Em
1970, quem passou pela situação foi um outro ponta-direita, Rogério Hetmaneck,
do Botafogo. Estava jogando demais, quando uma contusão o tirou da rota do tri
canarinho. Hoje, a medicina esportiva o curaria, rápido. Com a sua dispensa,
Jairzinho ganhou a sua vaga e tornou-se uma das estrelas da Copa do Mundo. Em
1994, a bola da vez foi o zagueiro Ricardo Gomes, revelação do Fluminense,
dispensado às vésperas do Mundial, por se machucar em um amistoso contra os
canadenses. Deveria, como o capitão do time,
ter levantado a taça do tetra, o que ficou a cargo de Dunga.
Um
outro exemplo marcante aconteceu com o goleiro Franz, revelado pelo carioca São
Cristóvão. Estava jogando tanto que, quando a Confederação Brasileira de
Desportos-CBD convocou jogadores de times pequenos para disputar – foi
campeão – o Campeonato Sul-Americano de
Acesso-1964, nem se discutiu quem seria o goleiro titular. Depois do título, a
entidade passou a vê-lo como virtual dono camisa 1 para a Copa-1966. Inclusive,
quando os repórteres insistiam para a comissão técnica adiantar os convocados
para uma excursão ao exterior, a única resposta era: convocação certa só a de
Franz.
E Franz foi buscado no “pequeno” São Cristóvão pelo “grande” Flamengo. Enfrentando o Botafogo, pelo Torneio Rio-São Paulo-1965, em 17 de abril, diante de 40.800 pagantes, o zagueiro gaúcho Luís Carlos Freitas atrasou-lhe mal a bola, permitindo a Jairzinho acreditar no lance, pular e cabecear, tentando o gol. Resultado: quando descia do pulo, o atacante botafoguense chocou-se com Franz e bateu, como seu antebraço, no ombro esquerdo do goleiro, que saía do arco para tentar a defesa. No ato, Franz sentiu um estalo, dor forte e, quando estatelou os seus 73 quilos e 1m80cm pelo gamado do Maracanã, percebeu a ponta do osso da clavícula esquerda forçando a pele.
Franz pediu aos colegas da
equipe – Murilo, Ditão, Luis Carlos Freitas
(Zózimo), Paulo Henrique, Carlinhos “Violino”, Fefeu; Amauri, Evaristo (Tião),
Berico e Paulo Alves (Foguete), dirigidos por Flávio Costa – para não
levantá-lo, pois tinha a certeza da fratura e preferia a chegada do socorro
médico. Levado, de maca, para o vestiário, solicitou aos repórteres não falarem
da gravidade da contusão, pois a sua mulher estava no oitavo mês de gravidez,
poderia ouvir e piorar as coisas.
Atendido
pelo médico Paulo San Tiago, Franz foi levado à Beneficiência Espanhola, recebeu uma injeção que aliviou,
um pouco, a dor, e passou por uma radiografia na clavícula. Em 11 de maio,
passou por cirurgia – entre as 10h55 e
às 12h – que inseriu-lhe um fio de metal
dentro do osso partido. Um das pontas ficou do lado de fora, mas seria retirada
tão logo a fratura estivesse consolidada. Levaria 45 dias para voltar a
treinar, contando com uma semana de internamento no hospital.
A
semana passou rápido. A recuperação, também.
Ficou mais um pouco e terminou dispensado pelo Flamengo. Andou pelo Vasco da Gama, mas nunca mais nem chegou
a ser cogitado pela Seleção Brasileira.
Nascido,
em 22 de maio de 1936, em Niterói, Franz August Heilfret, iniciou a carreira pelos juvenis do Fonseca,
de sua cidade. Tentou o Bangu, ainda amador, mas profissionalizou-se pelo América, em 1956. Próximo time, o Canto do
Rio, do qual saiu, em 1961, para o São Cristóvão, que o negociou, com o
Flamengo, em 1964, ficando por 48 jogos, até 1966. Após ter sido vascaíno, em 1967, entre o ano
seguinte e 1969 defendeu o Olaria. Voltou a ser são-cristovense, entre 1970 e
1973, e sacou que era hora de arrumar um outro emprego. Arrumou o de treinador
do Madureira, mas não foi longe. Tornou-se servidor público: fiscal de rendas
da Prefeitura de Niterói, pelo qual aposentou – currículo de boleiro
prejudicado por uma fatídica bola mal atrasada por um zagueiro. Há 52 temporadas.
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