Vasco

Vasco

terça-feira, 1 de setembro de 2015

HISTÓRIAS DO FUTEBOL BRASILIENSE CANDANGO. TORCEDORE MORTAÇAÇO REAPARECE VIVO NA TORCIDA DO GAMA

                                                                      JBr de 26.12.17

18.03.1979 -  Muitos homens sonham com a imortalidade física, o que ainda não foi possível a ciência permitir-lhes. No entanto, na torcida do Gama isso já aconteceu.. Já houve  um ex-morto na galera. História esquisita. Acompanhe:

 |O cara chama-se Italício Vieira da Silva e era torcedor fanático pelo “Gamão do Povão”. |Nasquele março de 1979, havia passado  mal quando o time alviverde entrava em campo para enfrentar o Taguatinga Esporte Clube, pelo Torneio Seletivo que apontaria o segundo representante do futebol candnago ao Campeonato Nacional.

  Italício tivera a sorte de o terem levado ao médico do Gama, José Aparecido Jorge, que prestou-lhe os primeiros socorros. Depois, no hospital , conseguiram recuperá-lo. Ele tinha problemas coronários e ia aos jogos do Gama por teimosia. Já havia passado por sobressaltos ao final da estreia do time – Gama 2 x 0 Sobradinho, em 4 de março de 1979, quando Rodolfo, Carlão, Quidão, Décio, Manoel Silva, Santana, Péricles, Julio, Roldão,  Vicente e Clayton quase o mataram, seguindo as ordens tática do treinador Bugue – Joaquim Cristiano.

 No jogo seguinte, por pressão de familiares, Italício não foi ao estádio e nem viu Cláudio, aos 33 minutos, marcar o gol de Gama 0 x 1 Desportiva Bandeirante. Ainda bem!  – Rodolfo, Carlão, Quidão, Manoel Silva, Kel, Santana, Péricles, Roldão, Vicente (Careca) e Clayton passaram vexame, no 7 de março de 1979.

 Quatro dias depois, foi preciso muito trabalho da família para Italício não ir a Gama 2 x 0 Guará – Rodolfo, Carlão, Quidão, Décio, Manoel Silva, Santana (Vicente), Péricles, Roldão, Careca e Clayton jogaram. Mas não houve como segura-lo para não ir a Gama 1 x 0 Taguatinga, no 18 de março. Quando viu Rodolfo, Carlão, Décio, Manoel Silva, Santana, Péricles, Vicente, Roldão, Clayton e Tico entrando em campo, o coração de Italício aprontou.

 Pelo final da partida, o presidente gamense, Osvando Lima, que fazia e falava qualquer coisa para promover o seu clube, disse ao Jornal de Brasíia que “o Gama já estava até matando torcedor, pelo coração”. E todos os repórteres entenderam que Ialício havia ido nessa. No dia seguinte, estava nos jornais e  divulgado, também, pelas emissoras de rádio e de TV.

 Veio o jogo seguinte, abrindo o returno do Seletivo e o Gama mandou 2 x 0 Sobradinho, com dois gols de Péricles – Rodolfo, Carlão, Décio, Kel, Manoel Silva, Santana, Júlio (Clayton), Péricles, Dácio (Cláudio), Manoel Ferreira e Careca tiveram que reverenciar Italício, por um minuto de silêncio, no 22 daquele março.

 Para o jogo do dia 26, contra a Desportiva Bandeirante, o Gama queria vingança e, antecipadamente, o técnico Bugue (Joaquim Cristiano Neto)  anunciou o “time vingador”: Rodolfo; Carlão, Déciol Kel e Manoel Silva; Santana, Péricles e Manoel Ferreira, Roldão (cedeu vaga a Décio, na etapa final), Clayton e Tico (Careca entrou, depois, em sua vaga).

Quando a bola rolou, Italício foi visto vivinho da silva, na arquibancada, com o seu radinho à pilha, ouvindo a narração de Marcelo Ramos, pela Rádio Capital. Quando o “speaker” gritava “Gamão do Povão”, ele vibrava e contagiava a galera.

Pena que Italício, o “novo vivo”, não tivesse ido ao jogo anterior. Poderia ter testemunhado o primeiro minto de silêncio em memória a um “ex-morto”, ressuscitado pelo Dotô Jóge”, como os jogadores gamenses chamavam o médico do clube, José Aparecido Jorge que, no esporte universitário, era o Mustache, devido ao seu grande bigodão.

 DETALHE: na época, o futebol candango prae heróis, como Italício. Não havia  representação política no DF e os dirigentes tiravam dinheiro dos seus bolsos, por paixão. Era difícil a Federação Metropolitana de Futebol conseguir pagar Wolney Bezerril, Edson Rezende, Roberto Noronha, Antônio Barbosa, Manoel Batista, Carlos Alberto Santos ou Valterley Pereira, só para citar poucos árbitros.

Pra piorar as rendas das rodadas não davam pagar cobrir as despesas das partidas. Por exemplo, Ceub 2 x 0 Flamengo-DF, em 23.06.1976,  teve 253 pagantes e rendeu Cr$ 25 mil 380 irrisórios cruzeiros; Gama 0 x 1 Desportiva foi a Cr$ 47 mil e 300 cruzeiros e Gama 2 x 0 Sobradinho pingou Cr$ 32 mil, 350 cruzeiros. Era um futebol jogado com o coração. Só mesmo os médicos Flory Machado e José Aparecido Jorge para passar as tardes de domingo longe de suas famílias, sem saber quando o salário pintaria - se pintasse.     

 

 

 

Nenhum comentário:

Postar um comentário