Vasco

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terça-feira, 18 de abril de 2023

O SORRISO AMARELO DO BOB DINAMITE

    Aos 19 de idade, ainda integrante do time dos jovens inseguros e introvertidos, o atacante Roberto treinava entre os reservas do Vasco da Gama. Ao ver aquele garotão impetuoso, valente, brigando contra os becões malvados - primeira vez em que ia a São Januário -, o tricampeão mundial Tostão (Eduardo Gonçalves de Andrade) não teve dúvida em prever que aquele rapaz brigão logo seria titular. Ao saber daquilo, Roberto sorriu, aquele seu sorriso amarelo, a sua marca registrada e que levou a revista paulistana Placar a chamá-lo por Rizadinha.

 Ainda bem que o apelido não pegou, pois o ainda só Roberto poderia vir a ser mais um do time dos apelidados esquerdinhas, paulinhos, joãozinhos, pedrinhos, carlinhos, luisinhos, etc. Se o Calu dos seus tempos de peladas, em Duque de Caxias, não seguira com ele para São Januário - além de ele recusar o Carlos Roberto, por ter muitos xarás -, não seria um risadinha que iria prejudicar-lhe a carreira. Sorte dele que rolou em sua vida a noite de uma quarta-feira em que tornou-se o Roberto Dinamite, devido chute com tamanha violência que gerou imagem de tremenda explosão para manchete de um jornal carioca.

           FOTO REPRODUZIDA DE WWW.NETVASCO.COM.BR

 Embora fosse um sujeito risonho, o reserva Roberto só se abria mais com companheiros do time campeão carioca juvenil-1971 e que haviam subido ao time A junto com ele – Pastoril (Alberto José dos Santos), Luís Fumanchu (Jorge Luís da Silva), Gaúcho (Carlos Roberto Orrigo da Cunha), Paulinho (Paulo César Cardoso de Alcântara) e Zé Luís -, que o compreendiam bem, sabiam que ele preferia ouvir mais do que falar, e quando falava era por breves comentários.

 A questão do sempre presente sorriso de Roberto devia-se a problema em sua arcada dentária. Os beques não queriam saber. Achavam ser deboches e desciam-lhe a porrada. Um deles, o também campeão mundial Brito (Hércules Brito Ruas), não o perdoou, ao vê-lo comemorar gol, sorrindo, diante dele. Mandou-lhe um soco na boca– 14.07.1973, em Vasco 3 x 2 Botafogo, pelo segundo turno do Estadual-RJ, diante de 37.777 pagantes.

O apelido proposto por Placar, que o chamou por “novo Risadinha”, em alusão ao atacante Paulo Borges (Bangu, Corinthians e Seleção Brasileira) não pegou, mas, em uma de suas edições, a revista citou caso curioso para justificar-se;

Conta a então semanária que,  no 30 de setembro de 1973, em Rio Negro-AM 0 x 0 Vasco da Gama, pelo Campeonato Brasileiro, no Estádio Vivaldo Lima, em Manaus, o árbitro José Favilli Neto mostrou o cartão amarelo para o Roberto, levando o treinador vascaíno Mário Travaglini a por as mãos sobre a cabeça e grita-lhe, pedindo para não sorrir. “Roberto não consegue se controlar. Tenta apertar os lábios, mas as maçãs do rosto se franzem, a boca se abre, irremediavelmente, aparecem seus dentes pequenos e ele sorri. Favilli já o conhecia e sabia que não ria por mal. Não o expulsou. Roberto, então, riu, outra vez. Dessa, de alívio”, relata revista paulistana - história interessante, convenhamos.  

        

segunda-feira, 17 de abril de 2023

O GOL ESQUECIDO DO ROBERTO DINAMITE

A tabela do Estaudal-RJ-1982 marcava Vasco da Gama x Botafogo, para a tarde do domingo, 7 de novembro. O Almirante tentara, por limiar, junto ao Superior Tribunal de Justiça Desportiva-STJD, anular o seu empate (1 x 1), no 31 de outubro, com o Campo Grande, e abria expectativas para Roberto Dinamite marcar o seu “Gol-500”. Chegara a sonhar com aquilo, durante a noite da sexta-feira para o sábado. Mas, no dia da partida, o Conselho Nacional de Desportos-CND derrubou a medida jurídica e o goleador, que havia recebido o terceiro cartão amarelo diante do Campusca, não foi escalado – ainda bem, pois ficou fora do vexame Vasco 1 x 4 Botafogo, diante de 77.337 pagantes.   

