Vasco

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sábado, 30 de setembro de 2017

O VENENO DO ESCORPIAO - O 'BESSARABO' DA AMAZÔNIA QUE QUERIA SER VAMPIRO

O picareta dos picaretas...
Durante o século 17, o Conde  de Saint Germain era íntimo de cortes europeias e chegado a escândalos. Francês e tremendamente malandrão, apresentava-se como cientista, alquimista, lapidador de diamantes, ourives, músico e compositor, entre outros, e dizia-se imortal, presenciador de fatos ocorridos há vários séculos.                                     
 O grande picareta nasceu em 1712 e viveu até 27 de fevereiro de 1784. Um dia, achou de "reencarnara-se" no Brasil, na pele de Henrik Jan Dadiani, "nascido em Kishenew, na Besssarábia, em 1897, descendente de um dos ramos da família imperial russa", embora o seu sotaque nada tivesse de "bessarabo".
 Era 1937 e um tal de Dadiani, medindo quase dois metros de altura e pesando 100 quilos, passou a ser falado pelas delegacias de polícia de São Paulo. Contavam que  falava com desenvoltura, tinha voz de barítono e modos nada bregas. A polícia levou 19 temporadas em seu encalço, acusando-o por oito crimes, a maioria por bigamia.
INCÓGNITO - Ninguém conseguia descobrir o verdadeiro nome de Dadiani. Segundo ele, adotara este para fugir dos comunistas, antigos “camaradaço”.  Ao ser preso, declarou chamar-se  Henrique João Fialho e ter nascido no Amazonas.
Das “bigamadas” desse “bessarabo”, uma poderia ser roteiro de fotonovela. Em 1948, residindo em Belo Horizonte, ele colocou anúncio na revista “Grande Hotel” à procura por noiva e dizendo-se médico “de meia idade”. Queria casar-se com moça recatada.
Lido em Santa Maria-RS, por Almerinda Lichter, de 14 anos, Dadiani passou 2.555 dias correspondendo-se com a gauchinha. Casaram-se no catolicismo e foram residir em Tatui-SP. Um dia, a mulher convidou a irmã Araci a visita-la. Esta foi, arrumou namorado na cidade e abominou o cunhado.        
...foi imitado por Dadiani, aqui na cadeia...

 O namorado de Araci desconfiou de que já tinha visto Dadiani, em alguma quebrada – em um jornal, apelidado por “Príncipe”. Durante as ausências dele em casa, Araci bisbilhotou os seus guardados e confirmou as suspeitas. O “médico” havia iludido a sua irmã. Procurou o juiz de direito da comarca, entregou o carinha e o caso passou foi entregue aos "zome".
VISTORIA POLICIAL na casa de Dadiani encontrou o quadro perfeito para ele ser preso e processado por falsificar identidade, certidões de nacimento e de casamento, além de posse sexual fraudulenta e de exercício ilegal da Medicina – vendia garrafadas, garantindo excelente desempenho na horizontal. 
 Dadiani conhecia o Código Penal  e citava artigos, como um mestre. Certa vez, fez a sua defesa em mais uma "bigamada", sendo absolvido. Escreveu o livro “Acusado sem crime”, que teve várias edições. Na época, ele  “havia nascido” na Polônia.
QUANDO ELE ERA João Chonsky, casou-se com Arlinda Walther. Pouco depois, Geralda Barbosa o acusou, no Rio de Janeiro, por bigania. Próxima? Era o doutor Carmelo Ribeiro Lorenzo e desposou, em São Paulo, Oacyr Rangel. Foi preso e logo solto. A seguir, tentou levar uma outra companheira, Maria Helena Ferreira, em Belo Horizonte, a compactuar com os suas picaretagens. Processado, escapou, de novo.
Em 1940, Dadiani desapareceu. Só foi descoberto e preso em 1956. Disse à policia que, antes de vir para o Brasil, era médico, em Paris. Não pudera ser por aqui, devido surdez que o impedira de passar por provas orais indispensáveis à revalidação do seu diploma. Também, que fora absolvido em cinco processos e que só se casara uma vez, tendo ficado viúvo e o casamento anulado.
...longe dos filhos com Almerinda
BASTISTA, PREBISTERIANO e membro do Exército da Salvação, como afirmava, Dadiani jurava arrependimento por todas  as picaretagens. Pretendia basear a sua defesa  no artigo 13 do Código Penal – arrependimento eficaz e desistência voluntária antes de o delito entrar em domínio público.
Compare o picareta Dadiani com os picaretas presos pela “Operção Lava Jato”. Ele, que falava, com desenvoltura, sobre os grandes filósofos da humanidade, tinha imaginação de escritor de ficção. Na verdade, tinha mente precisando de tratamento médico. Afinal, só queria ser vampiro, passear de século em século, variar no uso de "perseguidas" e vender "garrafadas produzidas por laboratórios parisienses". 
 EM RELAÇÃO AOS plíticos e empresários corruptos que estão na cadeia, Dadiani era um “santinho”. Afinal, não robou milhões do dinheiro púlbico; não quebrou a Petrobras; não recebeu propina para favorecimentos graciosos; não aplicou dinheiro da corrupção em bancos estrangeiros e nem liberou “tutu” para emendas de parlamentares que votassem contra  apuração de denuncias contra o pagador.   
Diante desses, Dadiani merecia ser canonizado. Em compensação, deputados e senadores corruptos não podem ser acusados de terem vendido “garrafadas milagrosas”, para ninguém endurecer.........o espírito público. Confere?       

