Vasco

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sábado, 21 de julho de 2012

HISTÓRIA DA HISTÓRIA & MANÉ & PELÉ

                                                                                                                         
                                              20 DE JULHO de1969 

GARRINCHA  (E) COM BIANCHINI (D)
Era o dia 20, do mês 7, do 7º ano da década-60. O camisa 7, aos 20 minutos do segundo tempo, balançou a rede, em um jogo de 7 gols: Vasco 6 x 1 Seleção de Cordeiro-RJ. Estava escrito que, algum dia, Mané Garrincha vestiria a jaqueta cruzmaltina.
Esta história começa em 1947, quando um tio do Mané – Manoel Francisco dos Santos – com quem ele se sentia mais a vontade do que seu alagoano pai, pediu ao amigo Franciso dos Santos Ferreira, o Gradim, treinador do Vasco da Gama, para experimentar o seu sobrinho, que andava perto de fazer 15 anos. Mas o garoto viu tantos outros com o seu mesmo sonho, esperando pela vez de rolar a bola, que terminou não tendo paciência para esperar. Desistiu e foi embora.
Quatro anos se passaram. Então, Manoel dos Santos, nascido em 18 de outubro de 1933, resolveu voltar a São Januário, para nova tentativa. Só queu não levou assuas chuteiras. Como o clube não tinha pares sobarndo e, muito menos, ninguém dos que estasvam por ali, novamente, falhou a tentativa de ele entrar para a Turma da Colina.
Em Cordeiro-RJ, o 'Mané'
disputou o seu seu úinco jogo vascaino 
Veio, então, a temprada de 1967, e Garrincha não conseguira repetir, pelo Corinthians, o futebol que o fizera o maior ponta-direita da histórai do futeboo: apenas dois gols em 13 jogos. Já era final de carreira, e o clube paulista o cedeu ao Vasco. Em São Januário, o Mané só treinava. Um dia, então, o zagueiro Brito, o capitão do time, liderou a rapaziada e pediu aos cartolas para definirem o futuro do “Demônio das Pernas Tortas”.
Valeu o pedido. Arrumaram a situação do craque e marcaram a estreia de Garrincha para o jogo contra o Bangu, pela Taça Guanabara-1967. Mas não rolou. Antes, haveria um amistoso, contra a seleção municipal de Cordeiro-RJ, e ele foi incluído no grupo da partida, mesmo tendo se machucado no treino da véspera. Jogando no sacrifício. Mane agravou a contusão e por ali terminou a sua aventura vascaína, que se reuniu ao 90 minutos e ao gol marcado, cobrando falta, diante do time de Cordeiro. Pelomenos, por um jogo, Garrincha vestiu a camisa do Vasco da Gama, como já haviam feito Domingos da Guia, Fausto dos Santos, Leônidas da Silva, Zizinho e Pelé. O jogo em que Garrincha foi cruzmaltino homenageou João Beliene, o então único sócio fundador do Vasco ainda vivo. Pela cota de NCr$ 600,00, o clube enviou a Cordeiro um time mesclando reservas, como goleiro Edson Borracha e o atacante Bianchni, que já haviam passado pela Seleção Braileira, juvenis e jogadores que vinham sendo testados pelo técnico Gentil Cardoso. Confir a ficha técnica.
20.07.1967 - Vasco 6 x 1 Seleção de Cordeiro-RJ. Local: Cordeiro (RJ). Juiz: Vander Carvalho. Renda: NCr$ 2. mil 727 novos cruzeiros e 25 centavos. Gols: Bianchini, aos 15, aos 18 e aos 35, e Zezinho, aos 21 min do 1º tempo; Milano (Cor), aos 10; Garrincha , aos 20, e Valfrido, aos 35 minutos do 2º tempo. Vasco: Édson Borracha (Celso); Djalma, Ivan (Joel), Álvaro e Almir; Paulo Dias e Ésio; Garrincha, Bianchini (Sílvio), Zezinho (Valfrido) e Okada (William). Técnico: Gentil Cardoso. (fotos enviadas pelo ex-goleiro vascaíno e atual bloqueiro Valdir Appel). 

