O
carinha em questão chamava-se (creio que ainda chama) Aluísio. De há muito não
o vejo, mas tinha tudo para viver bastante, pois esbanjava saúde quando rolava
a “Maricota”. Como era especialista em desempregar laterais-direitos, o Gama o
levou. Seguiu aprontando pelo flanco esquerdo, mas, como o “Periquitão” ainda
era modestão e não tinha grana pra
segurar grupo por muito tempo, ele terminou saindo numa das barcas de
temporada.
Não
me lembro onde o Aluísio pintou, depois do Gama. Só que, jogando por um timinho
qualquer daqueles inicios de década-1980, foi elogiado como a grande figura de
uma partida e, no mesmo dia, ao ler isso no jornal, o supervisor do Brasília,
Almir Vieira, o contratou. E ele ganhou, no novo time, o apelido de “Robozinho”
– era mesmo da “espécie”.
Rola
a bola e o Brasília foi disputar o Brasileirão-1981, sob o comando do treinador
Alaor Capela, do qual dizem ter sido o melhor atacante da primeira fase do
futebol candango. Deve ter sido mesmo, pois chegou a ser titular do Flamengo e
tem foto comprovando. Com Capela na chefia da rapaziada, Aluísio foi titular
insubstituível, pois o cara conhecia o seu veneno na época da Desportiva
Bandeirante, que ele treinara.
O
Brasília não tinha força financeira para montar um time forte e disputar o
Brasileiro em grande estilo. Assim, só conseguiu vencer na quinta rodada –
01.02.1981 – 3 x 2 Pinheiros-PR, no Pelezão. Antes, só tropeços – 18.01 – 2 x 2
Portuguesa de Desportos; 21.01 – 0 x 1 Corinthians; 25.01 – 0 x 1 Galícia;
28.01 – 0 x 2 Botafogo. Em fevereiro, seguiu com a mesma pegada leve – 04.02 -
2 x 2 Desportiva-ES; 07.02 – 1 x 3 Operário-MS.
Veio,
então, a rodadas do dia 14. Desacreditado e desmotivado, o campeão
candango-1980 foi a Porto Alegre, enfrentar o favoritíssimo Grêmio, no Estádio
Olímpico. Na Loteria Esportiva, todos os apostadores cravavam a Coluna 1, pois
os gremistas estavam invictos, há 14 jogos dentro de casa.
Ao
sair, na sexta-feira, pela manhã, do apronto final para a partida no Sul,
Aluísio pegou carona com um colega, até uma cidade satélite de Brasília. Pelo
meio do caminho, o cara parou em uma lojinha de Loteria Esportiva, pra fazer a
sua fezinha. Aluísio aproveitou e, também, fez a dele. Cravou Brasília seco,
Coluna 2. “Maluco, ou doido, é o que você é. Acha que terá alguma chance contra
o bicampeão gaúcho, na casa dele, diante da torcida deles?”, cobrou-lhe um
primo.
Aluísio,
segurando o volante lotérico, respondeu: “Perdemos duas partidas por um gol de
frente, jogando de igual para igual, e duas, por dois tentos, também encarando
forte, fora de casa. Vou fazer o gol em sua homenagem, primo”, prometeu ele,
que ouviu do rapaz: “Ficou maluco mesmo, hem primo!”
Rolou
a bola no Estádio Olímpico e o Brasília endureceu a partida no primeiro tempo.
Sofreu um gol, marcado por Tarciso, aos 47 minutos, mas voltou do vestiário
ligado. Aluísio empatou, aos 67 minutos, chutando de fora da área. Três minutos
depois, Wander virou o placar, também, batendo de longe: Brasília 2 x 1 e uma
das maiores zebras da Loteria Esportiva, principalmente porque o Grêmio
terminou o Brasileiro campeão e, dos seus titulares daquele jogo – Leão; Uchoa,
Vantuir, De Leon e Dirceu; China, Paulo Isidoro e Renato Sá (Vilson Tadei);
Tarciso, Baltazar (Heber) e Odair – só Uchoa, China Renato Sá e Odair não
chegaram à Seleção Brasileira. De Leon, era da seleção uruguaia.
O
Brasília – Déo; Luisinho, Jonas “‘Foca”,
Mário e Zé Mário (Ricardo); Alencar, Marco Antônio e Wander; William,
Afonso e Aluísio (Paulinho) – ainda fez mais um jogo na fase classificatória –
21.02 – 0 x 1 Goiás – e terminou em 37º lugar, somando seis pontos, em nove
jogos, com duas vitórias, dois empates e cinco quedas, tendo marcado 10 e
levado 15 gols. Ficou à frente de Joinville-SC,
River-PI, Vila Nova-GO, Sampaio Corrêa-MA, Londrina-PR, Itabaiana-SE e
Desportiva-ES.
Naquele
dia, Aluísio “Robozinho”, ligou a chave (chute de longe), montou na zebra
(Coluna 2) e a derrubou o Leão (goleiro).
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