros, como juvenil do Renascença, clube de bairro belo-horizontino, onde assinou o primeiro contrato, em 1962, ganhando NCr$ 120 novos cruzeiros mensais.
Inicialmente, Piazza foi centroavante. Custou Ncr$ 1 mil cruzeiros, após ter sido eleito uma das revelações do campeonato juvenil mineiro-1961. A mudança permitiu-lhe deixar o emprego, no Banco Mercantil de Minas Gerais, para dedicar-se inteiramente ao futebol. Valeu a pena, pois não demorou a chegar à Seleção Brasileira, tornando-se campeão, aos 24 de idade, em 1967, da Copa Rio Branco (*), com os 0 x 0, 2 x 2 e 1 x 1, com o Uruguai, no Estádio Centenário, em Montevidéu. Elogiado pelo bom futebol e a liderança, capitaneando, cresceu o seu prestígio e esteve cogitado, pelo técnico Vicente Feola, para os treinamentos da Seleção Brasileira que disputaria a Copa do Mundo-1966, na Inglaterra.
Pelo time canarinho, Piazza disputou 65 jogos, com 45 vitórias, 14 empates e seis quedas. Além da Copa Rio Branco-1967, foi campeão da Copa do Mundo-1970, atuando como quarto-zagueiro, e da Copa Roca-1971, disputada contra os argentinos, e da Copa Independência-1972, comemorativa dos 150 anos de independência do Brasil. Disputou, ainda, a Copa do Mundo-1974  – Félix; Everaldo, Jurandir, Roberto Dias e Sadi; Piazza e Dirceu Lopes; Natal/Paulo Borges, Tostão, Alcindo/Edu Antunes/Paulo Borges  e Volmir/Hílton Oliveira foram os companheiros de primeira seleção nacional. 
ONDA DO GALO - Após fratura em uma das pernas, em um jogo da Seleção Brasileira, Piazza sofreu bastante para voltar a jogar. Muitos achavam que a sua carreira havia chegado ao final, pois ele treinava e não passava nos testes para jogar. Quando pôde, não conseguiu concluir o compromisso. Para piorar, Zé Carlos, que o substituíra, vinha jogando demais. Em determinado momento, perdeu a crença na volta por cima.
 Foi, então que o maior rival cruzeirense, o Atlético-MG, ajudou Piazza a voltar a jogar. Dirigentes do "Galo"  lembraram-no de que, pela nova regulamentação do Conselho Nacional de Desportos (já extinto), o seu passe, brevemente, teria um preço “X”. O Cruzeiro descobriu o interesse atleticano e inquiriu ao seu médico se o seu atleta poderia voltar a campo, como antes. Com resposta positiva, Piazza teve o seu contrato renovado, recuperou a vaga de titular e, com 21 de idade, seguiu explodindo talento. Para o treinador Orlando Fantoni, barrar Zé Carlos, para Piazza voltar ao time, seria uma tremenda estupidez, como, também, seria deixa-lo no banco dos reservas.        
 Um dia, o antigo atleta cruzeirense Bengala, que havia sido treinador e seguia ligado ao clube estrelado, como benemérito e conselheiro, sugeriu barrar o meia Evaldo, para o seu trabalho ser feito, alternadamente, por Zé Carlos e Dirceu Lopes. Com isso, Piazza voltaria a sua velha função. Fantoni não acolheu a ideia. Mas Gérson dos Santos, sobre quem Bengala tinha forte ascendência, topou.
 Com os treinadores Orlando Fantoni e Aírton Moreira (*), o Cruzeiro formava um tripé no meio-de-campo. Com Gérson dos Santos, passou para um quadrado. Por conta de uma alteração tática, Piazza readquiriu o seu prestígio, voltou ao escrete nacional e a atuar com o antigo vigor, além de maior maturidade. Além de campeão mineiro-1965/66/67/68/69/72/73/74/75, ajudou o clube a conquistar mais quatro títulos não-oficiais.
O final do relacionamento Piazza/Cruzeiro foi traumático. Após 14 temporadas juntos, ele recebeu o passe livre, aos 34 de idade. Então, foi à Justiça, cobrando indenização. À época, justificou à revista carioca Manchete – Nº 1.174, de 19.10.1974 – que o fazia para que “o meu gesto sirva de exemplo aos demais jogadores, muitas vezes iludidos e explorados pelos dirigentes...”.
 Por intermédio do advogado Dílson Aquino, o já veterano  Piazza questionou a validade técnica da atitude cruzeirense e cobrou mais ações do Estado na regulamentação da profissão de atleta de futebol. Questionou contrato de trabalho, após 10 temporadas consecutivas com o mesmo empregador, ganhar estabilidade, pela Consolidação da Leis do Trabalho-CLT. 
Piazza, ainda, cobrou não possuir o  jogador de futebol direitos já adquiridos pelo artista teatral, por exemplo. E jurava não ter interesse financeiro na questão, só no serviço que prestaria à sua categoria trabalhadora 
Quando desentendeu-se com o Cruzeiro, Piazza era um dos três "dinossauros" do grande time surgido em 1965, juntamente com o goleiro Raul e o meia-atacante Dirceu Lopes. Parou de jogar em 1979, devido uma sinfisite púbica. É lembrado como tendo sido o maior volante que vestiu a camisa azul cruzeirense.
Fã de uma feijoada e de dobradinha, o pisciano Piazza, com 1m75cm de altura e 80 cm de cintura, não escondia ser fumante e proprietário de duas casas e três terrenos, na época do tri mineiro. Com 556 jogos, entre 1964 a 1977, ele é o quarto atleta que mais esteve raposeiro, atrás  do goleiro Fábio e dos meias Zé Carlos e Dirceu Lopes. Estreou cruzeirense em 9 de março de 1964, com 3 x 2 Seleção de Barbacena-MG, amistosamente, no Estádio Santa Tereza, dirigido por Marão -  Fábio; Massinha, Vavá, Dilsinho e Emerson; Piazza e Brandãozinho; Gradim, Paulo, Tostão e Hílton Oliveira foi a rapaziada. 
A última partida do Piazza estrelado foi foi em 29 de junho de 1977, em Cruzeiro 2 x 0 ESAB, pelo segundo turno do Estadual, no Mineirão - Raul; Nelinho Zezinho, Ozires e Vanderley; Piazza (Eli Mendes), Zé Carlos e Eduardo Amorim; Neca, Eli Carlos (Revetria) e Joãozinho foi o time, escalado por Yustrich.
 Piazza saiu de cena nos gramados, por não conseguir se recuperar de uma lesão no tendão de aquiles. Por aquele momento, Carmine Furletti e Edmundo Lambertucci, figuras que haviam ajudado a construído o grande Cruzeiro, já eram oposição ao presidente Felício Brandi que, sem a liderança do seu capitão junto ao grupo,  viu a "Raposa" passar seis temporadas sem títulos, enquanto os cartolas brigavam entre si.
                 
                                                       ZÉ CARLOS 

 O futebol dele era de deixar noivas arrepiadas. Pelo menos, a de Felício Brandi, presidente do Cruzeiro. A moça começou a ficar nervosa, na igreja, achando que o noivo  desistira do casamento. Nem adivinhava que o sumiço do nubente era por motivo muito mais do que justo (do ponto de visto do noivo, é claro).
Após nove viagens à mineira Juiz de Fora, finalmente, o Brandi conseguira acertar a contratação do apoiador Zé Carlos. Só com o caso fechado, foi cumprir o combinado com a moça, agradecendo a Deus por ter celebrado um dos melhores casamentos de craque com a torcida cruzeirense.
    José Carlos Bernardes, nascido, em 28 de abril de 1945, começou a mostrar veneno defendendo o time do Tupi, de sua terra. Mas assinou o primeiro contrato profissional com o rival Sport, em 1962.
 Convocado para a seleção municipal que enfrentou um selecionado de Belo Horizonte, entusiasmou tanto ao presidente da “Raposa” que o homem só se aquietou quando o teve por seu jogador. Dia de grande comemoração do casal Jorge Bernardo e Ana Filomena (e de mais seis irmãos, três homens e três mulheres).
Zé Carlos, apelidado por Zelão,  vestiu a camisa estrelada entre 1965 a 1977, mostrando-se um dos apoiadores mais clássicos e modernos de sua época, com ótima qualidade no passe e sendo, também, grande “desconstrutor” de jogadas (do adversário, evidentemente). Isso lhe rendeu várias faixas de raposeiro campeão – Taças Brasil-1966; Minas Gerais-1973; Libertadores-1976; dos Estaduais de 1966 a 69; de 1972/75/77, e do Torneio Inicio do Campeonato Mineiro-1966.
O Zé chegou ao Cruzeiro arrasando. Em seu primeiro treino, aplicou um “chapéu” (drible aéreo)  no grande nome do time, o meia-atacante Dirceu Lopes, deixando o treinador Aírton Moreira “embasbacado”, como diria o “mineirinho”. Havia poucos torcedores presentes, mas quem viu deu razão ao presidente Felício Brandi.
Zé Carlos, mesmo arrasando durante o seu primeiro treino cruzeirense, passou um bom tempo na suplência de Wilson Piazza. Disputou alguns jogos do Torneio Roberto Gomes Pedrosa (*) e da Taça Libertadores, e só foi fixado no time principal quando uma contusão barrou o titular. Depois, foi difícil tira-lo do time. 
 Convocado, por Aírton Moreira, para uma seleção mineira que enfrentou cariocas e paulistas, Zé Carlos empolgou tanto, que Vasco da Gama e Corinthians chegaram a oferecer Cr$ 200 mil cruzeiros pelo seu passe, que custara Cr$ 7 mil e 500, ao Cruzeiro.       
  Devoto de Nossa Senhora Aparecida, o craque celeste sempre procurou manter o peso, de 67 quilos, condizentes com o seu 1m,69cm. Usava chuteiras-41 e não exagerava diante der um prato com bife e batatas fritas, para manter a cintura com 75cm.  
 Dono de tanta classe, seria natural que Zé Carlos chegasse à Seleção Brasileira. Quem primeiro o convocou foi Aymoré Moreira (irmão de Aírton). Disputou amistosos, entre 1968 e 1969, e estava no grupo que João Saldanha preparava para disputar a  Copa do Mundo-1970, no México. Porém, quando aquele foi trocado, por Mário Jorge Lobo Zagallo, este o dispensou.
O “Almanaque do Cruzeiro”, maior  levantamento sobre os jogos do clube, pesquisado por Henrique Ribeiro, confere a Zé Carlos 619 jogos e 83 gols com a camisa celeste. A estreia foi em 26 de janeiro de 1966, durante o amistoso Cruzeiro 5 x 4 Rapid Viena,  , no Mineirão, tendo o treinador Aírotn Moreira lhe dado a chance de jogar contra os austríacos durante o segundo tempo, substituindo Wilson Piazza – Tonho (Fábio); Pedro Paulo, William, Vavá e Neco (Tenório); Piazza (Zé Carlos) e Dirceu Lopes; Natal (Rossi), Tostão, Marco Antônio e Hílton Oliveira.
 A última vestida de camisa estrelada rolou em 2 de outubro de 1977, em Cruzeiro 3 x 2 Atlético-MG, valendo o título mineiro da temporada – Raul; Nelinho, Zezinho, Darci Menezes e  e Vanderlei; Zé Carlos (Valdo), Flamarion e Erivelto (Lívio); Eduardo Amorim, Revetria e Joãozinho, comandados por Procópio Cardoso Neto foi a escalação.          Após deixar o Cruzeiro, Zé Carlos defendeu o Guarani, de Campinas, ficando campeão  brasileiro-1978, e Botafogo. Jogou até 1983 e não se desligou do Cruzeiro, formando com este uma parceria em uma escolinha de futebol, em Sete Lagoas-MG. Além disso, trabalhou para o clube até 2013, quando pediu desligamento e afastou-se do futebol. Viveu até 12 de junho de 2018, quando encarava problemas provocados por um acidente vascular cerebral.
Zé Carlos experimentou, também a vida de treinador. Em 1986, viveu a glória de  acabar com a hegemonia do catarinense Joinville, de oito campeonatos estaduais consecutivos, e carregou a taça para as prateleiras do Criciúma, primeiro caneco do “Tigre”, após deixar de ser Comerciário. Dirigiu sua equipe em 133 jogos oficiais, por duas temporadas, com 57% de aproveitamento.

                                                                        NATAL

Rolava um festival de futebol para garotos de escolinhas, em Belo Horizonte. No time do Itaú, de Contagem – cidade industrial das vizinhanças da capital mineira – jogava um garoto que, enfrentando o Cruzeiro, aprontou. Depois da partida, ele nem teve tempo de respirar. Um sujeito chamado Orlando Vassali aproximou-se dele e o intimou a ser, imediatamente, um cruzeirense. Assustado, o menino não só foi, com tornou-se o maior ponta-direita da história do clube.

Driblar era uma brincadeira para o moleque que, logo, ganhou o apelido de “Diabo Louro”. Aprontava horrores pra cima dos marcadores, principalmente quando já era juvenil e foi campeão mineiro, atuando ao lado do também recém chegante Dirceu Lopes.
Aquela driblação toda  que fazia Natal gostar de jogar para a torcida era causa de sua  admiração pela arte de Mané Garrincha, vista pelos videoteipes da Copa do Mundo-1962, no Chile. Pouco depois daquela competição, porém, ele intuiu que precisava ter estilo próprio, após passar por uma fase em que não vinha conseguindo sucesso como “papel carbono”, como qualificou-se para a Revista do Esporte - Nº 413, de 04.02.1967. E deixou o “Torto” de lado.
Natal de Carvalho Baroni não sabia explicar porque os seus pais – Mário Baroni e Nádia de Carvalho Baroni – lhe deram um pré-nome que não batia com uma data comemorativa do cristianismo, pois ele nascera em um 24 de outubro (de 1946) – no bairro belo-horizontino Nova Granada. Irmão de Vera, Antônio, José Antônio, Lúcia, Maria, Marinho, Solange e Haidê, ele chegou a 1m68cm de altura e mantinha o peso de 60 quilos para não perder o bom pique com as suas chuteiras de número-38.
 Quando o Cruzeiro estava formando a geração que seria pentacampeã estadual e ganharia a Taça Brasil (espécie da atual Copa do Brasil), a rapaziada não tinha noção do que estava acontecendo, sobretudo porque o presidente do clube, Felício Brandi, pedia-lhe à moçada não se preocupar com resultados.
DANAÇÃO - Natal virava mais fera, ainda, quando enfrentava o maior rival cruzeirense, o Atlético-MG. De tanto humilhar o marcador Warley, os galenses foram ao Uruguai e contrataram o terrível Cincunegui, em uma quarta-feira, para este marca-lo no domingo que seria de decisão de título estadual. Resultado: durante 85 minutos, o gringo não viu a cor da bola. Descia a porrada, para não passar por mais vexames, mas, por castigo, Natal passou-lhe a pelota por entre as pernas e lançou Tostão, que mexeu no placar.
No entanto, o lance mais incrível de Natal diante do “Galo” rolou no 18 de setembro de 1966, quando foi papai do primeiro dos seus cinco filhos. Disseram que ele fizera um cruzamento e terminara marcando um gol, por acaso, o que sempre contestava e jurava ter, mesmo, tentado acertar a rede. À  revista do Cruzeiro - Nº 15, de junho de 1997 - ele alegou: “Nunca vi ninguém fazer um cruzamento (para a pequena área) do meio do campo”.
 Para o gol espírita acontecer, houve uma falta, o apoiador Zé Carlos tocou na bola para Natal e ele arriscou o chute, aos 45 minutos do segundo tempo. A pelota passou por um ângulo superior, na interseção do poste transversal com o vertical, deixando impressionados 97.965 torcedores que foram ao Mineirão aplaudir Raul; Hilton Chaves (*), William (*), Cláudio e Neco; Piazza e Zé Carlos; Natal, Tostão (autor do primeiro gol, aos 25 minutos da etapa inicial), Evaldo e Hilton Oliveira.    
Por aquela mesma temporada, Natal aprontou muito, também, diante do Santos, de Pelé., decidindo a Taça Brasil. A geração cruzeirense da época era desconhecida fora de Minas Gerais e a defesa santista lenta. Dentro de um gramado muito grande, no Mineirão, Natal, Tostão e Dirceu Lopes, principalmente, sumiam na frente dos visitantes, que não tinham velocidade para acompanha-los. Resumo da ópera: Cruzeiro 6 x 2. No jogo seguinte, em São Paulo, a “Turma do Rei” abriu dois gols de frente, a “Raposa” empatou  e Natal virou a conta: 3 x 2.
Em 1967, faltando três rodadas para o final do Estadual, o Atlético-MG estava com seis pontos à frente do Cruzeiro. Com um empate, seria campeão. Mas perdeu  para o Valério, o Uberaba e o  Uberlândia, indo para uma melhor de três com o Cruzeiro. A turma de Natal, então, achou que o “Galo”  fosse um peru e torceu-lhe o pescoço: 3 x 1 e 3 x 0. Não precisa dizer que “Diabo Loiro” aprontou, precisa?     
Coisas do destino. Quando era garoto, Natal torcia pelo Atlético-MG. Cresceu, no entanto, para castiga-lo, atuando por um esquema tático em que ele recuava um pouco, quando preciso, mas sem a obrigação de marcar o lateral-esquerdo, como era comum em vários times e como ele o fez durante excursão da Seleção Brasileira. Tinha 21 de idade  e, por sinal, agradou muito ao treinador Aymoré Moreira no desempenho do papel.
   Natal apontava Pelé e Tostão (atletas), Armando Marques (árbitro) e Aírton Moreira (treinador) como as grandes feras do seu tempo e tinha a opinião de que a camisa pesava a depender do jogador. Via a  televisão como maior invento humano e não a via matando o futebol, ao transmitir partidas, uma grande discussão da época sessentista. O seu maior sonho era chegar à Seleção Brasileira. Chegou e disputou 15 partidas, das quais ajudou a vencer 10. Marcou três gols – 20.06.1968 - Brasil 6 x 3 Polônia; 23.06.1968 – Brasil 2 x 3 Tchecoeslováquia; 14.07.1968 -  Brasil 4 x 3 Peru.
 A estreia canarinha de Natal foi em entrando no decorrer de partida válida pela Copa Rio Branco - 28.06.1967 – Brasil 2 x 2 Uruguai – no Estádio Centenário, em Montevidéu -, diante de 15 mil torcedores e substituindo o corintiano Paulo Borges – Felix; Everaldo, Juradir, Roberto Dias e Sadi; Wilson Piazza e Dirceu Lopes; Paulo Borges (Natal) , Tostão, Edu Antunes e Hílton Oliveira foi a escalação. 
Na partida seguinte, quatro dias depois, no mesmo local e onde as duas seleções se enfrentaram por três vezes, Natal foi titular, revivendo uma linha cruzeirense – Natal, Dirceu Lopes, Tostão e Hílton Oliveira. E contando, ainda, com Wilson Piazza na cabeça de área, defendendo e apoiando o ataque. Ele só não atuou no 0 x 0 da estreia, tendo os três jogos valido o título copeiro para o time de Aymoré Moreira (*).     
A boa participação na disputa sul-americana serviu para Natal ser chamado para excursionar à Europa, em de 1968, novamente comandado por Aymoré. Como da vez anterior, ele deveria ser reserva de Paulo Borges, que não rendeu o esperado. Quando a chance de jogar surgiu, a aproveitou bem. Diante da então Iugoslávia  - 25.06.1968 – Brasil 2 x 0 -  ele foi um autêntico operário para os companheiros chegarem à rede, inclusive fazendo o passe para Tostão marcar o segundo gol brasileiro. Bastante elogiado pelos jornalistas estrangeiros, estes  escreveram que o Brasil levara à Europa “uma grande revelação”.
 Verdade! Natal desempenhara bem as funções de um ponteiro moderno, agredindo defendendo, armando e sempre indo à linha de fundo.  Antes daquela excursão, ele havia vestido a camisa canarinha em uma outra partida, diante dos uruguaios, amistosamente, no paulistano Pacaembu - 09.06.1968 – Brasil 2 x 0. E após jogos contra poloneses, tchecos, iugoslavos e portugueses – 30.06.1968 – Brasil 2 x 0 -, o giro do escreto mudou para o continente americano, onde, além do já citado 4 x 3 Peru,  rolou para ele: 07.07. 1968 – 2 x 0 México e 10.07.1968 – 1 x 2 México.

