Vasco

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quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

KIKE EDITORIAL - FLADITA -7

Durante a ditadura militar que mandou no Brasil por 21 anos – 1964 a 1985 –, o mais temível dos ditadores foi um flamenguista, o general Emílio Garrastazu Médici, que ia aos jogos dos rubro-negros, no Maracanã, levando um radinho à pilha que colava aos ouvidos. E os flamenguistas lhe deram muitas alegrias, conquistando sete campeonatos cariocas nos anos de chumbo, ou 33 por cento dessas disputas.
 Flamengo e ditadura militar brasileira tem tudo a ver. Pra começar, a república no Brasil começou com um general que se fez de generalíssimo (seis estrelas na gola da farda) e, sem demora, ouviu isso do grande ideólogo do novo sistema de governo implantado, o tenente-coronel Benjamin Constant:
 – Vossa Excelência derrubou o trono para fazer isso que estamos vendo: regime do absolutismo. Isto não é república.
  Vossa Excelência era o alagoano Deodoro da Fonseca, que devia a sua carreira ao imperador Pedro II, ao qual jurara lealdade eterna.
Pois bem! Era 14 de novembro de 1889, quando o Barão de Ladário, membro do gabinete chefiado por Afonso Celso de Assis Figueiredo, o Visconde de Ouro Preto, informou a este que Deodoro não se envolveria em nenhuma escaramuça contra a monarquia, sobretudo porque não estava bem de saúde. Quem tinha um informante daqueles, precisava de inimigo pra quê? No dia seguinte, o generalíssimo deve ter ingerido um remédio milagroso, pois mostrou-se inteiro para proclamar a república.
 Seis temporadas depois de o Brasil tornar-se republicano”, surgia o Clube de Regatas do Flamengo. Na verdade, dois dias após a república apagar a sexta velinha, no dia 17 de novembro. Só que a rubro-negrada preferiu adotar o 15 de novembro consagrado pelo ditador Deodoro como a data do registro de nascimento do “Urubu”.    
 O  “esporte predileto” do Flamengo, na década-1920, era perseguir o Vasco da Gama, porque este escalava atletas negros e brancos pobres em suas equipes. Deodoro da Fonseca, após vencer a primeira eleição republicana no Brasil, por voto indireto, ao contrário do que preconizava a constituição da recém criada república, passou a perseguir todos os seus adversários, principalmente os correligionários de Prudente de Morais, que governara São Paula, presidira a Assembleia Constituinte de 1891 e viria a ser o nosso terceiro presidente da república (1894/1898). Quatro dias após a sua confirmação na presidência da república, Deodoro demitiu todo o seu ministério e passou a ditar as ordens no país com a ajuda do Barão de Lucena,  Henrique Pereira de Lucena.
 Para perseguir ao Vasco da Gama, o Flamengo unia-se, principalmente, ao Fluminense, o que não era de se estranhar, pois um era filho do outro, representantes da elite carioca, ao contrário do time cruzmaltino, que era povão.
 Pode ser mera coincidência, mas é coincidência demais como Flamengo e ditadura militar brasileira andaram juntos. Exemplo? Em 1965, o governo do marechal Castelo Branco baixou o AI-2 (Ato Institucional Nº2), reabrindo processos de cassação, extinguindo partidos políticos, invadindo e desativando as suas sedes, e, também, intervindo no Judiciário. Naquele ano, o campeão carioca foi Flamengo. Ano em que a eleição presidencial passou a ser indireta e a constituição de 1946 foi suspensa, para os generais outorgarem uma outra ao país.
 Veio a década-1970. Médici estava no poder. Presos políticos desapareciam, torturas que ficariam bem nos filmes de Drácula eram cometidas e o país tornava-se o campeão mundial do terror. Em campo, em 1972, enquanto a ditadura dos generais apavorava, o Flamengo sagrava-se campeão do Torneio Internacional de Verão, do Torneio do Povo, da Taça Guanabara e do Campeonato Carioca. Era muita alegria para o presidente Medici, que comemorou, ainda, o título de campeão carioca-1974, em seu último ano de mandato. 
Em 1982, a ditadura terminou. Antes, porém, em 1981, o Flamengo foi campeão carioca, da Taça Libertadores e venceu o inglês Liverpool naquele amistoso, no Japão,  patrocinado pela Toyota, e que seus torcedores dizem ter sido o Campeonato Mundial Interclubes. Como viram, em tempos de ditadura, só dá Flamengo.       

        

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