Em 1991, o ator inglês Roger Moore – representou o agente secreto 007, o James
Bond do cinema, em sete películas – veio ao Brasil
prestigiar a posse do comediante
Renato Aragão como primeiro representante da UNICEF- Fundo das Nações Unidas para a Infância em seu mesmo cargo no país. Esteve por Recife, Fortaleza, Rio
de Janeiro, São Paulo e Brasília, onde visitou o presidente Fernando Collor e o
Congresso Nacional.
Nesse périplo, Moore falou uma frase que teve repercussão
pelo planeta: “`É mais fácil chamar a atenção para a floresta tropical do que
para as crianças" - numa época em que nem havia tanta gritaria pela
proteção da cobertura verde brazuca.
Quando foi
ao Congresso Nacional, após os contatos com os parlamentares, a dupla Moore-Aragão
foi levada pelos seus assessores pra bater um papinho com os jornalistas, na
sala de imprensa da Câmara dos Deputados. Chegarem e ficaram em pé, saudando a
moçada com os tradicionais ôi, alô, helôu. Por alil eu ia entrando na sala,
quando o fotógrafo Luís Antônio Alves que trabalhava junto comigo no Jornal de Brasília, saiu cm esta: “Chegou o 00M (M, de Mariani, como me chamavam).
A
rapaziada sorriu e o Renato Aragão fez um sinal para eu me aproximar da dupla.
Não só aproximei-me, como fiquei no meio dos dois (todos os fotógrafos presentes
clicaram a cena) e o indaguei:
- Renato! O que é que você está fazendo aí, que o
007 ainda não está com a camisa do nosso glorioso Vasco da Gama?
Uns vaiaram e os vascaínos, evidentemente, aplaudiram.
O Morre, que não entendeu nada, olhou para o Aragão e eu, que falava inglês bem,
na época, o expliquei do que se tratava. Ele disse que não conhecia o Vasco da
Gama e que ficaria feliz se eu lhe enviasse uma camisa do clube. Pedi-lhe o seu
endereço e ele tirou um cartão do bolso do paletó para me entregar.
Pelo início
da noite, quando cheguei à redação do JBr, o Luis Antônio, que chegara primeiro,
havia pedido ao pessoal do Publiarte
(Departamento de Publicidade de Arte) pra montar uma camisa do Vasco da Gama sobre
o meu paletó e colou a foto no Flanerógramo
do Chefe de Reportagem, com a manchete: “00M contra 007”.
Comprei a
jaqueta cruzmaltinada e a enviei para o Roger Moore que, tempinho depois, enviou-me
um cartão postal, de Londres, agradecendo pelo presente. Então, o Roberto Stuckert,
diretor do Departamento
Fotográfico e que era fanzaço dos filmes do James
Bond, me encheu o saco para eu presnteá-lo com o card. De tanto encher o saco,
propus-lhe:
- Tire uma foto minha, com o Roberto Dinamite –
maior ídolo da torcida vascaína -, quando ele vier a Brasília, e o cartão será
seu.
Aconteceu e fizemos a troca. O mesmo Stuckert, ao revelar a foto, pediu ao
pessoal do setor Composição para
escrever uma manchete e, também, a colou
no Flanerógramo, com a frase:
- Trocou 007 por
Dinamite.
Tempos depois, quando não
trabalhávamos mais juntos, encontrei o Tukão, com eu o chamava (pesava uns 130
quilos e media cerca 1m70cm) em uma procissão da Igreja Nossa do Lago (no Lago
Norte de Brasília) e o sacaneei:
- Porra, mermão! Depois
de beber todas as cachaças do mundo e sacanaer o planeta inteiro, vem pedir
perdão a Deus?
Ele mandou uma reposta com nada a ver:
- Ainda tenho aquela foto sua com o 007.
- Então, traga-a para
mim, que não a tenho mais. Emprestei a um amigo vascaíno (Raimundinho Maranhão)
que não a devolveu, e nem a devolverá –
falei.
- Trago na missas de
domingo – prometeu.
Por aquele tempo, eu levava a “Santa Maria”, como a moçada chamava a minha mulher (que aguentava, numa boa, todas as cachaçadas eu mandava ver e fora criada pela Igreja Católica, no Sul do Maranhão) a todas às missas dominicais. No momento da comunhão, ao ver o Stukão (e a mulher dele) na fila, apressei-me para furá-la e ficar à sua frente. Então, ele enfiou uma das mãos no bolso direito do paletó (ia à missa do jeito que ia às pautas do jornal) e passou-me a foto, exatamente, quando eu estava recebendo a hóstia consagrada. No clamor da hora, coloquei a foto na boca e fiquei com a hóstia entregue aos fiéis na mão esquerda.
Depois da missa, o Stukão virou-se pra mim e
disse:
- Porra, camaradinha!
Depois dessa, você pra mim, agora, é o repórter 000. E olhe que, ainda, posso
lhe rebaixar mais.
Final às 12h50 de
15.01.2026 (quinta-feira) e trazido para cá pelo TÚNEL DO TEMPO.

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