 A decepção do Dinamite, no entanto, durou pouco. Levantamento do pesquisador paulista Duílio Martino descobriu que o seu “Gol-500” havia sido marcado diante do Campo Grande. Não fora computado o do amistoso em que o seu time mandara 4 x 1 Internacional-RS, no Beira-Rio, em Porto Alegre, no 12 de dezembro de 1976. Para a Confederação Brasileira de Futebol-CBF aquela partida não fora do escrete canarinho, mas de equipe patrocinada pela Caixa Econômica Federal, reunindo os destaques que formaram a seleção do Campeonato Brasileiro-1982 – Tobias; Orlando Lelé, Amaral, Edinho e Leovegildo Júnior (Wladimir); Givanildo, Carlos Alberto Pintinho (Toninho Cerezo) e Paulo Isidoro (Neca); Gil, Roberto Dinamite, e Romeu Cambalhota (Dirceu Guimarães), comandados por Cláudio Coutinho – naquele Brasileirão, o Dinamite marcou 14 tentos.      


domingo, 16 de abril de 2023

DINAMITE VASCO PÓS-COPA DO MUNDO-78

 Roberto Dinamite, com três gols  - Áustria (1) e Polônia (2) – foi o atacante que mais gols marcou para a Seleção Brasileria que disputou a Copa do Mundo-1978, na Argentina, juntamente com o também vascaíno e meio-campista Dirceu Guimarães, este contra Peru (2) e Itália - também, bateram na rede Nelinho (2), Reinaldo e Zico (de pênalti). Em cinco jogos – Áustria, Peru, Polônia, Argentina e Itália -, o Dinamite balançou a roseira, como bordejavam os speakers de antigamente, aos 40 minutos do primeiro tempo, em Mar del Plata, e aos 57 e aos 63, em Mendoza. 

  Depois a Copa, a rede andou um pouco distante do Dinamite, que precisou de quatro 44 mintos do terceiro compromisso para “ré-explodí-la”: em Vasco da Gama 3 x 0 Americano, deixano três bolas na caçapa –as outras aos 15 e aos 25 minutos do segundo tempo, diante de 12.306 pagantes que compareceram às bilheterias de São Januário - antes, ficara devendo nos 2 x 2 Cruzeiro (02.07.1978) e nos 2 x 0 Volta Redonda-RJ (05.07). Time das "ré-visitas" ao filó: Mazaropi; Orlano Lelé, Abel Braga, Gaúcho e Marco Antônio Feliciano; Zé Mário, Helinho (Zanatta) e Dirceu Guimarães; Guina (Wilsinho), Roberto Dinamite e Paulinho Massariol, chefiados pelo gaúcho Carlos Froner.   

Roberto Dinamite comemora o gol marcado contra os austríacos

A seguir, o “executor” Roberto Dinamite voltou a ficar devendo, em Vasco 1 x 0 Bahia (12.07), com o Maracanã recebendo 36.644 pagantes, mas reacertou o calibre do pé bom de dinamitagem, em Vasco 3 x 1 Corinthians (16.07), no Maracanã, fazendo mais dois tentos para o “garoto do placar” anotar – o Dirceuzinho fez um. Diante dos corintianos, os seus gols foram assistidos por mais gente: 56.202 pagantes.

Roberto Dinamite marcou mais dois gols, em mais seis jogos do Brasileirão, depois da Copa do Mundo-1978: em  Vasco 1 x 1 Caxias-RS (19.07) e em Vasco  1 x 1 Grêmio-RS (30.07), ambos na casa dos adversários. Na disputa nacional, totalizou 13 saídas para o abraço, entre 26 de março a 30 de abril, e de dois de julho a seis de agosto, dentre 18 dos 30 compromissos do Almirante na competição que teve o vascaino Paulinho Massariol sendo o principal artilheiro daquele Brasileirão-78, com 19 gols. Por falar em 19, este foi, também, o número de gols marcados pelo Dinamite durante o Campeonato Carioca, após o Mundial da Argentina, quando terminou (e liderou) a corrida pela artilharia, igualado aos flamenguistas Zico e Cláudio Adão.

OBS: o recorte desta foto me foi presenteado pelo fotógafo Gervário Batista, autor do clic e que trabalhava junto comigo na antiga Radiobras, atual EBC-Empresa Brasileira de Comunicação. Segundo ele, a imagem fora publicada pela revista Manchete Esportiva. O letreiro eu montei.  

sábado, 15 de abril de 2023

VASCO DAS PÁGINAS - DINAMITE COM CAJU


   Esta crôncia foi assinada, na última página de leituras – em redações jornalísticas chamam-se terceira e  quarta (esta, também, por contracapa) as duas folhas que fecham o  caderno. Dá pra ler a reprodução? Caso não, o assinante PC Cézar conta, pela revista paulistana Placar, da Editora Abril, que, em seus seus tempos de Flamengo – inícios as década-1970 -, ficara impressionado com a explosão de um garoto iniciante que levava muito trabalho aos zagueiros. Depois, ele foi para a França, voltou (1975), para defender o Fluminense, e o reencontrou protagonizando “grandes duelos ” com os seus marcadores.