              

 
 

sexta-feira, 29 de setembro de 2017

CLUBE DOS ESQUECIDOS - ZÉ MARIA

  Zico, o maior ídolo da história do Flamengo, foi vascaíno por 45 minutos; Garrincha, o mais amado pela galera do Botafogo, por 90; Zizinho, o maior craque brasileiro pré-Pelé, por 180, e Pelé, o “Rei do Futebol”, por 360. Quem esteve também vascaíno, e poucos sabem, foi um dos maiores ídolos da nação corintiana, o lateral-direito Zé Maria.
 Na época, José Maria Rodrigues Alves pertencia à Portuguesa de Desportos e ainda não tinha a fama que valeu-lhe, no Parque São Jorge, o apelido de “Super Zé”. O Vasco o teve durante a Taça Guanabara-1968 e a sua vascaínagem durou apenas 180 minutos, o tempo dos jogos contra o Bonsucesso e o Flamengo.
Imagem reproduzida de álbum de figurinhas
Pode-se dizer que ele foi quebrar um galho para o “Almirante”, que precisava, urgente, de um lateral-direito, pois os especialistas da posição – Ferreira, Jorge Luís e Ari – ficaram contundidos ao mesmo tempo.
O treinador Paulinho de Almeida lembrou-se do garoto convocado para a reserva de Carlos Alberto Torres e que entrara em alguns jogos da recente excursão da Seleção Brasileira à Europa, México e Paraguai, atuando muito bem.
A  “Lusa do Canindé”, no entanto,  não deixou o “có-irmão lusitano” se animar muito. Avisou que precisava do seu jogador para o Torneio Roberto Gomes Pedrosa, o Robertão, também chamado Taça de Prata.
 Zé Maria nasceu em Botucatu-SP, em 18 de maio de 1949. Filho de Durvalino Rodrigues Alves  e de Maria dos Santos Alves, jogava usando chuteiras-41, pesando 72 quilos, condizentes com seu 1m75cm de altura – 85cm de cintura. Ele sentiu-se em casa, em São Januário, por conviver com o clima “lusitano” em que vivia em São Paulo. Deixou saudadas na torcida pelas duas partidas disputadas n Maracanã:
03.08.1968  - Vasco 1 x 1 Bonsucesso, com arbitragem de Luís Carlos Félix e público de 9.427 pagantes. Vasco do dia: Pedro Paulo (Errea); Zé Maria, Brito, Moacir e Eberval; Buglê, Alcir e Danilo Menezes; Nado, Nei e Raimundinho (Silvinho).
08.08.1968 – Vasco 0 x 1 Flamengo, apitado por Armando Marques e assistido por 86.102 pagantes, 21.400 menores 5.415 caronas. O time: Pedro Paulo; Zé Maria, Brito (Moacir), Ananias e Eberval; Buglê (Paulo Mata), Alcir e Danilo Menezes; Nado, Nei e Silvinho.

 

 

 

 

                          


 

quinta-feira, 28 de setembro de 2017

CLUBE DOS ESQUECIDOS - DUNGA

 Alguém se lembra que Dunga foi jogador do glorioso Club de Regatas Vasco da Gama?
 Nascido em 31 de outubro de 1963 e capitão do tetra da Seleção Brasileira-1994, Carlos Caetano Bledhorn, o Dunga, foi vascaíno em 1987. Ele estreou, em 26 de fevereiro de 1987 e ficou campeão estadual da temporada, tendo, no primeiro jogo, vencido o Goytacaz, em São Januário, por 3 x 0, dirigido por Joel Santana, que foi substituído, por Sebastião Lazaroni, no decorrer da competição.
Dunga disputou 23 jogos com a jaqueta cruzmaltina e marcou três gols. Deixou São Januário levando quatro canecos: Taça Guanabara, Campeonato Estadual, Copa de Ouro e a Copa TAP, os dois últimos  em torneios amistosos internacionais.
 A estreia do volante da “Turma da Colina valeu pela Taça Guanabara, o primeiro turno do Estadual-RJ, foi apitado por Aluísio Felisberto da Silva e assistido por 1.499 pagantes. Lira, aos  25, e Vivinho, aos  42 minutos do primeiro tempo, e Romário, aos  10 do segundo, balançaram as redes. O time teve: Acácio; Mílton Mendes, Donato, Morôni e Lira; Dunga (Mazinho), Geovani e Vivinho; Mauricinho, Romário e Zé Sérgio (William). Técnico: Joel Santana.
                              CONFIRA TODOS OS JOGOS DO DUNGA VASCAÍNO
 ESTADUAL - 26.02. 1987 – Vasco 3 x 0 Goytacaz ( Estadual); 08.03.1987  - 0 x 0 Americano; 15.03.1987 - 0 x 0 Botafogo; 18.03.1987 - 4 x 1 Mesquita; 21.03.1987 - 3 x 0 América; 25.03.1987 - 1 x 0 Avaí-SC; 29.03.1987 - 3 x 0 Bangu; 01.04.1987 -  3 x 0 Porto Alegre; 05.04.1987 - 2 x 2 Campo Grande; 08.04.1987 - 3 x 0 Portuguesa; 12.04.1987 - 0 x 3 Fluminense; 15.04.1987 - 2 x 0 Cabofriense;  19.04.1987 - 0 x 0 Flamengo; 23.04.1987 - 1 x 1 Olaria; 26.04.1987 - 2 x 1 Botafogo; 29.04.1987 - 6 x 0 Cabofriense; 03.05.1987 - 0 x 0 Fluminense; 06.05.1987 - 6 x 0 Mesquita; 19.07.1987 - 0 x 0 Flamengo.
 AMISTOSOS -  11.06.1987 5 x 0 América-MEX; 14.06.1987 - 3 x 0 Benfica-POR; 09.07.1987 - 0

quarta-feira, 27 de setembro de 2017

CLUBE DOS ESQUECIDOS - DUQUE

Duque e as suas bolas coloridas
  Foram vários os atletas que, algum dia, dirigiram o time vascaíno – Yustrich, Ely do Amparo, Ademir Menezes, Paulinho de Almeida, Pinga, Alcir Portela, Orlando Fantoni, Carlos Alberto Zanatta, Mauro Galvão, Gaúcho, Tita e até Romário.
Nesse time, entra, também, um ex-zagueiro, ainda que só por quatro meses na Colina: Davi Ferreira, o Duque, que esteve "xerifando" na zaga cruzmaltina entre finais de 1953 e inícios de 1954.
  Nascido em Belo Horizonte-MG, em 15 de maio de 1926, Duque era auxiliar técnico de Jorge Vieira, no Olaria, quando este saiu para São Januário. Ao herdar o cargo, Duque classificou o time da Rua Bariri para  o Torneio Rio-São Paulo-erdasndo-lçhe o cargo, Duqie cl1964. E, quando Jorge deixou a Colina, a vaga foi sua, novamente.
 Mas Duque demorou pouco como treinador vascaíno. Segundo ele, porque tinha ideias muito modernas e “o clube não estava preparado para recebê-las”, conforme afirmou à Revista do Esporte Nº 504, em novembro de 1968.
- O Vasco é um clube de grandes paixões e só admite vitórias, criticou Duque, garantindo que, se os vascaínos tivessem lhe dado tempo para desenvolver o trabalho que idealizou, “tomaria um impulso sem precedentes em sua história”.
  De repente, poderia até estar certo, pois saiu da Colina para ser campeão pernambucano, pelo Náutico, invicto.
  Em 1965, voltou ao Olaria e foi vice do Torneio de Acesso. Em 1966, tirou o venezuelano Tiquiri  Flores do último lugar do campeonato venezuelano, e o levou ao terceiro posto.
 Voltou ao futebol nordestino, faturou cinco títulos e levou o Náutico ao terceiro lugar da Taça Brasil-1967. Mesmo assim, o sucesso pelo Nordeste não fez o Vasco se reinteressar pelo seu trabalho. Nunca mais ele voltou à Colina.