Em 11 de agosto do mesmo 1968, a torcida cruzeirense viu Natal, pela primeira vez, no Mineirão, jogando com a camisas da Seleção Brasileira. Foi durante uma autêntica festa local, pois o time esteve dirigido pelos cronistas esportivos Lísio Juscelino Gonzaga, o Biju, Carlyle Guimarães e Jota Júnior, que mandaram a campo o time do Cruzeiro reforçado por dois jogadores atleticanos. Eles  mandaram 3 x 2 Argentina, amistosamente, com gols de Dirceu Lopes (2) e Rodrigues, e a escalação sendo: Raul Marcel; Pedro Paulo, Djalma Dias (ATL-MG), Procópio e Oldair (ATL-MG); Zé Carlos e Dirceu Lopes; Natal, Evaldo, Tostão e Rodrigues.
DEFINIÇÃO -  Fora dos gramados, Natal dizia-se um “otimista incurável”, mas, também, um fatalista. E sugeria a receita "amar e ser amado" para alguém ser feliz. Acreditava em macumba, usava um breve, feito pela mãe, e não negava esmola a um pedinte. Não gostava de falar sobre política, preferindo cinema – adorou o filme Doutor Jivago – estrelado por Omar Sharif, Julie Christie e Geraldine Chaplin (1965), baseado em livro de Boris Pasternak e dirigido por David Lean - e música, principalmente a italiana "Al di Lá" - composta por Carlo Donida Labati, cantada por Emilio Pericoli e chegada ao  Brasil pelo filme "Candelabro Italiano" (1962), estrelado por Troy Donahue, Suzanne Pleshette e Rosano Brazzi.
 Fã da cor vermelha, Natal considerava o perfume indispensável à mulher, “lhe dá mais it” (*), justificava, e preferia as bem simples, sem sofisticações e falsidades. Até aceitaria vê-la fazer cirurgia plástica, em caso de necessidade. Tinha medo de viagens aéreas, só concebia a Deus o direito de tirar a vida de um ser humano e gostaria de viver por 100 viradas do calendário.
Quando cobrado pelos entrevistadores, Natal revelava ter a sua menor gratificação por vitoria sido Cr$ 1 mil cruzeiros, quando juvenil cruzeirense, em 1964, e a maior Cr$ 1 milhão, ao vencer o Grêmio Porto-Alegrense, em 1966, o triunfo que mais lhe emocionara. Pouco falante durante as partidas, considerava as concentrações necessárias para jogadores solteiros.
 Natal vestiu a camisa do Cruzeiro por 245 jogos, entre 1964 e 1971, marcando 71 gols. A estreia foi em 30 de setembro de 1964, em Cruzeiro 4 x 0 Uberlândia, no estadio cruzeirense do bairro do Barro Preto, pelo Campeonato Mineiro, entrando no decorrer da partida e marcando um gol, aos 44 minutos do segundo tempo  – Fábio; Jaime, Vavá, Dilsinho, Pedro Paulo, Piazza e Tostão; Wilson Almeida, Picinin (Natal) Fescina e Hílton Oliveira foi o time escalado por Aírton Moreira.
O último Natal cruzeirense aconteceu em 29 de setembro de 1971, no Maracanã, escaldo por Orlando Fantoni, em Cruzeiro 1 x 2 América-RJ, pelo então chamado Campeonato Nacional, o atual Brasileirão, assistido por 12.999 pagantes – Hélio; Pedro Paulo, Perfumo, Piazza e Vanderlei; Zé Carlos e  Dirceu Lopes; Natal ( Baiano), Tostão, Evaldo (Eduardo) e Lima foi a rapaziada.                                                                                                                

                                                                            EVALDO
Foto reproduzida de www.cruzeiro.com.br
No infanto-juvenil do Americano, de Campos-RJ, o treinador Jorge Pinheiro viu um garoto muito bom de bola. Pediu ao seu irmão e zagueiro do Fluminense, João Batista Pinheiro, que o levasse para as Laranjeiras. 
 Atendido, o sujeito não demorou a ver grande futuro no moleque que chutava com as duas pernas, cabeceava forte e tinha a mesma cor escurinha de extraordinários craques brasileiros. Assinava Evaldo Cruz e nascera por ali mesmo, em Campos - 12 de janeiro de 195 -, terra de tantos craques.
Quando Evaldo começou a estraçalhar como meia do time juvenil tricolor, em 1961, começaram a chama-lo por Pelé. Ele não gostou, demonstrando personalidade. Pediu à imprensa que o livrasse daquele apelido, pois temia que logo aparecesse alguém chamando-o de “mascarado”. Era sincero. Se os seus pais lhe deram um nome, queria ser chamado conforme constava em seu registro no cartório e na certidão de batismo.
Para permitir que Evaldo fosse para o Fluminense, o pai dele exigiu-lhe manter-se nos estudos. O menino prometeu e foi à luta pelo clube do seu coração, como garantia. Fã de Zizinho, mostrava aos que o viam rolar a pelota que o apelido de Pelé não seria mal aplicado nele, pois carregava muito do “Rei do Futebol” em seu jogo.
 Lançado no time A tricolor, pelo treinador Zezé Moreira, em 1962, Evaldo era chamado, pelos colegas, por Buda e Porquinho. E nem era tão gordinho. Talvez, por ser baixinho. Em 1963, seguia progredindo, mas, na temporada seguinte, foi obrigado a dar um tempo na bola, a fim de passar por uma cirurgia de extração de meniscos.    
Evaldo fazia gols e não era fominha. De preferência, deixava os companheiros olhos-nos-olhos dos goleiros, o que fazia Tostão, o maior astro do time raposeiro, ser o seu maior fã. Dizia que boa parte dos seus 245 tentos estrelados começaram pelas chuteiras do colega.
Evaldo viveu a sua melhor fase no período em que o Cruzeiro montou a “máquina” que destruía adversários. Chegou ao clube, em 1966, e para ficar tri estadual e campeão da Taça Brasil-1966, tornando-se, juntamente com Natal, Evaldo, Tostão, Dirceu Lopes e Hílton Oliveira os maquinistas do ataque.     
Filho de Benedito Cruz e de Graciosa Silva Cruz, Evaldo teve por irmão Elier, Everaldo, Edílson, Eduardo e Leila. Dono de cabelos e olhos pretos, jogava pesando 65 quilos, usando chuteiras-38 e não via a sua altura, de 1m65cm, prejudicar-lhe nos gamados. Dizia-se devoto de São Jorge e a sua primeira grana pela bola foram Cr$ 5 mil cruzeiros mensais, de ajuda de custo, do Fluminense. Adorara o filme “Doutro Jivago” e a música principal da película, o “Tema de Lara”.  
Evaldo é o segundo agachado à esquerda deste ataque cruzeirense, em foto reproduzida de www,cruzeiro.com.br

  Em 1967, Evaldo achava boa a situação do país, mas não demonstrava grande conhecimento de política governamental. “Deve estar”, respondia, quando indagado se o Brasil encontrava-se bem orientado. Segurança demonstrava ao falar de suas lembranças, como do primeiro treino pelo time juvenil do Fluminense, em 1961: “Levei tantos pontapés, de um zagueiro, que cheguei a chorar”. 
Sujeito que dizia-se combativo e possuidor de autocrítica, provocado, ele definia-se como alguém expansivo e alegre, por natureza, e muito falador. Achava a mulher perfumada mais atraente, "se não fosse sofisticada e infiel", ressaltava. E se submetesse a uma cirurgia plástica só em casos necessários. Católico, usava uma medalha com a imagem de São Jorge e não deixava de acreditar, em parte, em macumba e mau olhado. Amante da cor marrom, ele via a TV prejudicando o futebol, ao transmitir jogos ao vivo.   
Evaldo poderia ir mais longe no coração dos cruzeirenses, mas uma tragédia voltou a tirá-lo dos gramados, como em seus tempos tricolores. Aconteceu em 3 de outubro de 1971, no Mineirão, enfrentando o Santos, pelo Campeonato Brasileiro. Dividiu  bola com o goleiro Cejas e sofreu fraturas em cinco locais da perna direita. Ficou uma temporada inteira e mais três meses de 1972 em recuperação.  
Evaldo disputou 294 jogos com a camisa cruzeirense, entre 1966 e 1975,  e marcou 108.  Depois da tragédia,  defendeu o também mineiro ESAB, o interiorano paulista Marília e  encerrou a vida boleira  por um time da Venezuela,  o desportivo Itália, em 1977.
O seu currículo anota, ainda, seis vestidas de camisa da seleção canarinha, com cinco jogos -  2 x 0 Chile; 3 x 1 Equador; 4 x 0 Peru: 2 x 2 Argentina  e 1 x 1 Colômbia, pelo time olímpico, entre 1963 e 1964 - , e um pela equipe principal, representada pela base do Cruzeiro, reforçado pelo zagueiro Djalma Dias e o lateral-esquerdo Oldair Barchi, ambos do Atlético-MG. Daquele vez, 50 mil pagantes foram ao Mineirão assistir Brasil 3 x 2 Argentina, em 11 de agosto de 1968, com Evaldo abrindo o placar, aos oito minutos. 
    
                                                         DIRCEU LOPES
   Certa vez, pela metade da década-1960, o time do Cruzeiro estava em um hotel de São Paulo. De repente, bateram à porta do apartamento em que hospedava-se o camisa 10 estrelado. Era Mané Garrincha, dizendo: “Vim conhecer o melhor jogador do futebol brasileiro”.
O mineiro  Dirceu Lopes Mendes, nascido em 3 de setembro de 1946, por aquela época, se não era o melhor, no mínimo, estava entre os cinco primeiros donos da bola canarinha. Tanto que foi uma das principais peças da turma que venceu o Santos, de Pelé, por 6 x 2, no Mineirão, e por 3 x 2, de virada, no Pacaembu, para conquistar a Taça Brasil-1966, a disputa que apontava o representante brasileiro à Taça Libertadores da América.
Dirceu Lopes foi capa e....
 Baixinho, rápido e muito habilidoso, Dirceu começou as suas intimidades com a pelota a partir dos 12 de idade, defendendo o os juvenis do Pedro Leopoldo Esporte Clube, de sua terra. Em 1962, foi para o Cruzeiro, como amador, mas jogava tanto que, por várias vezes, esteve lançado no time principal. Em 1963, disputou o Campeonato Mineiro Juvenil e, ao final, ganhou contrato como profissional, embolsando Cr$ 150 mil cruzeiros, entre luvas (grana adicional) e ordenado.
 De 1965 até 1969, Dirceu viveu o auge de sua carreira, tornando-se pentacampeão estadual e da Taça Brasil-1966. Em 1970, esteve convocado para a Seleção Brasileira que trinava para a Copa do Mundo e era citado, pelo treinador João Saldanha, como nome certo para ir ao México. No entanto, Zagallo, ao substituí-lo, o dispensou do grupo que voltaria tri, alegando já ter Pelé e Rivellino para a posição.
Dirceu disputou 19 jogos canarinhos e marco quatro gols, em 12 vitórias, seis empates e só um insucesso. Sagrou-se campeão da Copa Rio Branco-1967, diante do Uruguai, contra o qual estreou, no 0 x 0 de 25 de junho de 1967, diante de 20 mil pagantes, no Estádio Centenário, em Montevidéu  –  Félix; Everaldo, Jurandir, Roberto Dias e Sadi; Wilson Piazza e Dirceu Lopes; Paulo Borges, Alcindo (Edu Coimbra),Tostão e Volmir foi o time escalado por Aymoré Moreira. A última partida foi em 6 de agosto de 1975, nos 2 x 1 Argentina, pela Copa América, no Mineirão, assistido por 71.718 pagantes – Raul; Nelinho, Wilson Piazza, Amaral e Getúlio; Vanderlei, Danival e Marcelo Oliveira (Palhinha); Roberto Batata, Campos (Dirceu Lopes)  e Romeu foi a escalação do treinador Oswaldo Brandão, formando uma seleção mineira, reforçada pelo paulista Amaral.   
... poster da revistas |Placar.
 Além desses jogos, Dirceu Lopes esteve canarinho, ainda, em: 28.06.1967 – 2 x 2 Uruguai; 01.07.1967 – 1 x 1 Uruguai; 11.08.1968 – 3 x 2 Argentina; 03.11.1968 – 2 x 1 México; 13.11.1968 – 2 x 1 Coritiba-PR; 14.12.1968 – 2 x 1 Alemanha Ocidental; 17.12.1968 – 3 x 3 Iugoslávia; 07.04.1969 – 2 x 1 Peru; 09.04.1969 – 3 x 2 Peru; 06.07.1969 – 4 x 0 EC Bahia; 01.08.1969 – 2 x 0 Millonarios-COL; 04.03.1970 – 0 x 2 Argentina; 08.03.1970 – 2 x 1 Argentina; 14.03.1970 – 1 x 1 Bangu-RJ; 22.03.1970 – 5 x 0 Chile; 26.04.1972 – 3 x 2 Paraguai e 13.06.1972 – 2 x 0 Hamburgo-ALE.  
 Portanto,  12 vitórias, seis empates e só uma queda, tendo marcado quatro gols – 1 x 1 Uruguai; 3 x 2 Argentina; 2x 1 Coritiba; 3 x 2 Paraguai.
Jogador representativo da “Era-Mineirão”. inaugurado em 7 de setembro de 1965, quando defendeu a seleção mineira que enfrentou o argentino River Plate, Dirceu Lopes fez o lançamento que permitiu ao atleticano Bougleux marcar o primeiro gol no estádio.
 Naquele dia, ele não imaginava a mudança que o futebol de sua terra viveria. “...não pensava que o impulso fosse tão forte...pois, em pouco tempo...Minas Gerais consegui chamar a atenção, tornando-se um dos maiores centros do futebol brasileiro”, disse à Revista do Esporte de Nº 408, de 31.12.1966, da segunda vez em que falava à semanária e a uma publicação esportiva nacional. “Temos ganhado bichos que jamais sonhávamos...”, revelou, atribuindo a isso, também, ao fato de o associado cruzeirense dispor de uma sede campestre próxima do Mineirão, o que lhe permitia passar as manhãs dos finais de semana recreando e, à tarde, ir aos jogos dos estrelados.
A Taça Brasil nas mãos de quem
merecia carregá-la
 Dirceu via o Cruzeiro sendo um “time certinho”, com estrutura que lhe permitia mudar peças mantendo o rendimento. Com os primeiros dinheiros lhe pagos pela “Raposa”, mandava ajuda financeira para os pais e   remodelou a casa deles. Dizia não fazer mais do que a sua obrigação.
 Quando atleta, filho do seu Tião com a Dona Maria não se considerava pessoa perfeita e tinha pavor de escândalos. Achava que as pessoas deveriam evita-los. Embora não tivesse tempo e nem pudesse se expor tanto em público, gostava muito de cinema e elegeu “Os Brutos também amam”, como o melhor filme que assistira. Como todo jovem de sua idade, aos 22 anos, nos tempos do iê-iê-iê, curtiu muito a música “Aquele beijo que te dei”, gravada por Roberto Carlos.
Dirceu atendia bem aos repórteres, mas quando lhe indagavam sobre temas fora do futebol enrolava o lance. Certa vez, lhe perguntaram se o Brasil (de 1968), tempos da ditadura militar dos generais-presidentes, estava bem orientado. Mandou isso: “Acho o Brasil tem carência de bons treinadores”, embora tivesse grande consideração por Martim Francisco (*). Preferia dizer nada entender de política, embora tivesse opinião sobre o que via. Por exemplo, que a vida no país poderia melhorar se houvesse esforço do governo para alfabetizar a grande massa da população e criar postos de emprego para todos.
Fã das praias do Rio de Janeiro, Dirceu Lopes, quando solteiro, não deixava de sacar a estampa das belas cariocas dentro dos seus biquínis. Não reclamava por deparar-se com mulheres perfumadas, pois as achava assim mais agradável. E era de opinião que a brasileira do ontem e a do seu tempo de jovem se equivaliam. Sujeito muito romântico, ele só não gostava das sofisticadas e levianas.





