Vasco

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domingo, 31 de outubro de 2021

REVISTA DO KIKE - Nº 31 - O CHOCOLATE

  Não havia jogador mais habilidoso e veloz do que Aldemário na Liga de Futebol de Anandera. Bola lançada pra ele disputar com os beques na corrida, seguramente, era o mesmo que sair pro abraço: ganhava todas. Quando pegava de frente quem ía combatê-lo, aplicava-lhe uma quebra-de-asa, jogando o corpo para a sua direita e puxando a pelota para a esquerda, pra mandar um chutaço para as redes. 

 Em uma das tardes de domingo em que ele extrapolou na velocidade, correndo contra a marcação, ganhou o apelido de Vitório Brambilla, por conta do que fizera um piloto italiano de Fórmula-1 durante o GP que a TV mostrara pela manhã, batendo recordes de velocidade na pista de Brands Hatch, na Inglaterra. Era ele sair pra correr e a galera gritar:

-  Brambilla! Brambilla! Bramba! Bramba! – que virou BrambaBamba, promoção que incendiava as disputas ananderenses.

    A fase era boa e BrambaBamba tornou-se a figura mais popular da terra. De repente, ele apareceu meio-gordinho em um dos jogos do Vasco das Gramas, levando o português Seu Vasco Dines, criador e mantenedor do time, a se virar para arrumar uma desculpa pro súbito desleixo do seu artilheiro. Bem que o preparador físico tentou dar um jeito na coisa, matando-o durante os teinos da semana seguinte. Mas não adiantou. O BrambaBamba entrou em campo, no jogo seguinte, pesando 771 gramas acima do seu peso normal, nem tanto incondizentes com a sua altura, de 1m71cm. Mas a torcida adversária não o perdoou, gritando:

- Gordinho! Gordinho! Gordinho!

             Arte: Renato Aparecida - desenhosrosart@gmail.com

 Treinos e mais treinos vieram, ele fora exigido ao máximo para perder peso, mas não fazia as pazes com a balança. Houve rodada em que pesou até mais: 866 gramas acima do seu peso normal, de 63 quilos, levando o seu treinador a perdere a paciência e coloca-lo no banco dos reservas.

 Sem o veloz e habilidoso BrambaBamba em seu ataque, o Vasco das Gramas empatou cinco partidas consecutivas, desperdiçando 10 pontos e permitindo ao rival Fluísco ir para a decisão do Torneio da Páscoa em vantagem de gols, três a mais. Para aumentar o clima de competição, faltando dois dias para a  decisão, cartolas do adversário espalharam que o irmão (de 10 de idade) do  Bramba contara ser o artilheiro muito guloso e  passar o dia comendo chocolates. Sacanagem que asssanhou ainda mais a galera.

 Veio o dia da finalíssima do torneio, em um muito, muitão ensolarado domingão pascoaleta, como falava o Seu Vasco Sines, e os dois finalistas foram afiar os bigodes dentro das quatro linhas – sem contar, evidentemente, as meias-luas das grande áreas e as pequenas e grandes áreas. Rolava conternda duríssima. Até parecia que o caneco teria de ser carregado por disputas penaltrísticas, como brincava o apoiador vascaíno Gula, batizado e registrado por Augusto.

 Eram decorridos 40 minutos do segundo tempo, quando o treinador vascaineiro chamou o BrambaBamba pra entrer em ação. Assim que ele pintou à beira do gramado, a torcida rival soltou o grito:

- Gordinho! Gordnho! Gordo! Gordo!

Brincalhão, sempre alegre que ele era, nem ligou para as gozações dos rivais e acenou, com as duas mãos estendidas para cima, no rumo da galera que lhe apupava. Em resposta às gozações, aos 42 mintos, lançado pelo ponta-direita Tiça, acertou o travessão superior fluisquense, no dizer do seu colega e também atacante Pé-de-Ferro. Fez a torcida roer as unhas. Aos 45, em bola esticada pelo apoiador Korcino Eletricidade, ele superou os seus 874 gramas a mais naquela tarde, bateu o marcador, em velocidade, e marcou mais um golaço para o seu currículo, tirando a diferença de gols que dava vantagem ao adversário. E só deu tempo de o juizão autorizar um novo pontapé de reinício e encerrar a contenda.

 Rolavam as comemorações pelo título, quando o BrambaBamba correu para a sua torcida, pra fazer mais festa, ainda. Foi quando um torcedor lhe atirou um chocolate, que ele o despapelou e mordeu diante do fotógrafo Zé de Neco, que estampou uma fotaça no jornal do dia seguite, acompanhada pela manchete: Chocolate: 4 x 0.     