Aoherdar

TRAGÉDIAS DA COLINA - ELIMINADO

O Vasco recebia a visita do Corinthians, no Maracanã, na tarde do domingo 26 de maio de 1957. E poderia ter liquidado o placar na primeira etapa, mostrando maior volume de jogo, diante de um time eu era o lanterna do Torneio Rio-São Paulo. Abriu o marcador,  por intermédio de Válter Marciano, mas ficou por aquilo. Quando se esperava que a "Turma da Colina" trucidasse o time visitante na etapa final, rolou o contrário.  A moçada embaralhou o meio-de-campo e permitiu a virada do adversário, com gols de Zé Carlos e de Paulo. De quem?
O resultado eliminou qualquer possibilidade de o time vascaíno conquistar o título. Culpa de: Carlos Alberto Cavalheiro, Paulinho de Almeida e Bellini; Orlando, Laerte e Dario; Sabará, Castelo Livinho, Vavá, Válter e Pinga.
Um tal de Paulo, do lanterna do campeonato, aos 46 do segundo tempo,
virou o placar contra o Vasco. Foto e Manchete Esportiva
O prélio rendeu Cr$ 380 mil, 960 cruzeiros e foi assistido por 17.012 almas, sendo 12.902 pagantes e 4.110 não pagantes.
Pela opinião do treinador Martim Francisco, a culpa pela tragédia fora da maratona que o seu time vinha enfrentando, de cinco jogos em oito dias.
- Para o Vasco ganhar, seria preciso colocar três gols de vantagem. E, mesmo assim,  não seria nada garantido", chorava ele – choro de perdedor.   

terça-feira, 26 de setembro de 2017

CLUBE DOS ESQUECIDOS - BOUGLEUX



Buglê (D) ao lado de Kosilek, em foto
reproduzida de www.tardesdepacaembu
O Vasco da Gama sempre teve grandes capitães. No começo da década-1950, o “cargo” era do carecão Augusto da Costa, que o exerceu, também, na Seleção Brasileira. Depois, veio o "lideraço" Hiderldo Luís Bellini, que ergueu as taças do “SuperSuper” Campeanto Carioca-1958 e a Jules Rimes, pela mesma temporada. 
A partir dali, foram 12 anos de seca na Colina. Até que, em 1970, o título estadual choveu, de novo, na horta da rapaziada e o capitão José Alberto Bougleux ergueu o troféu, em um domingo de muito sol, no Maracanã.
 Bougleux já estava nos planos do Vasco muito antes de chegar a São Januário. Mas, como o Atlético-MG, do qual era ídolo de sua torcida, pedia muita grana para libera-lo – Cr$ 200 milhões de cruzeiros pelo seu passe (antiga sistemática para vincular um atleta) –, o “Almirante” pulou fora dessa onda.
Em 1967 e 1968, Bougleux já estava ao lado do “Rei” Pelé, no Santos, que até tirou mais de grana do cofre do que o “Galo” pedia, para não perder o meia que tanto desejava. Temia que os comerciantes portugueses que ajudavam ao Vasco juntassem uma boa grana, de uma hora para outra e o levassem.
Atleta dos tempos em as meninas amavam os Beatles e dos Rolling Stones, Bougleux, para elas, era um “pão” (gíria para o atual gatão). Cabeludo, desfilava carrão peças ruas de Belo Horizonte, o que fazia os cartolas conservadores do Galo a lhe verem como "playboy".
  No Vasco da Gama, Bougleux ele emplacou rápido. Com a mesma velocidade, a imprensa carioca  mudou a grafia do seu nome, de descendência francesa, para Buglê. Tinha muito repórter que não acertava escrever corretamente.
Torcedor vascaíno com menos de 50  de idade não o conhece. Campeão carioca-1970 e brasileiro-1974,  hoje, ele reside em Brasília e tem um sítio onde cria galinhas e produz ovos. De vez em sempre, sai com o amigo Toninho Cerezzo para pescarem.
Turma do título carioca-1970, com o técnico Tim (C), em foto
reproduzida de www.paixaocanarinha. Agradecimento
Bom contador de prosas, como todo mineiro de São Gotardo, onde nasceu – 26 de julho de 1944 –, em sua terra, José Alberto Bougleux é o popular “Zé Aibeto”, que jogava um bolão em um time de peladas chamado Real Madrid.
 Quando a sua família mudou-se para BH, ele enturmou-se com a galera do futebol de salão do Cruzeiro. Depois, prestando o serviço militar e jogando pelo time do quartel, foi descoberto pelo treinador Wilson Oliveira, que o levou para os juvenis do Atlético-MG, que o contratou, em 1963.           
 Das prosas que o "minêrim Zé Aibeto” conta, uma é muito boa: “O  Andrada (goleiro argentino que defendeu o Vasco e levou o milésimo gol de Pelé) ficava uma fera quando a moçada o chamavam por ‘Arqueiro do Rei’. Na época (1969), estava na moda o uísque ‘King's Arch’ (tradução do apelido). A turma sacaneava: ‘Ô gringo, manda um uísque aí”. Ele rebatia: Non quiero esta brincadêra, non!’. A rapaziada encarnava mais. Teve de se acostumar”. 
 O chacareiro pescador e torcedor vascaíno Bougleux, com se declara, acima de tudo, é um boa praça.
    

