Vasco

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terça-feira, 7 de julho de 2020

HISTÓRIAS DO FUTEBOL BRASILIENSE. GAMA ESTACIONOU EM CIMA DO MURO

Quando esteve na elite do futebol brasileiro, o time do Gama conquistou empate com sabor vitória e amargou um com gosto de derrota. Casos de duas igualdades, ambas por 2 x 2, com o Palmeiras, fora de casa, em 2002 e o Vasco da Gama, em 2007, diante de sua torcida, aqui em Brasília.

Contra os palmeirenses, o prélio rolou no antigo estádio do clube paulistano, o Parque Antártica, já demolido – agora é o moderno Alianz Parque, o naming rights da casa, na Avenidas Francisco Matarazzo, na capital paulista. Era o feriadão do 7 de setembro de 2002, valia pelo Campeonato Brasileiro e o Periquitão levou gol, com cinco minutos de peleja, em jogada saída de cruzamento de bola, da esquerda, para a área candanga - Zinho (Crisan César de Oliveira Filho ) foi o autor do tento. Com a rápida vantagem, o Palmeiras aproveitou-se do nervosismo gamense e voltou a bater na rede, aos 21 minutos, por intermédio de Dodô (Ricardo Lucas Figueiredo Monte Raso). O Gama, porém, não se entregou. Melhorou a sua marcação e diminuiu a vantagem do anfitrião, aos 41 minutos, por conta do artilheiro Dimba (Editácio Vieira de Andrade). 

                          REPRODUÇÃO DO JORNAL DE BRASÍLIA


 Veio o segundo tempo e o Gama encarou o dono da casa, jogando de cara fechada. E reclamou muito de dois pênaltis que lhe teriam sido negados pelo árbitro Edílson Soares da Silva-RJ. Mesmo assim, não desanimou. A cinco minutos do final da pugna, Dimba voltou a marcar, fechando o placar em 2 x 2 que a torcida gamense considerou ”heroicos, contra o dono da casa e o juiz”.

Treinado por Hélio dos Anjos, o Gama do dia teve: Pitarelli; Valdir (Marquinhos), Vinicius, Jairo e Rochinha; Deda, Nen (Rafael), Jackson e Lindomar (Romualdo); Paulo Nunes e Dimba (foto). O Palmeiras, do treinador Levir Culpi, alinhou: Marcos; Arce, Thiago Mathias, Alexandre e Rubens; Cardoso, Paulo Assunção, Fabiano Eller, Leonardo e Zinho; Dodô (Muñoz) e Nenê. Detalhe: 1 - até aquela rodada do Brasileirão, o Gama havia marcado sete gols, dos quais cinco haviam sido assinalados por Dimba; 2 – o Gama saiu de campo contabilizando duas vitórias e dois empates com o Palmeiras, em Brasileiros.

Na partida contra o Vasco da Gama, em 21 de março de 2007, o time alviverde era o mandante, jogando no velho e demolido Mané Garrincha. O jogo foi muito badalado porque o atacante Romário dizia lhe faltar apenas um gol para atingir mil bolas na rede. Mesmo assim, ele ficou na reserva, por já ser veteraníssimo, precisar de resguardos. Sem dar ouvidos às fanfarronices do atacante vascaíno, cujo número de gols não batia com a contagem  da revista Placar, a principal esportiva do país, o Gama foi pra cima do visitante e abriu o placar, aos seis minutos, por meio de Valdeir. Passados mais dez minutos, foi a vez de Neto Potiguar também machucar e afogar o Almirante. Com aquilo, a torcida gamense começou a tirar um sarro com a cara de Romário, que respondeu acertando uma bola na trave.

Com Gama 2 x 0, até os 32 minutos do segundo tempo, a maioria dos 29.420 pagantes que os gamenses diziam serem deles, começaram a comemorar o que viram por “vitória antecipada”. Pena que cochilaram Aos 33, o zagueiro vascaíno Fábio Braz aproveitou-se de um desligamento no galho da zaga do alviverde candango e reduziu a diferença: 1 x 2. Ainda estava bom para a galera gamense. Mas, aos 45 minutos, o Vasco tirou o doce do bico Periquitão, com Bruno Meneghel, deixando a pugna em cima do muro: 2 x 2.             