                                               21 DE JULHO 

Maracanã, palco predileto do “Rei Pelé”. Foi nele o seu último duelo contra o Vasco da Gama, gramado que gostava porque jogava em um time muito ofensivo, cuja patota queria um campo bem grande, que provocasse a explosão de toda a sua adrenalina.
No "Maraca”, Pelé começou a ganhar o primeiro título de sua carreira, pelo Combinado Vasco-Santos, em 1957; estreou na Seleção Brasileira, já mandando bola no filó, no mesmo ano; criou a pintura do “gol de placa”, em 1961; chegou ao milésimo gol, em 1969, e se despediu do time canarinho, em 1971, sem falar de muitas outras diabruras que aprontou. O seu último gol naquele gramado foi, também, em sua última partida por ali. Contra o Vasco. Vamos para o parágrafo abaixo.

CRUZMATINO, EM 1957
VASCO 2 X 1 SANTOS -  Corria o 21 de julho de 1974 e o adversário e a batalha valia pela fase final do Campeonato Brasileiro. Pelé deu esperanças de vitória à sua patota, igualando o placar, aos 30 minutos do segundo tempo – aos 15 da primeira etapa, Luís Carlos Lemos havia aberto o placar. Mas, faltando duas voltas do ponteiro do relógio do juiz gaúcho Agomar Martins para o final da pugna, o garoto Roberto Dinamite desempatou, para os cruzmaltinos, em um belíssimo tento que mereceu elogios do “despedinte”.
Pelé disputou a sua última partida no Maracanã diante de 97.696 desportistas, que pagaram Cr$ 1.168.789,00. A bola que ele mandou à rede teve aquele endereço pela 1.214ª vez, em 1.242 compromissos. Coincidentemente, o seu comandante em seu último jogo no Maracanã era Tim, o treinador que tentou levá-lo para o Bangu, quando ele tinha 15 anos e defendia o Baquinho, de Bauru. Treinado por Mário Travaglini, o time cruzmaltino ganhou do “Rei" contando com: Andrada; Fidélis, Joel Santana, Miguel e Alfinete; Alcir, Zanata e Peres; Luís Carlos, Roberto Dinamite e Jaílson (Jorginho Carvoeiro). A “Turma do Rei” era: Carlos; Hermes, Vicente, Bianchi (Oberdan) e Zé Carlos; Clodoaldo e Brecha; Fernandinho, Nenê (Cláudio Adão) e Pelé e Mazinho. (Foto reproduzida da revista "Grandes Clubes"). Agradecimento.


                                          HISTÓRIA DE UM GRANDE DUELO


O Vasco encarou Pelé por 20 vezes, entre 1957 e 1974. E igualou a “guerra”, rolando oito vitórias de cada lado, além de quatro empates. A primeira batalha foi em 1957, durante a “Semana Alvinegra”, promovida pelo Santos, para comemorar o seu 45º aniversário, como bicampeão paulista (1955/56). De sua parte, o “Time da Colina” era o campeão carioca (1956).
No primeiro Vasco x Pelé, em 7 de abril de 1957, na Vila Belmiro, e o Peixe mandou 4 x 2 e o garoto santista nem era titular ainda. Fazia a sua 15º partida no time A santista. Depois daquilo, muitas histórias viriam, como as que leremos abaixo.
Torneio Rio-São Paulo de 1959 - O Vasco liderava e só uma escorregada diante do Peixe, no último jogo, lhe tiraria o bi. Pelé esteve infernal, fez um gol e levou seu time aos 3 x 0, tomando o caneco da “Turma da Colina”.
Torneio Rio-São Paulo de 1963 - O “Time da Colina” encarava Pelé no Maracanã, e o vencia, por 2 a 0. A dupla de “xerifões” vascaínos, formada por Brito e Fontana, resolveu tirar um sarro no “Camisa 10”. Quando a bola saía, um deles a chutava, para mais longe, aproveitando que, naquela época, não havia tantos gandulas. E sacaneavam: ‘É, crioulo, nessa não dá mais”. Pra chatear mais, indagavam: “Cadê o Rei?” Faltando dois minutos para o final da partida, Pelé empatou a pugna: 2 x 2. Aí, pegou a bola, chegou pra Fontana, entregou-lhe a bola e sugeriu-lhe: “Leve para a senhora sua mãe. Diga que foi presente do Rei”.
Torneio Roberto Gomes Pedrosa-1969 (Taça de Prata) - No dia 19 de novembro de 1969, o mundo parou para ver or milésimo gol de Pelé. Justamente, contra o Vasco. Houve um pênalti, muito constestado pelo zagueiro Fernando, que jura não ter nem tocado no “Camisa 10”, e este foi para a cobrança. O goleiro vascaíno Andrada, até então, fechava o gol, pois não queria ver a trma lhe chamando de “Arqueiro do Rei”. Ele até tocou na bola, durante a batida da falta. Mas não deu. Naquele noite, até a segunda viagem do homem à Lua passou despercebida diante de um acontecimento tão grandioso aqui na Terra.