VASCO DOS GRÁFICOS - 2 X 0 'CANTUSCA'


 
Valia pelo Campeonato Carioca-1955 e os vascaínos andavam com uma tremenda sede de vitória, pois  caminhavam para a terceira temporada sem um título estadual.
Em momentos como aqueles, sempre a torcida cobrava muito e os cartolas se escondiam, de tanta vergonha, pois lidavam com a possibilidade de o maior rival, o Flamengo, ser tricampeão estadual.
No dia quatro de dezembro, a moçada recebeu a visita do Canto do Rio, em São Januário, e mandou 2 x 0, com gols marcados por Pinga, em um tarde de domingo.
  O "sargentão" Flávio Costa era o treinador e o time do dia teve: Hélio; Paulinho de Almeida, Haroldo, Orlando e Dario; Sabará, Valter Marciano, Parodi, Vavá, Pinga e Maneca.
Por aquele tempo, uma das atrações da imprensa esportiva para os torcedores eram os gráficos que William Guimarães desenhava para  a semanária Esporte Ilustrado, dos gols da rodada.
Um repórter atuava como observador e lhe passava a posição dos atletas envolvidos no lance. Neste compromisso, o auxiliar do desenhista foi José Rebello.
No que dizia respeito ao jogo em si, o "Almirante" não fez mais do que a sua obrigação, vencendo em casa, principalmente porque o "Madura" era um grande freguês. De caderninho! 

segunda-feira, 25 de setembro de 2017

CLUBE DOS ESQUECIDOS - LOLA E NOCA


O centro-médio capixaba Lola
  Nesses tempos modernos,  de grande e rápida evolução da tecnologia da informação, o jovem torcedor só recorre ao noticiário veiculado pela Internet. Pior para os atletas do passado. A galera de agora não é de pesquisar em revistas antigas, onde  eles apareceram. Simplesmente,  não existem. Assim, só grandes pesquisadores, como Mauro Prais e  Gustavo Cortez, são capazes de destrinchar todos aqueles que deram sangue e suor com a jaqueta cruzmaltina. Em tempos muitos antigos.
Na época do “Expresso da Vitória”, entre 1945 e 1952, quando o Vasco era um dos mais fortes do planeta, seus treinadores podiam contar com três times de bons atletas, pois o sonho de todos era ir para São Januário. No entanto, como as equipes ganhavam  formação-básica constante, muitos jogadores tinham poucas chances de atuar. São os mais do que esquecidos de hoje. Caso, por exemplo, de Lola, Sarará, Cabano e de Noca, só para citar quatro, inicialmente. A sorte deles é que havia a categoria de aspirantes, para não ficarem parados.

O ponta-direita Noca
Em 1951, quando Oto Glória comandava o time vascaíno, o então médio (atual volante) Danilo Alvim  recebeu três jogos de suspensão. Apelar para improvisações de Jorge e Alfredo não deu certo. Então, Lola teve mais sorte do que Sarará e a sua chance. O que não sorriu para Aldemar, que foi se consagrar no Palmeiras, como um dos melhores marcadores de Pelé.
 Com Ademir Menezes também desfalcando a equipe, mas por contusão,  a vez foi de Edmur, buscado no Canto do Rio. Como seria titular por tempo marcado, o jeito foi ir para Portugal.  Quanto a Cabano, que não conseguia vaga na ponta-direita do timer principal, a disputava entre os aspirantes, com Célio e Jansen.
                             PRÓXIMA PARADA
 TEMPOS  EM QUE O TIME DO VASCO  TIRAVA "SS"
  Encerada a viagem do “Expresso da Vitória”, o Vasco voltou a ser carregador de taça em 1956. Duas temporadas depois, tornou-se “SS”, isto é, “SuperSuper” campeão carioca,  com uma nova geração. Quem são os “supersuperesquecidos” daquela rapaziada? Já ouviu falar de Ramos?  De quem? De Frederico Ramos. Um capixaba, de Vitória, nascido em 1931, dono de um emprego público e que custara Cr$ 200 mil cruzeiros ao Vasco. Jogou uma partida da campanha de 1958, substituindo Sabará.  Mesmo caso de Roberto Peixoto Peniche, mineirinho, de Palmas. Ainda era juvenil, quando o treinador Gradim, surpreendentemente, o fez substituir Pinga, que foi substituído, também, por um outro mineiro, o Dominguinho, isto é, Domingos Abdala, juvenil da Colina, desde 1956.
História idêntica à dos dois substitutos de Pinga viveu o baiano Teotônio. Os vascaínos o viram em um treino e pagaram Cr$ 1 milhão para tê-lo, com 23 anos de idade.  Só fez um jogo do “SuperSuper”, pois a camisa 9  tivera, entre outros “vestintes”, o campeão mundial Vavá – da Copa  da Suécia. Também, Wilson Moreira, por sete jogos.  Campeão, também, no Torneio Rio-São Paulo, aos 23 anos, seguiu o destino de Vavá e foi para o futebol espanhol.  
Os gaúchos Cabano e Sarará
Como se observa, Pinga tem sido muito citado. Foi um dos maiores ídolos da torcida vascaína da década-1950, autor de  250 gols vascaínos. Mesmo assim, o José Lázaro Robles já está no time dos poucos lembrados. E olhe que foi capa de revistas em várias ocasiões. Bem como Paulinho de Almeida, Laerte, Dario, Válter Marciano e até mesmo Orlando Peçanha de Carvalho e Hideraldo LuísBellini, outros campeões mundiais em 1958.
QUEM DIRIA!
                ATÉ ELES?
Se campeões do mundo são esquecidos, o que não dizer de Ortunho e de Viana? Integraram o grupo campeão carioca em 1956/1958; dos Torneio Início-RJ-1958;  Rio-São Paulo-1958; Paris-1957 e Tereza Herrera-1957. O primeiro, era um gauchão muito forte, um “armário”. Substituiu o lateral-esquerdo Coronel em três pugnas do “SS”, pois mandava ver em qualquer setor defensivo.  De sua parte, Viana,  com três substituições, também,  era reserva do capitão Bellini. Aos 22 anos, vangloriava-se de ter marcado e vencido o então maior atacante do mundo, Di Stefano, do Real Madrid, na final do torneio parisiense. A galeria dos esquecidos é grande. Confira em "post" vindouros. (fotos reproduzidas do Nº 662 da revista "O Globo Sportivo", lançada em 20 de outubro de 1951, em sua 13º temporada de circulação.) Agradecimento. 