O Gama chorou aquela por causa de: Juninho; Caio, Denis e Cleber Carioca; Márcio Goiano (Flávio Mineiro), Ricardo Araújo, Marcelo Uberaba, Valdeir e Rodrigo Ninja: Neto Potiguar (Índio) e André Borges (Jurandir), treinador por Gílson Kleina. O Vasco, do treinador Renato Gaúcho Portaluppi,  foi: Cássio; Thiago Maciel, Fábio Braz, Jorge Luiz e Sandro (Rubens Júnior); Amaral, Coutinho (Bruno Meneghel), Abedi e Renato; Marcelinho (Romário) e André Dias.                                                                                         

        


HUMBERTO, O INIMIGO Nº 1 DO FLAMENGO


Se há – ou já houve – um atleta do futebol vascaíno com tanta antipatia pelo Flamengo, este assina por Humberto Martins Barbosa. Tudo por conta de uma sacanagem, como contou à Revista do Esporte. Segundo ele, dirigentes rubro-negros prometeram-lhe incluir em uma excursão à Europa, para ele poder matar o grande desejo de visitar um seu avô, em Portugal. Isso, em troca de aceitar não viajar com uma seleção amadora brazuca que iria a Chicago,nos Estados Unidos, o que foi negociado com o comando da equipe.
 Como os cartolas flamenguistas nada cumpriram, Humberto ficou, profundamente aborrecido. Ele era amador e tinha contrato, como profissional, que o Flamengo o deixar na gaveta, sem registra-lo. Então, valeu-se da brecha e acertou-se com o seu “clube de coração, desde menino”, o Vasco da Gama, como contou à revista semanária carioca.
- Eu era tão vascaíno que, quando garoto, pelo Natal, entre os meus presentes estava, sempre, uma camisas vascaína, contou à RE.
 Humberto até teria razões pra aliviar o ódio ao Flamengo. Afinal, pelo clube que o acolhera, em 1955, havia sido bicampeão carioca infanto-juvenil-1956/1957, além de representa-lo durante o segundo Campeonato Sul-Americano de Amadores-1958, no Chile, quando voltou com a medalha de bronze. (detalhes mais abaixo).
Humberto reproduzido da Revista do Esporte
  Humberto, porém,  preferiu tentar a sorte jogando pelo time de aspirantes do Vasco da Gama, o qual ajudou a ser campeão estadual da categoria, em 1960. 
  Com 1m69cm  de altura, ele tinha  dificuldade em disputas aéreas, também, por pesar só 59 quilos. Os rubro-negros, pelos motivos citados acima, era clube que ele mais gostava de vencer:
- Contra o Flamengo, procuro dobrar os meus esforços, revelou à mesma RE.
Humberto concluiu o antigo curso ginasial, em 1957, no Ginásio Central do Brasil, no bairro do Meier. Quando falou à RE, namorava a Neuza, que a chamava por Neuzinha, torcedora que não perdia um jogo do Almirante. Ele foi lançado no time principal vascaíno pelo antigo xerifão Ely do Amparo, das décadas-1940/1950.    
BRONZEADOS - goleiros: Márcio (Flu) e Milton (América); Zagueiros: Hércules (Flu), Geraldo Munhoz (Flu), Marinho (Fla) e Djalma Dias (América); Meias: Paulistinha (Botaf), Joel Pinheiro (Vasco), Paulo Soares (Bangu), Zé Carlos Moraes (Botaf); Roberto Passos (Fla), Humberto Martins Barbosa (Fla), China (Botaf); Manoelzinho (Fla), Hélio Oliveira (Bonsuc), Jorginho Quaresma (Botaf), Décio Viana (Botaf) e Aloísio Pinheiro (Bang).
Com este grupo, o treinador Newton Alves Cardoso montou uma seleção carioca juvenil e a Confederação Brasileira de Futebol-CBD mandou-o ao Chile disputar o segundo Campeonato Sul-Americano de Amadores-1958.
 A garotada até que não fez feio. Venceu a Argentina (1 x 0) e goleou a Venezuela (4 x 0). Empatou com o Uruguai (2 x 2) e os anfitriões chilenos (2 x 2). Mas uma escorregada diante do Peru (1 x 2), deixou a patota com a medalha de bronze, ficando a prata com os eternos rivais argentinos, por dois gols a mais de saldo (6 x 4) – os uruguaios (7 x 6 pontos, um a mis do que argentinos e brasileiros), levou o ouro, mas com mesmo saldo de gols  brazucas.
O torneio, promovido pela Confederação Sul-Americana de Futebol, teve bola rolando, entre 13 de março a dois de abril, em gramados de Valparaíso e de Santiago. 