Eis os plikativos: o termo  CHOCOLATE no futebol surgiu na tarde do 25 de janeiro de 1981, quando o Vasco da Gama mandou 4 x 0 Internacional-RS, pelo Campeonato Brasileiro, no Maracanã. Goleada rolando, uma emissora de rádi começou a tocar a música “El Bodeguero”, gravada pelo cubano Richared Egües, que cantava:: “Toma chocolate/Paga lo que debes”. Na época, torcedores gostavam de assistir jogos os ouvindo por rádinhos à pilha. Depois daquele sacode vascaíno, a galera saiu do Maraca cantando a música cubana. Pegou e  goleada virou siônimo de chocolate - mais  uma contribuição vascaína ao dicionário do futebolês.

sábado, 30 de outubro de 2021

REVISTA DO KIKE - O ESTADISTA

  Seu Vasco Sines, fundador do Vasco da Gramas, time que disputava os campeonatos da Liga Ananderense de Futebol, fazia de tudo para a sua rapaziada ganhar de qualquer ser - até extraplanetário - que, por acaso, lhe aparecesse pela frente. Também, para o seu município mudar de nome, de Ananderanthera, para Anandera, como for apelidado pelo povo - mais fácil de falar -, o que suscitava debates acirrados entre os munícipes pela troca ade nomenclatura. A turma da bola, por exemplo, já nomeara a sua entidade por Liga Ananderense de Futebol, o que contara com o apoio publicitário de sua empresa de vendas de gramas para jardins - e o que mais rolasse, inclusive campos de futebol.

 De tão apaixonado que era pelo seu Vasco das Gramas, o fanático Vasco Sines criou um jornalzinho que circulava às segundas-feiras, ou depois de jogos em outros dias, divulgando as vitórias de sua rapaziada. Empates até poderiam ir para as páginas, desde que fossem com sabor de um triunfo.

Pelo final daquela temporada, com o seu Vasgrama - como ele falava, quando estava apressado na conversa -, campeão em várias modalidades e categorias, ele presenteou os seus astros com uma excursão à terrinha, como se referia a Portugal, a sua pátria. Até conseguiu estender o giro da equipe futebolistas à Moscou, enviando junto com os atletas  um repórter e uma fotógrafa para cobrir o giro europeu. Queria tudo estampado no jornal do seu time, o que parecia significar estar vendendo muitas gramas.

 Em Moscou, o seus enviados especiais de imprensa mantiveram contatos com os colegas de profissão e visitaram várias redações de jornais, revistas, rádio e TV. Em uma delas, o repórter contou que, no Brasil, era comum jornalistas serem homenageados com os seus nomes em estádios. E ouviu de um dos moscovitas:

 - Então, quando eu for à sua terra poderei ter o prazer de visitar um estádio com o seu nome.

-  Nem pensar! Pra ser nome de estádio, em meu país, o homenageado já deve ter partido dessa para uma melhor, como falavam os antigos. E eu quero me demorar mais pelo pedaço – retrucou ele que, de volta a Anandera, sofreu um acidente automobilístico que o deixou mais pra lá do que pra cá.

  ARTE: RENATO APARECIDA - DESENHOS ROSART@GMAIL.COM

O carinha entrou em estado de coma e deixou toda a comunidade esportiva municipal ananderense – ou ananderantherense – esperando que ele chegasse ao ponto final de linha. Num desses dias de expectativa pelo seu futuro, surgiu  fake news em uma emissora de rádio, dando conta de sua partida para o outro mundo. Apressadamente, sem apurar a notícia, a Liga anunciou, imediatamente, que o estádio que construía teria o nome do jornalista vascogramense –  e, assim procedeu.

 Não se sabe qual santo fora o responsável pelo milagre, mas, dias depois, o carinha saiu do coma e, aos poucos, se recuperar, totalmente. Ao saber da homenagem recebida, pediu à Liga para reconsiderar o seu ato homemageatório, por achar que aquilo poderia agourar a sua vida. Como a entidade demorava-se a atende-lo, ele recorreu à Justiça, para tirar o seu nome do estádio.

- Não quero ser estadista – justificou, supersticiosamente.


   

    

          

ÁLBUM DA COLINA - PAGINAS 2001/2002

 FOTO REPRODUZIDA WWW.NETVACO - AGRADECIMENTO

A "astra" Janete exibe a glória do título conquistado pelas meninas do basquete vascaíno durante o Campeonato Brasileiro-2001, quando decidiu contra o Atlétici-PR e o venceu, por 98 x 100; 90 x 74; 82 x 75; 83 x 85 97 x 8. Ates, havia manado 65 x 71; 79 x 57; 98 x 79 e 89 x 65 pra cima do paulista Ourinhos. Na primeira fase, 96 x 83  e 92 x 80 Guaru-SP; 85 x 59 e 101 x 64 Seleção Brasileira juvenil; 97 x 62  e 107 x 68 Joinville-SC; 91 x 79 e 85 x 90 Paraná-PR; 79 x 63 e 83 x 79 Ourinhos-SP; 80 x 88 e  82 x 77 Santo André-SP; 95 x 67 e 111 x 58 Jundiaí-SP.