O tal garoto ficaria consagrado por Robero Roberto, do qual, paráragrafos adiante, o “Caju”  - quer dizer, ex-caju, agora carecão - faz grandes elogios. Entre eles, lembra de um ataque da Seleção Brasileira, escalado pelo treinador Cláudio Coutinho – Gil, Zico, Rivelino, Roberto Dinamite e Paulo Cézar Lima -, que mandou 6 x 0 Colômbia, diante e 160 mil pagantes, no Maracanã, com dois gols do “Bob” (como os chegados chamavam o Dinamite), valendo pelas Eliminatórias da Copa o Mundo-1978. Para ele, se este ataque não fosse desfeito, “tenho a certeza de que seríamos campeões do mundo” – o Brasil ficou em terceiro lugar no Mundial Argentina-78.

Quando fala de sua passagem pelo Vasco da Gama -1980 – ajudou o Almirante a trazer o Troféu Colombino, da Espanha -, o antigo craque Paulo Cézar Lima diz que “mesmo sendo a estrela o time, o Dinamite (que ele chama, no texto, por “fera” - nunca se comportou dessa forma”. E acrescenta que a “simpatia  era a marca registrada do arillheiro” que, garante, jamais se negou a conceder autógrafo e posar do lado dos fãs.

Beleza! Da parte do Kike, página eletrônica cruzmaltiníssima, muito obrigado! Valeu, Caju”, que preferia ser ecrito Cézar, em vez do César que a imprensa usava.   

sexta-feira, 14 de abril de 2023

ÚLTIMOS DINAMITE DA LISTA CANARINHA

      Mesmo levando a Seleção Brasileira à segunda fase da Copa do Mundo-1978 e sendo o atacante que mais gols marcou, o vascaíno Roberto Dinamite só foi prestigiado, pelo treinador Cláudio Coutinho,  que o escalou na Argentina, em duas partidas canarinhas da temporada seguinte: 17 de maio de 1979, no amistoso Brasil 6 x 0 Paraguai, diante de 60.627 pagantes, no Maracanã-RJ, e em 25 de julho de 1979, em Brasil 1 x 2 Bolívia, perante 42 pagantes, no  Estádio Hernan Siles Suazo, em La Paz, pela Copa América. Na primeira dessas partidas, ele entrou no decorrer da goleada sobre os paraguaios, sem marcar gols, e atuou durante todo o prélio e marcou gols, aos 30 minutos, diante dos bolivianos.

 Depois daquilo, o Dinamite só voltou a ser convocado para o amistoso Brasil 3 x 0 Bulgária, em 25 de outubro de 1981, no gremista Estádio Olímpíco, em Porto Alegre, quando marcou gol, aos 28 minutos, escalado pelo treinador Telê Santana e atuando por toda a partida. A temporada passou e a seguinte era tempo de Copa do Mundo. O goleador vascaíno teve duas oportunidades, com o Telê Santana, antes do Mundial: em Brail 3 x 1 Alemanha Oriental, no 26 e janeiro de 1982, assistido por 48.638 pagantes, no Estádio Castelão, em Natal-RN, e em Brasil 1 x 1 Tchecoeslováquia, do 3 de março do mesmo 1982, perante 107.060 pagantes. No primeiro desses jogos, ele foi subttituído pelo são-paulino Serginho, mas, no outro, atuou por toda a partida.  

 Perto da Copa do Mundo começar, Roberto Dinamite estava da lista de Telê Santana. De repente, o centroavante Careca, do São Paulo e que seria titular, foi cortado, por contusão sofrida durante treinamento, em Sevilha. Chega a tarde de 22 de junho de 1982, data de aniversário de Taguatinga, cidade-satélite de Brasília, e o Dinamite disputava amistoso no Serejão. Foi quando chegou convocação, da Confederação Brasileira de Futebol, para ele substituir Careca. Aos 41 minutos o segundo tempo, ele marcou o gol da vitória Vasco da Gama 1 x 0 Tagutinga, comemorado, duplamente, por quem estava do seu lado, dentro de campo: Mazaropi, Serginho, Ivan, Ney (Rondinelli), Gilberto, Dudu, Ernani, Cláudio Adão, Catinha e Gérson (Renato Sá), bem como o árbitro da partida, Edson Resende.

 Na Espanha, porém, Roberto Dinamite não foi escalado por Telê Santana. No terrível 5 de julho de 1982, no já demolido Estádio Sarriá, em Barcelona, ele estava do lado de fora do gramado, assistindo a melancólica eliminação da Seleção Brasileira, ante os 2 x 3 Itália. Em 1983, o treinador Carlos Alberto Parreira apostou nele, e o escalou em sete partidas da Copa América – contra Argentina, Equador, Paraguai e Uruguai, marcando três tentos, todos contra o Equador. Finalmente, em 1984, ele encererou a sua vida canarinha, atuando em dois amistosos sob o comando o treinador Edu Coimbra: Brasil 0 x 2 Inglaterra, diante de 56.126 pagantes, no Maracanã, em 10 de junho, e em Brasil 0 x 0 Argentina, assistido por 36.596 pagantes, no Morumbi-SP, um semana depois, por este este time: Paulo Victor; Edson Boaro, Oscar Bernardi, Mozer e Wladimir; Pires (Jandir), Zenon e Tita; Renato Gaúcho, Roberto Dinamite e Marco Antônio Rodrigues.