Vasco

Vasco

sábado, 14 de dezembro de 2019

O VENENO DO ESCORPIÃO - XÁKIS-PÉ-ÁRI PEGAVA TREM DOS OUTROS EMPRESTADO

Ficou careca de tanto surripiar...
IMAGENS REPRODUZIDAS DE CAPAS DE LIVROS
  Já teve gente acreditando que o continente da Atlântida existiu; que Jesus Cristo não existiu; que melhores tempos existirão e que William Shakespeare fora uma invenção de condes, poetas, filósofos e dramaturgos  ingleses - William Stanley (Conde de Derby); Edward Vere (Conde de Oxford); Roger Manners (Conde de Rutland); Francis Bacon (político, cientistas, filósofo e ensaístas inglês) e Christopher Marlowe (dramaturgo e poeta inglês). Um deles, seria o cara, ou, digamos, um Shakesperare alternativo.     
 O poeta, dramaturgo, artista plástico e cineasta francês Jean Cocteau rejeita a tese acima, peremptoriamente, e prega que, se William Shakespeare não existiu, as suas peças foram escritas por um impostor que se chamava, também, William Shakespeare. E se alista nas fileiras do que acreditam que ele tenha nascido na inglesa Stratford-upon-Avon e vivido entre 1564 a 1616.
...ideias de outros escritores...
 Além de ter sido um sujeito atlanticado e jesuscristado, o bardo (nem tanto, pois em sua época já havia a escrita) Shakespeare nasceu - se é que nasceu – sob o signo das esquisitas inglesas. Se estes venderam nas telas que Só se vive duas vezes, na saga do agente secreto James Bond -, para o glorioso William criaram duas mortes. Mataram-no, pela primeira vez, de morte morrida, em 23 de abril de 1816, pelo calendário juliano, e, depois, transferiram a data e o mataram, de morte matada, em 3 de maio, quando já vigia o calendário gregoriano.
 Se Shakespeare nasceu e dramaturgou, ou  não, o certo é que, pelo menos, no que diz respeito a caráter, ele  não envergonhou ao mala Leonardo da Vince. Por aquela sua época vivencial, ainda não haviam inventado a falsidade ideológica. Ele escrevia o seu sobrenome por 16 maneiras diferentes, embora ninguém jamais provasse que seria para fugir de cobradores – o esporte predileto do Leo da Vinci.
... mas as tornava brilhantérrimas... 
Mas, se o caso é fuga desabaladas, Shakespeare fugiu da polícia stradfordiana, por ter invadido propriedade privada e matado um veado. Ainda bem que ele se deu bom com os veados. Ao ser descoberto na boca do crime, escapou, para Londres, onde arrumou emprego do que seria, hoje, flanelinha de cavalos e carruagens dos bacanas que frequentavam o Teatro Globe.
 Como só ficar na porta do teatro não dava camisa a ninguém. Shaxpere (uma de suas assinaturas) decidiu, então, adentrar ao recinto daquela douta casa, virando ator de companhias fuleiras. Aos 19 de idade, aplicou o golpe do baú, casando-se com a coroa (para a época) Anne Hathaway, de 26. Depois de atorizar, resolveu dramaturizar. E, sem demora, arrumou encrenca com o colega Robert Greene, que o acusou de roubar obras alheias.
Na verdade, Shakespere (uma outra assinatura) não ia fundo no roubo. Apenas pegava emprestado o que gostava das obras de outrem e os adequava aos seus ritmos cênico expressões dramática. Digamos, um roubinho, ligeiramente leve. 
 Especialista nessa malandragem, William Shakespeare deu uma sacada no livro Palace of Pleasure, de William Paitner, escrito oito temporadas antes de ele nascer, e gostou tanto que dele pegou empréstimos para uma de suas obras mais cult, Romeu e Julieta. Do mesmo, abasteceu-se de ideias para  Timon de Atenas e Tudo bem quando acaba bem.
... caso desta aqui. Por isso...
Tudo bem! Afinal, William visitava páginas escritas gente fina, como Givanni Boccacio, Plutarco, Tito Lívio, Matteo Bandello, só fera. Nenhum dos seus desafetos reclamou por ele ter visitado o italiano Giovanni Fiorentino e pegado empréstimos para o Mercador de Veneza, saído de Il Pecorone e rolado na peça The Three Ladies of London. Também, nenhum descendente de Thomas Elyot reclamou da sua visita a Os dois cavaleiros de Verona, que já havia esquipado em The Governouer, em 1531, mais de três décadas antes de sua estreia no planeta.
 Foi por aquele mesmo 1531 que se publicou e representaram, na italiana Siena, a comédia Gl´Inganatti, que Shakespeare reproduziu-a como Noite de Reis. Por sinal, deveria ser grande a simpatia dele pelos italianos. A sua Medida por Medida, por exemplo, ele foi buscar lendo a novela Gli Hecatommithi, de Giovanni Battista Giraldi Cinthio. De quebra, aproveitou a obra e inseriu itens dela na tragédia Epítia.  
  Shakespeare deveria ser um rato de biblioteca. A julgar pelas visitas que fazia aos antigos dramaturgos, como o romanos Tito Mácio Plauto e o (mais um) italiano Ludovico Aristo. Do primeiro, pescou, de peças escritas entre 205 a 184 antes de Cristo,  A Comédia dos Erros.
...um sujeito selado, carimbado.
 Do segundo (1474 e 1533), A Megera Domada, no original I Suppositi, adaptada pelo inglês George Gascoine e titulada por Supposes. Foi publicada, em 1575, e vendida, em Londres, em 1594, bem antes da adaptação williamshakespeareana. Por sinal,  dizem estudiosos do chamado (erroneamente) bardo inglês ter este aprendido o idioma italiano de tanto estudar a obra Orlando Furioso, de Ariosto,  fonte de inspiração para a tragédia Rei Lear.
Quanto levariam, por cobrança de direitos autorais, os italianos visitados pelo adaptador Shakespeare? Um que, certamente, exigira a sua cota seria Giovanni Francisco Straparola (1480 a 1557). Autor de La Piacevoli Notti, esta foi gerar As Alegres Comadres de Windsor, que deram um passeadinha pelo Decamaron, de Giovanni Boccaccio (1313 a 1375). 
Dizem que Shakespeare enricou-se, como teatrólogo, e até comprado o londrino Teatro Globo, na porta do qual tomara conta de cavalos e carruagens – vale uma peça, sem adaptador. Principalmente, de três pontas,  o terror dos celulares dos estrangeiros que visitavam o Brasil da época de governo do PT.          
  

Nenhum comentário:

Postar um comentário