 Católico praticante, Dirceu nunca negava esmola. Dizia-se combativo e não acreditava em macumba e em amuletos. Para ele, ser sincero é o caminho da felicidade. O complexo mera falta de personalidade. No entanto, aceitava a cirurgia plástico para corrigir defeitos físicos.
 Quem falasse que as transmissões da TV da década-1960, o auge do Cruzeiro, prejudicavam o futebol, não teria o apoio de Dirceu. Além do pentacampeonato mineiro-1965/1969 e da Taça Brasil-1966, ele ajudou a sua rapaziada a conquistar, também, o Torneio Início-MG-1966; o tetra estadual-1972/73/74/75; a Taça Minas Gerais-1973; a Taça Libertadores-1976, e mais 17 torneios de menor importância, entre o Brasil e o exterior.  
Individualmente, os primeiros prêmios pelo seu talento foram os troféus Guará (destaques da temporada mineira), Revelação e Craque do Ano-1964 (juvenil), com o último repetido em  1965, já profissionalizado
Dirceu Lopes aparece, pela primeira vez em uma escalação  do time A cruzeirense, em 16 de abril de 1962, como Dirceu, apenas, no 0 x 0 Pedro Leopoldo, amistosamente, no estádio da Alameda, do América-MG (no local existe, hoje, um supermercado), lançado pelo treinador Geninho, no decorrer da partida, em lugar do atacante Paulo - os demais da equipe foram: Mussula, Juca, Vavá, Benito, Emerson, Amauri, Nelsinho (Zé Francisco), Antoninho; Elmo (Jairo) e Orlando (Lu).
 Em 1 de dezembro de 1963, em Cruzeiro 1 x 1 Atlético-MG, no Estádio Independência, pelo Campeonato Mineiro, ele foi anunciado por Dirceu Lopes, pois, desde março, o clube tinha o zagueiro Dirceu II.
Naquele clássico – Fábio; Massinha, Vavá, Dilsinho e Emerson; Elmo, Dirceu Lopes e Luiz Carlos (Paulo); Wilson Almeida, Tostão e Hílton Oliveira foi a "Raposa" de Geninho -, a torcida celeste marcou o início da maior dupla ofensiva estrelada de todos os tempos, mas Dirceu e Tostão já haviam atuado juntos pelo time principal, por alguns minutos, durante 0 x 0 Valério, amistoso, em 13 de junho da mesma temporada, no estádio Israel Pinheiro, em Itabira-MG, quando Marinho, que vinha comandando a rapaziada, há quatro jogos, tirou Gradim da partida e a equipe terminou o compromisso sendo: – Fábio; Juca, Vavá, Raul e Dilsinho; Nuno, Rossi e Luiz Carlos; Gradim (Dirceu), Tostão e Dalmar (Nerival).         
Zezé Moreira escalou o último Dirceu Lopes cruzeirense: em 27 de março de 1977, no Mineirão, nos 0 x 2 Atlético-MG, diante de 99.044 pagantes – Raul; Mariano, Moraes, Darci Menezes e Vanderley; Wilson Piazza, Zé Carlos e Eduardo Amorim; Ronaldo, Dirceu Lopes ( Eli Mendes) e Joãozinho foi o time, encerrando um ciclo dez 594 jogos e 224 gols.

                                                         TOSTÃO
 Nascido em Belo Horizonte, em 27 de janeiro de 1947, ele era um atleta diferente dos demais. Aos 19 de idade, falava em estudar Ciências Econômicas e mostrava-se bem informado sobre o caminho das finanças, registrando o seu apelido, o que significava que, quem quisesse usa-lo, comercialmente, teria de conversar com Eduardo Gonçalves de Andrade que, por sinal, já recebia convites para fazer publicidade empresarial.
Após o título da Taça Brasil, Tostão e Dirceu Lopes
 ganharam  capa de revista de circulação nacional,
o que não acontecia  com o futebol mineiro de antes 
 Canhoto, o “Mineirinho de Ouro”, denominação lhe dada pelos jornalistas, raramente chutava, ou passava a bola com o pé direito, que exigia-lhe chuteiras de número 41. Mas o fato de ser um “saci” em campo não lhe impediu de tornar-se o maior artilheiro da história cruzeirense, com 245 gols, em 373 jogos.
Cuidadoso com o peso (68 quilos) condizente com a sua altura (1m72cm), Tostão era considerado pelo bicampeão mundial Zito, do Santos, o melhor futebolista brasileiro, depois de Pelé, o qual ofuscara na decisão da Taça Brasil-1966, vencendo-o, por 6 x 2, em Belo Horizonte, e por 3 x 2, em São Paulo - ficara, também, “vice-rei”, em popularidade nacional, após aquela conquista.  
 Tostão chegou juvenil ao Cruzeiro, em 1964, após desacordo financeiro com o América-MG. Em 1965, tornou-se titular e até deixar o clube, em 1972, quando foi para o Vasco da Gama, conquistou os mesmos títulos já citados no texto sobre Dirceu Lopes.
Em 1966, após a Copa do Mundo, na Inglaterra, Tostão já estava ganhando Cr$ 800 mil cruzeiros mensais, boa grana no período. Até pouco antes, não passava dos Cr$ 150 mil.  
ADMIRAÇÃO – Dois craques, em especial, fora de Minas Gerais, mereciam os aplausos de Tostão: Pelé e Rivellino. Na arbitragem, considerava o argentino Roberto Goicochéa o bom - apitava em São Paulo. Já o melhor treinador dizia ser o seu conterrâneo Orlando Fantoni. Melhor gramado? Resposta seca: o do Mineirão. Não apontava o pior, mas garantia haver coisas horrorosas pelo  interior mineiro.
 Tostão sempre respondia aos repórteres que lealdade e franqueza eram as suas maiores virtudes. Fazia algumas reservas às críticas sobre as suas atuações e, embora não fosse de discutir com os árbitros, não deixava de fazer reclamações, bem como aos marcadores pancadeiros. Achava a concentração necessária e, em 1969, já pensava em ser médico, o que o foi após abonar a carreira de atleta. Sem modéstia, considerava-se um bom jogador, e não escondia ter ficado rico. Garantia, porém, jogar mais por prazer. Não acreditava que camisa pudesse ganhar jogo. 
PRIMEIRA RAPOSA -  Foi no acanhado estádio colado à sede cruzeirense do belo-horizontino bairro do Barro Preto que Tostão estreou no time do Cruzeiro. Escalado pelo treinador Niginho, foi nos 2 x 1 Siderúrgica, amistosamente, em 4 de abril de 1963, sem marcar gol – Tonho; Juca, Raul, Dirceu II e Tenório; Pedro Paulo e Dida; Antoninho, Wilson Almeida (Neivaldo), Tostão e Mário Jorge era a turma.
 Menos de um mês antes – 13 de março – ele havia entrado durante o decorrer de amistoso contra o seu futuro time, jogando pelo América-MG, no 1 x 1 Cruzeiro, no antigo estádio americano da Alameda – Lima; Luizinho, Jorge, Laércio e Murilo; Amarelinho e Paulista (Tostão); Djalma, Zé Emílio, Dario Damasceno e Robson (Zé Geraldo) foram escalados pelo treinador  Zezinho Miguel.  
Foi, também, em um mês de abril – 09.04. 1972 – e em um outro estádio acanhado, o Pedro Ludovico, em Goiânia, no amistoso Cruzeiro 0 x 0 Goiás, que Tostão vestiu a camisa estrelada pela última vez – Raul; Lauro Moraes, Piazza (Darci Menezes) e Vanderley; Zé Carlos e  Dirceu Lopes; Rinaldo, Tostão (Repetto), Palhinha e Rodrigues foi o time que o treinador Yustrich (Dorival Knippel) mandou ao gramado.               
TRAGÉDIA – Nem tudo foi glória durante a vida cruzeirense de Tostão. Disputando o Torneio Roberto Gomes Pedrosa (*), ele levou uma bolada no rosto, chutada pelo zagueiro corintiano Ditão, que deslocou a retina do seu olho esquerdo.
Aconteceu aos 10 minutos do segundo tempo, durante a noite de 24 de setembro de 1969, diante de 48.383 torcedores pagantes  que assistiam Cruzeiro 0 x 2 Corinthians, no paulistano estádio do Pacaembu, pela quinta rodada do “Robertão”, quando a “Raposa” brigava por vaga do Grupo A que incluía, ainda, o gaúcho Internacional.
 Para um atleta consagrado, aos 23 de idade, era algo terrível. Foi preciso ele parar de jogar, por uns tempos, e submeter-se a uma cirurgia, feita pelo oftalmologista mineiro Roberto Abdala Moura, em Houston, nos Estados Unidos. Só voltou a jogar (e a cabecear a bola) em março de 1970, mostrando-se recuperado e pronto voltar a ser um canarinho, história que teremos a seguir.  
SELEÇÃO BRASILEIRA -  A estreia de Tostão foi pelo 1 x 1 Chile, em 15 de maio de 1966, diante de 25 mil pagantes, no estádio do Morumbi, em São Paulo, amistosamente, durante os preparativos para a Copa do Mundo – Manga; Djalma Santos, Bellini, Altair e Paulo Henrique; Dudu e Fefeu; Nado, Tostão, Flávio “Minuano” e Rinaldo foi o time escalado pelo treinador Vicente Feola. 
Ele não marcou gol daquela vez, mas quando o fez, em sua primeira vez canarinha, foram dois, em 5 de junho da mesma temporada, diante da torcida cruzeirense, no Mineirão, aos 41 e aos 56 minutos de Brasil 4 x 1 Polônia - Manga; Fidélis, Bellini, Orlando Peçanha e Rildo; Denílson e Roberto Dias; Jairzinho, Tostão, Alcindo (Parada) e Edu Américo (Paulo Borges) foram os homens de Feola.
Dirceu Lopes, Piazza e Tostão "canarinhados" para defender a Seleção Brasileira
 Tostão totalizou 36 gols, em 65 jogos, pelo time da então Confederação Brasileira de Desportos, atual CBFutebol, em 47 vitórias, 12 empates e seis quedas. Dessa estatística, 17 partidas foram oficiais, com 15 vitórias, um empate e uma escorregada. Nelas, deixou 13 bolas nas redes e ajudou a rapaziada a conquistar quatro títulos: Copas Rio Branco-1967; do Mundo-1970; Roca-1971 e Taça Sesquicentenário da Independência do Brasil-1972. 

 Em duas Copas do Mundo disputadas, Tostão marcou tês gols: em 15 de julho de 1966,  no Goodson Park, da inglesa Liverpool, em Brasil 1 x 3 Hungria, diante de 57 mil pagantes -  - e os outros dois, em 14 de junho de 1970, nos 4 x 2 Peru, no mexicano estádio Jalisco, em Guadalajara, aplaudido por 54 mil almas – Gilmar; Djalma Santos, Bellini, Altair e Paulo Henrique; Lima e Gérson; Garrincha, Tostão, Alcindo e Jairzinho foi o time de Feola, diante dos húngaros, enquanto Mário Jorge Lobo Zagallo, contra os peruanos, escalou: Felix; Carlos Alberto Torres, Wilson Piazza e Everaldo (Marco Antônio); Clodoaldo, Gérson (Paulo César Lima) e Rivellino; Jairzinho, Tostão e Pelé.
Em 9 de julho de 1972, no Maracanã, em Brasil 1 x 0 Portugal, decidindo o torneio comemorativo das 150 viradas de calendário com o Brasil independente – Taça Sesquicentenário da Independência do Brasil -, Tostão despediu-se da Seleção Brasileira, diante de 99. 138 pagantes – Leão; Zé Maria, Brito, Vantuir e Marco Antônio (Rodrigues Neto); Clodoaldo, Gérson e Rivellino; Jairzinho, Tostão e Leivinha Dario “Peito-de-Aço” foi a moçada de Zagallo.    
   Além desta disputa e do tri da Copa do Mundo do México-1970, Tostão ajudou a Seleção Brasileira a ganhar as Copas Rio Branco-1967, encarando os uruguaios,  e Roca-1971, tendo os argentinos pela frente.
Este gol, diante do Tupi, foi capa da revista
 "Placar" Nº 20, de 31 de julho de 1970 
VOLTA AO CRUZEIRO -  Tri no México, Tostão era, ansiosamente, aguardado pela torcida raposeira, que não o via com a camisa da sua rapaziada há 10 meses.
 Em 22 de julho de 1970, durante a noite de quarta-feira, no Mineirão, ele voltou, em grande estilo, marcando quatro gols - aos 37, 62, 66 e 76 minutos dos 5 x 0 Tupi, de Juiz de Fora, pelo Campeonato Mineiro. 
Com camisas, calções e meiões brancos, o treindor Gérson dos Santos mandou a campo: Nego; Lauro, Mário Tito, Fontana e Vanderley; Wilson Piazza (Pedro Paulo), Zé Carlos (Evaldo) e Dirceu Lopes; Natal, Tostão e Rodrigues.  
 Perto do final da partida, Tostão chocou-se com o goleiro Zé Maurício, do Tupi, ms saiu ileso do lance, tranquilizando a torcida cruzeirense. Estava com a retina em dia.  
CARÍSSIMO - Ao ir para o Vasco da Gama, Tostão marcou a maior transação do futebol brasileiro: Cr$ 3,5 milhões de cruzeiros, bancados pelo Banco Pinto de Magalhães (Afonso Pinto de Magalhães), Casas Sendas (Arthur Sendas) e o ex-presidente vascaíno João Silva, rico comerciante português.
Ele desembarcou na Colina, em 15 de abril de 1972, recebido no carioca aeroporto do Galeão por mais de 10 mil torcedores. Estreou em 7 de maio da mesma temporadas, em Vasco 2 x 2 Flamengo, assistido por 18.454 pagantes. Mas só ficou por uma temporada, em São Januário, devido o problema que leremos adiante.
Tostão disputou  45 partidas com a camisa cruzmaltina, marcando seis gols, o último, em 10 de fevereiro de 1973, aos 34 minutos do segundo tempo, fazendo o  Vasco a carregar a Taça Erasmo Martins Pedro, por 1 x 0 Flamengo.
Cruzmaltino, em foto reproduzida
de "Placar"
 A última partida rolou, em 27 de fevereiro de 1973, contra o Argentinos Juniors. Tinha 26 de idade quando  pendurou as chuteiras. Inflamação na retina operada foi o motivo. Voltou aos Estados Unidos, para ser examinado pelo oftalmologista Roberto Abdalla Moura, que recomendou-lhe encerrar o seu ciclo nos gramados.
 Em 17 de maio, Tostão teve seu contrato rescindido com o Vasco da Gama, que pediu-lhe indenização pelo prejuízo, enquanto ele desejava receber as parcelas ainda não pagas das luvas - recebidas após muita briga na Justiça.
Tostão viveu a sua melhor fase, entre 1963 e 1972, disputando 383 jogos e marcando 242 gols pelo Cruzeiro-MG, do qual é o maior artilheiro e pelo qual foi campeão estadual em 1965/66/67/69/60/1972. 
Longe da bola, passou a ser, rigorosamente, o cidadão Eduardo Gonçalves de Andrade. Por um bom tempo, evitou os jornalistas, estudou, graduou-se em Medicina, atuou na área e foi, também, professor.  Um dia, voltou para o mundo da bola, sendo comentarista de TV e colunista de jornais e autor de livros sobre futebol.



