Vasco

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segunda-feira, 2 de julho de 2018

17 - NO MUNDO DA COPA - AMARILDO

O atacante botafoguense Amarildo foi um dos heróis do do bi, no Chile-1962. Marcou os dois gols decisivos da virada Brasil 2 x 1 Espanha, na primeira fase, e igualou o placar dois minutos após os tchecos tê-lo aberto, na final da Copa. O torcedor não esquecia do desempenho daquele garoto, de 23 nos que tivera a responsabilidade de substituir o contundido “Rei Pelé", e o fizera, com muita raça, sangue frio e categoria. Portanto, convocá-lo para a Copa -66 era uma obrigação da Confederação Brasileira de Desportos-CBD.
Amarildo e Pelé
Por aquele tempo, a entidade só chamava quem jogasse no país. Segundo Amarildo, ainda no calor da conquista do bi, o supervisor canarinho, Carlos Nascimento já lhe avisara que ele seria o ponta-esquerda da equipe de 1966, caso estivesse no futebol brasileiro. Porém, ele não era ponteiro, mas ponta-de-lança, o que, representava um atacante mais móvel do que o centroavante, com a missão de comparecer às redes, de residir dentro da área.
Como Zagallo e Pepe, os dois pontas-esquerdas de 58/62, já não foram mais convocados, Edu Américo (Santos) de 17 anos, Paraná (São Paulo) e Rinaldo (Palmeiras) brigavam pela camisa 11. Amarildo dizia, abertamente, não ser ponta-esquerda e não gostar de sê-lo. Inclusive, na última temporada italiana (65/66) atuara só uma vez na função, pois o Milan, que o tirara do Botafogo, em 1963, enfrentara várias contusões dos pontas-de-lança e o fixara pelo meio do ataque. 
Na briga para trazer Amarildo para os treinos da seleção, enquanto a CBD fazia varias tentativas junto aos milaneses, a mãe do atleta fazia promessa à Nossa Senhora de Lurdes, para vê-lo canarinho, durante a Copa do Mundo. Na Itália, torcedores do Milan e a imprensa, contra a liberação, chamavam-no de mercenário, ao que o “Possesso” respondia prometendo doar a uma instituição de caridade tudo o que recebesse da CBD.
O Milan (na foto, ao lado de Pelé), porém, terminou cedendo. Segundo contou o presidente da CBD, João Havelange, embora o governo brasileiro tivesse colocado os ministérios das Relações Exteriores e da Justiça à sua disposição, fora o presidente da república, o marechal Humberto de Alencar Castelo Branco, quem tomara a iniciativa de intervir diretamente no caso.
Bastante resfriado, Amarildo, que já tinha sotaque italiano, foi recebido, no Brasil, como um príncipe, visto como o “cara” para resolver a problemática questão da ponta-esquerda canarinha. Estava três quilos abaixo do seu peso normal, de 65 quilos, precisando comer e repousar muito. Depois de passar por todos os exames médicos e dentários, encontrou jogadores aborrecido com a sua chamada.
Amarildo jurava ter vindo disputar a vaga em pé de igualdade com os concorrentes e dizia desconhecer o garoto Edu, além de Tostão e Nado, este uma surpresa na convocação, por ser um atleta do pernambucano Náutico, de região nunca antes lembrada pela Seleção.
 Repleto de “medalhas de guerra”, cicatrizes nas pernas, Amarildo trouxe – e recomendou à comissão técnica – duas chuteiras da marca “Atalasport”, uma com 11 travas, para campo duro e pesado, e uma de seis, bastante flexível. Como aviso, contou que o futebol europeu se destacava pela parte física, usava a retranca, o jogo bruto e era perigoso nas ofensivas. A sua receita para anular o líbero era ter os pontas jogando abertos, conduzindo a bola até a linha de fundo.

