No dia 19 de abril de 1970, o
torcedor brasileiro tinha motivos para sonhar mais do que só com as vitórias do
seu time: surgia a Loteria Esportiva, para ele mostrar que entendia muito de
futebol, acertar os 13 vencedores da cartela de apostas, ganhar um concurso
sozinho e ficar rico.
Naquele dia, aconteceu um cuncorso experimental válido só para o antigo Estado da Guanabara. Em 17 de maio, a sorte estava lançada, também, para o apostador de São Paulo, Belo Horizonte e Brasília, com a bola rolando, oficialmente, só a patrir de 7 de junho, quando vários trorcedores/apostadores acertaramn os 13 pontos. Mas o primeirão, sozinhão, a ganhar veio no Teste 5, de 28 de junho. Chamava-se Gilberto Furtado Medeiros e acertou 12 palpites, em um volante que teve oito empates.
O primeiro, no entanto, a ficar milionário,
foi o maquinista Josino Viriato do Carmo, que embolsou, em agosto de 1970, Cr$
2, 9 milhões de cruzeiros (moeda da época), que valeria, hoje, RS 5,4 milhões
de reais. Porém, terminou a vida, em 2.000, pobretão.
Milionário, aos 23 de idade, ele comprou vários imóveis, inclusive um apartamento na charmosa Avenida Vieira Souta, da badalada Ipanema, dos edereços mais caros do Rio de Janeiro - e do país, E dois hotéiss na paulsita Campos do Jordçao. Deixava para trás aquele tempo em que o aposentado do seu pai – mãe dona de casa, sem trabalhar fora – não tinha dinheiro para ele assistir aos jogos do Madureira Atlético Clube, o que lhe fazia pular o muro do estádio da Rua Conselheiro Galvão, junto com ao amigos da rua, pra ver a bola rolar.
O garoto Dudu, aos 17, sonhava ser
jornalista. Era fã, também, da escola de
samba Império Serrano, do seu bairro, e a viu ser campeã do Caranval carioca quando
ele estava com oito de idade. No seu 1972 de sorte, o Império voltou a ser campeão,
bem como o time pelo qual torcia, o Flamengo.
Tendo apostado dentro loja do amigo de infância Moacir Rodrigues (ex-patrão),
o Dudu foi para a casa da noiva Tereza Cristina, na noite do domingo, e os dois
ficaram fazendo planos para o futuro, na varanda do número 15 da Rua Pereira Costas, da pequena Vila Nossa Senhora
Aparecida, em Madureira. Planejavam se casar, pelo início de 1973, e alugar um
aparatamento, com os Cr$ 800 que ele ganhava e os Cr$ 500 que ela passaria a
ganhar. E economizariam para comprar um Fusca e uma casa na Madureira onde
nasceram, foram criados e tinham os seus amigos.
Sonhos de namorados rolando, ao
voltar pra casa, o Dudu ligou a TV em um programa esportivo e este anuciou um
resultado errado da Loteca, que o deixava com 12 palpites certos. Mas havia acertado
os 13. Na terça-feira, aproveitou o horário do almoço, deu uma saidinha da Fábricas
Borborema, onde era chefe de expedição, e foi até a loja do amigo Moacir, onde
ficara sabendo que estava rico.
O Dudu
da Loteca, ao ficar rico, colocou quase
tudo o que adquiriu em nome do sogro Alberto. Sem experiência para administrar nada, foi acusado, pelo Fisco paulista, de sonegação de impostos. Quando separou-se da mulher, em 1976,
perdeu a fortuna e ficou só com duas salas no centro do Rio e um imóvel, em
Itaipava, na serrana região do RJ - o ex-rico trabalhava
como empregado de uma corretora de valores.
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