Campeonato Brasileiro-1973 - Pelé vai ao Maracanã encarar o Vasco. Seria a primeira vez em que o maior ídolo do Santos estaria frente a frente com o futuro maior ídolo cruzmaltino, Roberto Dinamite. Muitos achavam que o “Garoto da Colina”, aos 19 anos, se intimidaria diante do “Rei”. Porém, aos 34 minutos, o lateral vascaíno Paulo César cruzou, na medida, para Roberto ganhar de Carlos Alberto Torres, na corrida, e emendar, de num sem-pulo , par a rede, indefensável. Pelé foi cumprimentá-lo, após o jogo, e declarou: “Foi o gol mais bonito que eu vi neste Brasileiro. Se este garoto for bem trabalhado, será um craque”. Proféticas palavras: Roberto Dinamite se tornaria o maior artilheiro da história do Vasco, com mais de 700 gols em mais de mil jogos com a jaqueta vascaína. (foto reproduzida de www.osgigantesdacolina.blogspot.com). Agradecimentos

sexta-feira, 20 de julho de 2012

O VENNO DO ESCORPIÃO - A AEROMOÇA QUE CAIU DO CÉU E PERDEU O EMPREGO

Você já imaginou estar trabalhando a mais de 10 mil metros de altura, sofrer um acidente, despencar rumo ao chão, fraturar crânio, vértebras, pélvis, costelas, pernas, passar dez dias em coma e, depois, ser demitida do emprego?

Pois aconteceu: com Vesna Vulovic, única sobrevivente de um voo da Yugoslav Airlines que levava 28 passageiros (e tripulantes) e explodiu sobre montanha da antiga Tchecoseslováquia


https://www.novabbe.com/vesna-vulovic


 Era o dia em 26 de janeiro de 1972 e Vesna, de 22 de idade, durante a explosão, ficou presa na parte de trás do avião pelo carrinho que as aeromoças servem comidas e bebidas. Contou com a sorte de a sua queda ter sido amortecida por árvores e neve, e um lenhador (Bruno Honke) de aldeia (de Srbská Kamenice) ouvir os gritos dela no escuro.

  Nunca se explicou o que teria acontecido com avião (DC-9) iugoslavo. As caixas pretas jamais apareceram e ninguém foi preso, mesmo se dizendo que houvera sido atentado a bomba praticado por nacionalistas croatas, que teriam colocado explosivos no aparelho durante a escala em Copenhague, na Dinamarca.

Vesna ficou, temporariamente, paraplégica; Quando se recuperou, perdeu a vaga de aeromoça e foi lotada como balconista de check-in em aeroporto. Por ali, com Slobodan Milosevic (foto) reduzindo a autonomia dos territórios sob controle sérvio e desintegrando a Iugoslávia estava aberto o caminho para uma guerra civil. 

 Em 1990, Vesna Vulovic se cansou de ser apenas uma balconistas de empresa aérea. Se juntou a grupos descontentes com Milosevic e partiu para a militância política. Escapou de ser presa, mas foi demitida do emprego. Pelas duas décadas seguintes, seguiu lutando contra os nacionalistas croatas.  

Reprodução de capa de livro

Quanto a Milosevic, que a fez perder o emprego, após presidir a Sévia (1989 a 1997) e a República Fedral da Iugoslávias (1997 a 2000), ao ser derrubado do poder, foi acusado, pelo Tribunal Penal Internacional, por crimes de guerra, contra a humanidade e genocídio na Bósnia, Croácia e Kosovo. Preso e enviado para a Holanda (sede do tribunal), para ser julgado, passou cinco viradas de calendário atrás das grades da Prisão de Criminosos de Guerra, em Haia, e, por lá, o seu coração cruel parou de bater. De sua parte, Vesna durou até dezembro de 2016, quando vivia sozinha, em Belgrado (atual capital da Sérvia), na companhia de três gatos.


