Vasco

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domingo, 3 de janeiro de 2016

HISTÓRIAS DO FUTEBOLCANDANGO: BRASÍLIA EC BOTA O PÉ NA ESTRADA

 Não se lê e nem se ouve mais que times candangos vão excursionar a outras praças. Talvez, culpa da eterna crise financeira do futebol brasileiro, ou desses tempos ultramodernos em que o torcedor tem à disposição vários canais televisivos que mostram jogos de todos os cantos do planeta. Mas, antigamente, a rapaziada candanga saía para mostrar o seu veneno em outras plagas. O Brasília Esporte Clube, por exemplo, botou muito o pé na estrada.

Em 1979, o time que era mantido pela gente da Associação Comercial do DF girou pelos interiores de Minas Gerais e de São Paulo, encarando times de força equivalentes e fazendo bonito, por cotas que iam até a casa dos Cr$ 30 mil cruzeiros, a moeda da época. Nada mau, para pagar os salários dos astros Ernani Banana, Péricles Carvalho e Edmar Bernardes.

Nesse giro, iniciado em fevereiro, o Brasília, com três gols de Edmar, estreou mandando 3 x 0 Uberlândia-MG, mesmo cansado por uma viagem que terminou na madrugada do dia da partida. No jogo seguinte, ficou no 0 x 0 Fernandópolis-SP, time dirigido por Dicão, um dos seus ex-treinadores e que teve ao seu favor a “patriotada” do árbitro Irineu de Sousa, que anulou gols legítimos, de Banana e Ney, e deixou de assinalar pênaltis sobre Banana e Péricles. 

Para fazer o terceiro amistoso, o Brasília voltou ao interior mineiro e mandou mais um 3 x 0, com a vítima sendo a Associação Desportiva Guaxupé e os “matadores “ Edmar (2) e Péricles.

O quarto compromisso foi 1 x 1 Votuporanguense-SP, com gol do lateral-esquerdo Odair Galetti, que fez um “overlaping” no lance, com o atacante Jorgeney Nery, o Ney. Mais uma vez, rolou  “patriotada” da arbitragem, tirando a vitória do time do treinador Cláudio Garcia. Novo empate, por 2 x 2, foi o placar do jogo seguinte, contra a  Associação Esportiva Araçatuba-SP, com mais de 70% do prélio dominado pelo “Colorado do Planalto”, apelido que não pegou. O Brasília sofreu o primeiro gol, correu atrás do empate e mandou três bolas contra a trave do anfitrião, até Ney bater na rede, cinco minutos depois do choque. Sete minutos depois, o mesmo Ney virou o placar, definido nos “dois pra lá, dois pra cá” ainda no primeiro tempo.

Próximo pega, 1 x 1 Uberaba-MG com Ney abrindo a conta e sendo um dos grandes nomes do jogo, juntamente com Luís Carlos Teixeira, o “Calica”, Maurinho e Péricles. Por fim, o Brasília encerrou  o roteiro com 2 x 2 Araguari-MG, com Péricles e Banana batendo na rede.

Para o supervisor Carlos Romeiro, o mais importante para o Brasília não fora a invencibilidade, mas abrir mercado, tendo ele anunciado convites para mais amistosos em Rio Claro, Orlândia, Presidente Prudente e São Caetano do Sul. Mais: Banana ficou na mira de clubes paulistas, com maior  interesse da Portuguesa de Desportos; Péricles recebeu propostas de Uberaba, Uberlândia e Fernandópolis, clube que interessou-se, também, por Emerson Baraga, além de Araçatuba e Guaxupé, enquanto Odair ficou na mira do Uberaba.

Cláudio Garcia usou este time-base durante os amistosos: Jonas; Ferreti, Jonas ‘Foca”, Emerson (Luiz Carlos ‘Calica’) e Odair; Paulinho, Péricles e Ernani ‘Banana’; Wilmar, Edmar e Ney. Também entraram  durante os jogos: Mário, Maurinho, Raimundinho ‘Baianinho”, Moreirinha  e Zezinho Maranhão.

                                              EXCURSÃO DE 1978

Pelo início do segundo semestre de 1978, o time do Colorado do Planalto (apelido que não pegou) estreou em um giro com 0 x 2 Catanduvense-SP, após uma cansativa viagem rodoviária. Recuperou-se com 2 x 0 América de Rio Preto-SP, com Albeneir (2) na rede e a seguir ficou no 1 x 1 Velo Clube-SP, com gol de Edmar, domínio quase total da pugna, bolas contra as traves anfitriãs e gol local marcado de pênalti – Jonas; Ferreti, Emerson Braga, Luís Carlos “Calica” Teixeira e Jonas ‘Foca”; ‘Paulinho (Wel), Péricles e Ernâni ‘Banana’ (Moreirinha); Zezinho ‘Maranhão’, Edmar e Ney foi o time.

No jogo seguinte, o Brasília fez a sua grande partida do giro, saindo de 0 x 2 para  3 x 2 Portuguesa Santista,  com três gols de Edmar Bernardes – Jonas; Ferreti (Luís Carlos Teixeira), Jonas ‘Foca” e Odair; Paulinho, Péricles e Edmar; Zezinho ‘Maranhão’, Albeneir e Ney foi a formação.

Seguiram e 1 x 0 Seleção de Angra dos Reis-RJ, com gol de Jorgeney Neri, o Ney, encerrando a invencibilidade, de 14 partidas, do adversário – Jonas; Ferreti, Luís Carlos (Mário), Emerson e Odair (Foca); Paulinho, Péricles e Banana; Albeneir, Edmar e Ney foi a escalação do técnico Cláudio Garcia – São José-SP 0 x 0; Taubaté 1 x 0;  2 x 2 Esportiva de Guaratinguetá; 2 x 0 Volta Redonda-RJ e 2 x 0 Uberaba-MG, encerrando a excursão que teve gols de Edmar (6), Albeneir (3), Banana (3), Périces (2) e Ney (1).

“MATADOR” - futuro goleador do Cruzeiro, Flamengo Corinthians, Palmeiras, da Seleção Brasileira do italiano Pescara, Edmar fez o nome durante a excursão, com jornais paulistas noticiando interesse do Santos pelo seus gols.  Os seus gols desse giro foram assim:

1 x 1 Velo Clube – lambanças de zagueiros, com tentativa de atrasar bola para o goleiro. Edmar chegou primeiro e mandou a bola por entre as “canetas” do camisa 1.

3 x 2 Portuguesa Santista – no primeiro, Péricles foi até a linha de fundo,  cruzou para a área, onde ele estava para “matar”. No segundo, Emerson mandou bola pra frente.  Na intermediária, Edmar a disputou, pelo alto, com um zagueiro, que tentou a atrasada para o goleiro. Ganhou, foi com a pelota até a entrada da área e executou o arqueiro, quando este saía do arco. Finalmente, pegou a bola em seu campo, viu quatro defensores  pela frente e Ney pedindo o passe, pela esquerda. Preferiu encarar a corrida, deixou o quarteto para trás e ficou frente a frente com o goleiro para encaçapar.      

2 x 0 Esportiva – Odair subiu à linha de fundo, cruzou para a área, Edmar subiu e cabeceou a bola na altura “primeiro poste”, mandando à esquerda para a rede.

2 x 0 Volta Redonda – Zezinho “Maranhão” ataca, pela direita, lança e Edmar dribla o marcador. Chuta forte e rasteiro, o goleiro dá rebote, ele se antecipa a um zagueiro e bate forte e cruzado para o canto direito da baliza.    

                           

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