                                     RODRIGUES
   Ele brigou muito, com Hílton Oliveira, pela posição de titular da ponta-esquerda cruzeirense. Deixou escrito a autoria do gol 500 raposeiro, aos 35 minutos do primeiro tempo dos 1 x 2 Atlético-MG, em 2 de agosto de 1970, no Mineirão, diante de 106.155 pagantes – Raul; Raul Fernandes, Morais, (Darci Menezes), Fontana e Neco; Piazza, Zé Carlos e Dirceu Lopes; Natal, Tostão e Rodrigues (Gilberto) foi o time escalado por Gérson dos Santos.  

José Rodrigues dos Santos, nascido na baiana Conde, em 31 de julho de 1946, começou a fazer o seu nome como campeão juvenil e profissional do IV Centenário do Rio de Janeiro, em 1965, um ano depois de ter chegado ao Flamengo. Pela temporada seguinte, ajudou os rubro-negros a ganharem o Torneio Internacional de Guyaquil-1966, no Equador e passou mais uma temporada na Gávea, tendo jogado, entre outros, ao lado de Fio Maraviha. 
Atacante de puco bater na rede, em 79 jogos rubro-negros, marcou apenas sete tentos, em em 32 vitórias, 21 empates e 26 quedas, currículo que levou para o Cruzeiro, em 1967.
Em nome da “Raposa”, Rodrigues ficou bicampeão mineiro-1968/1969 e a honrou com a camisa do escrete nacional, marcando um gol no amistoso Brasil 3 x 2 Argentina, no Mineirão, em 11 de agosto de 1968, aos 21 minutos, com os canarinhos representados pelo selecionado mineiro, diante de 50 mil pagantes.
Na verdade, no dia em que Rodrigues esteve canarinho, a Seleção Brasileira foi o time do Cruzeiro, reforçado por dois atleticanos, o que está contado no texto sobre Natal. 

Rodrigues residia em Belo Horizonte em companhia de Dona Raimunda, sua mãe, e das irmãs Neusa e Iolanda. Como a primeira não se aclimatara na capital mineira, ele começou a pensar em voltar ao futebol carioca, ainda mais porque sentia saudade do mar, pois era marinheiro quando um oficial da chamada “armada” o levou para treinar no Flamengo, embora ele fosse torcedor do Vasco da Gama - quando garoto, vivia usando a camisas cruzmaltina.
  Nem sempre - jamais negou -  Rodrigues teve bom relacionamento com a torcida cruzeirense. Certa vez, por dizer, durante programa de TV,  que estivera para defender o "Galo" (*) antes de ser raposeiro,  levou a maior vaia ao entrar em campo para seu primeiro jogo após a declaração. Por ter atuado muito bem, destacadamente, saiu de cena aplaudido e encerrou aquela história.
O primeiro dos 172 jogos cruzeirense de Rodrigues foi em 19 de agosto de 1967, nos 4 x 0 Araxá, pelo Campeonato Mineiro, lançado diante de 12.815 pagantes, pelo treinador Aírton Moreira,  durante o decorrer da partida -  Raul; Pedro Paulo, Celton, Procópio e Neco; Ílton Chaves e Dirceu  Lopes; Natal, Evaldo, Tostão e Wilson Almeia (Rodrigues) foram as caras do dia. 
A despedida está registrada no 8 de maio de 1981, no mesmo Mineirão, valendo, igualmente, pelo Estadual-MG e  assistido por apenas 5.377 almas que prestigiaram Cruzeiro 4 x 0 Flamengo, de Varginha, marcando gol, aos 35 minutos do segundo tempo – Raul; Pedro Paulo, Perfumo, Fontana e Geraldo Galvão;  Toninho Almeida, Spencer e Dirceu Lopes; Roberto Batata (Palhinha), João Ribeiro e Lima (Rodrigues), dirigidos por Ílton Chaves.         
O  hobby de Rodrigues era colecionar pássaros e curtir dois cães pastores alemães. Além do Flamengo e do Cruzeiro, ele vestiu, as camisas de mais cinco times: Portuguesa de Desportos, Vasco da Gama, São Bento, de Sorocaba-SP, Atlético-MG e Noroeste, de Bauru-SP, pelo qual chegou ao fim de linha, em 1975. Viveu até 19 de julho de 2015, deixando os filhos Valéria, Juliana, Guilherme, Heliabarbara e Pablo.

                                                           
                                                                 ESTRELINHAS 



GÉRSON DOS SANTOS -  Mineiro, nascido em Belo Horizonte, no 14 de julho de 1922, ele era um treinador para quem futebol deveria ser arte e ciência. Na juventude, fora defensor (volante) do Botafogo, entre 1945/1946, tendo disputado 371 partidas pelo alvinegro carioca. Marcou apenas dois gols e foi convocado quatro, por vezes, para a Seleção Brasileira.  Criador do “quadrado” no meio-de-campo cruzeirense, Gérson dos Santos chegou ao clube estrelado encontrando o time jogando à base de Wilson Piazza, Dirceu Lopes e Tostão. Não concebia Zé Carlos fora da escalação. Então, tirou o meia-atacante Evaldo e lançou o “Zelão” na equipe, para Dirceu fazer o papel do ponta-de-lança. “Apenas aproveitei  os (talentos dos) quatro. Vocês (da imprensa) inventaram (o termo) o quadrado”, disse o treinador, em julho de 1969.

AÍRTON MOREIRA - Irmão mais novo de Zezé e de Aymoré Moreira, foi o montador do maior Cruzeiro de todos os tempos. A imprensa escrevia o seu Ayrton com o “i” em lugar do “y”, como o fazia, também, com o seu irmão Aimoré. Antes de ser treinador, Aírton era superintendente da sede campestre cruzeirense. Chamado a quebrar o galho como treinador, em 1964, ele lapidou uma geração que encantou o país.


Além de carregar a Taça Brasil-1966, Aírton venceu os Estaduais-MG daquele ano e do anterior.  Em 1967, apresentando pressão arterial muito alta, foi intimado, por seu médico, a repousar durante 30 dias. Como o seu time estava dois pontos distante do “Galo”, nem discutiu. Orlando Fantoni, o superintendente do Departamento de Futebol, o substituiu, para ficar, interinamente, no cargo - havia passado 17 temporadas e vencido 14 campeonatos nacionais na Venezuela. Enquanto Airton recuperava-se, Fantoni cravou Cruzeiro 4 x 0 Democrata; 7 x 1 Araxá; 6 x 1 Usipa; 0 x 0 América-MG e 3 x 3 Atlético-MG. Vencida a interinidade, Aírton Moreia reapresentou-se para reassumir assuas funções e armar o time que enfrentaria o Formiga. Porém, reunião secreta dos cartolas decidiu chuta-lo, pois Fantoni conseguira cinco vitórias, com o time marcando 20 e levando cinco gols. Nascido, em 31 de dezembro de 1917, em Miracema-RJ, Ayrton Moreira viveu por 57 temporadas, até 22 de novembro de 1975. Como atleta, durante as décadas-1930/40, defendeu equipes do Rio de Janeiro, de Minas Gerais e de Pernambuco. Foi treinador a partir de 1946, em clubes mineiros e cariocas. Chegou ao Cruzeiro, em 1957, ficou por duas temporadas e retornou para uma nova fase, entre 1964 a 1967. Após sair da vida raposeira,  trabalhou para o Atlético-MG, em 1968, e depois para outros times mineiros. Fez o seu último trabalho, em 1975, como auxiliar-técnico no mesmo Cruzeiro que o teve como um técnico de estrela e de estrelas.   
  
 ORLANDO FANTONI – Ele jurava jamais ter participado de qualquer complô para derrubar Aírton Moreira. Alegava ser um simples empregado do clube, sem cacife para participar de reuniões de diretoria, e dizia-se indignado com quem o via como cabeça do movimento que tirara o cargo do antecessor. Também, garantia não ser “afilhado” de nenhum diretor.  Quando provocado, Fantoni defendia-se, dizendo não ser “treinador de laboratório” e, se substituíra Aírton Moreira, fora por ter capacidade demonstrada treinando os venezuelanos Deportivo Português, Deportivo Itália e Valência. Fantoni defendia-se dizendo, ainda, que a “Raposa” começara mal a campanha do tri mineiro, em 1967, e que vira, no primeiro treino em que a comandara, ser preciso reagir. Então, implantou uma linha dura que recuperara o  futebol que a torcida se acostumara a aplaudir. Para completar a campanha cruzeirense do tri, Fantoni gabava-se de ter solicitado só um reforço, o lateral-direito Lauro, que defendia o São Cristóvão-RJ, para revezar com Pedro Paulo. Ele alegava ter mudado pouco o sistema de jogo da equipe estrelada, considerava o seu ataque como o mais rápido do futebol mineiro, talvez, do Brasil, e avisava que, para o Cruzeiro, seria indiferente jogar no Mineirão-MG, no Maracanã-RJ ou no Pacaembu-SP, estádios que recebiam os maiores clubes do país.  Quando assumiu o comando do time estrelado, Orlando Fantoni procurou criar uma escolinha de futebol, por intuir que o futuro do futebol passava por ali. Nascido, em Belo Horizonte, em 3 de maio de 1917, ele viveu por 82 anos, até 5 de junho de 2002.  Foi atleta cruzeirense, entre 1932 a 1942, quando marcou 82 gols e o nome da agremiação ainda era Palestra Itália. Como treinador, teve três passagens pelo Cruzeiro, entre 1967/1968; de 1971 a 1972, e em 1983. Encerrou a carreira em 1989, pelo Vitória-BA, totalizando passagem por 14 equipes, entre elas Vasco da Gama, Botafogo, Corinthians e Grêmio-RS.  


 RAUL FERNANDES - Raul Fernandes da Costa Filho, zagueiro nascido em Belo Horizonte, em 2 de dezembro de 1941. Cria do Democrata, de Sete Lagoas-MG, defendeu a a “Raposa” até 1971, aparecendo, pela primeira vez, na escalação, em 17 de novembro de 1968, em Cruzeiro 2 x 2 Portuguesa de Desportos, no Mineirão, pela primeira fase do Torneio Roberto Gomes Pedrosa, o Robertão.  De início, por causa do goleiro Raul Guilherme, era anunciado por Raul Costa. Mas, se a camisa 1 do dia fosse de Fazzano, seria só Raul. Para o amistoso Cruzeiro 3 x 2 Nacional-AM, no Estádio Gilberto Mestrinho, em Manaus, no 5 de dezembro do mesmo 1968, foi anunciado, pela primeira vez, por Raul Fernandes. Durante o Robertão-1969, quando os cruzeirenses perderam o título, para o Palmeiras, por dois gols de saldo, foi titular até a reta final, atuando pela lateral-direita e sendo barrado por Lauro, tendo o time-base sido:  Raul, Raul Fernandes (Lauro), Darci (Mário Tito), Fontana e Neco; Piazza, Zé Carlos e Dirceu Lopes; Tostão (Zé Carlos Mérola/Gilberto), Evaldo (Palhinha) e Rodrigues (Hilton Oliveira).  Raposeiro, pela última vez, no 11 de outubro de 1970, em Cruzeiro 4 x 2 Londrina-PR, no Estádio Vitorino Dias, ele foi lançado pelo treinador argentino Filpo Nuñes, na vaga de Pedro Paulo, durante o amistoso com esta formação: Raul (Nego); Pedro Paulo (Raul Fernandes), Brito, Darci Menezes e Neco (Vanderley); Piazza, Zé Carlos (Spencer), Dirceu Lopes e Evaldo: Tostão (Eduardo Amorim) e Rodrigues. Disputou menos de 60 partidas estreladas e, em 1971, transferiu-se para o rival Atlético-MG, tendo ficado no “Galo” até 1974, disputado 60 jogos e sido campeão da Taça Minas Gerais-1972.                                                                                                                                                                                                                         
HÍLTON OLIVEIRA - Ponta-esquerda, antes de chegar ao "grande" Cruzeiro,  defendia o Fluminense, sem o seu sobrenome mencionado nas escalações. Em 27 de março de 1963, o seu contrato terminou e foi renovado, por mais uma temporada e meia. Voltou para o  Cruzeiro, que o negociara com os carioca, em 1961, tendo saído bicampeão mineiro-1959/1960. Muito contribuiu para a sua volta o fato de Escurinho ter lhe barrado. Cria do Renascença, Hílton chegou ao Cruzeiro, com 18 de idade, em 1958. O Oliveira passou a entrar em seu nome futebolístico para evitar confusões com o do apoiador Ílton Chaves,  na volta ao clube, pelo qual ficou pentacampeão mineiro (1965 a 196) e campeão da Taça Brasil-1966.. Esteve cruzeirense até 1970, por 330 partidas. Marcou 33 gols. Nascido em 30 de setembro de 1941, viveu por 64 anos, até 3 de março de 2006.
                                                                                   
                                                                  
NECO –  Aos 38 de idade, no 21 de dezembro de 1983, após disputar, no Maracanã, a sua última partida o goleiro Raul Guilherme Plasmann homenageou um colega jamais badalado pela imprensa, nunca idolatrado por torcedores e nem chamado para a Seleção Brasileira: o lateral-esquerdo Neco. Por acaso, este contribuíra muito para o seu sucesso junto à torcida cruzeirense. Um dia, o roupeiro não levara para o estádio camisa que coubesse em Raul. 
Neco é o primeiro em pé, da esquerda paras a direita.
Então, Neco lembrou-se de que tinha em sua bagagem uma camisa amarela, para dias friorentos. Coube certinho no colega e o mais foi só improvisar o número 1, com esparadrapo. Raul surpreendeu o Mineirão, surgindo à boca do túnel vestido daquele jeito, quando os colegas de posição só usavam o preta. E o amarelo virou o símbolo do goleiro, que já era paqueradíssimo pelas torcedoras da “Raposa”, por ser alto, loiro e cabeludo, como um cantor de iê-iê-iê, a onda da hora. Neco foi um dos mais constantes titulares na melhor fase cruzeirense de todos os tempos. Em 1967, época do tri estadual, ele disputou 35 refregas, tornando-se o terceiro mais "comparecente" aos jogos no Mineirão, suplantado só pelos 37 de Pedro Paulo (37) e 36 de Dirceu Lopes, Natal, Procópio e Raul. Em 1968, época do tetra, atuou menos - 25 vezes -, mas  foi um dos 11 que mais preliaram.   


PROCÓPIO - Um dos xerifes dos times cruzeirenses, considerava o de 1966 o melhor de todos. E o colocava entre os 10 melhores da história do futebol, ao lado do Santos de Pelé; do Botafogo de Garrincha; da seleção da Hungria-1954; da Holanda-1974 e da Seleção Brasileira-1970”, conforme avaliou par a “Revista do Cruzeiro” Nº 15, de junho de 1997. Procópio não figura no “Time do Postal”, mas participou de duas das cinco conquistas do penta-1965/1969. Revelado pelo Renascença, foi juvenil do Cruzeiro e assinou o seu primeiro contrato como profissional em 19 de fevereiro de 1959. Passou, também por São Paulo, Atlético-MG, Fluminense e Palmeiras –, tendo, em 1963, sido campeão brasileiro pela seleção mineira. Em 1966, estava no time campeão da Taça Brasil. Em outubro de 1968, Procópio Cardoso Neto jogando no Morumbi-SP, em um lance contra Pelé, teve uma das pernas fraturadas e levou cinco temporadas para voltar aos gramados. Na volta, o Cruzeiro já tinha uma outra geração, mas que, ainda, permitiu-lhe colecionar novos títulos, como os Estaduais-1973/74. Pouco depois, encerrou a carreira de atleta e iniciou a de treinador, tendo, inclusive, comandado equipes da “Raposa”.

WILLIAM  -   Cria do Marianense, de sua terra - Mariana-MG, onde nasceu, em 25 de junho de 1933 -  William José Assis Silva fez o nome com a camisa do Atlético-MG, durante 10 temporadas. Em 1964, esteve no América-RJ, por cinco meses, tendo abandonado o clube por ter sido barrado pelo treinador Zizinho (Thomás Soares da Silva), às véspera do início do Torneio Rio-São Paulo, a grande competição dos clubes brasileiros da época. Brigado com o “Diabo”, em uma sexta-feira, William acertou com a "Raposa", no sábado. Mesmo tendo em sua história grande ligação com o "Galo", - quatros títulos estaduais mineiros-1955/56/58/62/63 e da Taça BH-1959 -, William agradou ao torcedor cruzeirense, ajudando o clube a conquistador o penta-1965/1969 e da Taça Brasil-1966,  quando, interessantemente,  formou dupla de zaga com o seu cunhado Procópio. Estreou cruzeirense em 2 de agosto de 1964, exatamente contra o “Galo”, para quem tanto havia “xerifado” a área. 

