O torcedor do Clube Atlético Mineiro comemorou, gritou e profetizou que o gol marcado por Dario, aos 31 minutos da primeira rodada do Estadual-1970, seria o começo do título que não vinha depois de 1963. Desde que o Mineirão fora inaugurado – em 5 de setembro de 1965 –, o “Galo” jamais conquistara nada na casa. Assistia ao desfile de cinco títulos do rival Cruzeiro – 1965 e 1969 –, deixando-lhe sempre vice.
Ao final daquela
rodada inicial do Estadual, a euforia atleticana parecia exagerada. Enquanto o
seu time mandava 3 x 2 Valério – 27 de junho –, um dia depois a “Raposa”
sapecava 5 x 2 Uberlândia, no mesmo gramado. Na rodada seguinte, os dois
trocaram os adversários. Enquanto os atleticaos passavam apertados (1 x 0) pelo
Uberlândia, o Cruzeiro (3 x 0) passeava diante do Valério. Mas o torcedor
galense não abaixou a bola.
Veio a terceria
rodada e o Atlético-MG goleou o Uberaba (4 x 0), enquanto a turma celeste
sofreu (1 x 0) para derrubar o Flamengo, de Varginha. Melhor ainda nas duas
rodadas seguintes. A “Raposa” empacou (0 x 0) no Atlético, de Três Corações, e
foi mordiada (1 x 2) pelo “Coelho”, o América-MG, enquanto o “Galo” cozinhava (4 x 0) o
Flamengo-VG, e o Villa Nova, de Nova
Lima (3 x 0).
Mas o
Atético-MG, também, escorregou – 0 x 1 Sport, de Juiz de Fora, para os
cruzeirenses sorrirem (1 x 0) encarando o Uberaba. Mas estava bom,
principalmente porque, dias depois, os alvinegros da capital mineira (4 x 0)
trucidaram o Fluminense, de Araquari, e tripudiaram de Cruzeiro 2 x 2 Villa
Nova.
Os cruzeirenses,
porém, reagiram (5 x 0 ) em cima do Tupi, de Juiz de Fora, com Tostão marcando
quatro tentos. Muito mais retumbante do que (2 x 0) a vitória do xará de BH
sobre o xará da terra de Pelé.
Com o “Galo”
espantando (1 x 0) o “Coelho” e o Flu de Araguari segurando (1 x 1) a “Raposa”,
ficara tudo do jeito que o diabo gosta. A tabela classificatória pegou mais
fogo com o Cruzeiro (5 x 0) escalpelando o Sport, após o Atlético-MG esfolar (3
x 0) o Tupi, na preliminar. Mas o melhor de tudo, para os atleticanos, rolou no
2 de agosto: 2 x 1 Cruzeiro, diante de 106 mil, 155 pagantes, com Dario
marcando o gol da vitória, aos 40 minutos do segundo tempo. A torcida
atleticana não tinha mais dúvida: 1970? Galo 2 x 1? Não seria mais um outro ano
da “Raposa”.
Dada a largada
para o segundo turno, o “Galo” seguiu mandando no terreiro – 2 x 0 Valério; 1 x 0 Uberlândia; 2x 1
Uberaba; 3 x 1 Fla Varginha; 3 x 2 Villa Nova; 3 x 1 Sport; 1 x 0 Flu Araguari;
2 x 0 Atlético TC; 3 x 0 América-MG e 3 x 1 Tupi – até o clássico final com o
“penta” celeste. Em 20 de setembro, com
arbitragem de Jarbas de Castro Pedra, o Atlético-MG abriu o placar, aos 22
minutos, por Dario, para a festa começar – Zé Carlos ematou, aos 30, mas o 1 x
1 era suficiente para Minas ter um novo, campeão. Campeoníssimo! Em sua página
de humor, o jornal “Diário da Tarde” escancarou o desenhode um galo
discursando: “Declaro inaugurado, oficialmente, o Mineirão”.
O
time do jog do título teve: Careca; Humberto Monteiro, Grapete, Vantuir e
Cincunegui; Vanderlei e Oldair; Vaguinho, Laci, Dario e Tião. O Cruzeiro
alinhou: Raul; Pedro Paulo, Brito, Fontana e Vanderlei; Piazza e Zé Carlos;
Natal, Tostão, Dirceu Lopes e Hilton Oliveira.
Além
dessa rapaziadacitada acima, o “Galo” teve mais um grande campeão: o teinador
Telê Santana. Se Paulo Amaral, Fleitas Solich e Yustrich o deixaram por sete
temporadas sonhado, Telê, vendo que a sua turma sabia até onde poderia chegar,
deu-lhe liberdade de ação em campo, por entender que só um homem livre pode
produzir.
Livre, a turma atleticana produziu 51 gols – levou
11 –, com Dario (16) sendo o grande “matador”. Até o “pé torto” Vanderlei Paiva
(4) e o lateral uruguai Cincuneguia (1), há duias tempadas no clube, acertaramo
apontaria. Aliás, de toda a rapaziada, só o goleiro Careca e os zagueiros
Vantuir e Grapete não bateram na rede.
Telê
Santana aproveitou a tempradas para lançar três crias da casa, os juvenis
Pedrinho, Humberto Ramos e Romeu, que não quebraram a harmonia tática do time
quando substituíram titulares. A juventude mesclava-seà experiência do veterano
Oldair, de 31, o capitão do “barco”, que contava com o motor de explosão movido
à Vaguinho. E com uma importante peça ofensiva, o ponteiro esquerdo Tião, o
Tião “Cavadinha” dos tempos de Yustrich.
No preparo físico, a moçada foi trabalhada por Roberto Bastos, filho do goleiro lendário Kafunga. Ele usou o mesmo sistema usado pela Seleção Basileira, na fase antes de ir ao México buscar a taça do tri. Enfim, do início a fim da tempoada, o “Galo” correu a todo o vapor, sem problemas de contusões e jamais abrir o bico – 1970, o ano do “Galo”.
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