Publicado pelo Jornal de Brasília de 16.03.2025 e trazido para cá pelo Túnel do Tempo


https://jornaldebrasilia.com.br/noticias/politica-e-poder/a-aeromoca-que-caiu-do-ceu/

quinta-feira, 19 de julho de 2012

HISTÓRIAS DO KIKE - ESPORTIVO PEDRÃO

             

Desde o Segundo Império (1840 a 1889), nos chegavam da Europa teorias sobre a higienização corporal. Por ali, o brasileiro era tido por vindo de séculos de inércia e preguiça. Bom  motivo para os primeiros tempos da República virem acompanhados por  propostas incluindo melhorias dos nossos meios de alimentação e de moradia, reforçada por ventos já assoprados na década-1830 e que cobrava tornar a Educação Física obrigatória nas escolas primária e secundária da então Corte dos Orleans e Bragança.

Grande sacada! Mas ela só chegou à Câmara dos Deputados em 1879, para receber parecer favorável do que seria, hoje, o relator da peça (Ruy Barbosa), em 1882. Gente de peso, como o Barão do Rio Branco, apoiava tais ideias europeias e levava os filhos para caminhadas diárias, colocadas na conta da ginástica para desenvolvimento do físico.

Mas, até o final do século 19, a Educação Física ainda era vista de "revestré" pela maioria da  população "brazuca", incomodando médicos que gostariam de vê-la levada às crianças, principalmente. Quem publicava algo sobre o tema o anunciava por revistas esportivas, recomendando a professores e pais que ajudassem a “formar uma nação sadia e forte”.  Não dava, no entanto, para ser propagada em grandes proporções, pois revistas esportivas na Corte só havia sobre o turfe, que fez nascer a 'Vida Sportiva' e 'O Sport', entre outros que só viam corridas de cavalo por esporte - "com torcedores torcendo só pelo seu dinheiro apostado".

  No meio do rolo,  os poucos clubes ginásticos que apareciam no Rio de Janeiro, na verdade, eram, fachada para tentar enganar a polícia sobre jogos proibidos. Por volta de 1894, as publicações turfísticas passaram a noticiar esportes que pediam passagem, como o jogo da pelota, o remo e as corridas a pé, e o crescimento deles levou círculos letrados, como o frequentado pelo poeta Olavo Bilac, em 1907, a saudar os exercícios físicos, vendo-os caminhos para  nos salvar da degeneração física.

 A leitura avançada da história da prática física e desportiva por aqui leva a crer que o "primeiro desportista brasileiro" foi um português: Dom Pedro I. Nascido no 12 de outubro de 1798, ele foi criado pela ralé de aias e amas de leite, além de preceptores  e mestres do Palácio de Queluz, e pela avó louca, Dona Maria I. Medindo entre 1m64cm a 1m67cm, Dom Pedro exibia tórax e ombro largos, braço fortes e mãos grandes. Gostava de nadar nas praias cariocas, para exercitar o corpo e, também, por recomendação médica,

 Não ficava só pela natação a "desportividade e a exercitividade" do Pedro I. Ele praticava, ainda, escaladas de montanhas (percussor do alpinismo brazuca) e cavalgadas. Era cavaleiro tão intrépido e ousado que, pelas suas contas, chegara a levar 36 tombos dos cavalos. Mais: foi o percussor dos nossos pilotos de velocidade, saindo à todas pelas ruas do Rio de Janeiro,  pilotando carruagens a quatro cavalos. Por causa dessa sua hiperatividade, a sua mulher, a Princesa Leopoldina, beliscou, também, a inclusão do seu nome na história desportiva brazuca, como primeira amazona e caçadora desportiva. 

Quem diria! Dom Pedro I, o nosso primeiro desportista! - quando se atirava aos mares cariocas, nadava nu.

         

quarta-feira, 18 de julho de 2012

BAIXINININS NA ESQUINA DA COLINA

Geovani foi o baixinho que mais cresceu. A revista Placar" o
considerou "o cara" de uma temporada, o que foi destacado,
também, pelo grande importante www.netvasco.com.br
 O Vasco da Gama iniciou a temporada-1982 com uma fato que os malandros apelidaram por "Branca de Neve e os Sete Anões": contava com um atacante alto, como referência na área, cercado por baixinhos por todos os lados.
A "Branca de Neve" seria o artilheiro Roberto Dinamite, medindo 1m84 centímetros de altura ideal para brigar com os zagueirões de Flamengo, Fluminense e Botafogo, todos com mais de 1m80cm.
Já os sete anões seriam o meia Arthurzinho, de 1m62cm; o ponteiro-direito Mauricinho, de 1m63cm; o atante Marquinho, de 1m68cm, e os volantes Pires e Geovane, ambos medindo 1m69cm, a mesma estatura do atacante Mário e do lateral-esquerdo Aírton.
 Mas não ficava só nisso. Também, o treinador Edu Coimbra, que fora atleta vascaíno, na década-1970, figurava no time dos baixinhos, com 1m63cm. Ainda bem que altura não era documento no futebol brasileiro de antigamente, quando havia muitos craques.
 Tanto que o baixinho Arthurzinho fora o segundo artilheiro do Campeonato Carioca-1983, marcando 18 gols, só quatro a menos do que o principal "matador", o americano Luisinho Lemos.
Dos  sete "anões" da Colina que ainda poderiam ganhar alguns centímetros, só havia Geovane, de 19 de idade. 