ÍLTON CHAVES - Ele tinha o seu pré-nome escrito pelos jornais com “H”. Mas era com “I” mesmo. Acentuado e registado assim no cartório de Itinga, no Vale do Jequitinhonha, em 28 de março de 1937. Foi um grande exemplo de conduta nos gramados. De tão correto que era, em 1967, expulso de um amistoso contra a seleção mexicana, em Leon, os companheiros foram pedir ao juiz para reconsiderar o fato, e foi autorizado a voltar ao jogo, o que só havia acontecido com o “Rei Pelé”. Ílton era cinco temporadas mais velho quando Wilson Piazza chegou ao Cruzeiro. Após os primeiros treinos do novato, sugeriu-lhe mudar para o meio do campo. Passou-lhe muitos conselhos e perdeu a vaga de titular, o que permitiu ao treinador Aírton Moreira armar a trinca Piazza, Tostão e Dirceu Lopes. Em 1969, ele tornou-se auxiliar técnico de Gérson dos Santos.  Apelidado por “Pezão” e pentacampeão mineiro, após o final da carreira tornou-se treinador e o que mais dirigiu a moçada raposeira: 389 vezes, vencendo 213 jogos, empatando 89 e escorregando em 60. Levou o Cruzeiro a um tetra estadual – 1972/73/74/75 e a carregar, também, a Taça Minas Gerais-1973 – as suas passagens à frente da equipe foram em: 1970/71/72/75/79/80/83/84. A carreira boleira começou em Teófilo Otoni-MG, onde o Atlético-MG foi buscá-lo, em 1955. Após cinco temporadas, mudou-se para o América-MG). Também campeão brasileiro de seleções estaduais-1963, esteve na turma do “Diabo” (alcunha do América-RJ), por uma temporada.                                    
                                                                 

                                                               MARCO ANTÔNIO
 Centroavante que não figura no “Time do Postal”, mas foi importante na conquista do penta mineiro. Habilidoso, veloz e com chute forte, formou dupla com Tostão em jogos de 1965 a 1967, foi tri mineiro-1965/66/67 e da Taça Brasil-1966. Cria dos juvenis do América-RJ, em 1959, mudou-se para o América-MG, em 1962. Em 1963, foi o camisa 9 titular da seleção mineira campeã brasileira, vencendo o Rio de Janeiro, na final, pro 2 x 1.  Em 1964, pintou  no Comercial de Ribeirão Preto-SP, de onde o Cruzeiro o tirou. Saiu do clube estrelado, em 1967, para defender o Botafogo, de Ribeirão Preto. Em 1971, foi para o Goiânia-GO. Voltou a ser raposeiro, em 1975, como treinador dos juvenis. Ficou até 1979, tornou a sair e voltou, mais uma vez, em 199, para coordenar as categorias de base.                                             
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APRESENTADO AO PAÍS -  Ao final da temporada-1965, a torcida brasileira vivia a expectativa pelo tri do escrete canarinho na Copa do Mundo da Inglaterra-1966. E tirava o chapéu para os campeões carioca (Flamengo) e paulista (Santos).
 Em Minas Gerais, um time ainda sem fama nacional, o Cruzeiro Esporte Clube, exibiu durante a temporada uma equipe fantástica em que sobressaiam-se Tostão, Dirceu Lopes, Natal e Wilson Piazza,  principalmente. Ganhou o título estadual, mas este  só teve repercussão caseira. Até então, a bola das alterosas era só para consumo interno.
Iniciada a temporada seguinte, o Cruzeiro queria levar o campeão paulista para fazer uma grande amistoso diante de sua torcida. Como aquela era uma época em que os santistas excursionavam e o planeta pagava-lhe muitos dólares para aplaudir o “Rei Pelé”, o convidado foi o time flamenguista.
Repleto de estrelas, como Murilo, Paulo Henrique, Carlinhos ’Violino” e Silva, todos jogadores de Seleção Brasileira, os rubro-negros pisaram no gramado do Mineirão, cinco meses após a inauguração do então segundo maior estádio de futebol do país,  levando no bico de suas chuteiras o charmoso título de campeões do IV Centenário do Rio de Janeiro.
 Seguramente, grande parte dos 40 mil torcedores que foram ao amistoso da tarde/noite de 3 de fevereiro de 1966 achou normal Silva abrir o placar (aos 20 minutos). Seria a ordem natural da partida. Mas Dirceu Lopes empatou, cinco minutos depois - Silva fez o segundo dele (aos 27) e Tostão “reempatou” (aos 39 minutos).
Para o público da terra, estava “bão demais, sô!" Menos para a rapaziada comandada pelo treinador Aírton Moreira. No segundo tempo, o Cruzeiro massacrou o Flamengo, que não viu a cor da bola. E levou muito trabalho ao “garoto do placar” – Wilson Piazza, aos 17; Tostão, aos 23 e aos 42, e Marco Antônio, aos 29 minutos – deixaram incrédulo o locutor da carioca Rádio Globo, mostrando-lhe um show de técnica e levando o Flamengo – Valdomiro; Murilo, Ditão (Jaime), Luiz Carlos ‘Gaúcho’ e Paulo Henrique; Carlinhos e Jarbas (Nelsinho); Neves, César Lemos (Aírton ‘Beleza’), Silva e Rodrigues (Osmar) –  ao pesadelo de ser moído por uma máquina de jogar bola. Que time era aquele?    
 O Cruzeiro, então,  passou a ser respeitado pelo torcedor brasileiro. Naquele jogo – apitado por Joaquim Gonçalves, da Federação Mineira de Futebol – seu time do dia – Tonho; Pedro Paulo, William (Celton), Vavá e Neco; Piazza e Dirceu Lopes; Wilson Almeida (Natal), Tostão, Marco Antônio e Hílton Oliveira – excedeu. E excederia, tempinho depois, mandando os mesmos 6 x 2 sobre o Santos de Pelé.
                                                 
TAÇA BRASIL-1966 – O Cruzeiro avisou que não era o bom só do Campeonato Mineiro. Mostraria isso, também, durante a Taça Brasil, até então só levada pelo Bahia e o Santos. E começou a disputa – entre 7 de setembro e 8 de dezembro – valendo vaga na Taça Libertadores, indo a Campos-RJ e  mandando 4 x 0 Americano. No Mineirão, sapecou 6 x 1, no Mineirão.
A segunda etapa foi mais difícil. Eliminou o Grêmio Porto-Alegrense, com 0 x 0 fora e 2 x 1 em casa. Antes da terceira fase, um um tropeço pelo Estadual –  0 x 1 Valério, no Mineirão,  fez a sua torcida temer eliminação, pelo Fluminense, nas semifinais.
Bastou,, no entanto, a rapaziada mandar 6 x 3 Villa Nova, em 30 de outubro, para a confiança voltar – e  Flu voar, por 1 x 0, em Belo  Horizonte, e 3 x 1, no Maracanã. E a “Raposa” foi para as finais, encarar o favorito Santos, de Pelé.
Por aqui, o Cruzeiro escreveu  uma das mais bonitas páginas da história do futebol brasileiro. Para o torcedor de fora de Minas Gerais, fora uma zebra aquele time não teria nenhuma chance diante do pentacampeão da Taça Brasil-1961/62/63/64/65  e bicampeão paulista-1964/65, que só não era penta nesta competição, também, porque o Palmeiras de Ademir das Guia atravessara as suas glórias, em 1963.  
Veio a noite do 30 de novembro daquele 1966, que não deveria ter terminado para os cruzeirenses, e 90 mil torcedores – 77.325 pagantes –- compareceram ao Mineirão, gerando a espetacular arrecadação de Cr$ 223 milhões, 314 mil e 600 cruzeiros, a moeda da época.
 O favorito Santos – também, bicampeão da Taça Libertadores e do Mundial Interclubes-1962/63 – entrara em campo com seis jogadores passados pela Seleção Brasileira – Gilmar, Carlos Alberto Torres, Mauro Ramos, Zito, Pelé e Pepe – e mais o temível goleador Toninho ‘Guerreiro’, que chegaria, também, ao escrete nacional. Até ali, o Cruzeiro não tinha ninguém selecionável.
O juiz Armando Marques, então, apitou o início de contenda. Com um minuto de bola rolando, Tostão serviu Evaldo, no meio do gramado. Vendo Dirceu Lopes avançando para a área santista, o centroavante fez um lançamento, na medida, para o camisa 10 estrelado “matar”.
 Apavorado, o lateral-esquerdo santista Zé Carlos chegou primeiro na pelota, mas marcou gol contra: Cruzeiro 1 x 0. Aos cinco, Dirceu Lopes, servido por Evaldo, lançou Natal, que driblou Zé Carlos e bateu forte para a rede: Cruzeiro 2 x 0 – o show estava só começando. E aumentou, aos 20 minutos, quando o zagueiro santista Oberdan perdeu bola para Dirceu, que mandou-lhe dois dribles e não perdoou Gilmar, batendo de fora da área: Cruzeiro 3 x 0.  
Inacreditável! Mais ainda quando, aos 39,  a “Raposa” infernizou a cozinha do “Peixe”, com três tentativas seguidas de gol. Na última,  Dirceu Lopes escreveu: Cruzeiro 4 x 0. 
Raul foi um dos mais tietados
”Peguei a bola na entrada da área, apliquei um corte no zagueiro, passei-a, do pé direito para o esquerdo, e bati. Ela fez uma curva e enganou o Gilmar, que ficou agarrado na trave. Foi um golaço”, narrou Dirceu ao site www.cruzeiropedia.com.br
 Aos 41, novamente, Dirceu Lopes infernizou a vida peixeira. Driblou Mauro, dentro da área, e foi derrubado, por Oberdan. Pênalti que Tostão bateu e enlouqueceu a galera: Cruzeiro 5 x 0.
Dava para acreditar que tudo isso estava acontecendo só no primeiro tempo? E o “Rei Pelé”, por ode andava? Marcado em cima, por Wilson Piazza, não apareceu.
 No  segundo tempo, o Cruzeiro começou mais desacelerado e levou dois gols, aos seis e aos 10 minutos, ambos marcados por Toninho ‘Guerreiro”. Conta-se que, durante o intervalo, no vestiário, o treinador santista Luís Alonso Peres, o Lula, mandou parar o ataque cruzeirense na porrada.
Os cruzeirenses, porém, reacenderam o vigor, após o susto e, aos 72 minutos, Tostão lançou Evaldo, que venceu Oberdan e chutou forte. Gilmar defendeu, oferecendo rebote que Dirceu Lopes não desperdiçou: Cruzeiro 6 x 2.
Diante de um baile daqueles, o que não estava acostumado, o Santos ficou nervoso e, aos 75 minutos, Pelé chutou Piazza. Formou-se um burburinho e, da confusão, sobraram expulsões de campo para o “Rei” e o zagueiro cruzeirense Procópio – na época, não havia suspensão automática na partida seguinte.
Jogo encerrado, conta-se que os cartolas santistas Athiê Jorge Cury (presidente), e Nicolau Moran (diretor) enviaram a Taça Brasil para o vestiário cruzeirense, a fim de que a “Raposa” ficasse com ela até viajar para a finalíssima. Então, o presidente cruzeirense, Felício Brandi, a teria devolvido, avisando-os de que iria buscá-la, em definitivo, na semana seguinte. No que Athiê teria retrucado: “Em São Paulo, a nossa vingança será terrível” – não foi!
 Wilson Piazza declarou ao Jornal de Brasília que o Cruzeiro mandara 6 x 2 no Santos de Pelé porque este desconhecia a força da moçada estrelada. Na verdade, o “Peixe” não estava tão desinformado assim, pois, em 29 de março, disputara um amistoso contra o Cruzeiro, no Mineirão, e caíra, por 4 x 3. Na dureza do jogo, tivera um aviso sobre a força da equipe visitada, a não ser que quisesse considerar o placar  “zebrado” – naquele dia, Tostão (2), Dirceu Lopes e Pelé marcaram gols.   
 A finalíssima da Taça Brasil-196 rolou durante a noite do 7 de dezembro, com o paulistano  Pacaembu recebendo  almas confiantes da reversão de vantagem pelo Santos. E tudo parecia que ocorreria, mesmo, pois, aos 23 minutos, Pelé abriu a conta, para Toninho ‘Guerreiro” aumenta-la, dois minutos depois, deixando o primeiro tempo nos 2 x 0.
Por ali, entra mais um “conta-se” nessa história. Daquela vez, os dirigentes santistas teriam ido ao vestiário do Cruzeiro, durante o intervalo, querendo negociar o local da terceira partida, no que Felício Brandi teria dito: “O jogo ainda não acabou”.
 No segundo tempo, Tostão perdeu um pênalti, mas recuperou-se marcando um gol, de falta, aos 18 minutos. A torcida santista não ligou muito. Mas teve como preocupar-se, dez minutos depois, quando Dirceu Lopes empatou a pugna. E não acreditou, quando Natal virou a conta, aos 44 minutos: Cruzeiro 3 x 2 -  - público não divulgado e renda de Cr$ 65 milhões, 142 mil cruzeiros. 
Pela primeira vez, um time mineiro carregava aquele caneco, erguido, para todo o Brasil ver, pelo capitão Wilson Piazza – Raul; Pedro Paulo, William, Procópio e Neco; Piazza e Dirceu Lopes; Natal, Tostão, Evaldo e Hilton Oliveira, comandados pelo treinador Aírton Moreira. 

 PRIMEIRA ETAPA DO PENTA -  Em 1965, a bola era um fascinante brinquedo para aquele time repleto de jovens que encantavam a torcida. Naquela temporada, os mineiros reverenciavam duas maravilhas, o recém inaugurado e imponente estádio Governador Magalhães Pinto, o Mineirão, e a equipe do Cruzeiro, montada pelo treinador Aírton Moreira.

 Inaugurado em 5 de setembro daquele alucinante 1965, tempo em que o mundo ficou de cabeça para baixo, principalmente na moda, na política e na música iê-iê-iê dos ingleses Beatles, o Mineirão teve a camisa estrelada desfilando pelo seu gramado, pela primeira vez,  quase um mês depois de entregue ao público, em 12 de setembro, vencendo ao Villa Nova, por 3 x 1, sem seis titulares que serviam ao selecionado estadual. Razão de o seu primeiro gol na casa não ter sido marcado por um astro, mas pelo coadjuvante Dalmar, cobrando pênalti, aos 22 minutos da preliminar de Seleção Mineira 1 x 2 Santos, parte, ainda, dos festejos inaugurais - João José fez 2 x 0, aos 25, e a etapa inicial terminou Cruzeiro 2 x 1. 
 A rodada marcava a inauguração dos refletores do Mineirão e um fato incomun fez a torcida cruzeirense gritar "uuuuuhhhh!", aos 15 minutos do segundo tempo: Batista lançou Antoninho, pintou na cara do gol e não marcou. Quando iria chutar, um pique de energia elétrica apagou as inaugurantes luzes e ninguém viu bola, gramado e nem traves - Batista fez Cruzeiro 3 x 1, aos 44.
 A rodada festiva teve 87.701 pagantes renda de Cr$ 92 milhões, 703 mil e 125 cruzeiros, com a "Raposa" usando: Tonho (Valdir); Pedro Paulo (Tenório), Celton, Dilsinho e Neco; Ílton Chaves e Wilson Piazza; Antoninho, João José (Edward), Dalmar e Batista foi o time dirigido por Aírton Moreira - vários titulares estavam no selecionado mineiro que encarou os santistas.           
  Antes, os cruzeirenses haviam ido ao gramado do Mineirão participar de um bate-bola publicitário,  divulgando a obra e para vender cadeiras cativas, em 1964. “Eu vi nascer o estádio”, assinalou Dirceu Lopes para o seu biógrafo Pedro Blank, pelo livro “O Príncipe – A real história de Dirceu Lopes.
 Em 24 de outubro, em Cruzeiro 1 x 0 Atlético-MG, com gol de Tostão, aos 35 minutos, foi disputado o primeiro clássico no estádio – Tonho; Pedro Paulo, William, Vavá e Neco; Hílton Chaves e Dirceu Lopes; Wilson Almeida, Tostão, Marco Antônio e Hílton Oliveira foram os vencedores.

