Vasco

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quarta-feira, 19 de junho de 2019

O VENENO DO ESCORPIÃO - 00M & 007

      Em 1991, o ator inglês Roger Moore – representou o agente secreto 007, o James

Bond do cinema, em sete películas – veio ao Brasil prestigiar a posse do comediante

Renato Aragão como primeiro representante da UNICEF- Fundo das Nações Unidas para a Infância em seu mesmo cargo no país. Esteve por Recife, Fortaleza, Rio de Janeiro, São Paulo e Brasília, onde visitou o presidente Fernando Collor e o Congresso Nacional.  

Nesse périplo, Moore falou uma frase que teve repercussão pelo planeta: “`É mais fácil chamar a atenção para a floresta tropical do que para as crianças" - numa época em que nem havia tanta gritaria pela proteção da cobertura verde brazuca.

 Quando foi ao Congresso Nacional, após os contatos com os parlamentares, a dupla Moore-Aragão foi levada pelos seus assessores pra bater um papinho com os jornalistas, na sala de imprensa da Câmara dos Deputados. Chegarem e ficaram em pé, saudando a moçada com os tradicionais ôi, alô, helôu. Por alil eu ia entrando na sala, quando o fotógrafo Luís Antônio Alves que  trabalhava junto comigo no Jornal de Brasília, saiu cm esta:  “Chegou o 00M (M, de Mariani, como me chamavam).

 A rapaziada sorriu e o Renato Aragão fez um sinal para eu me aproximar da dupla. Não só aproximei-me, como fiquei no meio dos dois (todos os fotógrafos presentes clicaram a cena) e o indaguei:

- Renato! O que é que você está fazendo aí, que o 007 ainda não está com a camisa do nosso glorioso Vasco da Gama?

Uns vaiaram e os vascaínos, evidentemente, aplaudiram. O Morre, que não entendeu nada, olhou para o Aragão e eu, que falava inglês bem, na época, o expliquei do que se tratava. Ele disse que não conhecia o Vasco da Gama e que ficaria feliz se eu lhe enviasse uma camisa do clube. Pedi-lhe o seu endereço e ele tirou um cartão do bolso do paletó para me entregar.

 Pelo início da noite, quando cheguei à redação do JBr, o Luis Antônio, que chegara primeiro, havia pedido ao pessoal do Publiarte (Departamento de Publicidade de Arte) pra montar uma camisa do Vasco da Gama sobre o meu paletó e colou a foto no Flanerógramo do Chefe de Reportagem, com a manchete: “00M contra 007”.

 Comprei a jaqueta cruzmaltinada e a enviei para o Roger Moore que, tempinho depois, enviou-me um cartão postal, de Londres, agradecendo pelo presente. Então, o Roberto Stuckert, diretor do Departamento

Fotográfico e que era fanzaço dos filmes do James Bond, me encheu o saco para eu presnteá-lo com o card. De tanto encher o saco, propus-lhe:

- Tire uma foto minha, com o Roberto Dinamite – maior ídolo da torcida vascaína -, quando ele vier a Brasília, e o cartão será seu.

Aconteceu e fizemos a troca.  O mesmo Stuckert, ao revelar a foto, pediu ao pessoal do setor Composição para escrever uma manchete e, também, a colou  no Flanerógramo, com a frase:

- Trocou 007 por Dinamite.

Tempos depois, quando não trabalhávamos mais juntos, encontrei o Tukão, com eu o chamava (pesava uns 130 quilos e media cerca 1m70cm) em uma procissão da Igreja Nossa do Lago (no Lago Norte de Brasília) e o sacaneei:

- Porra, mermão! Depois de beber todas as cachaças do mundo e sacanaer o planeta inteiro, vem pedir perdão a Deus?

Ele mandou uma  reposta com nada a ver:

-  Ainda tenho aquela foto sua com o 007.

- Então, traga-a para mim, que não a tenho mais. Emprestei a um amigo vascaíno (Raimundinho Maranhão) que não a devolveu, e nem a  devolverá – falei.   

- Trago na missas de domingo –  prometeu.

Roberto Stuckert reproduzido do Jornal de Brásília 

Por aquele tempo, eu levava a “Santa Maria”, como a moçada chamava a minha mulher (que aguentava, numa boa, todas as cachaçadas eu mandava ver e fora criada pela Igreja Católica, no Sul do Maranhão) a todas às missas dominicais. No momento da comunhão, ao ver o Stukão (e a mulher dele) na fila, apressei-me para furá-la e ficar à sua frente. Então, ele enfiou uma das mãos no bolso direito do paletó (ia à missa do jeito que ia às pautas do jornal) e passou-me a foto, exatamente, quando eu estava recebendo a hóstia consagrada. No clamor da hora, coloquei a foto na boca e fiquei com a hóstia entregue aos fiéis na mão esquerda.

 Depois da missa, o Stukão virou-se pra mim e disse:

- Porra, camaradinha! Depois dessa, você pra mim, agora, é o repórter 000. E olhe que, ainda, posso lhe rebaixar mais.

Final às 12h50 de 15.01.2026 (quinta-feira) e trazido para cá pelo TÚNEL DO TEMPO.        



   

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