domingo, 24 de setembro de 2017

DOMINGO É DIA DE MULHER BONITA - PAULA, A FILHA DO GOLEIRO DO VASCO

Beleza é um presente dos deuses para a família da triz Paula Burlamaquy. Seu pai, Mauro Matta Soares, que jogou como goleiro de três grandes clubes – Flamengo, Corinthians e Vasco da Gama – era considerado o jogador mais bonito do futebol brasileiro da década-1960. As revistas o chamavam de galã dos gramados. 
Paula começou a mostrar a sua graça aos brasileiros, em 1987, quando venceu o concurso “Garota do Fantástico”, de um programa dominical da TV Globo. Passado duas temporadas, lá estava ela na telinha global, participando das novela “O Sexo dos Anjos”. Mas, como só fez pequenos papeis pelos seis inícios de carreira, aceitou o convite da TV Bandeirantes e foi interpretar papeis mais interessantes em “Perdidos de Amor e “Serras Azuis’.

Talento mostrado, Paula encantava os telespectadores, de montão. Unia beleza e graça na tela, razão que levou a revistas “Playboy” a estampa-la em sua capa e a fazer um ensaio com ela nua na norte-americana Aspen, em 1996. A Globo, que tinha bons olhos espiando as voltas do mundo, foi busca-la, para novo convívio. E deu-lhe um papel de vilã na novela “Sabor da Paixão”.
No entanto, a novela mais marcante de Paula na emissora foi “América”, em 2005, que abriu-lhe caminho para a intepretações de personagens mais difíceis, como em ‘O Profeta” e “A Favorita”. Seus últimos trabalhos no horário nobre da Globo (depois do Jornal Nacional) foram as novelas “Avenida Brasil”, em 2012, e “A Regra do Jogo”, de 2015.
No cinema, Paula marca presença desde 2000. Já participou de sete películas da tela grande, mas está foras dela desde 2012, quando atuou em “Reis e Ratos”.
Em 2014, Paulo passou a assinar Burlamaquy com esta grafia, por recomendação de um numerólogo. Independentemente de uma letra a mais ou a menos, ela é uma das atrizes mais lindas e inteligentes do mundo artístico brasileiro. Um dos seus maiores fãs é o paizão Mauro, que reside em Niterói-RJ e foi um dos poucos goleiros a defender os dois maiores rivais do futebol carioca.
Já houve caso de namorada e esposa de jogadores de futebol que posaram nuas para revistas masculinas brasileiras, bem como de filhas de cronistas esportivos. Mas Paula foi a primeira filha de (ex) atleta a fazê-lo.   
Nascida , em Niterói, em 2 de fevereiro de 1967,  Anna Paula Burlamaqui Soares é o seu nome. Está há meio século brilhando por este planeta. Bom domingo!

 

sábado, 23 de setembro de 2017

CLUBE DOS ESQUECIDOS - FERREIRA

A lateral-direita vinha sendo um grande problema, em São Januário. Então, o Vasco devolveu o centroavante Paulo Bim, ao Comercial de Ribeirão Preto-SP, e ficou com o lateral Ferreira, além de um crédito de NCr$ 138 mil novos cruzeiros.
Quem se lembra dele? Aparece na foto do time campeão carioca-1970, embora não tivesse se firmado na posição e até afastado do time, para melhorar o condicionamento físico.
Nesse tempinho em que Ferreira cuidava do físico, as duas opções par a lateral-direita, Ari e Jorge Luís, lesionaram-se e ele teve que voltar antes do tempo ao time. E, daquela vez, jogou a contento do treinador Paulinho de Almeida.
 Recuperado, Ferreira foi convocado para a seleção carioca que enfrentou a paulista, pelo final de 1968. Embora não tivesse entrado em campo, passou a sonhar com a camisa canarinha, por ver só o santistas Carlos Alberto Torres indiscutível em sua posição. Não a vestiu, mas seguiu sendo muito útil ao Vasco.
Benedito Benjamim Ferreira nasceu em Guará-SP, em 4 de novembro de 1945. Medindo 1m66cm de altura, jogava pesando 62 quilos. Cria da Associação Atlética Ituvivarense, na qual o Comercial foi busca-lo. Não marcou nenhum gol vascaíno e, em 1968, formou neste time-base: Pedro Paulo, Ferreira (Jorge Luís/Ari), Brito (Sérgio), Fontana (Fernando) e Eberval (Lourival); Buglê e Danilo Meneses (Alcir/Benetti); Nado, Nei (Adílson), Valfrido (Bianchini) e Silvinho.
Filho de Pedro B. Ferreira e de Maria Rosa Ferreira, o lateral vascaíno não se achava baixinho.
Para ele, o importante era ter boa forma para saber sair do chão e ganhar o lance aéreo, pois, assim, ninguém se preocuparia com a sua centimetragem.
Devorador de macarronadas, Ferreira tentava proteger-se duplamente. Era devoto de São Jorge, o santo guerreiro, e de Santo Antônio, o casamenteiro. Casou-se com o futebol. Se não rolasse, gostaria de ser cantor –  terminou cantando jogadas pela lateral do gramado. 
                                        FOTO REPRODUZIDA DE WWW.NETVASCO.COM.BR