 CAMPANHA – Turno -   Cruzeiro 2 x 0 Uberlândia; 0 x 0 Democrata de Sete Lagoas; 0 x 0 Uberaba; 2 x 0 Nacional de Uberaba; 2 x 2 Villa Nova de Nova Lima; 2 x 1 América-MG; 1 x 0 Guarani, de Divinópolis (?); 3 x 0 Valério, de Itabira (?); 4 x 0 Renascença, de BH; 5 x 0 Siderúrgica de Sabará;. 1 x 0 Atlético-MG. Returno –  3 x 0 Democrata; 1 x 0 Valério; 4 x 2 Uberaba; 5 x 0 Villa Nova; 7 x 0 Nacional; 7 x 1 Guarani; 3 x 2 América-MG; 1 x 3 Renascença; 2 x 1 Atlético-MG; 6 x 0 Uberlândia; 8 x 3 Siderúrgica.       
Natal, Tostão, Evaldo, Dirceu Lopes e Hílton Oliveira acertaram a pontaria e marcaram quase oito dezenas de gols
BI-1966 – Por aquela época em que a televisão não chegava a todas as casa do país, as emissoras de rádio mais potentes do Rio de Janeiro e de São Paulo faziam os torcedores interioranos mineiros terem mais simpatias pelos clubes dos dois estados. Malmente, eles conheciam os times de Belo Horizonte. Com a inauguração do Mineirão e o sucesso do Cruzeiro, quem ia à capital conhecer o novo estádio encantava-se com a bola de Tostão, Dirceu Lopes, Natal, Piazza, etc. E o Cruzeiro passou a ter a maior torcida do interior de sua terra – merecidamente. Onde ia, lotava estádios.
Com 19 vitórias, dois empates e uma inacreditável queda diante do fracote  Valério, o Cruzeiro atingiu a marca de 78 gols marcados – 15 levadoss – em seu segundo campeonato conquistado, na ‘Era Mineirão”, mantendo a invencibilidade da temporada passada diante de América-MG e Atlético-MG, os dois maiores rivais. Mas não ficaria só nas glórias caseiras, como veremos adiante.
Na partida de encerramento do campeonato, por pouco a invencibilidade cruzeirenses não se quebrou. A moçada foi a campo embalado pela conquista da Taça Brasil, levada ao Mineirão para apresentação à sua torcida, e decepcionou a sua galera, no primeiro tempo, com Tostão chutando um pênalti para a defesa do goleiro atleticano Hélio. Era o segundo que ele perdia, sucessivamente, em dois jogos. Mas o “Galo” também desperdiçou um, na etapa final, quando abriu o placar, aos 25 minutos.

Natal, Zé Carlos (Dirceu encoberto) e  Tostão a caminho de
mais uma vitória
Muitos cruzeirenses já haviam ido embora, intuindoo que o seu time perdera aquele clássico, quando ouviram, pelos seus radinhos à pilha, a narração do gol de empate, marcado por Evaldo, aos 48 minutos, nos chamados “descontos” – hoje, acréscimos. E o bi foi comemorado com volta olímpica carregando a Taça Brasil. 
 CAMPANHA – Entre 9  de julho a 11 de dezembro – Turno – Cruzeiro 4 x 1 Uberlândia; 7 x 0 Formiga; 2 x 0 Siderúrgica de Sabará; 3 x 0 Renascença;  1 x 0 Nacional de Uberaba; 1 x 0 Villa Nova de Nova Lima; 3 x 2 Democrata de Sete Lagoas; 2 x 1 Valério; 6 x 3 Uberaba; 5 x 1 América-MG; 2 x 0 Atlético-MG. Returno - 4 x 1 Siderúrgica; 3 x 0 Formiga; 4 x 1 Renascença; 0 x 1 Valério; 6 x 3 Villa Nova; 9 x 0 Nacional; 4 x 1 Uberlândia; 5 x 0 Democrata; 4 x 0 Uberaba; 1 x 0 América-MG; 1 x 1 Atlético-MG. 

TRI-1967 – O rival “Galo” colocou seis pontos de vantagem na tabela classificatória do Campeonato Mineiro e seria campeão com três empates. Mas perdeu para o Valério,  o Uberaba e o Uberlândia. Tinha tudo para acabar com a festa cruzeirense. Como não segurou a onda, o título foi decidido em uma melhor de três.
 No primeiro jogo da decisão, Cruzeiro 3 x 1. Para o segundo, já em 21 de janeiro de 1968, a Federação Mineira de Futebol-FMF mandou buscar, no Rio de Janeiro, o considerado melhor árbitro do país, Armando Marques, por esperar muitas dificuldades durante a partida.
 O Cruzeiro não deu chances ao Atlético-MG. Mandou 3 x 0, com gols de Tostão  e Dirceu Lopes, respectivamente, aos 41 e aos 45 minutos do primeiro tempo, e de Evaldo, aos 79, Evaldo, diante de 79.981 pagantes –  Raul; Pedro Paulo, Vicente, Procópio e Neco; Zé Carlos e Dirceu Lopes; Natal, Tostão, Evaldo e Hilton Oliveira deram ao Cruzeiro o primeiro tri da “Era Mineirão”, em jogo visto pelo jornal  “Diário da Tarde” como “um show do início ao fim”.
Para o goleiro Raul, o jogão emocionante da campanha fora o de 26 de novembro: 3 x 3 Atlético-MG, quando a mesma FMF buscara, em São Paulo, o árbitro Ethelvino Rodrigues e 90.838 pagantes passaram pelas bilheterias do Mineirão. Lacy, aos 14 e aos 59, e Ronaldo, aos 38, minutos, abriram a frente vantajosa do “Galo, enquanto Natal, aos 60 e aos 63, e Piazza, aos 74, igualaram o clássico  mineiro, que teve, ainda, bola chutada por Zé Carlos batendo na trave galense. 
Foi um empate com gosto de vitória, sentiu Raul, explicando à “Revista do Cruzeiro” – Nº 7, de 26 de outubro de 1996: “É o meu jogo inesquecível...num domingo. Chovia barbaridade, nós perdíamos, por 0 x 3...tivemos um jogador expulso (de campo), Procópio, ainda no primeiro tempo, e Tostão se contundiu, com cinco minutos de partida...Dos 0 x 3, partimos para a reação, no segundo tempo, empatamos e quase vencemos” – Raul; Pedro Paulo, Victor, Procópio e Neco; Piazza e Dirceu Lopes; Natal, Tostão, Evaldo e Hilton Oliveira (Zé Carlos) foi o time armado pelo treinador Orlando Fantoni para aquele dia.
 Para outros atletas, o grande resultado da temporada fora o de 21 de janeiro de 1968, fechando a decisão do Estadudal-1967, com Tostão, aos quatro minutos; Dirceu Lopes, aos 45, e Evaldo, aos 82, escrevendo na rede os 3 x 0 que valeram o primeiro tri do Mineirão – Raul; Pedro Paulo, Vicente, Procópio e Neco; Piazza e Dirceu Lopes; Natal, Tostão, Evaldo  e Hílton Oliveira foi a turma da pancada.

CAMPANHA – Entre 12 de julho e 9 de dezembro de 1967 - Turno - Cruzeiro 1 x 3 Usipa; 6 X 2 Valério; 5 x 0 Democrata; 3 x 1 Formiga; 3 x 1 Uberlândia; 0 x 0 Uberaba; 5 x 1 Villa Nova; 4 x 0  Araxá; 0 x 0 Nacional; 1 x 2 América-MG; 0 x 0 Atlético-MG. Returno – 2 x 0 Uberlândia; 4 x 0 Uberaba; 2 x 1 Villa Nova; 4 x 2 Valério; 4 x 0 Democrata; 7 x 0 Araxá; 0 x 0 América-MG; 6 x 1 USIPA; 3 x 3 Atlético-MG; 2 x 0 Formiga; 4 x 1 Nacional. Melhor de três: 3 x 1 e 3 x 0 Atlético-MG.  

ROBERTÃO-1967 – Antes do Campeonato Mineiro, a temporada havia marcado a primeira goleada sobre o rival Atlético-MG, na “Era Mineirão”: 4 x 0, em 5 de março, valendo pela primeira rodada do Torneio Roberto Gomes Pedrosa, o “Robertão”, principal embrião do atual Campeonato Brasileiro – a disputa homenageava um ex-atleta e ex-dirigente do futebol brasileiro.    
Os torcedores atleticanos não suportavam mais as tantas caçoadas dos cruzeirenses, pois não comemoravam uma vitória sobre eles desde o amistoso de 26 de junho de 1966, no Mineirão, por 3 x 2, diante de 23.942 pagantes. E o placar tornava-se mais importante por conta de um detalhe: os alvinegros belo-horizontinos eram a maioria da torcida da terra e, dos mais de 100 mil presentes ao clássico – 91.042 pagantes e a sensacional renda de NCr$ 190.607,00 novos cruzeiros, a moeda de então –, eles ocupavam mais espaços no estádio.
 Devido a grandiosa expectativa pelo prélio, foi preciso contratar juiz de fora das Minas Gerais. Chamaram Olten Ayres de Abreu, da Federação Paulista de Futebol, e este, aos 30 minutos, já estava ordenando uma nova saída de bola, pois Evaldo fizera Cruzeiro 1 x 0, placar da primeira etapa. Na fase final, aos 52 minutos, o mesmo Evaldo voltou a calar a torcida atleticana. Aos 77 e aos 82, respectivamente,  Natal e Wilson Almeida fizeram a torcida galense sair mais cedo do estádio: 4 x 0 – Raul; Pedro Paulo, Celton, Procópio e Neco; Piazza (Zé Carlos) e Driceu Lopes; Natal (Wilson Almeida), Tostão, Evaldo (marco Antônio) e Hílton Oliveira foi a rapaziada do show de bola destacado por toda a imprensa nacional.

TETRA-1968 –  Quem foi ao Mineirão na tarde do sábado 4 de maio, deslumbrou-se com o futebol apresentado pelo Cruzeiro. Mandou 10 x 0 Independente, de Uberaba, com 2 x 0,  em 10 minutos, e 4 x 0 ao final da primeira etapa. Na fase final, com 30 segundos, a “Raposa” avisou que a rapaziada não iria se acomodar. E deu no que deu, com gols de Rodrigues, aos 7 e aos 52; Evaldo, aos 10; Tostão, aos 29 e aos 40 minutos do primeiro tempo; aos 30 segundos do segundo tempo e aos 65, e Natal, aos 64, 69 e aos 85 minutos – Raul (Fazano); Pedro Paulo, Procópio, Darci Menezes e Neco; Wilson Piazza e Zé Carlos; Natal, Tostão, Evaldo (Palhinha) e Rodrigues foi o time do dia.
 Com aquela conquista, invicta, o Cruzeiro quebrava o tabu, de 30 temporadas sem um tetra. Andara perto disso, sendo tri-1928/29/30; 1943/44/45; 1959/60/61. A jornada teve 22 jogos, com 22, com 17 vitórias, cinco empates, 63 gols marcados e oito contra.

CAMPANHA: Turno - Cruzeiro 6 x 1 Uberlândia; 3 x 0 Uberaba; 0 x 0 Democrata; 0 x 0 Valério; 4 x 0 Usipa; 4 x 1 Araxá; 10 x 0 Independente; 2 x 0 América-MG; 0 x 0 Formiga; 5 x 1 Formiga; 2 x 1 Atlético-MG. Returno - 3 x 0 Uberlândia; 2 x 0 Usipa; 2 x 0 Uberaba; 3 x 0 Araxá; 3 x 0 Independente; 2 x 2 América-MG; 3 x 0 Democrata; 2 x 0 Formiga; 5 x 1 Valério; 1 x 1 Atlético-MG.   

PENTA-1969 – O time fechou a série de cinco títulos mineiros,  em 30 jogos, com 26 triunfos e quatro empates. Marcou 68 gols e sofreu seis – só um empate durante o primeiro turno e um gol sofrido, marcado pelo devagar Uberaba. A incrível média de 62, revelava a sua grande superioridade sobre os concorrentes.
 Além de não  tropeçar nos principais adversários – Atlético-MG e América-MG –, o Cruzeiro mandou a maior goleada do certame: 8 x 0 Tupi.  O grande jogo da temporada, no entanto fora o de 4 de maio der 1969, com 1 x 0 sobre o “Galo”.
 Diante do então maior público do futebol brasileiro – 123.351 pagantes, recorde, até hoje, no Mineirão –, o Cruzeir teve o seu gol marcado por Natal, aos sete minutos do segundo tempo. Com a sua rapaziada já havia mandado o mesmo placar, durante o primeiro turno, os atleticanos juraram vingança para  aquele clássico apitado por José Astolfi, da Federação Paulista de Futebol. Ficaram, porém, só na promessa – Raul: Pedro Paulo, Fontana (Raul Fernandes), Mário Tito (Evaldo) e Vanderlei; Piazza, Zé Carlos e Dirceu Lopes; Natal, Tostão e Rodrigues foi a equipe. 

CAMPANHA: Turno – Cruzeiro 4 x 0 Valério; 3 x 0 Democrata, de Sete Lagoas; 8 x 0 Tupi, de Juiz de Fora; 1 x 0 Formiga; 0 x 0 Uberlândia; 3 x 1 Uberaba; 3 x 0 Araxá; 3 x 0 Usipa; 1 x 0 América-MG; 1 x 0 Democrata, de Governador Valadares; 1 x 0 Atlético-MG; 2 x 0 Independente; 5 x 0 Sete de Setembro; 1 x 0 Villa Nova, de Nova Lima; 4 x 0 Vila do Carmo. Returno – 3 x 0 Democrata-SL; 1 x 0 Demcraata-GV; 1 x 0 Uberlândia; 2 x 0 América-MG; 1 x 0 Atlético-MG; 1 x 1 Vila do Carmo; 1 x 1 Independente; 2 x 0 Tupi; 2 x 0 Villa Nova; 1 x 0 Uberaba; 5 x 0 Usipa; 2 x 0 Sete de Setembro; 1 x 1 Valério; 2 x 0 Formiga e 2 x 1 Araxá.  

TORNEIO ROBERTO GOMES PEDROSA (ROBERTÃO) – Ampliação, em 1967, pelas federações de futebol carioca e paulista, do Torneio Rio-São Paulo, este criado, em 1933, pelo jornalista Mário Filho, como promoção do seu “Jornal dos Sports”. Em 2010, a Confederação Brasileira de Futebol o reconheceu como Campeonato Brasileiro.
Antes do Campeonato Mineiro-1967, a temporada havia marcado a primeira goleada sobre o rival Atlético-MG, na “Era Mineirão”: 4 x 0, em 5 de março, valendo pela primeira rodada do “Robertão”, principal embrião do atual Campeonato Brasileiro e disputa que homenageava um ex-atleta e ex-dirigente do futebol brasileiro.    
Os torcedores atleticanos não suportavam mais as tantas caçoadas dos cruzeirenses, pois não comemoravam uma vitória sobre eles desde o amistoso de 26 de junho de 1966, no Mineirão, por 3 x 2, diante de 23.942 pagantes. E o placar torna-se mais importante por conta de um detalhe: os alvinegros belo-horizontinos eram a maioria da torcida da terra e, dos mais de 100 mil presentes ao clássico – 91.042 pagantes e a sensacional renda de NCr$ 190.607,00 novos cruzeiros, a moeda de então –, eles ocupavam mais espaços no estádio.
 Devido a grandiosa expectativa pelo prélio, foi preciso contratar juiz de fora das Minas Gerais. Chamaram Olten Ayres de Abreu, da Federação Paulista de Futebol, e este, aos 30 minutos, já estava ordenando uma nova saída de bola, pois Evaldo fizera Cruzeiro 1 x 0, placar da primeira etapa.
Na fase final, aos 52 minutos, o mesmo Evaldo voltou a calar a torcida atleticana. Aos 77 e aos 82, respectivamente,  Natal e Wilson Almeida fizeram a torcida galense sair mais cedo do estádio: 4 x 0 – Raul; Pedro Paulo, Celton, Procópio e Neco; Piazza (Zé Carlos) e Dirceu Lopes; Natal (Wilson Almeida), Tostão, Evaldo (marco Antônio) e Hílton Oliveira foi a rapaziada do show de bola destacado por toda a imprensa nacional.