segunda-feira, 6 de julho de 2020

SABARÁ NÃO COLOU NA PONTA-ESQUERDA

Sabará sempre foi ponta-direita do Vasco da Gama. E foi por tal posição que chegou à Seleção Brasileira. Um dia, no entanto, ele apareceu no gramado do Macanã escalado como ponta-esquerda, para enfrentar o Fluminense. E não foi uma invenção do treinador argentino Abel Picabéa.
 Era a tarde de 10 de dezembro e 1960, com público de 57.102 pagantes. O ponteiro-esquerdo titular do time vascaíno era Pinga que, por sinal, vivia boa fase e terminou a corrida dos artilheiros, com 12 gols, em terceiro lugar. Sabará, no entanto, cedeu a sua camisa 7 para Vanderlei, com a formação ficando: Ita, Paulinho de Almeida, Bellini e Barbosinha; Écio e Orlando Peçanha; Vanderlei, Delém, Pinga, Waldemar e Sabará.
Além de Sabará ter que ser ponta-esquerda, o Vasco do dia marcou um gol contra, por Orlando, e caiu no placar, por 0 x 1. Quanto ao Vanderlei que utou a camisa 7 de Sabará, este viveu entre 3 de junho de 1938 a 5 de março deste 2020. Esteve vascaíno entre 1960 a 1961, partindo, em seguida, paras o futebol espanhol, tendo ficado, de 1962 a 1967, por 107 jogos e 48 gols pelo Levante; de 1967 a 1970, no Málaga, por 652 jogos e 23 tentos: e de 1979 a 1972 no Hércules, por mais 11 jogos. 
 Nascido em Niterói, Wanderley Machado da Silva era irmão de Waldo (escrevia-se Valdo), o maior goleador da história do Fluminense, mas, diferente do mano, não conseguiu ser titular na Colina, pois o ataque do Almirante tinha Sabará, Wílson Moreira, Delém, Valdemar e Pinga que, dificilmente, seriam preteridos pelos treinadores. 
Wanderley, que aparece muito escrito Vanderlei, na reportagens daqueles inícios de década, tinha que esperar, no banco dos reservas, pela chance entrar na partidas. Quando deixou o Vasco, ele iria defender o Elche, mas terminou entrando para a história do Levante, o qual conseguiu chegar à Série A do futebol espanhol, em 1963.   


HISTORI&LENDAS DA COLINA - SABARENSES

1 - A turma das sacanagem pegava no pé do ponta-direita Sabará, dizendo que ele era bom de chuteiras, mas não muito de usar a cabeça. Maldade! No sábado 10 de setembro de 1960, pelo Campeonato Carioca, o glorioso Onophre de Souza marcou um gol de cuca na pelota. Aos 24 minutos do prélio Vasco 3 x 0 Bonsucesso.                  
                               ONOPHRE USOU A CABEÇA E O "P" EM LUGAR DO "F" 
 2 - Nada mais consagrador para um vascaíno do que mandar goleiro flamenguista buscar bola no fundo da rede. Para Roberto Dinamite, foi "trilegal" (como falam os gaúchos). Ele fez isso, por três vezes, em  Vasco 4 X 2 Flamengo, no 7 de setembro 1979,  no Maracanã, diante de 67.798 pagantes.
                                              MATOU URUBU COM DINAMITE 
3 - No 4 de setembro de 1932, o Vasco foi impiedoso: 5 X 1 Fluminense. Com Orlando Rosa Pinto marcando três gols, a rapaziada devolveu o mesmo placar de 22 de novembro de 1925, pelo Estadual, quando os vascaínos disputavam a quarta temporada na elite. Mas o "Almirante" já havia feito pior: em 9 de dezembro de 1930, mandara 6 x 0, pelo Estadual, o maior pancadão cruzmaltino em cima dos tricolores. 
                                 NÃO FEZ MAIS DO QUE A SUA OBRIGAÇÃO 
4 - O Fluminense foi o campeão carioca-1951, mas o Vasco carimbou legal a sua faixa: 4 X 2 no 9 do 9, dominicalmente, no "Maraca", diante de 87.019 pagantes. Naquela temporada, os vascaínos fizeram campanha fraca, saindo da temporada estadual em quinto lugar.
                        MAS NÃO PERDEU A CHANCE DE SACANEAR O RIVAL    
 5 - Em 6 de setembro de 1988, o Vasco mandou 2 x 0 Cruzeiro, marcando os seus gols no último do primeiro e do segundo tempos, respectivamente. Sorato e Nélson foram os autores do inusitado que valeu pela primeira fase do Campeonato Brasileiro, em São Januário. O técnico era o "delegado"Antônio Lopes. 
                                 O VASCO DEVE TER PRENDIDO MUITO A BOLA
                       6 - Nos  7 de setembro, o Vasco venceu cinco jogos em que a moçada foi muito econômica no placar: 1 x 0 América-RJ, em 1957; 1 X 0 Palmeiras, em 1971; 1 X 0 São Cristóvão, em 1977;  1 x 0 Cruzeiro, em 1989, e 1 X 0 Coritiba, em 2002.
              APLICOU OS GOLS NA CADERNETA DE POUPANÇA