REESTREIA - Amarildo “reestreou” na Seleção Brasileira em 19 de maio, no Maracanã, atuando por 71 minutos e sendo substituído por Paraná, no amistoso Brasil 1 x 0 Chile, com gol de Gérson, aos 9 minutos do segundo tempo. A turma: do técnico Vicente Feola foi: Gilmar; Carlos Alberto Torres, Brito, Altair e Rildo; Denílson e Gérson; Garrincha, Servílio (Parada), Pelé (Silva) e Amarildo (Paraná). Um dia antes, quando uma seleção-B – Fábio; Murilo, Djalma Dias, Leônidas e Édson; Dudu (Roberto Dias) e Lima. Jairzinho, Tostão, Célio (Paulo Borges) e Ivair – vencera o País de Gales, no Mineirão, pelo mesmo 1 x 0, a comissão técnica havia cortado sete jogadores, deixando o clima bastante apreensivo na Seleção.
Depois daquilo, houve dois amistosos, com o Peru, e mais dois Brasil x Polônia, mas Amarildo só foi escalado quase um mês depois, em 12 de junho, em outro amistoso, diante da Tchecoeslováqui, atuando por 60 minutos e sendo substituído por Edu, em Brasil 2 x 1, com dois gols de Pelé. Mas ele deveria ter enfrentado a Polônia, em 8 de junho, só não indo a campo devido a uma lesa no músculo adutor de uma das coxas. No entanto, em 15 de junho, nos 2 x 2 com os mesmos tchecos, no Maracanã, marcando a despedida da seleção do país, ele atuou a partida inteira, bem como em 25 de junho, em outro amistoso, contra a Escócia, 1 x 1, no Hampden Park, em Glasgow. Quatro dias antes, num amistoso contra o Atlético de Madrid, na capital espanhola, como Estádio Santiago Bernabeu lotado, havia marcado seu primeiro gol na volta à Seleção, nos 5 x 3 que tiveram, ainda, três de Pelé e outro de Lima.
Em 30 de junho, no .Estádio Nya Ullevi, em Gotemburgo, onde a seleção havia jogado em 1958 Amarildo já não pode participar de Brasil 3 x 2 Suécia, último amistoso antes da estréia canarinha na Copa do Mundo-1966. Dois dias antes, sofrera um rompimento de músculo da coxa direita, treinando em Atividaberg. Foi o seu fim de linha canarinho, após 22 jogos e sete gols marcados.

FAMA - Nascido em Campos-RJ, em 26 de março de 19345, Amarildo Tavares da Silveira, não tivera substituído Pelé, pela primeira vez, no Estádio Sausalito, em Viña del Mar,em Brasil 2 x 1 Espanha. Fora em 24 de abril do mesmo 1962, em Brasil 4 x 0 Paraguai, no Pacaembu, em São Paulo, pela Taça Osvaldo Cruz. Entrou na vaga do "Rei", aos 65 minutos, quando o “cara” já havia marcado dois gols, aos 21 e aos 35 minutos – Pepe, cobrando pênalti, aos 6, e Vavá, aos 51, completaram a balaiada mandada por: Gilmar; Djalma Santos, Bellini (cap), Jurandir e Altair; Zito (Zequinha) e Mengálvio (Benê); Garrincha, Pelé (Amarildo) Coutinho (Vavá) e Pepe (Zagallo). O técnico era Aimoré Moreira e o público de 45 mil pagantes.
Amarildo fez parceria de ataque, também, com Pelé. A primeira, em 9 de maio de 1962, em Brasil 1 x 0 Portugal, amistosamente, no Maracanã, diante de 130 mil, 874 pagantes, com gol de Pelé, aos 56 minutos, com a turma sendo: Gilmar: Djalma Santos, Mauro, Zózimo e Altair; Zito (cap) (Zequinha) e Didi; Garrincha, Pelé, Amarildo e Pepe (Germano).

ESTREIA - Convocado, por Aymoré Moreira, Amarildo estreou na Seleção Brasileira em 30 de abril de 1961, pela Taça Osvaldo Cruz, substituindo seu colega de ataque botafoguense Quarentinha, aos 46 minutos, no Estádio Puerto Sanjonia, em Assunção, em Brasil 2 x 0 Paraguai,  com gols de Coutinho e Pepe, formando com: Gilmar; De Sordi, Bellini, Oreco (Calvet) e Nílton Santos; Zito (Amaro) e Didi; Garrincha, Coutinho, Quarentinha (Amarildo) e Pepe. Depois,
“O Possesso” - apelido por jogar emocionalmente muito agressivo  - Amarildo esteve ainda em: 03.05.61 - Brasil 3 x 2 Paraguai, no mesmo local e pela mesma disputa; 11.05.61 - Brasil 1 x 0 Chile, no Estádio Nacional de Santiago, pela Taça O´Higgins; 24.04.62, no já citado Brasil 4 x 0 Paraguai; 06.05.62 - Brasil 2 x 1 Portugal, amistoso, no Pacaembu, e em 09.05.62, Brasil 1 x 0 Portugal, mencionado acima.