ROBERTÃO-1969 -  O Cruzeiro do grupo que chegou ao penta mineiro conquistou o vice-campeonato da então maior competição nacional do final da década, título importantíssimo. Se enfrentou apenas três “grandes” – Fluminense, Grêmio-RS e Santos – durante a Taça Brasil-1966, neste outro desafio encarou 15 adversários duríssimos – Corinthians, Palmeiras, Portuguesa de Desportos, Santos, São Paulo, Bangu, Botafogo, Flamengo, Fluminense, Vasco da Gama, Internacional-RS, Grêmio Porto-Alegrense-RS, Atlético-MG, Cruzeiro e Ferroviário-PR.
Para honrar as alterosas, o Cruzeiro contratou o “xerife” Fontana, de muitas histórias no Vasco da Gama, por caríssimos Cr$ 200 mil cruzeiros, e um outro zagueiro do futebol carioca, o banguense Mário Tito. Também, foi por ali que chegou o lateral-esquerdo Vanderlei, um dos caras do “Time do Postal”. 
 A “Raposa” começou a morder o vice com gande dentada: 3 x 0 Fluminense, durante o festivo 7 de setembro, no Maracanã, diante de 30.243 pagantes, bom público para um feriadão. Tostão (2) e Dirceu Lopes balançaram a rede e Gerson dos Santos escalou:  Raul; Raul Fernandes, Darci Menezes, Mario Tito, e Neco (Vanderlei); Wilson Piazza, Zé Carlos e Dirceu Lopes; Palhinha (Evaldo), Tostão e Hílton Oliveira.
 Incluído no Grupo A, além daquela vitoriaça sobre os tricolores cariocas, os raposeiros não deixaram dúvidas quanto ao seu poderio, prosseguindo na fase com  mais três grandes  resultados fora de casa: 1 x 0 Palmeiras; 2 x 1 América-RJ  e 3 x 2 Santos – além de 1 x 1 Portuguesa de Desportos; 1 x 1 Coritiba e 1 x 1 Grêmio-RS. Mas, também, rolaram tropeços inesperados no Mineirão, como 0 x 1 Botafogo e 2 x 2 Flamengo. No cumprimento do dever de casa, houve 2 x 0 São Paulo; 1 x 0 Internacional; 1 x 0 Vasco da Gama e 2 x 1 Atlético-MG, este diante de 97.928 pagantes, em 28 de setembro.
Os resultados da fase inicial deixaram o Cruzeiro em segundo lugar no Grupo A, com os mesmos 16 pontos ganhos pelo Corinthians, que lhe venceu, por 2 x 0, em São Paulo, e ficou com um triunfo a mais: 10 x 9 – mesmo número de vitórias do ganhador do Grupo B, o Palmeiras.       
 Veio a fase decisiva e o Cruzeiro – 2 x 2 Botafogo (fora); 1 x 1 Palmeiras e 2 x 1 Corinthians (ambos em casa) – somou os mesmos três pontos dos campeões palmeirenses, só não carregando o caneco por ter levado dois gols a mais. 

FOTO DA CONTRACAPA


















RODRIGUES
   Ele brigou muito, com Hílton Oliveira, pela posição de titular da ponta-esquerda cruzeirense. Deixou escrito a autoria do gol 500 raposeiro, aos 35 minutos do primeiro tempo dos 1 x 2 Atlético-MG, em 2 de agosto de 1970, no Mineirão, diante de 106.155pagantes – Raul; Raul Fernandes, Morais, (Darci Menezes), Fontana e Neco; Piazza, Zé Carlos e Dirceu Lopes; Natal, Tostão e Rodrigues (Gilberto) foi o time escalado por Gérson dos Santos.  
José Rodrigues dos Santos, nascido na baiana Conde, em 31 de julho de 1946, começou a fazer o seu nome como campeão juvenil e profissional do IV Centenário do Rio de Janeiro, em 1965, um ano depois de ter chegado ao Flamengo. Pela temporada seguinte, ajudou os rubro-negros a ganharem o Torneio Internacional de Guyaquil-1966, no Equador e passou mais uma tempoada na Gávea, tendo jogado, entre outros, ao lado de Fio Maraviha. Atacante de puco bater na rede, em 79 jogos rubro-negros, marcou apenas sete tentos, em em 32 vitórias, 21 empates e 26 quedas, currículo que levou para o Cruzeiro, em 1967.
Em nome da “Raposa”, Rodrigues ficou bicampeão mineiro-1968/1969 e a honrou com a camisa do escrete nacional, marcando um gol no amistoso Brasil 3 x 2 Argentina, no Mineirão, aos 21 minutos, com os canarinhos representados pelo selecionado mineiro, diante de 50 mil pagantes.
Na verdade, no dia em que Rodrigues esteve canarinho, a Seleção Brasileira foi o time do Cruzeiro, reforçado por dois atleticanos, o zagueiro central Djalma Dias e o lateral-esquerdo Oldair Barchi. Na oportunidade, o comando da equipe esteve entregue a três nomes de destaque no rádio esportivo de Belo Horizonte – Lísio Juscelino Gonzaga, o Biju (treinador campeão mineiro-1971, pelo América); Carlyle Guimarães (ex-atacante do Atlético-MG, Fluminense, Palmeiras, Santos, Botafogo, Portuguesa-RJ e da Seleção Brasileira) e o narrador Jota Júnior – Raul Marcel; Pedro Paulo, Djalma Dias, Procópio e Oldair; Zé Carlos e Dirceu Lopes (autor de um dos gols); Natal, Evaldo (também foi à rede), Tostão e Rodrigues.     
Rodrigues residia em Belo Horizonte em companhia de Dona Raimunda, sua mãe, e das irmãs Neusa e Iolanda. Como a primeira não se aclimatara na capital mineira, ele começou a pensar em voltar ao futebol carioca, ainda mais porque sentia saudade do mar, pois era marinheiro quando um oficial da chamada “armada” o levou para treinar no Flamengo, embora ele fosse torcedor do Vasco da Gama - quando garoto, vivia usando a camisas cruzmaltina.
  Rodrigues nãoteve, sempre, bom relacionamento com a torcida cruzeirense. Certa vez, por dizer em um programa de TV que, antes da “Raposa” quase fora para Minas Gerais defender o Atlético, levou a maior vaia ao entrar em campo para seu primeiro jogo após aquela declaração. Mas, como atuou muito bem, com destaque, saiu de cena aplaudido, encerrando aquela história.
A estreia cruzeirense de Rodrigues foi em 19 de agosto de 1967, nos 4 x 0 Araxá, pelo Campeonato Mineiro, lançado diante de 12.815 pagantes, pelo treinador Aírton Moreira,  durante o decorrer da partida -  Raul; Pedro Paulo, Celton, Procópio e Neco; Ílton Chaves e Dirceu  Lopes; Natal, Evaldo, Tostão e Wilson Almeia (Rodrigues) foram as caras do dia. A despedida está registrada na data 8 de maio de 1981, no mesmo Mineirão da primeira partida, valendo, igualmente, pelo Estadual-MG e  assistido por apenas 5.377 almas que prestigiram Cruzeiro 4 x 0 Flamengo, de Varginha, marcando gol, aos 35 minutos do segundo tempo – Raul; Pedro Paulo, Perfumo, Fontana e Geraldo Galvão;  Toninho Almeida, Spencer e Dirceu Lopes; Roberto Batata (Palhinha), João Ribeiro e Lima (Rodfrigues), dirigidos por Ílton Chaves.         
O  hobby de Rodrigues era colecionar pássaros e curtir dois cães pastores alemães. Aém do Flamengo e do Cruzeiro, ele vestiu, as camisas de mais cinco times: Portuguesa de Desportos, Vasco da Gama, São Bento, de Sorocaba-SP, Atlético-MG e Noroeste, de Bauru-SP, pelo qual chegou ao fim de linha, em 1975. Viveu até 19 de julho de 2015, deixando os filhos Valéria, Juliana, Guilherme, Heliabarbara e Pablo.

                                                         TOSTÃO
 Nascido em Belo Horizonte, em 27 de janeiro de 1947, ele era um atleta diferente dos demais. Aos 19 anos de idade, já falava em estudar Ciências Econômicas e mostrava-se bem informado sobre o caminho das finanças, registrando o seu apelido, o que significava que, quem quisesse usa-lo, comercialmente, teria de conversar com Eduardo Gonçalves de Andrade que, por sinal, já recebia convites para fazer publicidade empresarial.
 Canhoto, o “Mineirinho de Ouro”, denominação lhe dada pelos jornalistas, raramente chutava, ou passava a bola com o pé direito, que exigia-lhe chuteiras de número 41. Mas o fato de ser um “saci” em campo não lhe impediu de tornar-se o maior artilheiro da história cruzeirense, com 245 gols marcados em 373 jogos.
Cuidadoso com o peso (68 quilos) condizente com a sua altura (1m72cm), Tostão era considerado pelo bicampeão mundial Zito, do Santos, como o melhor futebolista brasileiro depois de Pelé, o qual ofuscara na decisão da Taça Brasil-1966 (*), quando o venceu, por 6 x 2, em Belo Horizonte, e por 3 x 2, em São Paulo. Ficara, também, “vice-rei”, em popularidade nacional, após aquela conquista.  
 Tostão chegou juvenil ao Cruzeiro, em 1964, após desacordo financeiro com o América-MG. Em 1965, tornou-se titular e até deixar o clube, em 1972, quando foi para o Vasco da Gama, conquistou os mesmos títulos já citados no texto sobre Dirceu Lopes.
Em 1966, após a Copa do Mundo, na Inglaterra, Tostão já estava ganhando Cr$ 800 mil cruzeiros mensais, boa grana no período. Até pouco antes, não passava dos Cr$ 150 mil.  

ADMIRAÇÃO – Dois craques, em especial, fora de Minas Gerais, mereciam os aplausos de Tostão: Pelé e Rivellino. Na arbitragem, considerava o argentino Roberto Goicochéa o bom - apitava em São Paulo. Já o melhor treinador considerava o seu conterrâneo Orlando Fantoni. Melhor gramado? Resposta seca: o Mineirão, em Belo Horizonte. Não apontava o pior, mas contava haver coisas horrorosas pelo  interior mineiro.
 Tostão sempre respondia aos repórteres que lealdade e franqueza eram as suas maiores virtudes. Fazia algumas reservas às críticas sobre as suas atuações e, embora não fosse de discutir com os árbitros, não deixava de fazer reclamações, bem como aos marcadores pancadeiros. Achava a concentração necessária e, em 1969, já pensava em ser médico, o que o foi após ter abonado a carreira de atleta. Sem modéstia, considerava-se um bom jogador, e não escondia ter ficado rico. Garantia, porém, jogar mais por prazer. Não acreditava que camisa pudesse ganhar jogo. 
PRIMEIRA RAPOSA -  Foi no acanhado estádio colado à sede cruzeirense do belo-horizontino bairro do Barro Preto que Tostão estreou no time do Cruzeiro. Escalado pelo treinador Niginho, rolou nos 2 x 1 Siderúrgica, amistosamente, em 4 de abril de 1963, sem marcar gol – Tonho; Juca, Raul, Dirceu II e Tenório; Pedro Paulo e Dida; Antoninho, WilsonAlmeida (Neivaldo), Tostão e Mário Jorge era a turma.
 Menos de um mês antes – 13 de março – ele havia entrado durante o decorrer de amistoso contra o seu futuro time, jogando pelo América-MG, no 1 x 1 Cruzeiro, jogado no estádio americano da Alameda – Lima; Luizinho, Jorge, Laércio e Murilo; Amarelinho e Paulista (Tostão); Djalma, Zé Emílio, Dario Damasceno e Robson (Zé Graldo) foram escalados pelo treinador  Zezinho Miguel.  
Foi, também, em um mês deabril – 09/1972 – e em um estádio acanhado, o Pedro Ludovico, em Goiânia, no amistoso Cruzeiro 0 x o9 Goiás, que Tostão vestiu a camisa estrelada pela última vez – Raul; Lauro Moraes, Piazza (Darci Menezes) e Vanderley; Zé Carlos e  Dirceu Lopes; Rinaldo, Tostão (Repetto), Palhinha e Rodrigues foi o time que o teinaor Yustrich (Dorival Knippel) mandou ao gramado.               

TRAGÉDIA – Nem tudo foi glória durante a vida cruzeirense de Tostão. Disputando o Torneio Roberto Gomes Pedrosa, aos 10 minutos do segundo tempo, ele levou uma bolada no rosto, chutada pelo zagueiro corintiano Ditão, provocando o deslocamento da retina do olho esquerdo.
Aconteceu durante a noite de 24 de setembro de 1969, diante de 48.383 torcedores pagantes  que assistiram Cruzeiro 0 x 2 Corinthians, no paulistano estádio do Pacaembu, pela quinta rodada do “Robertão”, quando a “Raposa” brigava por vaga do Grupo A,que incçuía, ainda o gaúcho Internacional.
 Para um atleta consagrado, aos 23 de idade, era algo terrível. Foi preciso ele parar de jogar por uns tempos, para submeter-se a uma cirirguia, feita pelo oftalmologista mineiro Roberto Abdala Moura, em Houston, nos Estados Unidos. Só voltou a jogar (e a cabecerar a bola) em março de 1970, mostrando estar recuperado e pronto voltar a ser um canarinho, história queveremos a seguir.  
SELEÇÃO BRASILEIRA -  A estreia de Tostão foi empatando, por  1 x 1, com o Chile, em 15 de maio de 1966, diante de 25 mil pagantes, no estádio do Morumbi, em São Paulo, amistosamente, durante os preparativos para a Copa do Mundo – Manga; Djalma Santos, Bellini, Altair e Paulo Henrique; Dudu e Fefeu; Nado, Tostão, Flávio “Minuano” e Rinaldo foi o time escalado pelo treindor Vicente Feola. Ele não marcou gol daquela vez, mas quando o fez, em sua primeira vez canarinha, foram dois, em 5 de junho da mesma temporada, diante da torcida cruzeirense, no Mineirão, aos 41 e aos 56 minutos de Brasil 4 x 1 Polônia - Manga; Fidélis, Bellini, Orlando Peçanha e Rildo; Denílson e Roberto Dias; Jairzinho, Tostão, Alcindo (Parada) e Edu Américo (Paulo Borges) foram os homens de Feola.
 Tostão totalizou 36 gols, em 65 jogos, pelo time da então Confederação Brasileira de Desportos, atual CBFutebol, em 47 vitórias, 12 empates e seis quedas. Dessa estatística, 17 partidas foram oficiais, com 15 vitórias, um empate e uma escorregada. Nelas, deixou 13 bolas na rede e ajudou a rapaziada a conquistar quatro títulos: Copas Rio Branco-1967; do Mundo-1970; Roca-1971 e Taça Sesquicentenário da Independência do Brasil-1972. 
 Em duas disputas de Copa do Mundo, Tostão marcou tês gols: em 15 de julho de 1966,  no Goodson Park, da inglesa Liverpool, em Brasil 1 x 3 Hungria, diante de 57 mil pagantes -  - e os outros dois, em 14 de junho de 1970, nos 4 x 2 Peru, no mexicano estádio Jalisco, em Guadalajara, aplaudido por 54 mil almas – Gilmar; Djalma Santos, Bellini, Altair e Paulo Henrique; Lima e Gérson; Garrincha, Tostão, Alcindo e Jairzinho foi o time de Feola, diante dos húngaros, enquanto Mário Jorge Lobo Zagallo, contra os peruanos, escalou: Felix; Carlos Alberto Torres, Wilson Piazza e Everaldo (Marco Antônio); Clodoaldo, Gérson (Paulo César Lima) e Rivellino; Jairzinho, Tostão e Pelé.
Em 9 de julho de 1972, no Maracanã, em Brasil 1 x 0 Portugal, decidindo o torneio comemorativo das 150 viradas de calendário com o Brasil independente – Taça Sesquicentenário da Independência do Brasl -, Tostão despediu-se da Seleção Brasileira, diante de 99. 138 pagantes – Leão; Zé Maria, Brito, Vantuir e Marco Antônio (Rodrigues Neto); Clodoaldo, Gérson e Rivellino; Jairzinho, Tostão e Leivinha Dario “Peito-de-Aço” foi a moçada de Zagallo.    
   Além desta disputa e do tri da Copa do Mundo do México-1970, Tostão ajudou a Seleção Brasileira a ganhar as Copas Rio Branco-1967, encarando os uruguaios,  e Roca-1971, tendo os argentinos pela frente.

MAIS CARO - Nascido em 25 de janeiro de 1947, em Belo Horizonte, Tostão, ao ir para o Vasco, marcou a maior transação do futebol brasileiro: Cr$ 3,5 milhões de cruzeiros, bancados pelo Banco Pinto de Magalhães (Afonso Pinto de Magalhães),Cassas Sendas(Arthur Sendas) e o ex-presidente vascaíno João Silva, rico comerciante português.
Tricampeão mundial na Copa do México-1970, Tostão desembarcou na Colina ema 15 de abril de 1972, recebido no aeroporto do Galeão por mais de 10 mil torcedores. Estreou em 7 de maio do mesmo ano, no empate, por 1 x 1, com o Flamengo, e só ficou um ano em São Januário, devido o problema na vista esquerda, surgido em 1969, quando uma bolada deslocou a sua retina. Disputou só 45 partidas com a camisa cruzmaltina, marcando seis gols, com o último sendo em 10 de fevereiro de 1973, levando o  Vasco a carregar a Taça Erasmo Martins Pedro, vencendo o Flamengo,  por 1 x 0. A sua última foi em 27 de fevereiro de 1973, contra os Argentinos Juniors.
Tostão tinha 26 de idade quando  pendurou as chuteiras. Inflamação na retina operada foi o motivo. Voltou aos Estados Unidos, para ser examinado pelo oftalmologista Roberto Abdalla Moura, que recomendou-lhe encerrar o seu ciclo nos gramados.
 Em 17 de maio, Tostão teve seu contrato rescindido com o Vasco da Gama, que pediu indenização pelo prejuízo, enquanto ele desejava receber as parcelas ainda não pagas das luvas, o que ganhou, depois de muita briga na Justiça.
Tostão viveu a sua melhor fase, entre 1963 e 1972, disputando 383 jogos e marcando 242 gols pelo Cruzeiro-MG, do qual é o maior artilheiro e pelo qual foi campeão estadual em 1965/66/67/69/60/1972. Longe da bola, passou a ser, rigorosamente, o cidadão Eduardo Gonçalves de Andrade. Passou tempos evitando os jornalistas, estudou e graduou-se em Medicina, atuou na área e até chegou a ser professor. Mas, um dia, voltou para o mundo da bola: como comentarista de TV e  colunista de jornais, tornando-se no novo ramo, também, um craque e autor de livros sobre futebol.