VENENO DO ESCORPIÃO - VANDERFREYRE

Da última vez que encontrei-me com o grande intelectual baiano, Hildon Rocha, cidadão barreirense e, também, jornalista e escritor, durante aqueles formais “como vai?”, respondi-lhe: “Não tão bem quanto você, pois jornalista trabalha muito e ganha pouco”.
Estávamos no Lago Norte de Brasília, na casa do também barreirense Dílson Ribeiro, membro da Academia de Letras de Brasília e amigo de Juscelino Kubitscheck.
 Hildon sorriu e disse: “Você pode ganhar pouco, mas tem uma riqueza nas veias. Por elas, passa o sangue que passou pelas de Gilberto Freyre”.
Neste e no livro abaixo, o intelectual...
Não entendi nada. Que eu soubesse, nada me ligava ao homem, sobretudo, porque eu sou baiano e não me consta ter ou tido parentes em Pernambuco.
Hildon justificou-se: “Onde nascemos (Bahia Oeste) já foi território pernambucano. Deixou de ser, devido entreveros políticos da Província com o Império. O sangue que jorrou nas veias de Gilberto Freyre é mesmo que circulou pelas da sua  avó Gustava Amélia Wanderley, mãe do meu amigo Arnaldo Wanderley, seu pai. Pesquise!” – recomendou-me.
 Não pesquisei, pois não estava interessado naquilo. Tempos depois, lendo “Memórias Indiscretas”, que Hildon Rocha escreveu, em 1981, para a Francisco Alves Editora, encontrei isso: “Gaspar Van der Lay veio (da Holanda) para o Brasil, no século 19, e casou-se com uma filha da família Mello. Desse encontro, uma Mello uniu-se a um Freyre, descendente de espanhóis”.  
O Wan der Lay abrasileirou-se para Wanderley, mas ficou de fora da descendência criada pelo professor Alfredo Freyre, com Francisca de Mello Freyre, os pais de Gilberto. Mas algo muito mais importante do que isso ficou de dentro das veias culturais nordestinas: a liderança intelectual de Gilberto Freyre, gerando o “Manifesto Regionalista” – década-1930 –, inspirador de romancistas e poetas, como Jorge de Lima, José Américo de Almeida, Graciliano Ramos, José Lins do Rego, Jorge Amado e Rachel de Queiroz, entre outros.   
 Hildon Rocha não concordava comigo quando eu lhe usava a linguagem do "ludopédio" nacional e dizia que Gilberto Freyre "chutara pra fora", dedicando, certa vez, parte do seu tempo à política. Preferia entender que tivera “mandato parlamentar prejudicial à sua atividade de escritor”. Pois bem! Como deputado, o sociólogo autor dos clássicos “Casa Grande & Senzala” e de “Sobrados & Mucambos”, era tratado com indiferença pelos colegas, que preferiam as discussões partidárias, razão pela qual não ele ia ao microfone. Entregava discursos escritos para serem publicados pela mesa diretora da Câmara.    
 Além de admirador do grande pesquisador, Hildon Rocha tinha, também,  admiração por um outro  intelectual nordestino, Luís da Câmara Cascudo, do qual contou-me uma história interessante:  “Eleito deputado estadual, o Cascudo só exerceu o mandato por três sessões, após a posse. No dia seguinte, Getúlio Vargas tomou o poder e a “Revolução de 1930” levou à síncope as assembleias estaduais e federal. Tempinho passado, já ditador, Getúlio o visitou, no Rio Grande do Norte, e falou-lhe dos seus direito a indenização por mandato interrompido. Ouviu como resposta: ‘Eu é que devo à sua revolução, presidente. Se o senhor soubesse o bem que ela me fez!” – à cultura brasileira, evidentemente, pois tivera mais tempo para pesquisar, do que para gastar com política.
barreirense manda o seu recado
 Certa vez, escrevi, aqui no "Veneno", que Jorge Amado, durante uma entrevista a mim concedida, para a Rádio Nacional de Brasília, destilara grande antipatia por Ruy Barbosa, o qual considerava um "mau caráter". Pois Câmara Cascudo, também, não guardou boa impressão do mesmo, o brasileiro mais famoso do início do século 20. Cascudo assistiu e ouviu bem o último discurso de Ruy no Senado, e jamais escondeu ter saído da Casa tremendamente decepcionado com o apoio do homem ao projeto enviado ao Congresso Nacional, pelo presidente Epitácio Pessoa, propondo o estado de sítio.  
 Sobre Ruy, jamais indaguei nada ao Hildon, pois não perco o meu tempo com um sujeito preconceituoso, que apoiava ditadura (o que é o estado de sitio?) e achava-se melhor do que muita gente, recusando-se a embarcar no mesmo transporte. E o pior: advogava para um inglês que foi o maior picareta estrangeiro que já  pintou por estas plagas – ainda bem que está sendo esquecido. Nélson Rodrigues, o maior teatrólogo que já tivemos, também tinha pavor dele. 

sexta-feira, 22 de setembro de 2017

CLUBE DOS ESQUECIDOS - PENICHE

 Durante o Campeonato Carioca de 1958, torcedores de Flamengo e Botafogo viam os seus times superiores ao vascaíno. A imprensa, também.. Esperava-se a faixa de campeão com um ou outro.
 Para uma das rodadas, o treinador Gradim (Francisco de Sousa Ferreira) surpreendeu a torcida cruzmaltina, escalando o juvenil Roberto Peniche na vaga do grande ídolo Pinga, na partida contra de 19 de outubro, contra o São Cristóvão.  Para muitos, Gradim poderia queimar uma jovem promessa, mesmo diante de um dos “pequenos”. Achavam cedo para um garoto recém saído do interior mineiro (de Palmas), jogar no Maracanã, ao lado de Bellini, Orlando e de outros grandes ídolos da torcida.
Peniche em reprodução da Revistas do Esporte
 Gradim, no entanto, pensava diferente. Tanto que lançara Dominguinhos, em lugar do mesmo Pinga, em duas partidas que o garoto ajudara a vencê-las. De sua parta, Roberto Peixoto Peniche não se impressionou. Fez o que chefe lhe mandou no jogo que terminou no 1 x 1 e escreveu o seu nome entre os “SuperSuprCampeões” cariocas-1958.
O garoto de Palmas foi para o caderninho ao lado dos astros Barbosa; Paulinho, Bellini, Coronel, Écio, Orlando, Sabará, Laerte, Delém, Rubens, Roberto Pinto e outros menos famosos.
Em 1959, Gradim não escalou Peniche durante a primeira competição da temporada, o Torneio Rio São Paulo. Só deu-lhe uma chance no primeiro turno do Campeonato Carioca, em  23 de agosto, nos 4 x 2 Madureira, no estádio das Laranjeiras – Barbosa, Paulinho, Bellini e Russo; Écio e Coronel; Teotônio, Cabrita, Pinga, Roberto Pinto e Roberto Peniche foi a formação.
Após um tempão sem jogar pelo grupo principal, Peniche aproveitou bem a chance e marcou um dos tentos da vitória – os outros três foram de Pinga.  Ficou para a próxima rodada, o seu primeiro clássico, contra o Botafogo. Depois, participou de mais um, contra o Fluminense, e voltou a ser uma opção.
 Viria, no entanto, a temporada-1960, para Roberto Peniche viver um grande dia de glória. No amistoso de 11 de fevereiro – Vasco 7 x 0 Nacional, da Colômbia –, marcou três gols.  Em 21 de julho – Vasco 6 x 2  Botafogo de João Pessoa-PB – deixou mais um. Três dias depois– Vasco 3 x 1 Seleção de Itabuna-BA, mais outro. Mesmo assim, não conseguiu segurar vaga de titular.
Um dia, Roberto Peniche foi emprestado à Portuguesa Santista-SP, juntamente com Teotônio e Artoff. De Cr$ 15 mil, foi ganhar Cr$ 37 mil e foi morar em uma pensão pertinho da que moravam Pelé e Coutinho.  Mas não tirava o Vasco da cabeça.  “Jamais esquecerei o Vasco. Sua torcida sempre me estimou e nunca me negou aplausos... Acho que, se  voltar, serei recebido de braços abertos”, disse à “Revista do Esporte”, mas nunca mais voltou.   
 