terça-feira, 17 de julho de 2012

HISTÓRIAS DO KIKE - TABELINHA DE CUNHADOS NO ATAQUE DO SANTOS

     David é o primeiro agachado e Pelé o último, reproduzidos da revista Manchete

 

Já houve tempos em que o futebol brasileiro tinha Rei e Príncipe. Evidentemente, o soberano dos gramados era o Pelé, e não se discutia. Já o Príncipe não passava de uma caçoada. Tendo em vista que o atacante David, do gaúcho Internacional, de Porto Alegre, namorava (pretendia se casar) com a Vera Lúcia, única irmã do Rei do Futebol, os colegas de clube lhe arrumaram, rápido, um apelido bem malandrinho.

 O Rei e o Príncipe eram familiares longe da bola, por conta do meio-de-campo armado por Cupido, mas nunca haviam reinado juntos durante uma contenda dentro das quatro linhas. Por aquela época, a década-1960, o meia-atacante Pelé defendia o paulista Santos, enquanto o ponta-direita David já havia ciganado um pouco. Após surgir no peladeiro Lá Peninha, de Campinas-SP, assinou contrato como profissional com o também paulista do XV de Novembro, de Jaú. Em seguida, passou pelo Noroeste, de Bauru, e a Ferroviária, de Araraquara, onde destacou-se  do lado de feras como Bazzani (futuro Corinthians), Parada (futuro Botafogo) e Peixinho (futuro Santos).  Em 1964, chegou à Seleção Paulista de Novos e foi levado pelo Corinthians, pelo qual disputou o Torneio Rio-São Paulo-1964 (maior competição do futebol brasileiro da época). Mas, como os alvinegros paulistanos estavam de olho no grande goleador Flávio Almeida Fonseca, do Internacional, não mediram esforços para tê-lo e, no rolo da contratação, os gaúchos levaram o cunhado do Rei. David, então, tornou-se um ex-corintiano, após 54 jogos e nove gols marcados. 

 Deixar o futebol paulista (um dos grandes sonhos, juntamente com o carioca, de todo jogador), poderia não ser uma boa para David. No entanto, ajudou-o a fazer uma boa arrumada de bolso para o casamento com a irmã do Rei. Embolsou Cr$ 6 milhões de cruzeiros, de luvas (graninha que era uma espécie de FGTS) e salário de Cr$ 400 mil mensais, além de casa, comida e roupa lavada. Um bom contrato, para a época. 

 Mais do que o bom negócio, David teve a chance que poderia demorar muito caso continuasse no Corinthians: vestir a camisa da Seleção Brasileira. Em 1966, preparando o time canarinho para a Copa do Mundo da Inglaterra, a então Confederação Brasileira de Desportos (futura CBF) mandou a seleção gaúcha representa-la na disputa da Taça O´Higgins, contra o Chile. E ele viajou titular e voltou campeão. Entre 1967 e 1969, esteve no Cruzeiro-MG e no Grêmio-RS.

 Veio, então, a década-1970. E, pelo início dela, o Santos reuniu o Rei e Príncipe, em seu ataque (foto). David passou duas temporadas jogando junto com o Pelé, do qual afirmava aos repórteres “não ser um sujeito mascarado (gíria antiga para esnobes), mas um sujeito legal, um exemplo para jogadores de todo o mundo”.

 Nascido na paulista Campinas, em 14 de junho de 1944, David Bendito Magalhães, depois do Santos, ainda jogou, entre 1972 e 1976, pelo Londrina-PR, Vitória-BA, e os paulistas  Portuguesa Santista, São Bento, Saad, São Caetano e Primavera, de Indaiatuba, pendurando as chuteira aos 38 nos costados. Casado, com Maria Lúcia Nascimento Magalhães, o Príncipe gerou Daniele, Débora a João Paulo e, fora dos gramados, passou a trabalhar nas empresas do Rei – OBS: na foto, David é está agachado à esquerda e Pelé à direita.


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