Em 2002, as garotas cruzmaltinas disputaram a Liga Sul-Americana de Clubes e foram as campeãs, decidindo contra o chileno Deportivo Maullín. Confira a conta: 90 x 47 Regatas Lima (Peru); 92 x 27 Diosas de Yaracuy (Venezuela); 89 x 44 Cruz Blanca (Colômbia) e 80 x 77 Sport Uruguay (Equador);  120 x 75 Economia (Bolívia); 109 x 62 Sport Uruguay (Equador) e 78 x 65 Desportivo Maullin (Chile). O grupo campeão teve por dirigente Guilherme Kroll, a treinadora Maria Helena e as atletas Flávia, Erika, Rafaela, Luciana, Ferreira, Heleninha, Micaela, Betânia, Bruna, Mina, Tata e Aline.




 

sexta-feira, 29 de outubro de 2021

HISTORI&LENDAS - DATAS COM FINAL TRÊS

                                FOTO REPRODUZIDA DA REVISTA DO ESPORTE

Saulzinho (E) ao lado de
Viladônega
 Nunca foi fácil para o Almirante dobrar os seus rivais no futebol carioca, que lhe exigiam muitas braçadas, caso de botafoguenses. Mas quando um deles dava mole, ia pro fundo do polo. Como a Turma da Ilha. Conferindo?   

1º de julho de 1923 0 Vasco da Gama 3 x 2 Botafogo - segundo jogo da história entre os dois clubes. Valeu pelo segundo turno do Campeonato Carioca, em um domingo, no tricolor estádio das Laranjeiras, com gols vascaínos marcados por Arlindo (2) e Cecy. A pugna fez parte da campanha do primeiro título de campeão estadual do time do Almira, comandado pelo uruguaio Ramón Platero, que escalou: Nélson, Leitão e Cláudio; Nicolino, Claudinor e  Arthur; Paschoal, Arlindo, Torterolli, Cecy e Negrito. OBS: o primeiro Vasco x Botafogo foi em 24 de abril de 1922, no alvinetro EstádioGeneral Severiano.

30 de junho de 1963 - Vasco da Gama 4 x 1 Portuguesa  – desta vez, a Zebra da Ilha do Govrnador foi pastar no Maracanã. Ração cruzmaltina com a marca Campeonato Carioca. Laçadores da ocasião: Saulzinho (2), Célio e Sabará. Eles foram ao pescoço dela, para comemoração do treinador Jorge Vieira, que entegrou o laço para: Humberto Torgado, Joel Felício, Brito, Barbosinha e Dario; Maranhão e Lorico; Sabará, Célio Saulzinho e Ronaldo.   

quinta-feira, 28 de outubro de 2021

ROLOU CACHOPAS NA ESQUINA DA COLINA

Portugada na caçapa. O adversário podera ser da terrinha, mas o Almirante não queria saber de onde provinha. Sapecava a botina, encantava as meninas e balançava a redinha. Podes crer:   


1º de julho de 1951 - Vasco da Gama 5 x 1 Sporting-POR -  refrega válida pela Copa Rio, um autêntico Mundial de Clubes. Preliado em um domingo, no Maracanã, com apitagem francesa (por Gabriel Fordjaman) e tentos vascaínos marcados por Friaça, Tesourinha, Ipojucan e Djayr. O treinador era Oto Glória e os malvadões chamavam-se: Barbosa, Augusto (Laerte) e Clarel; Ely, Danilo e Alfredo II; Tesourinha, Maneca, Ipojucan, Friaça e Dejayr. 

29 de junho de 1957 - Vasco da Gama 5 x 2 Benfica-POR - história de excursão por canchas europeias. Domingo com sol rachando sobre Lisboa, para o treinador Martim Francisco acertar o seu time. Embora tenha sido um amistoso, Válter Marciano (2), Sabará, Livinho e Pinga levaram a coisa a sério maltrataram a torcida benfiquista. Esquadra do dia: Carlos Alberto Cavalheiro (Hélio), Viana e Ortunho; Orlando, Laerte e Dario; Sabará, Livinho, Vavá, Valter  (Roberto Pinto)  e Pinga. OBS: segundo dos quatro amistosos disputados com os clube encarnado da capital portuguesa. No primeiro, Vasco 5 x 0, em julho de 1931. Depois, 1 x 1, em 1965, no Maracanã, e  1 x 1 repetido no 1984.