 

quinta-feira, 21 de setembro de 2017

CLUBE DOS ESQUECIDOS - AZUMIR

 Seguramente, o emprego do camisa 9 de um time de futebol não é fácil. Se não marcar gols, ele terá a mãe mais xingada do que a do juiz. Sem falar que a porta da rua do clube estará aberta pra ir embora. De preferência, o quanto antes.
Caso vivido por um vascaíno. Mas por pouco tempo. Chamava-se Azumir Luís Casemiro Veríssimo, era carioca e viveu entre 7 de junho de 1935 e 2 de dezembro de 2012, por 77 temporadas.
Cria do Madureira, o atacante chegou a São Januário, em 1961, depois de ter sido convidado a se retirar de Bangu, Flamengo Botafogo e Fluminense. Sorte dele que a sorte o estava esperando numa curva portuguesa, com certeza.
Negociado, com o Futebol Clube do Porto, no mesmo ano em que tornou-se vascaíno, Azumir, finalmente, conseguiu garantir o seu emprego de centroavante, tornando-se o principal “matador” do Campeonato Português da temporada 1961/1962. Mandou 23 bolas ao filó.  De quebra, foi o primeiro atleta do clube a ganhar a “Bola de Prata”, importante troféu do futebol europeu da época. 
Na sua segunda temporada pelos "Dragões", Azumir voltou a ser o principal "matador" da equipe, com 17 tentos. Na terceira, apenas três, em cinco partidas.
 Para os torcedores do Porto, era “inintendível” com o Vasco da Gama pudera dispensar um artilheiro daqueles. “Coisa de brasilairo!”, diziam. Azumir foi ídolo da torcida do Porto até 1964. Depois,  ciganou por Covilhã, Barreirense, Beja e Tirsense. 

Fotos reproduzidas de www.esrtrelasdofcporto.blogspo.com.br 

quarta-feira, 20 de setembro de 2017

CLUBE DOS ESQUECIDOS DA COLINA

Nesses tempos modernos,  de grande e rápida evolução da tecnologia da informação, o jovem torcedor
Jansen jogava também
pelo time aspirante 
só recorre ao noticiário veiculado pela Internet. Pior para os atletas do passado. A galera de agora não é de pesquisar em revistas antigas, onde  apareceram. Simplesmente, eles não existem. Assim, só grandes pesquisadores são capazes de destrinchar todos aqueles que deram sangue e suor com a jaqueta cruzmaltina, em tempos muitos antigos.
Na época do “Expresso da Vitória”, entre 1945 e 1952, quando o Vasco era um dos mais fortes do planeta, seus treinadores podiam contar com três times de bons atletas, pois o sonho de todos era ir para São Januário. No entanto, como as equipes ganhavam  formação-básica constante, muitos jogadores tinham poucas chances de atuar. São os mais do que esquecidos de hoje. Caso, por exemplo, do capixaba Lola, dos gaúchos Sarará e Cabano, e de Noca, só para citar poucos. A sorte deles é que havia a categoria de aspirantes, para não ficarem parados
Em 1951, quando Oto Glória comandava o time vascaíno, o então médio (atual volante) Danilo Alvim  recebeu três jogos de suspensão.  Apelar para improvisações de Jorge e Alfredo não deu certo. Então, Lola teve mais sorte do que Sarará e a sua chance. O que não sorriu para Aldemar, que foi se consagrar no Palmeiras, como um dos melhores marcadores de Pelé.
 Com Ademir Menezes também desfalcando a equipe de Oto Glória,  por contusão,  a vez foi de Edmur. Como seria titular por tempo marcado, o jeito foi ir para Portugal.  Quanto a Cabano, que não conseguia barrar Tesourinha, na ponta-direita, disputava vaga, nos aspirantes, com Célio e Jansen.  

