18.03.1979
- Muitos homens sonham com a
imortalidade física, o que ainda não foi possível a ciência permitir-lhes. No
entanto, na torcida do Gama isso já aconteceu.. Já houve um ex-morto na galera. História esquisita.
Acompanhe:
|O cara chama-se Italício Vieira da Silva e
era torcedor fanático pelo “Gamão do Povão”. |Nasquele março de 1979, havia passado
mal quando o time alviverde entrava em
campo para enfrentar o Taguatinga Esporte Clube, pelo Torneio Seletivo que
apontaria o segundo representante do futebol candnago ao Campeonato Nacional.
Italício tivera a sorte de o terem levado ao
médico do Gama, José Aparecido Jorge, que prestou-lhe os primeiros socorros.
Depois, no hospital , conseguiram recuperá-lo. Ele tinha problemas coronários e
ia aos jogos do Gama por teimosia. Já havia passado por sobressaltos ao final
da estreia do time – Gama 2 x 0 Sobradinho, em 4 de março de 1979, quando Rodolfo,
Carlão, Quidão, Décio, Manoel Silva, Santana, Péricles, Julio, Roldão, Vicente e Clayton quase o mataram, seguindo as
ordens tática do treinador Bugue – Joaquim Cristiano.
No jogo seguinte, por pressão de familiares,
Italício não foi ao estádio e nem viu Cláudio, aos 33 minutos, marcar o gol de
Gama 0 x 1 Desportiva Bandeirante. Ainda bem!
– Rodolfo, Carlão, Quidão, Manoel Silva, Kel, Santana, Péricles, Roldão,
Vicente (Careca) e Clayton passaram vexame, no 7 de março de 1979.
Quatro dias depois, foi preciso muito trabalho
da família para Italício não ir a Gama 2 x 0 Guará – Rodolfo, Carlão, Quidão,
Décio, Manoel Silva, Santana (Vicente), Péricles, Roldão, Careca e Clayton
jogaram. Mas não houve como segura-lo para não ir a Gama 1 x 0 Taguatinga, no
18 de março. Quando viu Rodolfo, Carlão, Décio, Manoel Silva, Santana,
Péricles, Vicente, Roldão, Clayton e Tico entrando em campo, o coração de
Italício aprontou.
Pelo final da partida, o presidente gamense,
Osvando Lima, que fazia e falava qualquer coisa para promover o seu clube,
disse ao Jornal de Brasíia que “o Gama já estava até matando torcedor, pelo
coração”. E todos os repórteres entenderam que Ialício havia ido nessa. No dia seguinte, estava nos jornais e divulgado, também, pelas emissoras de rádio e
de TV.
Veio o jogo seguinte, abrindo o returno do
Seletivo e o Gama mandou 2 x 0 Sobradinho, com dois gols de Péricles – Rodolfo,
Carlão, Décio, Kel, Manoel Silva, Santana, Júlio (Clayton), Péricles, Dácio
(Cláudio), Manoel Ferreira e Careca tiveram que reverenciar Italício, por um
minuto de silêncio, no 22 daquele março.
Para o jogo do dia 26, contra a Desportiva
Bandeirante, o Gama queria vingança e, antecipadamente, o técnico Bugue
(Joaquim Cristiano Neto) anunciou o
“time vingador”: Rodolfo; Carlão, Déciol Kel e Manoel Silva; Santana, Péricles
e Manoel Ferreira, Roldão (cedeu vaga a Décio, na etapa final), Clayton e Tico
(Careca entrou, depois, em sua vaga).
Quando
a bola rolou, Italício foi visto vivinho
da silva, na arquibancada, com o seu radinho à pilha, ouvindo a narração de
Marcelo Ramos, pela Rádio Capital. Quando o “speaker” gritava “Gamão do Povão”,
ele vibrava e contagiava a galera.
Pena
que Italício, o “novo vivo”, não
tivesse ido ao jogo anterior. Poderia ter testemunhado o primeiro minto de
silêncio em memória a um “ex-morto”,
ressuscitado pelo Dotô Jóge”, como os jogadores gamenses chamavam o médico do
clube, José Aparecido Jorge que, no esporte universitário, era o Mustache, devido ao seu grande bigodão.
Pra
piorar as rendas das rodadas não davam pagar cobrir as despesas das partidas.
Por exemplo, Ceub 2 x 0 Flamengo-DF, em 23.06.1976, teve 253 pagantes e rendeu Cr$ 25 mil 380
irrisórios cruzeiros; Gama 0 x 1 Desportiva foi a Cr$ 47 mil e 300 cruzeiros e
Gama 2 x 0 Sobradinho pingou Cr$ 32 mil, 350 cruzeiros. Era um futebol jogado
com o coração. Só mesmo os médicos Flory Machado e José Aparecido Jorge para
passar as tardes de domingo longe de suas famílias, sem saber quando o salário
pintaria - se pintasse.
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