domingo, 5 de julho de 2020

DEUSES NO CREPUSCULAR DA COLINA

A revista “O Cruzeiro”, a principal do país, entre 1928 e a década-1960, jogava pra cima os grandes lances do futebol, mas, também, batia firme. Caso do começo do fim do “Expresso da Vitória”, o grande time do Vasco da Gama, um dos mais fortes do planeta, de 1945 a 1950.
  Por ter feito uma campanha fraca durante o Campeonato Carioca-1951 – sete quedas, quatro empates, nove vitórias, 36 gols pró, 29 contra, 22 pontos ganhos e 18 perdidos -  o “Almirante” levou uma tremenda porretada, por três páginas, com bastante fotos (por Douglas Alexandre) e a manchete: “O  crespúsculo dos deuses”.
 Para a semanária, muitos atletas vascaínos  galgaram, rapidamente, os degraus da fama, “parecendo terem subido demasiadamente alto”. Razão de não perdoa-los pela perda, em 1951, de mais pontos do que no total dos três campeonatos anteriores. Viu o Vasco da fase sendo um amontoado de jogadores desmoralizados, após tê-los como “uma casta no futebol brasileiro, obrigatórios nas seleções cariocas e nacional”.
 Realmente, para um time que ganhara quatro Estaduais – 1945/47/49/50 -; três Municipais – 1945/46/47 -; dois Torneios Inícios – 1945/48 -; um Torneio Relâmpago – 1946 – e o Sul-Americano de Clubes Campeões – 1948 –, era de espantar e de desmerecer a alcunha de “esquadrão quase imbatível”, como cunhou o redator Luiz Carlos Barreto, lembrando ter a “Turma da Colina” passado cinco rodadas sem vencer, “com os mesmos categorizados jogadores das brilhantes campanhas” citadas acima.

 O Campeonato Carioca-1951 terminou com o Vasco da Gama em quinto lugar, a nove pontos da ponta, marcando 15 gols a menos e sofrendo sete a mais do que o ponteiro. Segundo o texto, o pé quebrado do “magnifico jogador” Ademir Menezes não era desculpa aceitável. Via a queda começando pela saída do treinador Flávio Costa, bicampeão carioca-1949/50.
 “O Cruzeiro” viu, também, o Vasco pós-Flávio repleto de atletas “balofos e fora de forma”, pisando na bola do Torneio Rio-São Paulo e avisando à torcida que não contasse com eles para muito, como nas “discretas atuações” na Copa Rio, que a imprensa carioca dizia ser um mundial de clubes campeões. Mais: criticou a diretoria por submeter o grupo a uma excursão “caça-níquel e suicida” a Pernambuco, onde Ademir ficou machucado.
 Nesse ponto, a revista tinha razão, pois o maior cítico da diretoria era o treinador Oto Glória, que acusava os cartolas deixarem a equipe entregue à própria sorte, provocando “fatos inacreditáveis”, em São Januário, o que revelara ter Flávio Costa previsto.
  “Desempenhei não só o cargo de treinador das três categorias – juvenil, aspirante e profissionais -, mas trabalhei, também, muitas vezes, como massagista, motorista da camioneta que transportava os jogadores e zelador da concentração, entre outros”, citou,  criticando o Departamento Técnico por até “esquecer dos dias dos jogos e não tomar providências para o mínimo necessário”.
 Declarações assim faziam bem o estilo de “O Cruzeiro”. Principalmente, porque Oto Glória escancarou que os cartolas vascaínos chegaram a concentrar a equipe em hotel (da Lapa) frequentado por prostitutas, defronte oficina de jornal que não deixava ninguém dormir, e pagavam, em vitórias, bichos que nem “cabeças-de-bagre” ficavam satisfeitos. Portanto, na bola foríssima do Vasco, golaço da revista.