Quem foi o primeiro camisa 10 do futebol brasileiro?
Há pesquisas dizendo que
teriam sido vários, por terem usado o número, simultaneamente,
durante a primeira rodada do Campeonato Carioca-1948, em 11 de julho. Pelo
critério da numeração por posição, eles teriam sido: Ismael (Vsc) e Cola,
em Bonsucesso 1 x 2 Vasco da Gama, em
Teixeira de Castro; Orlando “Pingo de Ouro”, em Fluminense 6 x 3 Canto do Rio,
nas Laranjeiras; Otávio (Bota) e Jarbas, em São Cristóvão 4 x 0 Botafogo, em
General Severiano; Jair Rosa Pinto (Fla), em Flamengo 5 x 0 Olaria, na Gávea;
Lima (Ame) e Moacir de Paula, em Américaa 4 x 0 Bangu, em São Januário. Não descobri quem seriam os 10 do Canto do
Rio e do Olaria.
Atribui-se
ao inglês Hebert Chapman a ideia de numerar as camisas dos jogadores de
futebol, para serem identificados mais facilmente pelos árbitros, torcedores e
por eles mesmos. Teria acontecido em 29 de abril de 1928, em Everton 3 x 0
Manchester City, em Wembley, com o primeiro numerado de 1 a 11 e o outro de 12
a 22 – não houve numeração para os reservas, porque substituições durante as partidas só a partir
dadécada-1960.
Diante de
892.950 almas, no Wembley Stadium, a numeração dos times ficou assim:
Everton: 1 – Ted Sagar; 2 – Billy Cook; 3 – Warney Cresswell;
4 – Cliff Britton; 5 – Tommy White; 6 – Jock Thomson; 7 Albert Geldard; 8 –
James Dunn; 9 Dixie Dean (cap)10 –
Tommy Johnson e 11 Jimmy Stein.
Manchester City: 12 – Eric Brook; 13
Jimmy Mcullan; 14- Alec Herd; 15 – Boby Marshal; 16 – Ernie Toseland; 17 – Jackie Bray; 18 –
Sam Cowanc (cap); 19 – Matt Busby; 20 –
Bill Dale; 21 - Sid Can; 22 – Len
Langford.
A
Federação Inglesa de Futebol, no entanto, levou 11 anos para concordar com a
ideia de Chapman, considerando, até lá, tudo sendo experimentação. Assim. não
demorou para os dois times terem a mesma numeração, oficializada, de 1 a 11,
por posições. De sua parte, a FIFA só permitiu seleções numeradas a partir da
Copa do Mundo-1950.
Em
1954, para a Copa do Mundo da Suíça, a FIFA mudou o sistema e os números
corresponderam à inscrição do atleta. Entre os ingleses inventores da moda, a
numeração 1 a 11 foi obrigatório até 1993. A tradição foi quebrada, em parte,
no Mundial-1982, na Espanha, com a seleção
inglesa numerando sua rapaziada por ordem alfabética, mas ficando o
goleiro com a camisa 1 e o capitão com a 7.
Em
1974, a Holanda, na então Alemanha Ocidental, já havia adotado o sistema
copiado pelos inglês, mas reservando o número (14) preferido do seu maior
astro, Cruijff. O mesmo também fez a
Argentina, de 1978 a 1986, guardando o 10 para Maradona, a partir de 1982.
Hoje,
vemos jogadores usando os números 43, 54, 68, 100, a depender do que ele
comemore. Houve até o caso do marroquino Zerouali, que obteve autorização da
Federação Escocesa para usar o número 0, no time do Aberdeen, para coincidir
com o seu apelido.
No
futebol brasileiro, o meia Jair Rosa
Pinto costumava invocar ter sido o primeiro camisa 10, usada durante o
Mundial-1950. No entanto, há uma outra pesquisa informando que a estreia da
camsia 10 no Brasil se deu em 15 de maio de 1949, no estádio de São Januário e que o
“cara” teria sido Orlando “Pingo de Ouro”, durante o amistoso Fluminense 1 x 5
Arsenal, quando o time inglês era tido como o mais forte do planeta – jogo
apitado pelo inglês Cecil Barrick, com golsde Lisham (4), Roppert e Orlando, e
renda de Cr$ 994 mil, 510 cruzeiros, a moeda da época.
Naquele primeiro jogo no Brasil com camisas numeradas, o Fluminense teve: Castilho; Pindaro e Lorenzo
(Índio); Pé de Valsa, Índio (Rubinho) e Mário (Ismael); Santo Cristo, Carlile
(Orlando), Silas, Orlando (Didi) e Rodrigues. Observe, pela escalação que,
Orlando do saiu e voltou ao jogo – Swindin; Smith e Barnes; Mac Cauley, Daniels
e Forbes; Mac Pherson, Logie, Roppert, Lishman e Wallace foi o time do Arsenal.
PRIMEIRÃO – Se foi em 1948, ou em 1949, Orlando estava nas duas.
Quem foi este “primeiro” camisa 10 do futebol brasileiro? Nascido, em Recife
(04.12. 1923), Orlando de
Azevedo Viana viveu, no Rio de Janeiro, o seu último dia (05.08.2004) das 80
temporadas por aqui. Antes de chegar ao Flu, defendeu o Náutico-PE. Depois do
Fluminense, passou por Santos, Botafogo e Atlético-MG. Pelo time tricolor foi
campeão carioca-1946/1951; municipal/1948, fazendo, de bicicleta, o tento da vitória
sobre o Vasco da Gama, na final, e
ganhou, ainda, a internacional Copa
Rio-1952, autêntico Mundial Interclubes.
Orlando
sagrou-se, também, campeão pernambucano-1945; mineiro-1955 e
sul-americano-1949, título pela Seleção
Brasileira, disputando três jogos e marcando gols (1) nos 5 x 1 Colômbia
(17.04), no Pacaembu-SP, e (1) nos 7 x 1 Peru (1), em São Januário-RJ (24.04) –
o seu outro jogo foi nos 5 x 1 Uruguai, novamente, em São Januário (30.04).
Quando
saiu campeão carioca-1946, o Fluminense do último jogo alinhou: Robertinho,
Guálter e Haroldo; Pascoal, Telesca e Bigode; Pedro Amorim, Careca, Ademir
Menezes, Orlando e Rodrigues. Pelos registros oficiais do clube, marcou 186 gols, em 310 jogos.
APELIDO – O jornalista José Araújo foi quem deu a Orlando
o apelido marcante. Aconteceu por ter marcado quatro tentos, sobre o
Bonsucesso, em jogo com campo enxarcado
pela chuva. “Orlando parecia um pingo d’água, presente em todo o gramado e
brilhando como se fosse ouro”, escvreveu Araújo.
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