Vasco

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sexta-feira, 18 de março de 2022

VASCODATA

            

19 de dezembro de 1973 – Noite de uma quinta-feira e um selecionado brasileiro foi formado para enfrentar estrangeiros que atuavam no Brasil, a fim de marcar a despedida de Mané Garrincha do futebol.

 O prélio foi no Maracanã, o grande palco das maiores exibições do antigo craque do Botafogo, foi chamado por “Jogo da Gratidão” e promovido em razão de Garrincha estar passando por grandes dificuldades financeiras. Com os equivalentes hoje a mais de US$ 160 mil dólares arrecadados, Garrincha (com 40 de idade) comprou sete casas (para as filhas); uma outra no bairro carioca da Tijuca; um carro Mercedes-Benz (usado) e uma casa de shows no bairro de Vila Isabel, para a sua companheira/cantora Elza Soares se apresentar.

Na bola, os nacionais venceram, por 2 x 1, com gols marcados por Pelé e Luís Pereira, tendo o homenageado atuado por 30 minutos. Ao sair de campo, fez a volta olímpica, e recebeu uma das maiores celebrações na história do estádio, aplaudido por cerca de 150 mil torcedores, para os quais jogou as chuteira com as quais havia participado do amistoso com a primeira etapa apitada por Armando Marques e a segunda por Arnaldo Cézar Coelhol.

 No primeiro tempo, o grande momento foi o lance do gol marcado por Pelé, driblando cinco adversários e mandando a bola para o canto direito da trave defendida para o goleiro  vascaíno Andrada. Mas o público que reclamava da tremenda noite calorenta carioca já havia vibrado, aos 18 minutos, quando Garrincha passou a bola por entre as pernas do uruguaio Bruñel e centrou a pelota, perigosamente, para a área dos gringos, que abriram o placar, pouco depois, por conta de Brindisi.

O empate aconteceu após a volta olímpica do Mané. Clodoaldo desarmou Brindisi e lançou o “Rei Pelé”, pela intermediária, para o Camisa 10 armar o show descrito acima. E, por 1 x 1, terminou o primeiro tempo. No segundo, com times bastante modificados, o desempate brazuca surgiu aos 27 minutos: Jairzinho venceu o marcador, foi à linha de fundo e fez cruzamento perfeito, para Luís Pereira
“sair pro abraço”.    

 A Seleção Brasileira começou com o time do tri (faltando só Gérson) e alinhou: Félix (Leão); Carlos Alberto (Zé Maria), Brito (Luis Pereira), Piazza e Everaldo (Marinho Chagas); Clodoaldo (Zé Carlos/Cruzeiro) e Rivellino (Manfrini); Garrincha (Zequinha), Jairzinho (André), Pelé (Ademir da Guia) e Paulo César Caju Lima (Mário Sérgio), comandados por Mário Jorge Lobo.

O time chamado por Seleção Internacional contou com: Andrada (argentino); Forlan (uruguaio), Alex (alemão criado no Brasil), Reyes (paraguaio) e Brunell (uruguaio); Dreyer (argentino) e Pedro Rocha (uruguaio); Housemann (argentino), Doval (argentino), Brindisi (argentino) e Onyshchenko (ucraniano que atuava pela seleção da então União Soviética). 

 ÚLTIMO? - Embora aquele tivesse sido o “Jogo de Despedida” de Mané Garrincha, na verdade ele havia disputado a sua última partida, como profissional, em 7 de setembro de 1972, pelo Olaria Atlético Clube, durante amistoso em que o time alviazul suburbano carioca levara 5 x 1 da aniversariante Caldense, no Estádio Cristiano Ozório, que não existe mais - terreno virou sede social do clube mineiro,  piscinas, quadras de tênis e campo de futebol society.   

 Naquele derradeiro amistoso como profissional, Garrincha não marcou gol – o último havia sido em 22 de março do mesmo 1972, diante do Comercial, de Ribeirão Preto. Quando foi contratado pelo Olaria, ele estava há duas temporadas sem jogar, e a intenção do clube era usá-lo por atrativo para arrecadar um dinheirinho em amistosos pelo país, como rolou.

 Em janeiro de 1982, Garrincha viveu o seu último dia vivo, partindo da vida material pobre e levado pelo alcoolismo.                       

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