Vasco

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domingo, 21 de maio de 2017

DOMINGO É DIA DE MULHER BONTIA - BIGA , A GUERRILHEIRA "HERMOSA"

Esta é uma emocionante história de amor, iniciada em uma ilha e interrompida na selva. Tipo daquelas que esgotavam as vendas das revistas “Capricho” e “Sétimo Céu”, durante a década-1960, comovendo jovens apaixonadinhas. Por astros desse enredo, entram uma professorinha carioca, de 23 anos de idade,  e um guerrilheiro equatoriano.
Fotos reproduzidas de "O Cruzeiro"
Tudo começou quando Abigail, a Biga, juntou-se a um grupo de amigas e foi passear em Cuba. Na ilha caribenha, ela conheceu, namorou e apaixonou-se, loucamente, por Santiago Pérez Leroux. Quando voltu ao Brasil, só pensava em reencontrá-lo. Em março de 1962, comprou passagens aéreas, a prestação, e foi reviver a paixão repentina. O que Abigail Pereira Nunes – filha do deputado Adão Nunes – não imaginava era o quanto seria perigoso aquele romance.  O namorado comandava uma organização clandestina rebelde que pretendia derrubar o governo do Equador. Estava na mira dos fuzis e das metralhadoras do poder.
 Biga chegou a Quito e passeou muito com o namorado. Enquato isso, a situação política do país efervescia. De repente, Santiago abriu o jogo e contou-lhe que o seu grupo viajaria para a selva, a fim de fazer uma guerrilheiro. Ela pediu para juntar-se ao grupo dele e, durante a noite fria de 30 de março, acompanhoucerca de 50 rapazes e mais três moças, para as montanhas de Santo Domingo de los Colorados, a 100 quilômetros de Quito.
Por amor a Santiago, Biga atravessou 13 quilômetros de mata, vencendo pântanos que a enlamaçavam até os joelhos e com chuva gelando o seu corpo de uma bonita morena brasileira. Seus pés inchavam dentro das botas, mas nada a desanivava segui-lo.
Biga carregava uma espingarda, que nem sabia usar. Ainda passaria por treinamento. Mas nem teve tempo. Enquanto Santiago esperava pela chegada de mais um grupo rebelde, centenas de soldados cercaram a área onde montariam o acampamento, com ordem de atirar para matar. Ela ouviu disparos de metralhadoras, segiu a sua rota e, no meio da caminhada, teve uma de suas pernas  ferida, deixando-a sem poder andar. Escondeu-se entre um tronco seco caído ao chão e o de uma árvore gigante. Por sorte, havia uma folha de bananeira que a cobriu e ela não foi vista pelos perseguidores.
Biga e o namorado Santiago
A noite chegou, trazendo chuva e frio. Foram três dias naquele martírio. Então, Biga saiu do econderijo e vagou pela floresta, sem mais contato com o namorado e força física. Desabou junto a uma vegetação rasteira. Achada por camponeses, foi levada para a casa de um índio colorado, para ser socorridas. Mas um dos camponeses a entregou aos militares, que a prenderam, como guerrilheira, sem que tivesse disparado um tiro.
 Levada para um quartel do exército equatoriano, Biga foi divulgada pela imprensa do país como uma “experiente revolucionária russa, ou cubana”.  Uma das manchetes dos jornais estampava: “Hermosa muchacha brasileña entre los guerrilleros”.
“Hermosa”, Abigail era. Guerrilheira, jamais. Apenas, uma jovem, tremendamente, apaixonada,que não via dificuldades para estar ao lado de quem amava. Caíra junto com 47 amigos do Comandante Santiago (e as outas três mulheres), que portavam 29 espingardas, três fuzis e uma submetralhadora. Em 10 de abril, ela passou a ocupar a cela 12 do “Carcel de Mujeres” da Penitenciária Nacional, em Quito, acusada de conspirar contra contra a segurança do estado equatoriano – Biga, no enanto, só queria beijinhos e amassos do namorado.         

                                      

 

 

 

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