

Todo o luxo, sofisticação e lendas que se contavam em torno do carioca hotel Copacabana Palace começaram a dar um tempo durante a décda-1970, quando seu criador, Octávio Guile, “partiu desta para uma melhor”, deixando dificuldades para os familiares manterem a casa, que andou perto de ser demolida, pra virar um centro comercial.
Os imensos salões do glamuroso Copa virariam novidades da época,
como rinques de patinação e pista de skate, por exemplo, e só parte da área seria
hotelaria. No entanto, a Secretaria Municipal de Planejamento do Rio de Janeiro
rechaçou o projeto, por unanimidade, porque o conceito que valia na época era reformar
velhos imóveis e revitalizá-los, economicamente. Assim, o Copa escapou das
picaretas e dos picaretas, sob comoção popular.
Quando nada, a decadência da casa valeu peninha do Instituto do
Patrimônio Histórico Artístico Nacional e do seu correlato municipal, que não
deixaram a casa viraria prédio de 37 andares. Preferiram deixa-lo com a sua
então nada boa impressão de decadência, exibindo móveis desgastado e preservação precária dos apartamentos, não
passando de um hotel com três estrelas.
Por ali, o Copa andava tão
brega que, ao ir ao Rio de Janeiro, para enfrentar o Botafogo, ou o Americano
(não me lembro bem) pelo Campeonato Brasileiro de Futebol, o Brasília Esporte
Clube recebeu da então Confederação Brasileira de Desportos (que pagava
passagens aéreas, alimentação e hospedagens dos clubes) pacote de hospedagem no
Copa. Como a agremiação tinha acordo com a Associação Brasiliense de Cronistas
Desportivos, de reservar uma passagem e hospedagem para um jornalista, a vez
foi do Jornal de Brasília, e o seu enviado especial (termo da época) seria
o Luís Augusto Guimarães Mendonça, o Luisinho, que não estava podendo viajar e
pediu-me para trocar a viagem com ele.
Para a imprensa candanga, motivo de grandes manchetes, pois seria a primeira vez que um clube de Brasília jogaria no Maracanã - beleza! Rumamos para o Rio e a delegação foi recebida, no aeroporto do Galeão, por Ildo Nejar, o diretor da CBD que cuidava dessa parte. Prstígio para o Brasília: Nem tanto: o almirante Heleno Nunes, irmão do vice-presidente da república, Adalberto Nunes, queria todo time de região onde a ARENA- Aliança Renovadora Nacional - partido dosm milares que mandavam noi pais - tinha dificudldes políticasa sendo recebidos pela CBD, no Rio de Jqneiro.
Pois bem! Quando chegamos ao Copacabana Palace e a rapaziada foi subindo aos seus apartamentos, fiquei apavorado com o barulhão que fazia o elevador. Desci e voltei, assombrado, com a impressão que o zuadão fosse de uma turbina de avião, ou de um prédio desabando. E desci, imediatamente, para comunicar ao supervisor do Brasília, o gente fina Edílson Braga, que não me hospedaria com a delegação. Faria a cobertura da partida e reencontraria o grupo no aeroporto, na volta a Brasília – ele ficava com as passagens.
Ainda com o barulhão do elevador nos meus oritimbós, telefonei ao
amigo Zildo Dantas, dn jornal O Dia, avisando-o
de que iria dormir na casa dele, e ele marcou encontro em um bar da Avenida
Atlântica, para derrubarmos uma cervejinha – devemos ter derrubado umas cinco naquele calorão carioca – e fomos pra o ap dele.
Deixei de dormir no Copacabana Palace Hotel – onde haviam dormido Rainha
Elizabeth II, da Inglaterra; o físico alemão Albert Einstein, criador da Teoria
da Relatividade; Santos Dumont, o “pai da aviação”; Pelé, o “Rei do Futebol”;
Walt Disney, o “Rei da Animação (cinematográfica); Fred Astaire, o “Rei do Sapateado”; Carmem Miranda, a bombshell luso-brasilera da música e do cinema daqui e dos Estados Unidos; as
atrizes Brigitt Bardot; Jayne Mansfield; Ava
Gardner, Marlene Dietrich, Jayne Mansfield, Rita Hayworth e Ginge Rogers - para passar a noite
sobre um sofá de curvin, na Cruzada de São Cristovão, aglomerado criado para
abrigar moradores da incendiada favela da Praia do Pinto.
Quando acordei no desconfortável sofá do Zildô, como a turma o chamava, ele me sacaneou: “Levanta, mané! Deveria ter dormido, no
Copacabana Palace, com a Ava Gardner”, no que espanei: “Eu, dormindo com a Ava
Gardner!”.
- Porque, não? Ela meteu xifre no Frank Sinatra, com todo mundo. Porque não o xifraria, também, com um repórter filho da puta e mau caráter, como você? - cá pra nóiz: quem tinha os amigos sacanões que eu tinha, precisava de inimigo pra quê? De quebra, depois de fugir do Copacabana Palace e me mandar para a Cruzada de São Cristóvão, o Brasília perdeu, por 1 x 0, com gol marcado por Té (Paulo Sérgio Possidente Campanário) e, pela minha matéria enviada, mandei dizer aos leitões brasilienses que “os elevadores do Copacabana Palace haviam assombrado o time candango, que entrara em campo com medo de fantasmas” – de bom tamanho?
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