Vasco

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terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

JAIRZINHO FURACÃO DA COPA CRIOU CRUZAMENTO "RECUADO RASTEIRO"

 Em 2010, pouco antes da Copa do Mundo, fiz uma entrevista com Jairzinho (O Furacão da Copa-70) e ele sustentava que a Seleção Brasileira tivera cinco camisas 10 – Gérson, Tostão, Pelé, Rivelino e ele - durante a conquista do Mundial (no  México). Discordei dele, por este papo:

- Gérson (Nunes de Oliviera) era o único camisa 10 (pela ótica de então, quando o 10 era o cara que pensava o jogo); Tostão também era camisa 8, no Cruzeiro, o maio golador da equipe, mas nunca fora um 10 armador; Pelé era goleador sem obrigação de ajudar na armação; Rivelino idem, e você, Jairzinho, embora vestisse a 10 botafoguense, era um autêntico camisa 9, dividindo a função com o Roberto Miranda.

Reprodução de site botafoguense e de youtube

Jairzinho lembrou que Gérson usava a camisa 10 no São Paulo e seguia sendo um autêntico 10. Fui, então, para uma outro lance:

- Na Seleção-70, Gérson foi camisa 10, realmente, mas você um autêntico ponteiro (direito) camisa 7; Rivelino fazia de contas que seria um ponteiro camisa 11, mas não armava jogo; Tostão, idem, tendo sido o camisa 9, e o Pelé um 10 que não era um 10 autêntico.

 Discutimos mais e não chegamos a um acordo. E o papo foi parar em conversa sobre o início da carreira dele, que me contou assim: 

 - Quando era moleque, de 11 de idade, vivia batendo bola,em um local do lado do Estádio General Severiano, pertinho de onde eu residia. Por tirar boas notas na Escola Francisco Alves, tinha a complacência da Professora Cecília, que nada contava à sua mãe - Dolores Alves Santos -, que não era muito simpática ao meu futebolismo. Só depois que perdeu o meu pai – Jair Ventura - ela deixou de implicar com a minha bola - já com 13.

 Por aquele tempo, o Botafogo não impedia quem quisesse de assistir aos seus treinos, e o moleque Jairzinho, muitas veze, matava aulas para saber se o Mané Garrincha era mesmo aquele “demônio” que os mais velhos falavam, evidentemente, contanto com o silêncio da Professor Cecília, que fazia de contas não ter notado a ausência dele durante as aulas do dia de treinos alvinegros.

  Lá pelas tantas -  contou - quando já estava com físico mais desenvolvido, o Jairzinho criou coragem, aproximou-se do treinador Paraguaio, que a sua turma conhecia – dos treinos do Botafogo e de vê-lo passando do lado onde rolavam a bola – e pediu uma chance para treinar entre os juvenis. Treinou, agradou, foi instruído a procurar a secretaria do Departamento de Futebol e se inscreveu como como atleta. 

 - De tão exultante que fiquei, a minha maior preocupação nem foi me programar para o segundo treino, mas contar a todos os vizinhos - relatou.

 Carioca, nascido no 25 de dezembro de 1944, perto do estádio do Botafogo, o atacante registrado por Jair Ventura Filho, mesmo tendo assistido muitos treinos do Mané Garrincha e gostando de driblar, jurou nunca ter pretendido imitá-lo.

 - Eu era meia-esquerda, não dava para imitar o Mané (Garrincha). Cheguei a jogar algumas partidas pela ponta, quando subi ao time profissional. Durante os Jogos Pan-Americanos de 1963 (em São Paulo), o treinador Antoninho (Fernandes) me fixou na posição. Euu gostava de driblar, mas o meu futebol era modesto para ser comparado ao do Garrincha, como muitos torcedores botafoguenses fanáticos começaram a falar. Eu precisava aprender muito para jogar a metade do futebol que o Mané (Garrincha) jogava – foi sincero. o atacante.

Jairzinho e Garrincha reproduzidos de capa da Revista do Esporte


 Jairzinho afirmou, ainda,  que uma outra razão para ele não tentar imitar  o endiabrado Mané Garrincha era achar ridículo um outro jogador querer fazê-lo.

- O estilo do Garrincha (com muitos dribles) era uma marca registrada dele. Cada jogador deve ter o seu estilo – defendeu.

 Enquanto se dizia admirador do Mané, o futuro “Furacão da Copa do Mundo-1970” elogiava os ponteiros que iam à linha de fundo, explicando isso assim:

 - Bola lançada da linha de fundo é, sempre, um perigo para as defesas, meio-gol. Não recomendo cruzamentos à meia-altura ou alto, pois favorecem defesas e goleiros. Prefiro o cruzamento recuado rasteiro, que pode pegar defensores desprevenidos.  

 Como àquela altura da entrevista fomos chamados para uma conferência do Eusébio, antigo craque do futebol português, não deu temepo para eu  perguntar o que seria cruzamento recuado rasteiro - até hoje não sei.      



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