19 de dezembro de 1973 – Noite de uma
quinta-feira e um selecionado brasileiro foi formado para enfrentar
estrangeiros que atuavam no Brasil, a fim de marcar a despedida de Mané
Garrincha do futebol.
O prélio
foi no Maracanã, o grande palco das maiores exibições do antigo craque do
Botafogo, foi chamado por “Jogo da Gratidão” e promovido em razão de Garrincha
estar passando por grandes dificuldades financeiras. Com os equivalentes hoje a
mais de US$ 160 mil dólares arrecadados, Garrincha (com 40 de idade) comprou sete
casas (para as filhas); uma outra no bairro carioca da Tijuca; um carro
Mercedes-Benz (usado) e uma casa de shows
no bairro de Vila Isabel, para a sua companheira/cantora Elza Soares se
apresentar.
Na bola, os nacionais venceram, por 2 x 1, com
gols marcados por Pelé e Luís Pereira, tendo o homenageado atuado por 30
minutos. Ao sair de campo, fez a volta olímpica, e recebeu uma das maiores
celebrações na história do estádio, aplaudido por cerca de 150 mil torcedores,
para os quais jogou as chuteira com as quais havia participado do amistoso com a
primeira etapa apitada por Armando Marques e a segunda por Arnaldo Cézar
Coelhol.
No
primeiro tempo, o grande momento foi o lance do gol marcado por Pelé, driblando
cinco adversários e mandando a bola para o canto direito da trave defendida
para o goleiro vascaíno Andrada. Mas o
público que reclamava da tremenda noite calorenta carioca já havia vibrado, aos
18 minutos, quando Garrincha passou a bola por entre as pernas do uruguaio Bruñel
e centrou a pelota, perigosamente, para a área dos gringos, que abriram o placar, pouco depois, por conta de Brindisi.
O empate aconteceu após a volta olímpica do
Mané. Clodoaldo desarmou Brindisi e lançou o “Rei Pelé”, pela intermediária, para o Camisa 10 armar o show descrito
acima. E, por 1 x 1, terminou o primeiro tempo. No segundo, com times bastante
modificados, o desempate brazuca
surgiu aos 27 minutos: Jairzinho venceu o marcador, foi à linha de fundo e fez
cruzamento perfeito, para Luís Pereira
“sair pro abraço”.
A
Seleção Brasileira começou com o time do tri (faltando só Gérson) e alinhou: Félix
(Leão); Carlos Alberto (Zé Maria), Brito (Luis Pereira), Piazza e Everaldo
(Marinho Chagas); Clodoaldo (Zé Carlos/Cruzeiro) e Rivellino (Manfrini);
Garrincha (Zequinha), Jairzinho (André), Pelé (Ademir da Guia) e Paulo César Caju Lima (Mário Sérgio), comandados por
Mário Jorge Lobo.
O time chamado por Seleção Internacional contou
com: Andrada (argentino); Forlan (uruguaio), Alex (alemão criado no Brasil),
Reyes (paraguaio) e Brunell (uruguaio); Dreyer (argentino) e Pedro Rocha
(uruguaio); Housemann (argentino), Doval (argentino), Brindisi (argentino) e Onyshchenko
(ucraniano que atuava pela seleção da então União Soviética).
ÚLTIMO?
- Embora aquele tivesse sido o “Jogo de Despedida” de Mané Garrincha, na
verdade ele havia disputado a sua última partida, como profissional, em 7 de
setembro de 1972, pelo Olaria Atlético Clube, durante amistoso em que o time
alviazul suburbano carioca levara 5 x 1 da aniversariante Caldense, no Estádio
Cristiano Ozório, que não existe mais - terreno virou
sede social do clube mineiro, piscinas,
quadras de tênis e campo de futebol society.
Naquele derradeiro
amistoso como profissional, Garrincha não marcou gol – o último havia sido em
22 de março do mesmo 1972, diante do Comercial, de Ribeirão Preto. Quando foi contratado
pelo Olaria, ele estava há duas temporadas sem jogar, e a intenção do clube era
usá-lo por atrativo para arrecadar um dinheirinho em amistosos pelo país, como
rolou.
Em janeiro de 1982, Garrincha viveu o seu último dia vivo, partindo da vida material pobre e levado pelo alcoolismo.
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