   


                              


                                                        DIRCEU LOPES
   Certa vez, pela metade da década-1960, o time do Cruzeiro estava em um hotel de São Paulo. De repente, bateram à porta do apartamento em que hospedava-se o camisa 10 estrelado. Era Mané Garrincha, dizendo: “Vim conhecer o melhor jogador do futebol brasileiro”.
O mineiro  Dirceu Lopes Mendes, nascido em 3 de setembro de 1946, por aquela época, se não era o melhor, no mínimo, estava entre os cinco primeiros donos da bola canarinha. Tanto que foi uma das principais peças da turma que venceu o Santos, com Pelé, por 6 x 2, no Mineirão, e por 3 x 2, de virada, no Pacaembu, para conquistar a Taça Brasil-1966, a disputa que apontava o representante brasileiro à Taça Libertadores da América.
 Baixinho, rápido e muito habilidoso, Dirceu começou as suas intimidades com a pelota a partir dos 12 anos de idade, defendendo o os juvenis do Pedro Leopoldo Esporte Clube, de sua terra. Em 1962, foi para o Cruzeiro, como amador, mas jogava tanto que, por várias vezes, esteve lançado no time principal. Em 1963, disputou o Campeonato Mineiro Juvenil e, ao final, ganhou contrato como profissional, embolsando Cr$ 150 mil cruzeiros, entre luvas (grana adicional) e ordenado.
 A partir de 1965 e até 1969, Dirceu passou a viver o auge de sua carreira, tornando-se pentacampeão estadual e da já citada Taça Brasil-1966. Em 1970, esteve convocado para os treinamentos da Seleção Brasileira que iria à Copa do Mundo e era citado, pelo treinador João Saldanha, como nome certo para ir ao México. No entanto, Zagallo, ao substituí-lo, o dispensou do grupo que voltaria tri, alegando já ter Pelé e Rivellino para a posição.
Dirceu disputou 19 jogos canarinhos e marco quatro gols, em 12 vitórias, seis empates e só um insucesso. Sagrou-se campeão da Copa Rio Branco-1967, diante do Uruguai, contra o qual estreou, no 0 x 0 de 25 de junho de 1967, diante de 20 mil pagantes, no Estádio Centenário, em Montevidéu  –  Félix; Everaldo, Jurandir, Roberto Dias e Sadi; Wilson Piazza e Dirceu Lopes; Paulo Borges, Alcindo (Edu Coimbra),Tostão e Vomiir foi o time escalado por Aymoré Moreira. A última partida foi em 6 de aosto de 1975, nos 2 x 1 Argentina, pela Copa América, no Mineirão, assistido por 71.718 pagantes – Raul; Nelinho, Wilson Piazza, Amaral e Getúlio; Vanderlei, Danival e Marcelo Oliveira (Palhinha); Roberto Batata, Campos (Dirceu Lopes)  e Romeu foi a escalação do treinador Oswaldo Brandão.   
 Além desses jogos, Dirceu Lopes esteve canarinho, ainda, em: 28.06.1967 – 2 x 2 Uruguai; 01.07.1967 – 1 x 1 Uruguai; 11.08.1968 – 3 x 2 Argentina; 03.11.1968 – 2 x 1 México; 13.11.1968 – 2 x 1 Coritiba-PR; 14.12.1968 – 2 x 1 Alemanha Ocidental; 17.12.1968 – 3 x 3 Iugoslávia; 07.04.1969 – 2 x 1 Peru; 09.04.1969 – 3 x 2 Peru; 06.07.1969 – 4 x 0 EC Bahia; 01.08.1969 – 2 x 0 Millonarios-COL; 04.03.1970 – 0 x 2 Argentina; 08.03.1970 – 2 x 1 Argentina; 14.03.1970 – 1 x 1 Bangu-RJ; 22.03.1970 – 5 x 0 Chile; 26.04.1972 – 3 x 2 Paraguai e 13.06.1972 – 2 x 0 Hamburgo-ALE.  
 Portanto,  12 vitórias, seis empates e só uma queda, tendo marcado quatro gols – 1 x 1 Uruguai; 3 x 2 Argentina; 2x 1 Coritiba; 3 x 2 Paraguai.
Jogador representativo da “Era-Mineirão”. inaugurado em 7 de setembro de 1965, quando defendeu a seleção mineira que enfrentou o argentino River Plate, Dirceu Lopes fez o lançamento que permitiu ao atleticano Bougleux marcar o primeiro gol no estádio.
 Naquele dia, ele não imaginava a mudança que o futebol de sua terra viveria. “...não pensava que o impulso fosse tão forte...pois, em pouco tempo...Minas Gerais consegui chamar a atenção, tornando-se um dos maiores centros do futebol brasileiro”, disse à Revista do Esporte de Nº 408, de 31.12.1966, da segunda vez em que falava à semanária e a uma publicação esportiva nacional. “Temos ganhado bichos que jamais sonhávamos...”, revelou, atribuindo a isso, também, ao fato de o associado cruzeirense dispor de uma sede campestre próxima do Mineirão, o que lhe permitia passar as manhãs dos finais de semana recreando e, à tarde, ir aos jogos dos estrelados.
 Dirceu via o Cruzeiro sendo um “time certinho”, com estrutura que lhe permitia mudar peças mantendo o rendimento. Com os primeiros dinheiros lhe pagos pela “Raposa”, mandava ajuda financeira para os pais e   remodelou a casa deles. Dizia não fazer mais do que a sua obrigação.
 Quando atleta, filho do seu Tião com a Dona Maria não se considerava pessoa perfeita e tinha pavor de escândalos. Achava que as pessoas deveriam evita-los. Embora não tivesse tempo e nem pudesse se expor tanto em público, gostava muito de cinema e elegeu “Os Brutos também amam”, como o melhor filme que assistira. Como todo jovem de sua idade, aos 22 anos, nos tempos do iê-iê-iê, curtiu muito a música “Aquele beijo que te dei”, gravada por Roberto Carlos.
Dirceu atendia bem aos repórteres, mas quando lhe indagavam sobre temas fora do futebol enrolava o lance. Certa vez, lhe perguntaram se o Brasil (de 1968), tempos da ditadura militar dos generais-presidentes, estava bem orientado. Mandou um lençol no cara, respondendo: “Acho o Brasil tem carência de bons treinadores”, embora tivesse grande consideração pro Martim Francisco. Mas, se afirmava nada entender de política, tinha opinião sobre o que via. Por exemplo, que a vida no país poderia melhorar se houvesse esforço do governo para alfabetizar a grande massa da população e criar postos de emprego para todos.
Fã das praias do Rio de Janeiro, Dirceu Lopes, quando solteiro, não deixava de sacar a estampa das belas cariocas dentro dos seus biquínis. Não reclamava de deparar-se com mulheres perfumadas, pois as achava assim mais agradável. E era de opinião que a brasileira do ontem e a do seu tempo de jovem se equivaliam. Sujeito muito romântico, ele só não gostava das sofisticadas e levianas.
 Católico praticante, Dirceu nunca negava esmola. Dizia-se combativo e não acreditava em macumba e em amuletos. Para ele, ser sincero é o caminho da felicidade. O complexo mera falta de personalidade. No entanto, aceitava a cirurgia plástico para corrigir defeitos físicos.
 Quem falasse que as transmissões da TV da década-1960, o auge do Cruzeiro, prejudicavam o futebol, não teria o apoio de Dirceu. Além do pentacampeonato mineiro-1965/1969 e da Taça Brasil-1966, ele ajudou a sua rapaziada a conquistar, também, o Torneio Início-MG-1966; o tetra estadual-1972/73/74/75; a Taça Minas Gerais-1973; a Taça Libertadores-1976, e mais 17 torneios de menor importância, entre o Brasil e o exterior.  
Individualmente, os primeiros prêmios pelo seu talento foram os troféus Guará (destaques da temporada mineira), Revelação e Craque do Ano-1964 (juvenil), com o último repetido em  1965, já profissionalizado
Dirceu Lopes aparece, pela primeira vez em uma escalação  do time A cruzeirense, em 16 de abril de 1962, como Dirceu, apenas, no 0 x 0 Pedro Lopoldo, amistosamente, no estádio da Alameda, do América-MG (no local existe, hoje, um supermercado), lançado pelo treinador Geninho, no decorrer da partida, em lugar do atacante Paulo -  os demais da equipe foram: Mussula, Juca, Vavá, Benito, Emerson, Amauri, Nelsinho (Zé Francisco), Antoninho; Elmo (Jairo) e Orlando (Lu). Em 1 de dezembro de 1963, Em Cruzeiro 1 x 1 Atlético-MG, no Estádio Independência, pelo Campeonato Mineiro, ele foi anunciado por Dirceu Lopes, pois, desde março, o clube tinha o zagueiro Dirceu II.
Neste clássico – Fábio; Massinha, Vavá, Dilsinho e Emerson; Elmo, Dirceu Lopes e Luiz Carlos (Paulo); Wilson Almeida, Tostão e Hílton Olieira, escalados pelo técnico Geninho, a torcida raposeira marcou o início da maior dupla ofensiva estrelada de todos os tempos, mas Dirceu e Tostão já haviam atuado juntos pelo time principal, por alguns minutos, durante 0 x 0 Valério, amistoso, em 13 de junho da mesma temporada, no estádio Israel Pinheiro, em Itabira-MG, quando Marinho, que vinha comandando a rapaziada, há quatro jogos, tirou Gradim da partida e a equipe terminou o compromisso sendo: – Fábio; Juca, Vavá, Raul e Dilsinho; Nuno, Rossi e Luiz Carlos; Gradim (Dirceu), Tostão e Dalmar (Nerival).         
Zezé Moreira escalou o último Dirceu Lopes cruzeirense: em 27 de março de 1977, no Mineirão, nos 0 x 2 Atlético-MG, diante de 99.044 pagantes – Raul; Mariano, Moraes, Darci Menezes e Vanderley; Wilson Piazza, Zé Carlos e Eduardo Amorim; Ronaldo, Dirceu Lopes ( Eli Mendes) e Joãozinho foi o time, encerrando um ciclo dez 594 jogos e 224 gols.

                                                             EVALDO 

 No infanto-juvenil do Americano, de Campos-RJ, o treinador Jorge Pinheiro viu um garoto muito bom de bola. Pediu ao seu irmão e zagueiro do Fluminense, João Batista Pinheiro, que o levasse para as Laranjeiras. Foi atendido e não demorou a ver grande futuro no moleque que chutava com as duas pernas, cabeceava forte e tinha a mesma cor escurinha dos maiores craques brasileiros, como Friedenreiche, Leônidas da Silva e Pelé. Chamava-se Evaldo Cruz e nascera por ali mesmo, em Campos - 12 de janeiro de 195 -, terra de tantos craques.
Quando Evaldo começou a estraçalhar sendo meia do time juvenil tricolor, em 1961, começaram a chama-lo por Pelé. Ele não gostou, nem um pouco, demonstrando personalidade. Pediu à imprensa que o livrasse daquele apelido, pois temia que logo aparecesse alguém chamando-o de “mascarado”. Era sincero. Se os seus pais lhe deram um nome, queria ser chamado conforme constava em seu registro no cartório e na certidão de batismo.
Para permitir que Evaldo fosse para o Fluminense, o pai dele exigiu-lhe manter-se nos estudos. O menino prometeu e foi à luta pelo clube do seu coração, como garantia.
Fã de Zizinho, ele mostrava aos que o viam rolar a pelota que o apelido de Pelé não seria mal aplicado nele, pois carregava muito do “Rei do Futebol” em seu jogo.
 Lançado no time tricolor principal, pelo treinador Zezé Moreira, em 1962, Evaldo era apelidado pelos colegas por Buda e Porquinho. E nem era tão gordinho. Talvez, por ser baixinho. Em 1963, seguia progredindo, mas, na temporada seguinte, foi obrigado a dar um tempo em seu futebol, para passar por uma cirurgia de extraçãode meniscos.    
Evaldo fazia gols e não era fominha. De preferência, deixava os companheiros olhos-nos-olhos com os goleiros, o que fazia Tostão, o maior astro do time raposeiro, ser o seu maior fã. Dizia que boa parte dos seus 245 tentos estrelados começaram pelas chuteiras do colega.
Evaldo viveu a sua melhor fase no período em que o Cruzeiro montou a “máquina” que destruía adversários, tendo chegado ao cloube, em 1966, e siudo tri estadual e campeão da Taça Brasil-1966,tornando-se, juntamente com Natal, Evaldo, Tostão, Dirceu Lopes e Hílton Oliveira os maquinistas do ataque.     
Filho de Benedito Cruz e de Graciosa Silva Cruz, Evaldo teve por irmão Elier, Everaldo, Edílson, Eduardo e Leila. Dono de cabelos e olhos pretos, jogava pesando 65 quilos, usando chuteiras-38 e não via a sua altura, de 1m65cm, prejudicar-lhe nos gamados. Dizia-se devoto de São Jorge e a sua primeira grana poela bola foram Cr$ 5 mil cruzeiros mensais, de ajuda de custo, do Fluminense. Adorara o filme “Doutro Jivago” e a música principal da película, o “Tema de Lara”.
 Evaldo achava boa a situação do país, em 1967, mas não demonstrava grande conhecimento de política governamental. “Deve estar”, respondia, indagado se o Brasil encontrava-se bem orientado. Segurança demonstrava ao falar de suas lembranças, como do primeiro treino pelo time juvenil do Fluminense, em 1961: “Levei tantos pontapés, de um zagueiro, que cheguei a chorar”. 
Sujeito que dizia-se combativo e possuidor de autocrítica, provocado, ele definia-se como alguém expansivo e alegre, por natureza, e muito falador. Achava a mulher perfumada mais atraente, se não fosse sofisticada e infiel. E se submetesse a uma cirurgia plástica só em casos necessários. Católico, usava uma medalha com a imagem de São Jorge e não deixava de acreditar, em parte, em macumba e mau olhado. Amante da cor marrom, ele via a TV prejudicando o futebol, ao transmitir jogos ao vivo.   
Evaldo poderia ir mais longe no coração dos cruzeirenses, mas uma tragédia voltou a tirá-lo dos gramados, como em seus tempos tricolores. Aconteceu em 3 de outubro de 1971, no Mineirão, enfrentando o Santos, pelo Brasileiro. Dividiu  bola com o goleiro santista Cejas e sofreu fraturas em cinco locais da perna direita. Ficou uma temporada inteira e mais três meses de 1972 em recuperação.  
Evaldo disputou 294 jogos com a camisa cruzeirense, entre 1966 e 1975,  e marcou 108.  Depois da tragédia,  defendeu o também mineiro ESAB, o interiorano paulista Marília e  encerrou a vida boleira  por um time da Venezuela,  o desportivo Itália, em 1977.
O seu currículo anota, ainda, seis vestidas de camisa da seleção canarinha, com cinco jogos -  2 x 0 Chile; 3 x 1 Equador; 4 x 0 Peru: 2 x 2 Argentina  e 1 x 1 Colômbia, pelo time olímpico, entre 1963 e 1964 - , e um pela equipe principal, representada pela base do Cruzeiro, rerorçado pelo zagueiro Djalma Dias e o lateral-esquerdo Oldair Barchi, ambos do Atlético-MG. Daquele vez, 50 mil pagantes foram ao Mineirão assistir Brasil 3 x 2 Argentina, em 11 de agosto de 1968, com Evaldo abrindo o placar, aos oito minutos.








"Sou colecionador de flâmulas do Vasco e da Seleção Brasileira. Tenho, também, uma da revista "Manchete", mas tenho conhecimento de colecionadores neste setor. Existe flâmulas de revistas esportivas? Cláudio Villar, de Cascadura-RJ.
Veja bem, grande "vasconauta": só entrando em contato com clubes de colecionadores de flâmulas para se descobrir isso. Ou dê uma pesquisada pelo site www.mercadolivre.com.br,  onde a rapaziada vende de tudo. Realmente, o "Kike" nada sabe sobre a sua pergunta. Mas, pesquisando nas antigas revistas esportivas – Sport Ilustrado, Globo Sportivo, Manchete Esportiva, Gazeta Esportiva e Revista do Esporte –  encontrou a foto desta flâmula que era sorteada entre os leitores da "RE". Logo, pode haver colecionador no Rio de Janeiro que ainda a tem.
O "Kike" entrou em contato com o amigo Deni Menezes, que trabalhou naquela revista, mas ele não guardou nenhuma. E nem se lembra das cores. Neste caso, vamos perguntar ao Marcelo Moura, artista gráfico do "Jornal de Brasília", se ele descobre isso, usando as manhas dos computadores. Aguarde resposta pelo seu e-mail. OK?