DEPEDIDAS CANARINHAS - Depois da Copa do Mundo-62, Amarildo participou de mais oito jogos pela Seleção: em 13 de abril de 1963, no Morumbi, em São Paulo, pela Copa Roca, nos 3 x 2 sobre os argentinos; em 16 de abril (na foto, em pé,da esquerda para a direita, Djalma Santos, Zito, Altair, Cláudio, Gilmar e Mauro; agachados, a partir da direita, Dorval, Mengálvio, Amarildo, Pelé e Pepe), no Maracanã, com 5 x 2 sobre o mesmo adversário, com 2 gols dele; em 21 de abril, na derrota, por 0 x 1 frente Portugal, no Estádio Nacional de Lisboa; em 24 de abril, na goleada sofrida ante a Bélgica, por 1 x 5, no Estádio Heysel, em Bruxelas; em 2 de maio, no 0 x 1 para a Holanda, no Estádio Olímpico, de Amsterdã; em 8 de maio, no 1 x 1, com a Inglaterra, em Wembley; em 17 de maio, no 01 x 0 sobre a República Árabe Unida, no Estádio Nasser, no Cairo/Egito, e em 19 de maio, nos 5 x 0 sobre Israel, no Ramat Gan, em Tel Aviv.
Só ele (C) no ataque do Santos com a camisa canarinha
Amarildo totalizou 22 jogos e sete gols com a camisa da Seleção Brasileira. Além dos dois tentos contra a Espanha, os outros foram diante da Techecoeslováquia, na final da Copa-62; dois sobre os argentinos, em 16 de abril de 63, no Maracanã, pela Copa Roca; e em 19 de maio de 1963, nos 5 x 0 Israel, em Telaviv, no Estádio Ramat Gan, e em 21 de junho de 1966, nos 5 x 3 Atlético de Madrid, no Santiago Bernabeu, na capital espanhola.
Nos seus jogos mais gloriosos, contra a Espanha, em seis de junho, e diante da Tchecoeslováquia, em 17 de junho, ambos de 1962, a seleção Brasileira teve formação única: Gilmar:Djalma Santos, Mauro, Zózimo e Nilton Santos: Zito e Didi; Garrincha, Vavá, Amarildo e Zagallo. Seu feito, no primeiro jogo, em Sausalito, foi visto por 18.715 pagantes, e no segundo, no Estádio Nacional de Santiago, por 68 mil e 69 pagantes.
Nem tudo, porém, foi glórias na carreira de Amarildo. No início de sua carreira, em 1958, no Flamengo, foi dispensado, após seis jogos e um gol. Mas em 1959 foi contratado pelo Botafogo, que defendeu até 1963 (foto, em pé, da esquerda para a direita, Paulistinha, Manga, Jadir, Nílton Santos, Aírton e Rildo; agachados, na mesma ordem, Garincha, Edson, Quaentinha, Amarildo e Zagallo), jogando 231 vezes e marcando 136 gols.


Depois do grande Botafogo de Garrincha, Amarildo jogou pelo italiano Milan, de 1963 a 67, quando foi para a Fiorentina, e ficou, até 1971. D 71 a 72 esteve na Roma e, em 1973, voltou ao Brasil e defendeu o Vasco, pelo qul atuou até 1974. Em São Januário, seu time-base, treinado por Mário Travaglini, era: Andrada; Fidélis, Marcelo, Miguel e Alfinete; Alcir e Zanata; Jorginho Carvoeiro, Amarildo, Roberto Dinamite e Luís Carlos Lemos.
O último jogo de Amarildo pela Seleção, trinada pelo técnico Vicente Feola, foi em 25 de junho de 1966, no amistoso, contra a Escócia, 1 x 1, no Hampden Park, em Glasgow. O time foi: Gilmar: Fidélis, Bellini (cap), Orlando e Paulo Henrique; Zito (Lima) e Gérson; Jairzinho, Servílio (Silva), Pelé e Amarildo. Foram 25 jogos (/), vencendo 17, empatando três e perdendo cinco. Ao todo, balançou as redes nove vezes em 22 encontros contra seleções nacionais - 15 vitórias, 3 empates, 4 derrotas e 7 gols – e mais 3 jogos contra clubes ou combinados - 2 vitórias, 1 derrota e 2 gols. Seus títulos pela Seleção foram: Taças Oswaldo Cruz de 1961 e 1962; Taça Bernardo O'Higgins de 1961 e Copa do Mundo-1962. 
          FOTOS REPRODUZIDOS DA REVISTA DO ESPORTE

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