 Encerada a viagem do “Expresso da Vitória”, o Vasco voltou a ser carregador de taça em 1956. Duas temporadas depois, tornou-se “SS”, isto é, “SuperSuper” campeão carioca,  com uma nova geração.
Quem são os “supersuperesquecidos” daquela rapaziada? Já ouviu falar de Ramos?  Frederico Ramos. Um capixaba, de Vitória, nascido em 1931, dono de um emprego público e que custara Cr$ 200 mil cruzeiros ao Vasco. Jogou uma partida da campanha de 1958, substituindo Sabará. 
O mesmo caso viveu Roberto Peixoto Peniche, mineirinho, de Palmas. Ainda era juvenil, quando o treinador Gradim, surpreendentemente, o fez substituir Pinga, que foi substituído, também, por um outro mineiro, o Dominguinho, isto é, Domingos Abdala, juvenil da Colina, desde 1956.
História idêntica à dos dois substitutos de Pinga viveu o baiano Teotônio. Os vascaínos pagaram Cr$ 1 milhão para tê-lo, com 23 anos de idade.  Só fez um jogo do “SuperSuper”, pois a camisa 9  tinha, entre outros “vestintes”, o campeão mundial Vavá – da Copa  da Suécia. Também, Wilson Moreira, por sete jogos. Este, campeão, também, no Torneio Rio-São Paulo, aos 23 anos, seguiu o destino de Vavá e foi para o futebol espanhol. 
Como se observa, Pinga tem sido muito citado. Foi um dos maiores ídolos da torcida vascaína da década-1950, autor de  250 gols vascaínos. Mesmo assim, o José Lázaro Robles já está no time dos poucos lembrados. E olhe que foi capa de revistas em várias ocasiões. Bem como Paulinho de Almeida, Laerte, Dario e Válter Marciano e até Orlando, campeão mundial-1958.   
Sabará, em foto reproduzida de www.supervasco.com, brigando
 com a turma do Real Madrid, em 1957, também já está esquecido
Mas, se campeão do mundo é esquecido, o que não dizer de Ortunho e de Viana? Integraram os grupos vencedores dos Estaduais-1956/1958; dos Torneio Início-RJ-1958;  Rio-São Paulo-1958; Paris-1957 e Tereza Herrera-1957.
O primeiro, era um gauchão muito forte, um “armário”. Substituiu o lateral-esquerdo Coronel, em três pugnas do “SS”, pois mandava ver em qualquer setor defensivo.
  De sua parte, Viana,  com três substituições, também,  era reserva do capitão Bellini. Aos 22 anos, vangloriava-se de ter marcado e vencido o então maior atacante do mundo, Di Stefano, do Real Madrid, na final do torneio parisiense. A galeria dos esquecidos é grande. Confira em futuras matérias.

 

terça-feira, 19 de setembro de 2017

CLUBE DOS ESQUECIDOS - QUINCAS


Malmente começara o Campeonato Carioca-1960.  No estadinho botafoguense da Rua General Severiano, o Vasco entrara em campo, como grande favorito, esperando que o Bonsucesso cumprisse o seu tradicional papel de freguês.
Tá legal! Só que, aos cinco  minutos, o ponta-esquerda Quincas surpreendeu os favoritos, mandando o "garoto do placar” escrever: “Bonsuça” 1 x 0.

Era o gol mais rápido já marcado por um ex-vascaíno contra vascaínos. No vindouro nove de outubro fará 57 temporadas.
Quincas! Quem era cavalheiro? Pra começo de conversa: o cara que fizera mais um gol durante aquela refrega – aos 18 minutos, sete depois que o Vasco havia empatado.

De nada adiantara aquela ousadia de Quincas, pois a sua turma marcou  um gol contra e, no frigir dos ovos , o "Almirante" papou o omelete: Vasco 4 x 3.
O time do Bonsucesso era treinado por Gradim, que comandara a “Turma da Colina” durante a supertemporada-1958, quando a rapaziada ganhou tudo o que disputou. Tinha, ainda, um outro ex-cruzmaltino, o centroavante Artoff.  
  Batizado e registrado por Joaquim Rodrigues Vieira Neto, o carinha nasceu em 23 de janeiro de 1931, no subúrbio carioca de Anchieta. Passou pela Colina, em 1959, convidado pelo treinador Gradim. Saiu, rodou por aí e voltou em 1964, para ficar até 1966 e jogar 10 partidas. 
 Em fevereiro de 1965, quando a patota do Seu Zezé Moreira foi a Recife, participar do Torneio Cinquentenário da Federação Pernambucana de Futebol, Quincas ajudou a carregar o caneco, entrando em campo durante o decorrer de Vasco 3 x 1 Sport-PE e de Vasco 2 x 0 Santa Cruz, em ambas as vezes substituindo Lorico.
Por aquele seu tempo vascaíno, Quincas tinha por parceiros de gramados: Ita, Lévs, Joel, Brito, Fontana, Barbosinha, Maranhão, Lorico, Saulzinho, Célio, Mário, Zezinho,  Valtinho, Caxias, Pereira, Joãozinho e Luizinho Goiano. A patota ainda incluía o roupeiro  Chico; o  médico  Nicolau Simão; o massagista Marim e o auxiliar técnico Ely do Amparo.
                  FOTO REPRODUZIDA DA REVISTAS DO ESPORTE 


 



segunda-feira, 18 de setembro de 2017

CLUBE DOS ESQUECIDOS - BENITO

Ele foi registrado homenageando o ditador italiano Benito Mussolini, batizado pelo Papa e vestiu a camisa cruzmaltina, entre 1953 e 1954, após voltar do futebol venezuelano.
O cara é filho do antigo atacante João Fantoni, o Ninão, primeiro brasileiro a jogar no futebol italiano. Ganhou tal nome porque às vésperas de nascer, o presidente da Lázio, filho de Mussolini, prometeu ao seu pai pagar todas as suas despesas hospitalares, cem troca de um gol. Ninão bateu na rede e o cartola cumpriu com a sua palavra 
Era  1931 quando o futuro vascaíno nasceu. Ninão deu-lhe o nome de Benito Romano Fantoni, em homenagem ao pai do cartola e à cidade em que nascera (e viveu, por seis anos), Roma. De quebra, o Papa Pio XII o batizou, no Vaticano.  Embora tivesse tudo aquilo em sua história, Benito foi registrado como cidadão brasileiro
Quando Ninão retornou ao Brasil, o gen boleiro do garoto começou a apresentar-se. De zagueiro central. Ganhou títulos no futebol mineiro, mas em São Januário não deixou lembranças. Está completamente esquecido. Só mesmo os pesquisadores sabem que foi atleta cruzmaltino e do Cruzeiro.
Seria, no entanto, muito difícil para Benito ganhar a torcida vascaína. Quando ele passou pela Colina, o treinador Flávio Costa tinha Bellini, Haroldo e Ely do Amparo sendo os donos absolutos de sua zaga. Além dos menos cotados Mirim e Elias, e até Laerte e Dario que jogavam por ali, também. Quando nada, ele conviveu com grandes jogadores da "Turma da Colina", como Barbosa, Paulinho de Almeida, Danilo Alvim, Jorge Sacramento, Sabará, Maneca, Ademir Menezes, Vavá, Ipojucan, Pinga, Djayr e Parodi, entre outros.