Vasco

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sábado, 28 de janeiro de 2017

KIKE EDITORIAL - IINIMIGOS CORDIAIS


No dia da posse de Deodoro da Fonseca e de Floriano Peixoto, respectivamente, como primeiros presidente e vice da República brasileira, o segundo foi delirantemente aplaudido, para desgosto do outro. Ciúme de marechais? Sigamos! Quando o novo regime político do país comemorou o primeiro aniversário, os dois já eram “inimigos cordiais”. Tanto que Floriano não compareceu às comemorações, deixando claro ao conterrâneo – ambos eram alagoanos – que não tinha interesse em reaproximar-se dele.      
 Mais um tempinho passou, Deodoro renunciou e o locutor do alto-falante da Administração dos Estádios da Guanabara  gritou: “ADEG informa: modificação no time do Brasil: sai Deodoro e entra Floriano”. Rolou a bola e, assim que foi confirmado titular, pela Comissão de Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados, Floriano tirou de campo todos os governadores estaduais nomeados pelo antecessor.
Floriano governou por um período conturbado, agiu com pulso forte e foi chamado de “Marechal de Ferro”, do que gostava, “pra carvalho”. Perto de fechar o boteco, ele recusou-se a apresentar candidato à sua sucessão e garantiu entregar a casa à sua nova direção. E a entregou ao paulista Prudente de Morais, representante das oligarquias cafeeiras e que não tinha a sua simpatia. Eram “inimigos cordiais”.
 Embarquemos, agora, em um voo do Concorde e desçamos de volta ao passado, em 1851, quando o ditador argentino Juan Manuel Rosas planejava recriar o Vice-Reinado do Prata, unindo o seu país, o Uruguai e o sul do Brasil. Claro que o Império brasileiro contra-atacou. E armou o esquema com os inimigos de Rosas, os “unitaristas” e o presidente uruguaio, Fructuoso Rivera, que tinha de engolir um ministro da Defesa imposto pelo poderoso vizinho argentino. E o bloco botou Rosas na rua. Rosas não era flor que se cheirasse.  
 Para os inimigos do ditador argentino, beleza! Para quem o apoiava, o Brasil que fosse....exatamente, para onde você pensou. Aliás, pensar parecia não ser algo muito legal para os caras daquelas bandas. Depois de Rosas, foi a vez do paraguaio Solano Lopez aparecer com o mesmo pensamento expansionista. Como o Império brasileiro já era amiguinho dos “hermanos” argentinos e, ainda mais, dos uruguaios, formou um tripé no meio-de-campo e deu uma surra no Paraguai que, mesmo assim, matou 60 mil “macaquitos”, como eles chamavam “los brasileños”.
Peguemos, novamente, o Concorde e voltemos para o futuro. Pelo rádio da cabine do piloto, escutemos o locutor da Administração dos Estádios de Minas Gerais gritar: “ADEMG informa: sai Don Pedro II e entra o marechal Deodoro da Fonseca no time do Brasil”.  Festas em Buenos Aires. Os argentinos detestavam Pedro II. E rolou a “maricota” para uma nova etapa. O Brasil chegou a 1950, construiu o Maracanã, o maior estádio de futebol do planeta, e promoveu a Copa do Mundo, o maior espetáculo da terra. Os argentinos não comparecerem para a festa.
   O tempo passa, o Império contra-ataca, brasileiros e argentinos tornam-se parceiros, até no Mercosul, e seguem juntos jogando a Copa Roca, criada pelo malandro populista e caudilho Júlio Roca, que já via no “balípodo” um meio de engabelar o povo, assim como Floriano Peixoto fazia no Brasil, com o “Jogo do Bicho” – nada se cria, tudo se copia, dizia o vascaíno Abelardo “Chacrinha” Barbosa.
  Com tantos anos de sacanagens bilaterais,  só quatro brasileiros ganharam grandioso carinho dos argentinos: os cantores Roberto Carlos e Maria Creusa, e o treinador de futebol Oswaldo Brandão. Por aqui, da turma de lá, nem o Papa Francisco emplaca. E olhe que o Brasil é o país mais católico do mundo! Os dois povos “hermanos” são e serão, eternamente, “inimigos cordiais”.  

 

                                

 

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